Matrículas no Prouni em queda: entenda o que está acontecendo

Entenda os desafios que levaram à queda nas matrículas do Prouni, os impactos na educação superior e como reverter essa tendência.

O Prouni (Programa Universidade para Todos) já foi a porta de entrada para o ensino superior de quase 3,5 milhões de brasileiros desde 2005, oferecendo bolsas integrais e parciais em universidades particulares para estudantes de baixa renda.

No entanto, nos últimos anos, o programa enfrenta um problema preocupante: as matrículas estão diminuindo. Na última década, a queda foi de 32%, e em 2024, menos de 30% das 620 mil bolsas oferecidas foram ocupadas. Isso significa que 72% das vagas ficaram sem uso, um salto enorme em relação aos 18% de uma década atrás.

Por que as matrículas no Prouni estão caindo?

A pandemia de Covid-19 é apontada como um dos principais motivos.

Muitos jovens precisaram trabalhar para sustentar suas famílias, trocando os estudos por empregos como entregadores de comida, que oferecem renda imediata, mas poucas perspectivas de longo prazo.

De acordo com Claudia Costin, especialista em educação, em entrevista para o G1: “O jovem se desengajou dos estudos e passou a colocar dinheiro em casa”. Esse desengajamento reflete uma mudança de prioridades que ainda persiste, dificultando o retorno à educação formal.

Por que tantas vagas estão ociosas?

Além da queda no interesse, há um descompasso entre a oferta e a demanda. Muitas bolsas estão disponíveis em cursos com baixa procura ou em regiões periféricas, distantes dos grandes centros urbanos. Isso dificulta o acesso físico e emocional dos estudantes, que muitas vezes não se veem representados ou motivados por essas oportunidades.

Os estudantes também enfrentam custos de transporte, alimentação e material didático, o que inviabiliza a permanência nos cursos. Mesmo com o recorde de bolsas em 2024, a falta de suporte financeiro complementar é um dos principais obstáculos para o preenchimento das vagas.

Segundo o Censo da Educação Superior, entre 2005 e 2024, o Prouni beneficiou mais de 1,46 milhão de concluintes. Mas a concentração de bolsas em cursos menos concorridos, como tecnólogos de curta duração, e em faculdades distantes ou com infraestrutura precária, limita o alcance do programa.

Em 2025, o Prouni oferece 338.444 bolsas para o primeiro semestre, sendo 203.539 integrais e 134.905 parciais, distribuídas em 403 cursos de 1.031 instituições. A falta de alinhamento com as aspirações dos estudantes, aliada à pouca atratividade de algumas formações, contribui para o número crescente de vagas ociosas.

💚 Fique atento: os candidatos não selecionados em primeira chamada no Prouni 2025.1 ainda têm chance na lista de espera, com inscrições abertas apenas nos dias 26 e 27 de março de 2025 (quarta e quinta-feira desta semana).

Ensino superior ainda vale a pena?

Apesar dos desafios, o ensino superior continua sendo um diferencial no mercado de trabalho. “Ter concluído a graduação melhora a empregabilidade e protege contra a substituição por ‘robôs’”, afirma Claudia Costin.

Em um cenário de transformações tecnológicas, o diploma de graduação representa mais oportunidades de emprego, estabilidade e melhores salários. De acordo com um estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), trabalhadores com ensino superior ganhavam, em média, 126% a mais que aqueles com apenas o ensino médio.

Como reverter a queda nas matrículas do Prouni?

Especialistas apontam dois caminhos principais: divulgação e políticas de permanência.

Muitos jovens ainda desconhecem o Prouni ou não sabem como se inscrever. É necessário ampliar a comunicação nas escolas, redes sociais e comunidades, especialmente entre estudantes da rede pública e populações vulneráveis.

Além disso, políticas de permanência estudantil são cruciais. O Ministério da Educação reajustou em 20% a Bolsa Permanência para estudantes indígenas, quilombolas e em situação de vulnerabilidade. Outra ação recente é o Pé-de-Meia Licenciaturas, lançado em 2025, que oferece R$ 1.050 mensais a candidatos de cursos presenciais de licenciatura com nota acima de 650 no Enem. A medida visa incentivar a formação de novos professores e garantir condições dignas para quem estuda.

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Luana Santos

Jornalista formada pela UFSC e redatora da Rede Enem
Categorias: Atualidades Enem, Prouni
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