Tipologia Textual – Veja como se faz uma ‘Descrição’ – Literatura Enem

Nesta segunda parte da aula sobre Tipologia Textual, vamos revisar o texto dissertativo e o texto descritivo para Literatura Enem.

Você já sabe que as Tipologias Textuais são três: Narração, Dissertação, e Descrição. A narrativa lida com fatos. A Descrição é a Tipologia Textual que se constrói com caracterizações. e a Dissertação é um texto argumentativo. Veja a seguir os segredos da Descrição.

Tipologia Textual. Veja como é a Descrição

Tipo de texto em que se faz um retrato por escrito de um lugar, uma pessoa, um animal ou um objeto. A classe de palavras mais utilizada nessa produção é o adjetivo, por sua função caracterizadora. Numa abordagem mais abstrata, pode-se até descrever sensações ou sentimentos. A famosa canção Garota de Ipanema, de Vinícius de Moraes e Tom Jobim é bastante descritiva, como mostra seus primeiros versos:

Olha que coisa mais linda
Mais cheia de graça
É ela menina
Que vem e que passa
No doce balanço, a caminho do mar

Moça do corpo dourado
Do sol de Ipanema
O seu balançado é mais que um poema
É a coisa mais linda que eu já vi passar

Ah, porque estou tão sozinho
Ah, porque tudo é tão triste
Ah, a beleza que existe
A beleza que não é só minha
Que também passa sozinha

Ah, se ela soubesse
Que quando ela passa
O mundo inteirinho se enche de graça
E fica mais lindo
Por causa do amor

Obs.: Normalmente, narração e descrição mesclam-se nos textos; sendo difícil, muitas vezes, encontrar textos exclusivamente descritivos.

Veja aqui um vídeo que mostra Garota de Ipanema com a letra original de Tom Jobim, e que depois continua com a letra modificada por Vinicius de Moraes, e que se tornou um sucesso mundial:

O estilo Dissertativo – Como se constrói uma Dissertação

A Redação Enem é uma encomenda de texto Dissertativo argumentativo. Ou seja, pede para o candidato que se escreva num estilo de texto com posicionamentos pessoais e exposição de ideias.

O texto dissertativo argumentativo, portanto, tem por base a lógica de uma argumentação, apresentada de forma estruturada e coerente a fim de defender um ponto de vista. É a modalidade mais exigida nos concursos em geral, por promover uma espécie de “raio-X” do candidato no tocante a suas opiniões. Nesse sentido, exige dos candidatos mais cuidado em relação às colocações, pois também revela um pouco de seu temperamento, numa espécie de psicotécnico. Abaixo, um pequeno exemplo de um texto dissertativo:

Mim

Descobri que Arnaldo Antunes escreveu a letra de “Beija Eu”, a qual foi projetada na voz de Marisa Monte. O ex-titã se inspirou na fala de seu filho, que, sabiamente, fugia da norma culta para expressar a vontade de ser bem quisto. Me parece difícil pedir algo tão primitivamente subjetivo, preocupando-se com regras. Somente as crianças são capazes de tamanha espontaneidade, pois sua sinceridade é por demais profunda e só consegue enxergar e demonstrar a essência das coisas.

Minha filha, até alguns anos atrás, usava o “mim” em várias frases. Perguntava, por exemplo, “Tu ajuda em mim?” e “Tu brinca com mim?”. Penso que não pode haver nada mais essencial e sublime do que isso. Além do mais, é de grande sonoridade. Experimente comparar “Tu brinca com mim?” com “Tu brinca comigo?”. O “comigo” é muito mais seco do que o “mim”, cuja nasalização faz propagar e ecoar o som.

Mas a musicalidade não é o mais importante nos barbarismos da minha filha. O trunfo maior da sua subversão gramatical é a forma como ela consegue ser plural em significados. Perguntar “Tu ajuda em mim?” é como querer saber se o interlocutor pode, não só ajudar você, mas também entrar na sua alma e comungar dos seus anseios/receios. O “mim” possibilita um passeio pelos sentidos, oblíquos ou não.

Alguns adultos infantis, não suportando ouvir as colocações fora de ordem das crianças, corrigem implacavelmente. É o mesmo que acontece com alunos que são podados por professores quando escrevem, por exemplo, uma composição. Os pequenos, assim como na fala, escrevem com uma linearidade que lhes é própria. As ideias parecem não fazer sentido. E não fazem mesmo, para quem está habituado a um mundo cartesianamente chato.

Eu amo “mim”. E amo as crianças também. Pena que a licença poética delas dura tão pouco: rapidamente (des) aprendem o correto. É como ouvir a música “Beija Eu” em meio a uma aula de Reforma Ortográfica. Um lampejo de liberdade ante o mundo de regras que estão em volta.

(Alencar Schueroff)

Saiba mais sobre Dissertação e Descrição nesta aula do canal INSTRUCAODIGITAL, disponível no Youtube. Após assistir, revise o que você aprendeu respondendo aos nossos desafios!

Veja 10 exemplos de textos dissertativos argumentativos avaliados como Redação Enem Nota 1000.

redação enem nota 1000

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Questão 1

Parceria Reeditada

“Viviane Pasmanter estreou na TV em 91, na novela “Felicidade”, de Manoel Calos, dirigida por Denise Saraceni. Ela deverá voltar a trabalhar com Denise em “Ciranda de pedra”, nova novela das 18h”.

(O Globo, 08/02/08)

A opção que melhor justifica o título do texto é:
a) o fato de Viviane Pasmanter ter estreado na TV em 1991.

b) de a atriz ter sido dirigida por Denise Saraceni.

c) por ter trabalhado com Denise Saraceni na novela “Felicidade”

d) por ter trabalhado com Denise Saraceni em “Felicidade” e trabalhar novamente com ela em “Ciranda de pedra”.

e) Viviane Pasmanter trabalhar em uma novela de Manoel Carlos.

Questão 2

Leia o texto a seguir:

Para fazer uma boa compra no ramo imobiliário, não basta ter dinheiro na mão. É imprescindível que o comprador seja frio, calculista e bem informado. Na hora de comprar um imóvel, a emoção é um dos maiores inimigos de um bom negócio. Assim, por mais que se goste de uma casa, convém manter sempre um certo ar de contrariedade. Se o vendedor perceber qualquer sinal de emoção, isso poderá custar dinheiro ao comprador. Não é por outra razão que quem compra para especular ou apenas para investir costuma conseguir um melhor negócio do que quem está à procura de um lugar para morar.

Segundo o texto:

a) Os vendedores, via de regra, buscam ludibriar os compradores, e vice-versa.

b) O vendedor costuma aumentar o preço do imóvel quando o comprador não está bem informado sobre o mercado de valores.

c) O mercado imobiliário oferece bons investimentos apenas para quem pretende especular.

d) No ramo imobiliário, uma atitude que aparente indiferença pode propiciar negócio mais vantajoso para o comprador.

e) No mercado imobiliário, o comprador realiza melhor negócio adquirindo uma propriedade de que não tenha gostado muito.

Questão 3

Segundo o mesmo texto:

a) Quanto maior a disponibilidade financeira do comprador, maior a probabilidade de sucesso no negócio imobiliário.

b) Disponibilidade econômica não é o único fator que possibilita a realização de um bom negócio.

c) O vendedor, por preferir negociar com investidores, desfavorece o comprador da casa própria.

d) Gostar de uma casa é psicologicamente importante em qualquer tipo de compra, seja ela para residência ou para investimento.

e) O mercado imobiliário oferece oportunidades mais seguras para o investidor que para o especulador.

Dica 3 – Saiba como identificar as diferenças de um texto em Prosa e em Verso. Pratique em exercícios de interpretação nesta aula de Literatura Enem – https://blogdoenem.com.br/prosa-verso-literatura-enem/

Questão 4

Cidade maravilhosa?

Os camelôs são pais de famílias bem pobres, e, então, merecem nossa simpatia e nosso carinho; logo eles se multiplicam por 1000. Aqui em frente à minha casa, na Praça General Osório, existe há muito tempo a feira hippie. Artistas e artesãos expõem ali aos domingos e vendem suas coisas. Uma feira um tanto organizada demais: sempre os mesmos artistas mostrando coisas quase sempre sem interesse. Sempre achei que deveria haver um canto em que qualquer artista pudesse vender um quadro; qualquer artista ou mesmo qualquer pessoa, sem alvarás nem licenças. Enfim, o fato é que a feira funcionava, muita gente comprava coisas – tudo bem. Pois de repente, de um lado e outro, na Rua Visconde de Pirajá, apareceram barracas atravancando as calçadas, vendendo de tudo – roupas, louças, frutas, miudezas, brinquedos, objetos usados, ampolas de óleo de bronzear, passarinhos, pipocas, aspirinas, sorvetes, canivetes. E as praias foram invadidas por 1000 vendedores. Na rua e na areia, uma orgia de cães. Nunca vi tantos cães no Rio, e presumo que muita gente anda com eles para se defender de assaltantes. O resultado é uma sujeira múltipla, que exige cuidado do pedestre para não pisar naquelas coisas. E aquelas coisas secam, viram poeira, unem-se a cascas de frutas podres e dejetos de toda ordem, e restos de peixes da feira das terças, e folhas, e cusparadas, e jornais velhos; uma poeira dos três reinos da natureza e de todas as servidões humanas.

Ah, se venta um pouco o noroeste, logo ela vai-se elevar, essa poeira, girando no ar, entrar em nosso pulmão numa lufada de ar quente. Antigamente a gente fugia para a praia, para o mar. Agora há gente demais, a praia está excessivamente cheia. Está bem, está bem, o mar, o mar é do povo, como a praça é do condor – mas podia haver menos cães e bolas e pranchas e barcos e camelôs e ratos de praia e assaltantes que trabalham até dentro d’água, com um canivete na barriga alheia, e sujeitos que carregam caixas de isopor e anunciam sorvetes e quando o inocente cidadão pede picolé de manga, eis que ele abre a caixa e de lá puxa a arma. Cada dia inventam um golpe novo: a juventude é muito criativa, e os assaltantes são quase sempre muito jovens.

(Rubem Braga)

Em vários momentos do texto, Rubem Braga utiliza longas enumerações cujos termos aparecem ligados pela conjunção E. Esse recurso tem a seguinte finalidade textual:

a) trazer a ideia de riqueza da cidade, em sua ampla variedade;

b) mostrar desagrado do autor diante da confusão reinante;

c) indicar o motivo de a cidade ser ainda considerada “maravilhosa”;

d) demonstrar simpatia pelo comércio popular;

e) procurar dar maior dinamismo e vivacidade ao texto.

Questão 5

A Carta de Pero Vaz de Caminha

De ponta a ponta é toda praia rasa, muito plana e bem formosa. Pelo sertão, pareceu nos do mar muito grande, porque a estender a vista não podíamos ver senão terra e arvoredos, parecendo-nos terra muito longa. Nela, até agora, não pudemos saber que haja ouro nem prata, nem nenhuma coisa de metal, nem de ferro; nem as vimos. Mas, a terra em si é muito boa de ares, tão frios e temperados, como os de Entre-Douro e Minho, porque, neste tempo de agora, assim os achávamos como os de lá. Águas são muitas e infindas. De tal maneira é graciosa que, querendo aproveitá-la dar-se-á nela tudo por bem das águas que tem.

(In: Cronistas e viajantes. São Paulo: Abril Educação, 1982. p. 12-23. Literatura Comentada. Com adaptações)

A respeito do trecho da Carta de Caminha e de suas características textuais, é correto afirmar que:

a) No texto, predominam características argumentativas e descritivas.

b) O principal objetivo do texto é ilustrar experiências vividas através de uma narrativa fictícia.

c) O relato das experiências vividas é feito com aspectos descritivos.

d) A intenção principal do autor é fazer oposição aos fatos mencionados.

e) O texto procura despertar a atenção do leitor para a mensagem através do uso predominante de uma linguagem figurada

 

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