Buscar no Blog

Capa / 01-Destacados Topo / Redação e Gramática: As diferenças entre Linguagem Oral e Escrita

Redação e Gramática: As diferenças entre Linguagem Oral e Escrita

Aprenda como tirar os vícios da fala de seu texto e mande bem na Redação dos vestibulares, da FUVEST e do Enem.

Falar parece ser mais fácil que escrever, não é verdade? Quando falamos não nos preocupamos com acentuação, se pontuamos adequadamente, entre tantos outros detalhes exigidos pela norma culta do português. Além de simplificarmos as regras, outros pontos que acabam nos ajudando, pois no ato da fala nos valemos da entonação de voz, dos gestos e das expressões faciais.

Durante a fala é mais fácil interromper uma ideia para acrescentar uma explicação ou reformular o pensamento.  Falar é mais prático e dinâmico. No entanto, sabemos que não podemos dispensar a escrita. E, mais: precisamos tomar alguns cuidados para que não extrapolar os vícios da fala para o papel.  Observe a imagem a baixo.  O autor desta redação escreveu a mensagem com características da oralidade:

Redação Linguagem OralSe fossemos transcrever a mensagem para com ela deveria ser na linguagem escrita, ela ficaria mais ou menos assim: “Soltar pipa com cerol pode ser uma brincadeira perigosa. Essa mistura de cola com caco de vidro triturado é responsável por uma série de acidentes, alguns tão graves que levam a vítima a óbito. Por isso, eu resolvi escutar a minha mãe, que me aconselhava a não soltar pipa. Meu pai também falou ‘não solte pipa’. Mesmo sem soltar pipa, eu sou um garoto feliz.”.

Dica 1 – Veja 10 perguntas e respostas para você produzir uma Redação nota 1000: http://blogdoenem.com.br/redacao-vestibular-nota-dez/

O professor Luiz Antônio Marcushi, do Departamento de Letras da Universidade Federal de Pernambuco, apresenta no vídeo a seguir características próprias da fala e da escrita:

http://www.youtube.com/watch?v=XOzoVHyiDew

Para que esse problema de incluir indevidamente numa Redação do Enem, de vestibulares ou da FUVEST vícios da linguagem oral separamos para você um conjunto de dicas criadas pelo site Algo sobre.   Elas estão no post “As diferenças entre Fala e Escrita”. O artigo completo você encontra neste link: http://www.algosobre.com.br/redacao/as-diferencas-entre-fala-e-escrita.html

Planejar a redação, eis a questão
A fim de expressar-se claramente na escrita, acostume-se a planejar a redação (esquematizar o que pretende escrever) e reescrevê-la até que as ideias estejam perfeitamente claras, compreensíveis. Pergunte a si mesmo, colocando-se no lugar do leitor, se o texto está claro e se traduz seu pensamento.
Tenha paciência com você: um bom texto não vem ao mundo de uma hora para outra… Outra coisa: escrever não é meramente transpor a fala para o papel. Observe:

Texto I (falado) –  “Ela tava ali, lindinha e nos conformes, cara… Fiquei olhando, imaginando um jeito de dize!; bem, você sabe, né? De dizer aqueles negócios que fico pensando sem ela. Era hora, agora, vou lá, dou uma chavecada nela, buzino umas no ouvidinho dela, tá na minha… Bom, tava faltando coragem, puxa, foi me dando um frio, uma coisa, um estado… Virei as costas, meu irmão, e me mandei…”

Texto II (escrito) – “Digo a você que ela estava lá, diante dos meus olhos. Perfeita. Olhei-a imaginando um jeito de dizer o quanto era importante para mim, dizer o que pensava dela quando estava a sós comigo mesmo. Pensei ser a hora certa, conversa1: Mas me faltou coragem. Fugi.”

Como você pode observar, há características peculiares de um texto escrito. Ele deve se apresentar como um todo semântico, com as partes bem amarradas, desprovido das marcas de oralidade tais como repetições, pausas, inserções, expressões vulgares ou continuativas.

Dica 2 – Veja as 5 competências essenciais para fazer uma boa redação dissertativa: http://blogdoenem.com.br/redacao-enem-competencias/

A língua escrita parece pertencer a outro universo, embora consigamos registrá-la facilmente. Há concordâncias, regras; além do que outra exigência da escrita é sua apresentação formal: os parágrafos devem começar a uma distância certa da margem e com letra maiúscula; as palavras devem ser separadas umas das outras por espaços em branco; as orações devem ser pontuadas; as palavras necessitam de ortografia oficial.

No entanto, deve ficar bem claro que tais exigências não constituem a qualidade principal de um texto escrito: saber grafar corretamente as palavras ou acentuar seguindo as regras não quer dizer que se escreva bem porque saber escrever é, antes de tudo, saber transpor com clareza e eficiência as ideias para o papel. É assim que se constrói um bom texto.

Dessa forma, tenha em mente:

1) Escrevemos para dar um testemunho de nossa existência e… eficiência, não apenas para tirar uma nota, passar num vestibular;
2) É preciso que leiamos o que escrevemos com o olho do outro, ou seja, autocrítica é fundamental;
3) Precisamos nos familiarizar com a escrita, e devagar colocarmos nossos pensamentos na forma desejada.

De dentro para fora…
Mas… de nada adiantará a você saber bem regras de ortografia, pontuação, acentuação, concordância verbal e nominal, se não tiver aquilo que pode chamar de “estofo”, ou seja, sua redação só será boa caso se disponha a cuidar, antes de realizá-la, de seu intelecto. Não se escreve sobre aquilo que não se sabe. Portanto, disponha-se a ler jornais, revistas, livros, a observar o mundo e a verificar que verdades costumam ter dois lados. Reconheça de que lado está. Afinal, você já ouviu dizer que “Quem quer conhecer o gato deve levar em consideração também o ponto de vista do rato.”

Leia bastante, discuta sobre o que leu, debata suas ideias, construa seu universo intelectual. Cresça, enfim, de dentro para fora. Invista em você, em sua criatividade, em sua capacidade de estar atento. Assim você melhora sua escrita, e consequentemente a qualidade da sua Redação.
Escrever é decorrência do ato de pensar. Então, leia de tudo um pouco: filosofia, religião, política, bula de remédio, receita de bolo, história em quadrinhos, editoriais de jornais, notícias de assassinatos, outdoors, poemas, romances, resumo da sessão da tarde. Dessa forma, estará construindo seu lado de dentro, um universo muito mais rico, e buscando construir um discurso próprio, particular, marca de sua própria individualidade. Afinal, só escrevemos uma boa redação quando sabemos bem sobre o que vamos escrever.

Viu só? Então, vale a pena pensar na estrutura da escrita, assim mesmo, como uma estrutura que exige um comportamento diferente da língua falada.

Dica 3 - O linguista Sírio Possenti escreveu um post em seu blog com o título “Escrever como se fala”. Ele traz uns pontos interessantes para melhorar sua redação e para pensarmos como seria se escrevêssemos como falamos, vale a leitura: http://terramagazine.terra.com.br/blogdosirio/blog/2013/01/10/escrever-como-se-fala/
Dica 4: Redação – Saiba como usar a Vírgula corretamente nesta Aula Grátis – http://blogdoenem.com.br/redacao-virgula-aula-gratis/
Dica 5: Literatura: Revisão sobre a vida e a obra de Machado de Assis - http://blogdoenem.com.br/literatura-revisao-machado-de-assis/
Dica 6: Literatura – Figuras de Linguagem: revise o conteúdo com Aula Grátis - http://blogdoenem.com.br/literatura-figuras-linguagem-revise-conteudo-aula-gratis/
Amanda Enem Literatura
Este post foi elaborado por Amanda Nascimento. Ela é formada em jornalismo pela Unisul. Atualmente é acadêmica do curso de Letras – Português e Literaturas, na Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, editora de revistas, e colaboradora do Blog do Enem. Amanda está aqui no Facebook: https://www.facebook.com/amanda.nascimento.9066 .

Sobre Blog do Enem