Conheça a história, o simbolismo e o sentido cultural da Quarta-feira de Cinzas e entenda por que essa data marca o início da Quaresma.
Se você passou o Carnaval curtindo os blocos, sambando ou simplesmente descansando, talvez não tenha parado para pensar no que vem logo depois da folia: a Quarta-feira de Cinzas. Mas essa data carrega um significado histórico, religioso e cultural muito mais profundo do que parece e entendê-la ajuda a compreender melhor a própria lógica do calendário ocidental.
Bora descobrir de onde vem essa tradição e o que ela representa?
O que é a Quarta-feira de Cinzas?

A Quarta-feira de Cinzas é uma data do calendário litúrgico cristão, especialmente significativa para os católicos e para algumas denominações protestantes. Ela marca o início da Quaresma, um período de 40 dias de reflexão, jejum e penitência que antecede a Páscoa.
O nome vem de um ritual simbólico realizado durante a missa desse dia: o sacerdote faz um sinal da cruz com cinzas na testa dos fiéis, pronunciando as palavras “Lembra-te de que és pó e ao pó voltarás”, uma frase tirada do livro do Gênesis, na Bíblia. As cinzas utilizadas no rito são feitas a partir da queima dos ramos de palma bêntos no Domingo de Ramos do ano anterior, fechando um ciclo simbólico bastante significativo.
Por que justamente cinzas?
Nas culturas antigas, as cinzas eram um símbolo universal de luto, arrependimento e humildade. No Antigo Testamento, cobrir-se de cinzas era um gesto de penitência e de reconhecimento da própria fragilidade diante de Deus. A Igreja Católica retomou esse simbolismo e o transformou em um rito oficial a partir do século XI, quando o Papa Urbano II o tornou obrigatório para todos os fiéis.

Existe também uma dimensão filosófica nessa prática: as cinzas lembram que a vida é passageira e que a morte faz parte da condição humana. Não à toa, a data sempre vem logo após o Carnaval (a festa mais exuberante do ano), criando um contraste proposital entre a celebração intensa da vida e a meditação sobre a finitude.
O que é a Quaresma?
O período de 40 dias da Quaresma é uma referência direta à narrativa bíblica em que Jesus passou 40 dias no deserto, em jejum e oração, sendo tentado pelo diabo antes de iniciar sua missão pública. Os 40 dias também evocam outros episódios marcantes da tradição judaico-cristã, como os 40 anos que o povo hebreu passou no deserto após a saída do Egito.
Durante a Quaresma, os cristãos são convidados a praticar três pilares: oração, jejum e caridade. Na tradição católica, o jejum mais conhecido é a abstinência de carne vermelha às sextas-feiras, daí o costume muito popular no Brasil de comer peixe nesse período.
A Quaresma se encerra na Semana Santa, com a celebração da morte e ressurreição de Jesus, culminando no Domingo de Páscoa.
O Carnaval acontece exatamente nos dias que antecedem a Quarta-feira de Cinzas (de domingo a terça-feira gorda). Isso não é coincidência: a festa surgiu, entre outras origens, como uma celebração popular anterior à entrada no período austero da Quaresma.
A própria palavra “carnaval” tem uma das suas etimologias mais aceitas no latim carne vale, que significa “adeus à carne”, uma despedida dos prazeres e da alimentação farta antes do jejum quaresmal. Outra hipótese aponta para carrus navalis, nome de um desfile festivo realizado na Roma Antiga.
Folia e reflexão, festa e penitência: percebe como os dois momentos fazem parte de um mesmo ciclo cultural e religioso que estrutura o calendário ocidental até hoje?
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