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Texto e Discurso: Você precisa reconhecer a diferença entre os dois

Diferenciar o que é texto do que é discurso torna-se um fator essencial para o entendimento dos objetivos do nosso interlocutor, que vai além dos textos com os quais nos deparamos. Saber a diferença entre texto e discurso pode render pontos preciosos no Enem ou no vestibular.

Quando você se encontra diante da prova do Enem ou de um vestibular, você trava contato com textos diversos, oriundos de diversas situações de comunicação. Mas o entendimento de cada um deles não vem somente com a apropriação e a interpretação de cada um desses textos.

Você precisa também ir mais além e compreender o discurso de seu interlocutor, o autor do texto, para poder se apropriar de toda sua intenção comunicativa.

Dica 1 – Veja aqui uma aula introdutória do professor Jackson Gil sobre Leitura e Interpretação de Textos. Vale para Redação e para Gramática no Enem e no vestibular, e ajuda você na compreensão deste post sobre Texto e Discurso: http://blogdoenem.com.br/redacao-portugues-enem-interpretacao-textos/

mikhail - discurso

Segundo o filósofo russo Mikhail Bakhtin, a comunicação é dialógica e intertextual, ou seja, os interlocutores nunca estão sozinhos, quando do processo enunciativo. Para ele, nenhum discurso é original; toda palavra é uma resposta à palavra do outro. E é nesse contexto que se situam as variadas possibilidades de criação e recriação da linguagem.

Diferença entre Texto e Discurso – Você deve ficar atento para:

Texto: unidade linguística concreta, percebida pela audição (na fala) ou pela visão (na escrita), que possui um sentido e apresenta uma intenção comunicativa.

Exemplo: uma música, um poema, uma carta, uma charge, etc.

Discurso: atividade comunicativa, constituída de texto e com texto discursivo (interlocutores, finalidade, contexto, etc.).

Exemplo: na charge (texto) abaixo, o autor utiliza-se da charge para transmitir seu discurso, no qual faz uma crítica à violência no país.

discurso

Você pode perceber melhor a diferença entre o texto e o discurso assistindo ao vídeo abaixo, produzido pela Rede Minas de televisão, para a série Plantão Enem. Tem apenas um minuto e 50 segundos:

Você deve estar atento a mais um detalhe: assim como há o texto e o discurso, também há intertextos e interdiscursos. Bakthin foi o primeiro a nos apresentar essa ideia; para ele, os enunciados não são autossuficientes, refletindo um no outro. “Cada enunciado é pleno de ecos e reverberações de outros enunciados, com os quais se relaciona pela comunhão da esfera da comunicação verbal” (Estética da Criação Verbal, 1997, p.316).

Preste atenção nos conceitos a seguir:

Intertextualidade: é a relação entre dois textos, caracterizada por um citar o outro.

Interdiscursividade: é a relação entre dois discursos, caracterizada por um citar o outro.

Atenção: a diferença é que na interdiscursividade, não há apenas a relação entre os textos, mas também se faz referência à situação de produção (quem fez, para quem fez, em que momento histórico, com qual finalidade, em que gênero, etc.).

Veja a baixo um exemplo de intertextualidade e de interdiscursividade na poesia:

Meus oito anos
Oh! Que saudade que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais
Que amor, que sonhos, que flores
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras
Debaixo dos laranjais!
[…] (Cassimiro de Abreu)
 Meus oito anos
Oh que saudades que eu tenho
Da aurora da minha vida
De minha infância querida
Que os anos não trazem mais
Naquele quintal de terra
Da Rua de Santo Antônio
Debaixo da bananeira
Sem nenhum laranjais.
[…] (Oswald de Andrade)

Você pode perceber que, em seu poema, Oswald de Andrade nos exemplifica o intertexto e o interdiscurso. O poema é intertextual porque o cita versos do poema de Cassimiro de Abreu, e também ocorre a interdiscursividade porque Oswald dialoga com seu antecessor, contrapondo as suas formas de ver o mundo; uma mais idealizada e a outra mais realista.

Dica 2. Você já domina ‘Conotação’ e ‘Denotação’? É um conteúdo essencial para a prova de Linguagens no Enem. Veja aqui um post especial sobre Denotação e Conotação: http://blogdoenem.com.br/denotacao-conotacao-linguagem-literaria/

Exercício: –  Agora chegou a sua vez! Responda a questão abaixo que o Blog do ENEM preparou para você.

→ Leia a anedota a seguir.

O barbeiro:  – Como é que o senhor quer as costeletas?

O freguês, dono do restaurante:  – Bem passadas, com molho e pimenta.

1. Não houve comunicação entre os interlocutores. Qual foi o motivo?

a) As condições de produção da enunciação não foram levadas em consideração.

b) Os interlocutores não se conheciam.

c) Os interlocutores não tinham a mesma profissão.

d) Os interlocutores não tinham a mesma intenção comunicativa.

Resposta: letra “a”.

Comentário: Como vimos nessa aula todo discurso é dialógico e leva em consideração o interlocutor. O que aconteceu foi que o freguês não levou em consideração a condição de produção do discurso e nem o papel social do interlocutor. O freguês estava em uma barbearia, sendo atendido por um barbeiro; portanto a palavra costeleta não teria o mesmo significado que em um restaurante.

Jackson Gil - Redação
O texto foi preparado pelo professor Jackson Gil Avila para o Blog do Enem. Jackson é licenciado em letras Português/Espanhol; especialista em Literatura Contemporânea e em Gramática do Texto; e mestrando em Ciências da Linguagem, todos pela UNISUL.