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Entenda como funciona o Supremo Tribunal Federal (STF)

Isabela Braga 15 setembro, 2026 Atualizado em 15 setembro, 2026 Avaliação:

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Nesta terça-feira (15), o Supremo Tribunal Federal (STF) está no centro das atenções do noticiário brasileiro por causa de uma sessão histórica. Pela primeira vez, a Corte poderá autorizar a abertura de uma investigação...

Entenda como funciona o Supremo Tribunal Federal (STF)

Nesta terça-feira (15), o Supremo Tribunal Federal (STF) está no centro das atenções do noticiário brasileiro por causa de uma sessão histórica. Pela primeira vez, a Corte poderá autorizar a abertura de uma investigação contra um de seus próprios integrantes, o ministro Alexandre de Moraes.

Para acompanhar essa discussão, é importante compreender o funcionamento do Supremo. Esse conhecimento também pode fazer a diferença na hora de responder a questões do Enem sobre Constituição, democracia, cidadania, separação dos Poderes e direitos fundamentais.

Sessão plenária extraordinária do STF – 15/09/2026. Foto: Alejandro Zambrana/STF

O que é o STF?

O Supremo Tribunal Federal (STF) é a mais alta Corte do Poder Judiciário brasileiro e atua como guardião da Constituição Federal, garantindo uma interpretação uniforme do texto constitucional em vigor.

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O STF e a separação dos poderes

Para entender o papel do STF, é importante lembrar de um dos princípios fundamentais da democracia brasileira: a separação dos Poderes.

No Brasil, o poder estatal é dividido entre:

Executivo → administra o Estado

Legislativo → elabora, modifica, revoga leis e fiscaliza

Judiciário → analisa conflitos e aplica a legislação

Esses Poderes são independentes e devem atuar de forma harmônica.

O STF faz parte do Poder Judiciário, mas suas decisões frequentemente têm consequências políticas e sociais importantes.

Por isso, o tribunal ocupa uma posição central em debates sobre democracia, direitos fundamentais e funcionamento das instituições brasileiras.

Quais são as suas principais competências?

Entre as principais competências da Corte estão:

Controle de constitucionalidade

Uma das principais atribuições do STF é verificar se determinadas leis e atos do poder público estão de acordo com a Constituição Federal. Esse trabalho é chamado de controle de constitucionalidade.

Entre os instrumentos jurídicos utilizados estão:

  • Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI): questiona uma lei ou ato normativo que supostamente contrarie a Constituição.
  • Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC): busca confirmar que determinada lei ou ato normativo está de acordo com a Constituição.
  • Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (ADO): é usada quando a falta de uma lei ou de uma medida do poder público impede que uma determinação prevista na Constituição seja colocada em prática.
  • Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF): pode ser utilizada para evitar ou reparar lesão a preceito fundamental da Constituição.

Julgamento de recursos extraordinários

Outra função do Supremo é julgar o Recurso Extraordinário (RE), utilizado em casos que envolvem possível violação direta à Constituição.

Mas existe um filtro importante: a repercussão geral. Para que um recurso desse tipo seja analisado pelo STF, a questão discutida precisa apresentar relevância que ultrapasse os interesses específicos das partes envolvidas no processo.

Essa relevância pode ser, por exemplo, econômica, política, social ou jurídica.

A ideia é evitar que o STF precise analisar individualmente milhares de processos que com questões de menor impacto.

Julgamento de autoridades

O STF possui competências específicas para julgar questões envolvendo autoridades com foro por prerrogativa, mais conhecido como foro privilegiado, como presidente da república, senadores, deputados federais e ministros.

Extradições

Cabe ao Supremo processar e julgar pedidos de extradição solicitados por Estados estrangeiros, conforme as regras previstas na Constituição e na legislação brasileira.

O STF também possui iniciativa para propor alguns tipos de projetos de lei, especialmente aqueles relacionados à sua estrutura e ao funcionamento do Poder Judiciário. Entre eles estão propostas sobre a criação e a extinção de cargos.

Onde o STF entra no caminho de um processo?

Estamos falando da instância máxima do judiciário brasileiro. Isso significa que quando o STF decide algo, não cabe recurso a nenhum outro tribunal no país.

Mas é importante destacar que nem todo processo chega à Corte. Para que um caso seja analisado pelo Supremo, ele precisa se enquadrar em uma das competências previstas pela Constituição Federal.

Quem compõe o STF?

O STF deve ser composto por 11 ministros. Porém, atualmente, conta com dez ministros em exercício e uma cadeira vaga.

Eles são escolhidos pelo presidente da República. O indicado deve passar por sabatina e ser aprovado pela maioria absoluta do Senado Federal, ou seja, ter pelo menos 41 votos favoráveis no plenário.

De forma simplificada, o processo funciona assim:

Indicação pelo presidente → aprovação pela maioria absoluta dos senadores → nomeação.

É importante destacar que o fato de um ministro ser indicado por determinado presidente não significa que ele seja representante daquele governo. Depois de nomeado, o ministro exerce uma função no Poder Judiciário e possui garantias destinadas a assegurar sua independência. Essa característica está relacionada ao princípio da separação e independência entre os Poderes.

Para ser ministro do STF, a Constituição estabelece alguns requisitos:

  • ser brasileiro nato;
  • ter entre 35 e 70 anos;
  • possuir notável saber jurídico;
  • ter reputação ilibada – conduta moral íntegra e reconhecida.

Os ministros devem se aposentar compulsoriamente aos 75 anos.

Organização interna

O Tribunal é organizado em plenário, turmas e presidente.

Plenário

É a corte completa, formada pelos 11 ministros. O órgão se reúne em plenário para discutir e votar ações.

Turmas

Para dar mais agilidade ao julgamento dos casos, o STF é dividido em duas Turmas, e cada uma deve formada por cinco ministros.

Atualmente, a primeira turma é composta por quatro ministros (devido a ausência de um ministro): Flávio Dino, Cármen Lúcia, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin.

Já a segunda turma conta com cinco ministros: Luiz Fux, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Nunes Marques e André Mendonça.

Presidente

O presidente da Corte não participa de uma Turma enquanto exerce a presidência.  Ele é escolhido por voto secreto entre os ministros e tem como função guiar as sessões do tribunal. O mandato é de dois anos. No biênio 2025 – 2027, o ministro Edson Fachin ocupa o cargo.

Como são tomadas as decisões?

Quando um processo chega ao STF, ele é distribuído a um dos ministros, que passa a atuar como relator. Cabe a ele conduzir o caso.

Normalmente, as decisões nos tribunais devem ser colegiadas, ou seja, tomadas por uma das Turmas ou pelo Plenário. Os ministros analisam, debatem o caso, considerando a legislação e a Constituição, e votam em sessões públicas. Em geral, prevalece a posição que alcançar a maioria dos votos.

No entanto, em algumas circunstâncias específicas, os ministros podem tomar decisões de forma monocrática, sem a necessidade de consulta ao órgão colegiado.

Depois do julgamento, a decisão do STF pode produzir efeitos diferentes, dependendo do tipo de processo. Em determinadas situações, ela vale apenas para as partes envolvidas; em outras, pode ter efeitos mais amplos e influenciar a forma como casos semelhantes serão julgados em todo o país.

Por que entender o funcionamento STF é importante para o Enem?

Mais importante do que decorar nomes de ministros ou decisões específicas é compreender o funcionamento e qual é o papel institucional do STF. Conhecer o Supremo ajuda a compreender temas que podem ser cobrados na prova como:

  • separação dos Poderes;
  • direitos e garantias fundamentais;
  • controle de constitucionalidade;
  • democracia;
  • cidadania;
  • funcionamento das instituições;
  • equilíbrio entre os Poderes;
  • organização do Estado brasileiro.

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