Veja o Ensino Híbrido: o novo formato dos cursos superiores

Na hora de escolher o seu curso de graduação você vai encontrar uma novidade no mercado: Cursos Híbridos. Eles não são nem cursos "presenciais" puros, e nem cursos "EaD" totalmente online. Eles pegam uma parte de cada modelo. Veja agora o que é, para você não escolher errado depois.

Você pretende entrar na faculdade agora, ou no próximo semestre? Ótimo, parabéns. Tenho certeza de que você vai conseguir. A novidade é que em muitas faculdades, além das opções já conhecidas de cursos presenciais, ou de cursos por Educação a Distância (EAD), agora tem também a opção do curso superior por Ensino Híbrido. Você já sabe o que é?

Não se preocupe se ainda não souber. Quase ninguém sabe ainda. É que até antes da Pandemia do novo Coronavírus era mais simples na hora de entrar na faculdade. Você tinha os Cursos de Graduação do Ensino Presencial, com os alunos indo na faculdade todos os dias, e tinha os Cursos de Graduação da Educação a Distância (EAD).

Nos cursos da EAD os alunos podiam estudar desde carreiras em que era possível fazer 100% online, como Administração, Tecnologias da Informação, Contabilidade, Filosofia e outros, tendo somente que ir fazer provas nas faculdades ou nos polos;

Ou, os alunos podiam fazer cursos a distância estudando pela internet e com apostilas na maior parte do tempo, e indo uma vez por semana  ou a cada 15 dias nos polos para fazer aulas práticas ou atividades em cursos de Enfermagem, Nutrição, Engenharias e etc. Cada faculdade é livre para definir o seu modelo de oferta de cursos por Educação a Distância.

O que é o Ensino Híbrido

O nome “Ensino Híbrido” surge no início da década de 2010, nos Estados Unidos, quando alguns colégios da educação básica presencial,  academias militares, e faculdades presenciais começaram a usar a Internet para colocar uma carga extra de estudos para os alunos.

Além do tempo de aulas que eles já tinham no Ensino Presencial da época, os estudantes nestes estabelecimentos  passaram a ter mais textos de leitura, mais resolução de exercícios, games, quiz, e tira-dúvidas com professores, mesmo fora do horário das aulas. Como era um  sistema de educação que somava o Ensino Presencial com o Ensino Online, deram o nome de Ensino Híbrido.

Resultados do Ensino Híbrido

O resultado de aprendizagem do Ensino Híbrido nos Estados Unidos (EUA) foi positivo. O Departamento de Educação dos EUA  publicou um estudo neste sentido, mostrando que estas escolas e faculdades até então tradicionais, e que passaram a usar o complemento de estudos online, começaram a tirar notas melhores nos exames norteamericanos do tipo “Enem” ou do tipo “Enade”, que são as provas que avaliam os alunos que terminam o Ensino Médio ou a Faculdade por lá.

Metodologias Ativas

Um detalhe importante é que para merecer o nome de Ensino Híbrido (ou Educação Híbrida) não basta colocar conteúdos em pdf ou aulas gravadas na internet, para o aluno “se virar”. É preciso ter uma articulação planejada entre as duas modalidades de ensino (presencial + EAD), estratégias pedagógicas que promovam a aprendizagem, e a participação de professores ou tutores na orientação e acompanhamento dos alunos.

Em muitas instituições que adotam o Ensino Híbrido ele chega com técnicas de Metodologias Ativas (onde o foco é o aluno e o processo de aprendizagem), novas tecnologias, e técnicas de Ensino Adaptativo, onde cada aluno recebe atendimento de acordo com o seu desempenho ou dificuldades. É como se fosse um Ensino Personalizado, que pode chegar mesmo a ser até individualizado.

O ensino hibridizado no Brasil

No Brasil a Internet chegou para uso comercial a partir de 1995, e foi crescendo aos poucos. O acesso ainda é muito caro, muitas vezes precário, ou até inexistente em algumas localidades. Mesmo assim as experiências de utilização na educação online têm sido utilizadas  e crescido bastante, principalmente no Ensino Superior, com a Educação a Distância.

Outra área forte da educação online são os cursos preparatórios, como é o caso do Curso Enem Gratuito, que é 100% online. O curso de idiomas Duolingo é 100% online, e sucesso no mundo todo.

A questão da hibridização do ensino no Brasil é bem diferente do que aconteceu nos Estados Unidos. Lá, a internet foi utilizada para dar mais carga de conteúdos e de atividades para os estudantes da educação presencial.

Aqui no Brasil, pegando o exemplo das faculdades e universidades, nos cursos superiores, o que mais tem acontecido é  uma divisão da mesma carga de estudos anterior, com uma parte para estudos no modelo presencial (na faculdade ou nos polos), e a outra uma parte para ser ofertada no modelo de educação online (a distância).

A Educação Semipresencial

As faculdades e universidades brasileiras que utilizaram primeiro um sistema combinado de uma parte dos estudos a distância e de uma parte dos estudos no campus ou nos polos de apoio da EaD chamavam este  modelo de “semipresencial”. Na liderança deste modelo, por muitos anos, estiveram os cursos EaD da Unopar, Uninter, Fael, Uniasselvi, Uniube, e da Anhanguera.

Porém, este modelo da semipresencialidade não se confunde com o modelo de Ensino Híbrido. Na prática os alunos deste modelo semipresencial tinham que comparecer um dia por semana para atividades presenciais num dos polos da instituição. Ali eles se reuniam com um professor tutor para ter aulas ou realizar atividades, ou apenas iam ao polo para assistir em grupo uma aula via satélite, e realizar tarefas.

No Brasil, a pesquisa disponível para aferir e comparar o desempenho dos modelos da Educação e da Educação a Distância é o Exame Nacional de Discentes, o ENADE. É uma prova realizada pelo Ministério da Educação, e que acontece todo ano. O MEC aplica aos alunos concluintes uma prova que têm questões de conhecimentos específicos do curso, e questões de conhecimentos gerais relacionados.

A prova é a mesma para alunos das duas modalidades, e as notas têm dado empate técnico entre os egressos do Ensino Presencial e os egressos da EAD. Na prática, o resultado de aprendizagem têm sido equivalente, independente do método ou modelo em que o aluno está matriculado.

O Híbrido pré-Pandemia

A virada de chave para os  modelos Híbridos, no Brasil, começou a acontecer fortemente a partir da metade de 2021. Esta nova fase é completamente diferente deste modelo anterior, o  “semipresencial” da EAD. Duas grandes universidades já tinham lançado modelos de Ensino Híbrido antes da Pandemia. A UniCesumar, e o Grupo Anima. Ambas de alcance nacional.

Na UniCesumar, o modelo híbrido nasceu focado em oferecer nos polos de educação a distância uma carga de presencialidade com aulas, atividades e práticas de laboratório nos cursos EAD das áreas da Sáude e da Engenharia.

No Grupo Anima o caminho foi inverso. O foco foi trabalhar com os cursos presenciais das instituições do grupo, e aplicar nestes cursos uma parte a carga dos conteúdos de maneira online e interativa. Ou seja, na Unicesumar os alunos da EaD passaram a ter mais carga presencial. E, no Grupo Anima, foi o contrário: os alunos dos cursos presenciais passaram a ter mais carga didática online.

A Pandemia e o novo Ensino Híbrido

Mas, em março de 2020 chegou a Pandemia, que praticamente fechou as escolas e as universidades presenciais no mundo todo. No Brasil, não foi diferente. Para continuar com a maioria das aulas e atividades de aprendizagem a solução encontrada tanto para o Ensino Presencial quanto para a Educação a Distância foi conectar alunos e professores em salas de aula virtuais.

Todo mundo passou a conversar sobre Zoom, Google Meet; Teams, Google Classroom, Moodle, etc. O impacto foi mais forte nos cursos da Educação Presencial, que tiveram que “virar a chave” de maneira radical. Porém, ocorreu rapidamente um aprendizado nas instituições, nos alunos e professores sobre como fazer funcionar a educação com o uso de novos meios e novas metodologias.

Depois de um ano e meio de “aulas remotas”, ou de “ensino conectado”, veio a percepção de que muitas aulas do antigo Ensino Presencial poderial ser migradas para aulas online, sem prejuízo da aprendizagem do conteúdo. A parte “presencial” poderia ficar reservada para atividades práticas, imersão em laboratórios, e etc.

O resultado disso tudo é que no pós-pandemia vem aí um novo desenho de faculdade ou de universidade. O modelo Híbrido vem com força. Pelas normas atuais do Ministério da Educação, um curso presencial pode ter até 40% da sua carga didática oferecida por educação online. Ou seja, ele pode “virar um híbrido com 60% presencial, e 40% EaD.

As mesmas regras dizem que um curso EaD pode ter até 30% da carga didática oferecida em regime presencial (nos polos de EaD, ou mesmo nas unidades ou campus das instituições).  Na prática, um curso da Educação a Distância com mais carga presencial pode  “virar um híbrido”, com  70% EaD, e 30% presencial.

E você, o que acha do Híbrido?

  1. E agora, o que você  pensa a respeito?
  2. O Ensino Híbrido valeria pra você, para o seu estilo de aprendizagem?
  3. Ou, no seu caso, o melhor seria fazer um curso 100% presencial, de segunda a sexta frequentando a universidade?
  4. Mas, e se fosse um curso 100% online, sem precisar ir na universidade?
  5. Se você pudesse fazer até as provas pelo computador, de casa ou do trabalho?

 

O futuro é agora

Boas-vindas ao novo mundo da Educação Superior. As portas estão abertas pela nota do Enem para quem vai encarar o SISU, o PROUNI, o FIES, ou para quem vai tentar uma bolsa de estudos diretamente nas ofertas das universidades privadas.

O seu caminho agora tem uma encruzilhada com três alternativas para você seguir em frente: a – Educação Presencial; b- Educação a Distância; c – Ensino Híbrido.

Como estudar para o Enem

Se você vai fazer o Enem, e precisa estudar à distância, veja as dicas do Blog do Enem com os cursos de Redação, de Matemática, os Mapas Mentais, e do Curso Enem Gratuito.

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A escolha é sua.

Veja o que é o Ensino Híbrido

João Vianney dos Valles Santos

Psicólogo e jornalista, Vianney é diretor do Blog do Enem. Tem doutorado em Ciências Humanas, coordenou o Laboratório de Ensino a Distância da UFSC, e Dirigiu o Campus Unisul Virtual. É consultor de EaD da Hoper Educação.
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