O Ateneu de Raul Pompéia: Impressionismo na Literatura Brasileira – Literatura Enem

Saiba mais sobre um dos maiores Clássicos da Literatura Brasileira:  “O Ateneu”, de Raul Pompéia! Revise Literatura para gabaritar as questões de Linguagens do Enem!

“O Ateneu”, obra-prima de Raul Pompéia é um dos maiores clássicos da Literatura Brasileira. Neste post você conhecerá mais sobre este romance que é nosso principal representante do Impressionismo na prosa.Antes de estudarmos o romance e seu contexto histórico, vamos conhecer um pouco sobre a história de seu autor.

Raul Pompéia (1863-1895)

Nascido em Angra dos Reis, no Rio de janeiro, Raul Pompéia era de família rica e estudou em importantes colégios de sua cidade. É de um deles, o Colégio Abílio, que Pompéia, que fora aluno interno do colégio, trouxe as recordações que mais tarde dariam origem a sua obra mais conhecida, “O Ateneu”. Em 1881, inicia os estudos de Direito, que cursou em São Paulo e Recife. Em 1888, “O Ateneu”, foi lançado em livro depois de ter sido publicado em folhetins pela Gazeta de Notícia.

Raul Pompéia

Tendo se envolvido em diversas polêmicas, como a demissão da direção da Biblioteca Nacional por conta de um discurso que teria desacatado Prudente de Morais, então presidente da república; ou ainda por ter sido alvo de diversas calúnias e intrigas com Olavo Bilac, Pompéia deu cabo de sua vida no natal de 1895.

“Vais Descobrir o mundo, disse-me meu pai, à porta do Ateneu”

É com essa frase que Raul Pompéia inicia o romance “O Ateneu”, que narra a história de Sérgio, recém chegado ao Internato no Rio de Janeiro. A ação do livro ocorre no ambiente fechado e corrupto dessa instituição, onde convivem crianças, adolescentes, professores e empregados. A narração dos fatos é feita pelo próprio Sérgio, já adulto. As recordações e impressões que marcaram sua vida durante os anos que passou no Ateneu constituem a matéria do romance, que adquire assim caráter memorialista, como implícito no subtítulo do primeiro do capítulo: “Crônicas de saudades”.

Primeira edição de “O Ateneu”, de Raul Pompéia.

Sendo assim O Ateneu não é apenas uma reprodução fotográfica de certa realidade, mas o resultado de uma experiência em termos de impressões pessoais. O mundo da escola é sempre visto e retratado a partir da perspectiva particular de Sérgio. Desse modo, a instituição, os colegas, os professores e o diretor Aristarco são representados em função de certa ótica, claramente caricatural, em que os erros, hipocrisias e ambições são projetadas e realçadas.

Naturalismo

Para os naturalistas, o ser humano está sujeito às leis inexoráveis do meio social, do momento histórico e da herança genética. “O Ateneu”, busca espelhar a realidade e, portanto, seus componentes mais sórdidos: ambições, aparências, desejos.  Os desejos inconfessáveis de Sérgio por D. Ema, mulher do diretor Aristarco, e a sua relação com os seus diversos amigos: Franco, Sanches, Rebelo, e outros.

Expressionismo

Segundo o professor e crítico Alfredo Bosi, “O Ateneu”, não se define em sentido estritamente realista; e se já houve quem o tenha por impressionista, afetado pela plasticidade nervosa de alguns retratos e ambientações pessoalíssimas, por outras razões se veriam nele traços expressionistas, como o gosto do mórbido e do grotesco com que deforma sem piedade o mundo do adolescente.* É pela via do caricatural, portanto, que essa obra irá aproximar-se também do expressionismo. Assim o faz com o jardineiro, que assassina à outro funcionário em razão de uma disputa afetiva.

Impressionismo

A crítica, contudo, costuma apontar a “O Ateneu” de Pompéia como impressionista. O narrador reconstrói a realidade a partir de seu próprio ponto de vista, dando suas impressões mais subjetivas e pessoais sobre os acontecimentos e os seus personagens. Recobrando os fantasmas, os medos, as angústias, os desejos do pré-adolescente Sérgio, o autor se enquadra no estilo Impressionista de autores como Marcel Proust, Eça de Queiroz e Anton Tchekov.

O desfecho do romance é marcado por um almoço na casa do diretor Aristarco, em comemoração à inauguração de um busto de cobre em sua homenagem, e também pelo incêndio do colégio.  O desfecho pode ser visto, como comentou Mário de Andrade, como uma vingança do autor em relação à memória da infância.

Veja agora essa videoaula sobre “O Ateneu”, do canal Literatura Fora da Escola, com o professor Lucas Limberti:

E também essa outra videoaula documentário do canal Carecas de Saber, com a professora Cristiane:

Para praticar, resolva esses desafios sobre O Ateneu:

Os textos e exemplos acima foram produzidos pelo professor Renato Luís de Castro. Renato tem Graduação em Letras/Francês pela Unesp-Araraquara, e mestrado em Estudos Literários também na Unesp. Irá concluir agora a Licenciatura pela UFSC-Florianópolis. Gosta de música, filosofia, história, poesia, arte em geral. Tem experiência com cursinhos pré-vestibulares e com ensino Médio.  Anda insistindo em ser aprovado num curso de doutorado. https://www.facebook.com/renato.luisdecasttro