Crase. Tudo o que você precisa saber! de Gramática vestibular e Enem

Tudo o que você precisa saber sobre crase para não errar no Enem nem no Vestibular. Vale também para fazer aquela redação nota mil! Tire suas dúvidas.

Gramática - Crase

A crase é aquele acento invertido que só aparece em cima do ‘a’ e que não parece fazer muita diferença na vida de ninguém! Foi o que eu ouvi de um garoto do ensino médio para quem eu dava aulas particulares.  Assim não dá, concorda?

Felizmente, ele mudou de ideia e aprendeu a usar a crase sem dificuldades. Afinal, não há mistério no uso deste acento. Suas regras de uso são bastante específicas e só isto é o que torna o uso da crase bastante simples. Confira:

“Crase” é uma palavra grega que significa fusão, mistura e, na língua portuguesa, é o nome dado para a junção de duas vogais idênticas. Assim, este não é o nome do acento, mas do fenômeno que ele indica, o de duas vogais fundidas.

O exemplo mais importante é o da fusão da preposição a com os artigos femininos a ou as, com os pronomes demonstrativos a ou as, com a inicial dos pronomes aquele(s), aquela(s), aquilo e com a do pronome relativo a qual (as quais).

O nome do acento é grave e ele é utilizado para indicar a crase, então, o uso apropriado deste acento vai depender da compreensão das condições para a fusão das duas vogais. É fundamental, portanto, dominar as regras de regência dos verbos e nomes que exigem a preposição a.

Aprender a usar a crase consiste em aprender a verificar a ocorrência simultânea de uma preposição e de um artigo ou pronome. Observe o seguinte exemplo:

Vou à escola.
Vou a + a escola.

Neste exemplo, temos a proposição a, exigida pelo verbo ir (ir a algum lugar), e a ocorrência do artigo a, que determina o substantivo feminino escola. Sempre que ocorre esse encontro de vogais, elas se unem e sua união é indicada pelo acento grave.

Veja estes outros exemplos:

Conheço a professora.
Conhecer é um verbo que não requer a preposição a, conhecer alguém.

Refiro-me à professora.
Referir-se é um verbo que requer a preposição a, referir-se a alguém.

Você lembra que, em relação à regência, os verbos podem ser intransitivos, transitivos diretos, transitivos indiretos ou bitransitivos. A transitividade do verbo indica se ele é complementado com um objeto ou não. A ocorrência da crase está diretamente relacionada com os verbos transitivos indiretos, aqueles que requerem o uso de uma preposição, neste caso específico, da preposição a.

No exemplo acima, conhecer é um verbo transitivo direto, portanto não exige preposição e a crase não tem espaço para ocorrer. Referir-se é um verbo transitivo indireto e exige a preposição a, o que torna a crase necessária quando o termo seguinte for feminino e precedido pelo artigo a ou um dos pronomes indicados anteriormente.

Agora, eu preciso decorar a regência de todos os verbos do português!?

Se nossas cabeças fossem dicionários que carregamos para todo lado, isso seria bom, mas não é assim que a banda toca. Apesar disso, todos nós, nascidos e criados no Brasil, temos um conhecimento muito intuitivo das regras da língua portuguesa, pois estamos aprendendo-a desde o momento que nascemos. Assim, o que precisamos é de alguns macetes para acessar esse conhecimento.

Para verificar a existência da crase, ou seja, a ocorrência mútua da preposição e do artigo a ou pronome demonstrativo a, há uma dica muito simples:

Colocar um termo masculino no lugar do termo feminino que se está em dúvida. Se surgir a forma ao (junção da preposição a com o artigo masculino o), ocorrerá crase antes do termo feminino.

Conheço a professora. / Conheço o professor.
Refiro-me à professora. / Refiro-me ao professor.

Exemplos, muitos exemplos! Veja nos quadros abaixo

Casos em que a crase não ocorre:

[toggle title=”Diante de verbos no infinitivo:” state=”close” ]Verbos não admitem artigos, então percebemos que o a dos exemplos é apenas preposição.

A criança começou a falar.
Ela não tem nada a dizer.
Estavam a correr pelo parque.
Estou disposto a ajudar.
Continuamos a observar as plantas.
Voltamos a contemplar o céu.
[/toggle]

[toggle title=”Diante de pronomes e das expressões de tratamento:” state=”close” ]Exceto das formas senhorasenhorita e dona

Diga a ela que não estarei em casa amanhã.
Entreguei a todos os documentos necessários.
Ele fez referência a Vossa Excelência no discurso de ontem.
Peço a Vossa Senhoria que aguarde alguns minutos.
Mostrarei a vocês nossas propostas de trabalho.
Quero informar a algumas pessoas o que está acontecendo.
Isso não interessa a nenhum de nós.
Aonde você pretende ir a esta hora?
Agradeci a ele, a quem tudo devo.

Os poucos casos em que ocorre crase diante dos pronomes podem ser identificados pelo método explicado anteriormente. Troque a palavra feminina por uma masculina, se na nova construção surgir a forma ao, ocorrerá crase. Veja:

Refiro-me à mesma pessoa. (Refiro-me ao mesmo indivíduo.)
Informei o ocorrido à senhora. (Informei o ocorrido ao senhor.)
Peça à própria Cláudia para sair mais cedo. (Peça ao próprio Cláudio para sair mais cedo.)[/toggle]

[toggle title=”Diante de numerais cardinais:” state=”close” ]Chegou a duzentos o número de feridos.
Daqui a uma semana começa o campeonato.[/toggle]

Casos em que a crase sempre ocorre:

[toggle title=”Diante de palavras femininas:” state=”close” ]Amanhã iremos à festa de aniversário de minha colega.
Sempre vamos à praia no verão.
Ela disse à irmã o que havia escutado pelos corredores.
Sou grata à população.
Fumar é prejudicial à saúde.
Este aparelho é posterior à invenção do telefone.[/toggle]

[toggle title=”Diante da palavra ‘moda’, com o sentido de ‘à moda de’:” state=”close” ]Mesmo que a expressão moda de fique subentendida.

O jogador fez um gol à (moda de) Pelé.
Usava sapatos à (moda de) Luís XV.
O menino resolveu vestir-se à (moda de) Fidel Cast[/toggle]

[toggle title=”Na indicação de horas: ” state=”close” ]Acordei às sete horas da manhã.
Elas chegaram às dez horas.
Foram dormir à meia-noite.
Ele saiu às duas horas.

Obs.: com a preposição “até”, a crase será facultativa.
Por exemplo: Dormiram até as/às 14 horas. [/toggle]

[toggle title=”Em locuções adverbiais, prepositivas e conjuntivas de que participam palavras femininas:” state=”close” ]à tarde – à noite – às escondidas – à força – à vontade – à beça – à larga – à escuta – às avessas – à revelia – à exceção de – à imitação de – à esquerda – às turras – às vezes – à chave – à direita – à procura – à deriva – à toa– à luz – à sombra de – à frente de – à proporção que – à semelhança de – às ordens – à beira de – às ocultas – às claras – às pressas – à medida que[/toggle]

Casos em que a crase é facultativa:

[toggle title=”Diante de nomes próprios femininos:” state=”close” ]O uso da crase é facultativo porque diante de nomes próprios o uso do artigo é facultativo. Observe:

Paula é muito gata.
A Paula é muito gata.

Pedro é muito gato.
O Pedro é muito gato.

Assim, como é possível dispensar o uso do artigo feminino diante de nomes próprios femininos, podemos escrever as frases abaixo das seguintes formas e todas estarão corretas:

Entreguei o bilhete a Paula.
Entreguei o bilhete à Paula.

Entreguei o bilhete a Pedro.
Entreguei o bilhete ao Pedro.[/toggle]

[toggle title=”Diante de pronome possessivo feminino:” state=”close” ]Assim como no caso anterior, é facultativo o uso do artigo diante dos pronomes possessivos (minha, tua, dela, etc.).

Minha avó tem setenta anos.
A minha avó tem setenta anos.

Meu avô tem setenta anos.
O meu avô tem setenta anos.

Desta forma, o uso facultativo do artigo diante de pronomes possessivos femininos torna facultativo o uso da crase.

Cedi o lugar a minha avó.
Cedi o lugar à minha avó.

Cedi o lugar a meu avô.
Cedi o lugar ao meu avô.[/toggle]

Outros casos de ocorrência da crase:

[toggle title=”Crase diante de Nomes de Lugar:” state=”close” ]Alguns nomes de lugar não admitem a utilização do artigo a. Outros, no entanto, exigem o artigo. Seguindo o padrão que aprendemos até agora a crase somente ocorrerá diante daqueles nomes que exigem o artigo.

O pulo do gato: Para saber se um nome de lugar exige ou não o artigo feminino, substituímos o termo regente, ou seja, o verbo, por um que requeira a preposição de ou em. Quando obtivermos os equivalentes femininos da ou na, temos a prova de que esse nome pede o artigo a e, portanto, haverá crase.

crase
Créditos da imagem: Site Revisão pra Quê?

Vou à França. (Vim da França. Estou na França.)
Cheguei à Grécia. (Vim da Grécia. Estou na Grécia.)
Retornarei à Itália. (Vim da Itália. Estou na Itália)
Vou a Porto Alegre. (Vim de Porto Alegre. Estou em Porto Alegre.)
Retornarei a São Paulo. (Vim de São Paulo. Estou em São Paulo.)

Atenção! Quando o nome de lugar estiver especificado, ocorrerá crase.

Retornarei à São Paulo dos bandeirantes.
Irei à Salvador de Jorge Amado.[/toggle]

[toggle title=”Crase diante dos Pronomes Demonstrativos Aquele (s), Aquela (s), Aquilo:” state=”close” ]Sempre haverá crase diante desses pronomes quando o termo regente, ou seja, o verbo, exigir a preposição a.

Refiro-me àquele atentado.
Refiro-me a+aquele atentado.

Quando o verbo não exigir a preposição a, ele será transitivo direto. Não há a necessidade da crase.

Aluguei aquela casa.

Veja mais exemplos:

Dediquei àquela senhora todo o meu trabalho.
Quero agradecer àqueles que me socorreram.
Refiro-me àquilo que aconteceu com seu pai.
Não obedecerei àquele sujeito.
Assisti àquele filme três vezes.
Espero aquele rapaz.
Fiz aquilo que você disse.
Comprei aquela caneta.[/toggle]

[toggle title=”Crase com os Pronomes Relativos A Qual, As Quais:” state=”close” ]Semelhante ao caso anterior, quando lidamos com os pronome relativos a qual e as quais, a ocorrência da crase dependerá unicamente da regência do verbo, se ele exige a preposição a ou não. É possível fazer essa identificação usando a velha manha de substituir por um equivalente masculino.

A escola à qual me refiro fechou.
O colégio ao qual me refiro fechou.[/toggle]

[toggle title=”Crase com o Pronome Demonstrativo ‘a'” state=”close” ]Igual ao caso anterior, quanto temos o pronome demonstrativo a, podemos identificar a ocorrência da crase trocando o termo regido por um equivalente masculino:

Aquela rua é transversal à que vai dar na minha casa.
Aquele beco é transversal ao que vai dar na minha casa.

Sua blusa é idêntica à de minha colega.
Seu casaco é idêntico ao de minha colega.[/toggle]

[toggle title=”A palavra Distância” state=”close” ]A ocorrência da crase depende de a palavra distância estar especificada ou determinada. Se está, a crase deve ocorrer:

Minha cidade fica à distância de 100 quilômetros daqui. (A palavra está determinada.)
Todos devem ficar à distância de 50 metros do palco. (A palavra está especificada.)

Se a palavra distância não está determinada, a crase não pode ocorrer:

Os militares ficaram a distância.
Gostava de fotografar a distância.
Ensinou a distância.
Dizem que aquele médico cura a distância.
Reconheci o menino a distância.[/toggle]

Agora, que tal resolver alguns exercícios sobre crase? Abaixo estão 42 questões baseadas naquelas cobradas nos vestibulares do Brasil.