Pré-Modernismo: Euclides da Cunha e Graça Aranha – Literatura Enem

Conheça dois autores marcantes do Pré-Modernismo: Euclides da Cunha e Graça Aranha. Estude também suas principais obras: "Os Sertões" e "Canaã". Revise Literatura Enem para gabaritar a prova de Linguagens!

Nesse post você conhecerá um pouco da obra de Euclides da Cunha e Graça Aranha, autores que em suas obras mostraram facetas da cultura brasileira, e ajudaram a enriquecer a nossa literatura regionalista marcando o Pré-Modernismo.

Euclides da Cunha (1866-1909)

Escritor e Jornalista nascido no Rio de Janeiro, Euclides da Cunha  tornou-se jornalista correspondente de guerra, tendo sido convidado pelo Jornal Estado de São Paulo para cobrir os acontecimentos decisivos da Guerra de Canudos, em 1897. O conflito, entre o exército brasileiro e a comunidade ”Canudos”, liderada por Antônio Conselheiro, ocorreu no Interior da Bahia, durante os anos de 1896 e 1897.

Euclides da Cunha

Os escritos de sua experiência em Canudos renderam-lhe a publicação de “Os Sertões”, obra que marcaria o movimento pré-modernista. O texto  trata-se de um relato histórico, mesclado à literatura, que retrata os acontecimentos da Guerra de Canudos, e também a vida e sociedade do povo desse Arraial, negligenciado pelo Estado Brasileiro de fins do século XIX. Por esse motivo, “Os Sertões” representa um marco da literatura regionalista e da história do Brasil, sendo, portanto, analisada por outras áreas do conhecimento, tal qual: Antropologia, Sociologia, Geografia e História. Por meio de uma linguagem cientificista, Euclides recrimina o nacionalismo e ufanismo exacerbado da sociedade brasileira da época, mostrando a face cotidiana e realista do país e de sua gente.Euclides da Cunha.

Os Sertões (1902)

A obra mais famosa de Euclides da Cunha é organizada em três partes: A Terra, O Homem e A Luta.

A Terra

Essa parte da obra é dividida em 5 capítulos. Aqui é feita a descrição do ambiente (local, clima, relevo, fauna, flora, vegetação, etc.) do sertão e da seca que assola a região. Trata-se de um estudo geográfico, focado na entrada do sertão, no caminho para Monte Santo, da vista de suas favelas, clima e as secas, as caatingas, os juazeiros, umbuzeiro, jurema. Inicialmente, Euclides foca na descrição do Sertão, apontando para aspectos dessa paisagem, a fauna, a flora e o clima árido da caatinga. Aborda também o povo dessa região, jagunços e sertanejos, os quais se misturam a essa paisagem marcada por anos de exploração. Nesse primeiro momento, portanto, apresenta um lugar separado geográfica e temporalmente do resto do país.

 

O Homem

Essa parte da obra também se divide em 5 capítulos, onde serão  realizadas: a descrição do sertanejo, da vida e dos costumes do sertão. Fazendo jus a um verdadeiro estudo antropológico e sociológico, no qual o homem é determinado pela tríade – meio, raça e história – segundo a teoria determinista do historiador francês Hippolyte Taine. Aqui são analisados também o jagunço, o cangaceiro, bem como a figura do líder do Arraial de Canudos, Antônio Conselheiro, desde sua genealogia. Euclides a miscigenação e o determinismo racial sobre: o índio, português, negro, o mestiço. Sendo, portanto, o homem o fruto do meio em que vive.

 A Luta

Descrição da Guerra de Canudos. Dividido em 34 capítulos, trata-se de um estudo historiográfico que narra as quatro expedições realizadas pelo exército nacional, enviados para destruir o Arraial de Canudos, que contava com cerca de 20 mil habitantes. A história termina com o trágico desfecho e a destruição de Canudos.

Dica 1: Estude também os principais poetas da Geração de 30 com este excelente post de Literatura Enem do professor Renato.

Graça Aranha (1868-1931)

O maranhense José Pereira da Graça Aranha foi escritor e diplomata brasileiro, inicialmente aclamado pela Academia Brasileira de Letras, rompeu com a instituição em favor dos modernistas, valorizando a proposta de renovação e valorização da nova literatura nacional. O romance que marca a sua fase pré-moderna intitula-se “Canaã” (1902).

Graça Aranha.

Canaã (1902)

O romance trata dos debates de Milkau e Lentz, dois colonos alemães radicados no Espírito-Santo. Milkau representa o lado otimista, que vê progresso e futuro num Brasil harmonizado entre os diversos povos e etnias que o compõe, representa o evolucionismo humanitário. Para Lentz, por outro lado, renovar o Brasil, é ocupá-lo com uma raça superior, dando assim a imagem representativa do colonialismo, ou seja, imperialismo, por ele defendidas por razões estéticas.

Milkau, contudo, vai além das idéias abstratas, convertendo o seu humanismo em ação quando passa a proteger Maria, jovem colona, expulsa pelos patrões quando ficam sabendo de sua gravidez, vindo  depois a dar à luz em trágica situação. Milkau salvar Maria libertando-a do cárcere onde estava por ter sido acusada de matar o próprio filho, que fora devorado por uma vara de porcos. Milkau foge com Maria, buscando nova vida em outra a direção, em busca da luminosa Canaã, a Terra Prometida, “onde as feras não fossem homens”, projetando nesse refúgio ideal uma vida sem ódios e com o amor como única conquista.

Já no final, quando Milkau busca o juiz de direito para tentar uma solução para o processo em que Maria está envolvida, os dois acabam discutindo sobre a etnia brasileira, aproveitando Graça Aranha para tecer argumentos sobre o mulatismo.

Canaã é o poema das raças novas, da miscigenação das raças, de onde nascerá a perfeita harmonia universal.

A estrutura, a linguagem e as influências de Canaã

Canaã  é um romance de idéias, contudo, costuma-se afirmar que essa composição culminou por prejudicar a ficção propriamente dita, levando o autor a fazer “filosofia ficcionalizada” ou “ficção filosofante”. Isso pode ser visto na contínua intervenção teórica do autor durante o romance, através de digressões que interrompem a seqüência de eventos do livro. Também no esvaziamento dos personagens, que representam por si mesmo ideias, mais do que pessoas. Sendo assim, nota-se que o enredo é revestido de análises sociais ou psicológicas do Brasil. O que acabou diminuído o foco no enredo, que serve apenas de pretexto para a análise científica.

Obra sincrética, Canaã possui traços do Realismo no descritivismo quase documental da simplicidade da vida do sertão, das doenças, dos imigrantes, etc. Evidentemente, estas cenas vão além do realismo – posto que no pré-modernismo se tentava ir além deles – mas não chegam a um naturalismo “científico” como em Emile Zola, autor de “Germinal”. Este naturalismo cabe apenas ao nível da linguagem narrativa, cenas típicas desse estilo ocorrem, por exemplo: o enterro do velho caçador, cujo cadáver é disputado aos coveiros por cães e urubus famintos; o rito bárbaro dos magiares, que fecundam a terra com o sangue de um cavalo chicoteado até a morte, ou ainda o nascimento do filho de Maria em meio à mata, entre porcos que acabam por devorar a criança, para o terror da mãe.

Do Simbolismo, há o enfoque metafísico, a alegoria, a associação das sensações ao momento, características que vão além da mera observação. Do simbolismo também há a presença de mitos folclóricos indígenas e europeus, que ajudam no’ desenvolvimento da idéia de Milkau sobre o Brasil. Canaã representou uma ponte entre as correntes filosóficas e estéticas do final do século XIX (Realismo, Naturalismo, Simbolismo) e contribuiu para a revolução modernista da segunda década do século XX.Dica 2: Para saber mais leia: CÂNDIDO, Antônio. Euclides da Cunha: Sociólogo. Remate de Males. Revista eletrônica. Unicamp, 1999. Disponível neste link.

Para não deixar dúvidas, veja agora essa videoaula do canal Carecas de Saber, com a professora Cristiane:

E também essa outra videoaula, sobre o Pré-Modernismo, abordando mais autores do período. Aula canal aulade.com.br, com o professor Bira:

Para reforçar, faça alguns exercícios sobre o tema:

1. (FCC-BA)Obra pré-modernista eivada de informações histórias e científicas, primeira grande interpretação da realidade brasileira, que, buscando compreender o meio áspero em que vivia o jagunço nordestino, denunciava uma campanha militar que investia contra o fanatismo religioso advindo da miséria e do abandono do homem do sertão. Trata-se de:

a) O sertanejo, de José de Alencar.

b) Pelo sertão, de Afonso Arinos.

c) Os Sertões, de Euclides da Cunha.

d) Grande Sertão: veredas, de Guimarães Rosa.

e) Sertão, de Coelho Neto.

2. (UFRGS-RS)Uma atitude comum caracteriza a postura literária de autores pré-modernistas, a exemplo de Lima Barreto, Graça Aranha, Monteiro Lobato e Euclides da Cunha. Pode ela ser definida como

a) a necessidade de superar, em termos de um programa definido, as estéticas românticas e realistas.

b) pretensão de dar um caráter definitivamente brasileiro à nossa literatura, que julgavam por demais europeizadas.

c) a necessidade de fazer crítica social, já que o realismo havia sido ineficaz nessa matéria.

d) uma preocupação com o estudo e com a observação da realidade brasileira.

e) aproveitamento estético do que havia de melhor na herança literária brasileira, desde suas primeiras manifestações.

3.(UFRGS- 2009) Os Sertões, de Euclides da Cunha, é uma obra que

(A) narra um episódio de messianismo ocorrido em vilarejos do interior de Pernambuco e do Sergipe no início do século XX.

(B) narra a formação e a destruição de um povoado sertanejo liderado por Antônio Conselheiro na segunda metade do século XIX.

(C) denuncia a ocupação de um povoado sertanejo por forças armadas de Pernambuco e do Sergipe aliadas a jagunços locais.

(D) expõe a liderança carismática de Antônio Conselheiro em seu esforço para converter sertanejos monarquistas em republicanos.

(E) denuncia a campanha difamatória contra o exército brasileiro promovida por jornais e políticos interessados em restaurar a monarquia.

4.(UFRGS – 2000) Assinale com V (Verdadeiro) ou F (Falso) as afirmações abaixo sobre a obra Os Sertões, de Euclides da Cunha.

( ) No texto de Euclides da Cunha, misturam- se o requinte da linguagem, a intenção científica e o propósito jornalístico.

( ) A obra euclideana insere-se numa tradição da literatura brasileira que tematiza o povoamento do sertão, iniciada ainda no Romantismo com autores como Bernardo Guimarães.

( ) Euclides da Cunha escreveu Os Sertões com base nas reportagens que realizou como correspondente do jornal O Estado de São Paulo.

( ) Antônio Conselheiro é uma personagem fictícia criada pelo imaginário do autor.

( ) O episódio de Canudos, retratado no texto de Euclides da Cunha, faz parte dos movimentos de protesto surgidos logo após a proclamação da Independência do Brasil.

A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é

(A) V – F – V – F – F.

(B) V – V – V – F – F.

(C) F – F – V – V – F.

(D) F – V – F – F – V.

(E) V – V – F – F – F.

Gabarito:

1) C.

2) C.

3) B.

4) A.

 Os textos e exemplos acima foram produzidos pelo professor Renato Luís de Castro. Renato tem Graduação em Letras/Francês pela Unesp-Araraquara, e mestrado em Estudos Literários também na Unesp. Irá concluir agora a Licenciatura pela Ufsc-Florianópolis. Gosta de música, filosofia, história, poesia, arte em geral. Tem experiência com cursinhos pré-vestibulares e com ensino Médio.  Anda insistindo em ser aprovado num curso de doutorado. https://www.facebook.com/renato.luisdecasttro