Crase: tudo o que você precisa saber para o Enem e o Encceja

Veja o uso correto da Crase para não derrapar na Redação e não se perder nas questões objetivas. Sem essa de perder pontos fáceis. Eles podem fazer muita falta na hora de vencer as notas de corte. Confira aula gratuita com dicas, exemplos e exercícios do uso da Crase.

A crase é aquele acento invertido que só aparece em cima do ‘a’ e que não parece fazer muita diferença na vida de ninguém! Foi o que eu ouvi de um garoto do ensino médio para quem eu dava aulas particulares.  Assim não dá, concorda?

Felizmente, ele mudou de ideia e aprendeu a usar a crase sem dificuldades. Afinal, não há mistério no uso deste acento. Suas regras de uso são bastante específicas e só isto é o que torna o uso da crase bastante simples. Confira:

“Crase” é uma palavra grega que significa fusão, mistura e, na língua portuguesa, é o nome dado para a junção de duas vogais idênticas. Assim, este não é o nome do acento, mas do fenômeno que ele indica, o de duas vogais fundidas.Gramática - CraseO exemplo mais importante é o da fusão da preposição a com os artigos femininos a ou as, com os pronomes demonstrativos a ou as, com a inicial dos pronomes aquele(s), aquela(s), aquilo e com a do pronome relativo a qual (as quais).

O nome do acento é grave e ele é utilizado para indicar a crase, então, o uso apropriado deste acento vai depender da compreensão das condições para a fusão das duas vogais. É fundamental, portanto, dominar as regras de regência dos verbos e nomes que exigem a preposição a.

Aprender a usar a crase consiste em aprender a verificar a ocorrência simultânea de uma preposição e de um artigo ou pronome. Observe o seguinte exemplo:

Vou à escola.
Vou a + a escola.

Neste exemplo, temos a proposição a, exigida pelo verbo ir (ir a algum lugar), e a ocorrência do artigo a, que determina o substantivo feminino escola. Sempre que ocorre esse encontro de vogais, elas se unem e sua união é indicada pelo acento grave. Veja estes outros exemplos:

Conheço a professora.
Conhecer é um verbo que não requer a preposição a, conhecer alguém.

Refiro-me à professora.
Referir-se é um verbo que requer a preposição a, referir-se a alguém.

Você lembra que, em relação à regência, os verbos podem ser intransitivos, transitivos diretos, transitivos indiretos ou bitransitivos. A transitividade do verbo indica se ele é complementado com um objeto ou não.

A ocorrência da crase está diretamente relacionada com os verbos transitivos indiretos, aqueles que requerem o uso de uma preposição, neste caso específico, da preposição a.

No exemplo acima, conhecer é um verbo transitivo direto, portanto não exige preposição e a crase não tem espaço para ocorrer. Referir-se é um verbo transitivo indireto e exige a preposição a, o que torna a crase necessária quando o termo seguinte for feminino e precedido pelo artigo a ou um dos pronomes indicados anteriormente.

Agora, eu preciso decorar a regência de todos os verbos do português!?

Se nossas cabeças fossem dicionários que carregamos para todo lado, isso seria bom, mas não é assim que a banda toca. Apesar disso, todos nós, nascidos e criados no Brasil, temos um conhecimento muito intuitivo das regras da língua portuguesa, pois estamos aprendendo-a desde o momento que nascemos.

Assim, o que precisamos é de alguns macetes para acessar esse conhecimento.

Para verificar a existência da crase, ou seja, a ocorrência mútua da preposição e do artigo a ou pronome demonstrativo a, há uma dica muito simples:

Colocar um termo masculino no lugar do termo feminino que se está em dúvida. Se surgir a forma ao (junção da preposição a com o artigo masculino o), ocorrerá crase antes do termo feminino.

Conheço a professora. / Conheço o professor.
Refiro-me à professora. / Refiro-me ao professor.

Exemplos, muitos exemplos! Veja nos quadros abaixo

Casos em que a crase não ocorre:

[toggle title=”Diante de verbos no infinitivo:” state=”close” ]Verbos não admitem artigos, então percebemos que o a dos exemplos é apenas preposição.

A criança começou a falar.
Ela não tem nada a dizer.
Estavam a correr pelo parque.
Estou disposto a ajudar.
Continuamos a observar as plantas.
Voltamos a contemplar o céu.
[/toggle]

[toggle title=”Diante de pronomes e das expressões de tratamento:” state=”close” ]Exceto das formas senhorasenhorita e dona

Diga a ela que não estarei em casa amanhã.
Entreguei a todos os documentos necessários.
Ele fez referência a Vossa Excelência no discurso de ontem.
Peço a Vossa Senhoria que aguarde alguns minutos.


Mostrarei a vocês nossas propostas de trabalho.
Quero informar a algumas pessoas o que está acontecendo.
Isso não interessa a nenhum de nós.
Aonde você pretende ir a esta hora?
Agradeci a ele, a quem tudo devo.

Os poucos casos em que ocorre crase diante dos pronomes podem ser identificados pelo método explicado anteriormente. Troque a palavra feminina por uma masculina, se na nova construção surgir a forma ao, ocorrerá crase. Veja:

Refiro-me à mesma pessoa. (Refiro-me ao mesmo indivíduo.)
Informei o ocorrido à senhora. (Informei o ocorrido ao senhor.)
Peça à própria Cláudia para sair mais cedo. (Peça ao próprio Cláudio para sair mais cedo.)[/toggle]

[toggle title=”Diante de numerais cardinais:” state=”close” ]Chegou a duzentos o número de feridos.
Daqui a uma semana começa o campeonato.[/toggle]

Casos em que a crase sempre ocorre:

[toggle title=”Diante de palavras femininas:” state=”close” ]Amanhã iremos à festa de aniversário de minha colega.
Sempre vamos à praia no verão.
Ela disse à irmã o que havia escutado pelos corredores.
Sou grata à população.
Fumar é prejudicial à saúde.
Este aparelho é posterior à invenção do telefone.[/toggle]

[toggle title=”Diante da palavra ‘moda’, com o sentido de ‘à moda de’:” state=”close” ]Mesmo que a expressão moda de fique subentendida.

O jogador fez um gol à (moda de) Pelé.
Usava sapatos à (moda de) Luís XV.
O menino resolveu vestir-se à (moda de) Fidel Cast[/toggle]

[toggle title=”Na indicação de horas: ” state=”close” ]Acordei às sete horas da manhã.
Elas chegaram às dez horas.
Foram dormir à meia-noite.
Ele saiu às duas horas.

Obs.: com a preposição “até”, a crase será facultativa.
Por exemplo: Dormiram até as/às 14 horas. [/toggle]

[toggle title=”Em locuções adverbiais, prepositivas e conjuntivas de que participam palavras femininas:” state=”close” ]à tarde – à noite – às escondidas – à força – à vontade – à beça – à larga – à escuta – às avessas – à revelia – à exceção de – à imitação de – à esquerda – às turras – às vezes – à chave – à direita – à procura – à deriva – à toa– à luz – à sombra de – à frente de – à proporção que – à semelhança de – às ordens – à beira de – às ocultas – às claras – às pressas – à medida que[/toggle]

Casos em que a crase é facultativa:

[toggle title=”Diante de nomes próprios femininos:” state=”close” ]O uso da crase é facultativo porque diante de nomes próprios o uso do artigo é facultativo. Observe:

Paula é muito gata.
A Paula é muito gata.

Pedro é muito gato.
O Pedro é muito gato.

Assim, como é possível dispensar o uso do artigo feminino diante de nomes próprios femininos, podemos escrever as frases abaixo das seguintes formas e todas estarão corretas:

Entreguei o bilhete a Paula.
Entreguei o bilhete à Paula.

Entreguei o bilhete a Pedro.
Entreguei o bilhete ao Pedro.[/toggle]

[toggle title=”Diante de pronome possessivo feminino:” state=”close” ]Assim como no caso anterior, é facultativo o uso do artigo diante dos pronomes possessivos (minha, tua, dela, etc.).

Minha avó tem setenta anos.
A minha avó tem setenta anos.

Meu avô tem setenta anos.
O meu avô tem setenta anos.

Desta forma, o uso facultativo do artigo diante de pronomes possessivos femininos torna facultativo o uso da crase.

Cedi o lugar a minha avó.
Cedi o lugar à minha avó.

Cedi o lugar a meu avô.
Cedi o lugar ao meu avô.[/toggle]

Outros casos de ocorrência da crase:

[toggle title=”Crase diante de Nomes de Lugar:” state=”close” ]Alguns nomes de lugar não admitem a utilização do artigo a. Outros, no entanto, exigem o artigo. Seguindo o padrão que aprendemos até agora a crase somente ocorrerá diante daqueles nomes que exigem o artigo.

O pulo do gato: Para saber se um nome de lugar exige ou não o artigo feminino, substituímos o termo regente, ou seja, o verbo, por um que requeira a preposição de ou em. Quando obtivermos os equivalentes femininos da ou na, temos a prova de que esse nome pede o artigo a e, portanto, haverá crase.

crase
Créditos da imagem: Site Revisão pra Quê?

Vou à França. (Vim da França. Estou na França.)
Cheguei à Grécia. (Vim da Grécia. Estou na Grécia.)
Retornarei à Itália. (Vim da Itália. Estou na Itália)
Vou a Porto Alegre. (Vim de Porto Alegre. Estou em Porto Alegre.)
Retornarei a São Paulo. (Vim de São Paulo. Estou em São Paulo.)

Atenção! Quando o nome de lugar estiver especificado, ocorrerá crase.

Retornarei à São Paulo dos bandeirantes.
Irei à Salvador de Jorge Amado.[/toggle]

[toggle title=”Crase diante dos Pronomes Demonstrativos Aquele (s), Aquela (s), Aquilo:” state=”close” ]Sempre haverá crase diante desses pronomes quando o termo regente, ou seja, o verbo, exigir a preposição a.

Refiro-me àquele atentado.
Refiro-me a+aquele atentado.

Quando o verbo não exigir a preposição a, ele será transitivo direto. Não há a necessidade da crase.

Aluguei aquela casa.

Veja mais exemplos:

Dediquei àquela senhora todo o meu trabalho.
Quero agradecer àqueles que me socorreram.
Refiro-me àquilo que aconteceu com seu pai.
Não obedecerei àquele sujeito.
Assisti àquele filme três vezes.
Espero aquele rapaz.
Fiz aquilo que você disse.
Comprei aquela caneta.[/toggle]

[toggle title=”Crase com os Pronomes Relativos A Qual, As Quais:” state=”close” ]Semelhante ao caso anterior, quando lidamos com os pronome relativos a qual e as quais, a ocorrência da crase dependerá unicamente da regência do verbo, se ele exige a preposição a ou não. É possível fazer essa identificação usando a velha manha de substituir por um equivalente masculino.

A escola à qual me refiro fechou.
O colégio ao qual me refiro fechou.[/toggle]

[toggle title=”Crase com o Pronome Demonstrativo ‘a'” state=”close” ]Igual ao caso anterior, quanto temos o pronome demonstrativo a, podemos identificar a ocorrência da crase trocando o termo regido por um equivalente masculino:

Aquela rua é transversal à que vai dar na minha casa.
Aquele beco é transversal ao que vai dar na minha casa.

Sua blusa é idêntica à de minha colega.
Seu casaco é idêntico ao de minha colega.[/toggle]

[toggle title=”A palavra Distância” state=”close” ]A ocorrência da crase depende de a palavra distância estar especificada ou determinada. Se está, a crase deve ocorrer:

Minha cidade fica à distância de 100 quilômetros daqui. (A palavra está determinada.)
Todos devem ficar à distância de 50 metros do palco. (A palavra está especificada.)

Se a palavra distância não está determinada, a crase não pode ocorrer:

Os militares ficaram a distância.
Gostava de fotografar a distância.
Ensinou a distância.
Dizem que aquele médico cura a distância.
Reconheci o menino a distância.[/toggle]

Agora, que tal resolver alguns exercícios sobre crase? Abaixo estão 42 questões baseadas naquelas cobradas nos vestibulares do Brasil.