Mineração: Transformações Econômicas e Sociais. História no Enem e nos vestibulares

Veja o Ciclo do Ouro na História da Mineração no Brasil Colonial. A mão de obra escrava já estava presente. Confira a revisão da disciplina de História para o Enem e os vestibulares.

Vamos relembrar um dos momentos em que o Brasil mais se transformou social e economicamente: o século XVIII. Você vai entender a relação dessas mudanças com a Mineração e arrasar em História no Enem!

O século XVIII, por causa da mineração aurífera, ficou conhecido no Brasil como o “Século do Ouro”. Foi um período de grandes mudanças econômicas e sociais, produzindo na colônia uma nova realidade histórica decorrente da mineração. 

Mudanças econômicas – O fim do domínio holandês sobre o nordeste brasileiro, em 1654, provocou uma grave crise na economia açucareira, que acabou afetando toda a colônia. Por isso, a segunda metade do século XVII foi marcada pela intensificação de expedições exploratórias para o interior, como as bandeiras, que em pouco mais de três décadas descobriram grandes reservas de ouro em Minas Gerais. Alcançaram depois outros pontos, como Goiás e Mato Grosso. Era o início da grande mineração aurífera no Brasil.

Assim, quando a importância dos engenhos foi superada pela importância das minas de ouro, o polo econômico da colônia mudou em três sentidos:

  1. Do Nordeste para o Sudeste, tendo Minas Gerais como maior centro minerador e o Rio de Janeiro como o grande porto exportador de ouro;
  2. Do litoral para o interior, onde se situavam as principais minas;
  3. Do campo para a cidade, sendo a mineração uma atividade tipicamente urbana, dando origem a várias cidades, como Vila Rica, Mariana, São João Del Rei, Cuiabá etc.Vila Rica (atual Ouro Preto), antiga capital de Minas Gerais, foi a principal cidade fundada por causa da mineração no século XVIII. Fonte: http//:www.capitaldeminas.com.br Vila Rica (atual Ouro Preto), antiga capital de Minas Gerais, foi a principal cidade fundada por causa da mineração no século XVIII. Fonte: http//:www.capitaldeminas.com.br

Você sabia que por causa do ouro brasileiro a população de Portugal diminuiu entre 1700 e 1730?

Era a corrida em busca do ouro brasileiro, visando o enriquecimento rápido e fácil. Por se tratar de uma atividade urbana e interiorana, a mineração exigiu o abastecimento de alimentos, tecidos e escravos em cidades cada vez mais populosas. Foi assim que se desenvolveu no Brasil um comércio interno interligando várias regiões, principalmente o Sudeste e o Sul através do tropeirismo.

O tropeirismo, por sua vez, era o comércio de gado bovino, equino e muar entre o Rio Grande do Sul e a Capitania de São Vicente (SP), daí partindo para Minas Gerais e Goiás. Era comum também o comércio de charque e couro transportados sobre o lombo de mulas.

Os tropeiros, praticantes do tropeirismo, guiavam o gado vivo pelo “Caminho das Tropas”, cujo trajeto principal partia de Viamão (RS) até Sorocaba (SP), percorrendo mais de mil quilômetros. Os pontos de pernoite eram também pontos de comércio, ficando conhecidos como “pousos de tropa”, que deram origem a importantes cidades no interior de Santa Catarina e Paraná, contribuindo para o povoamento do sul do Brasil.A rota principal dos tropeiros e os vários “pousos de tropa” Fonte: http//:www.editoradobrasil.com.br A rota principal dos tropeiros e os vários “pousos de tropa” – Fonte: http//:www.editoradobrasil.com.br

Você já ouviu falar no feijão tropeiro? Já o experimentou?

Um dos pratos mais tradicionais da culinária mineira, o feijão tropeiro tem origem no século XVIII, combinando feijão com farinha, toicinho e charque. Era, não por acaso, a base alimentar dos tropeiros que abasteciam os pólos mineradores de gado e mantimentos.O tradicional feijão tropeiro Fonte: http//:www.martafestas.blogspot.com/2012/10-feijao-tropeiro-origem O tradicional feijão tropeiro. Fonte: http//:www.martafestas.blogspot.com/2012/10-feijao-tropeiro-origem

Para saber um pouco mais sobre a história do tropeirismo e a atualidade dessa tradição, assista a esta reportagem do Programa RIC Rural sobre o tropeirismo no sul do Brasil!

Mudanças sociais

A população urbana de Minas Gerais, cada vez mais numerosa e capitalizada, passou também a dispor de uma grande variedade de serviços urbanos: comércio varejista, carpintaria, alfaiataria, barbearia, advocacia, medicina, além das atividades desempenhadas por artistas, padres, militares e funcionários públicos ligados à crescente estrutura fiscal e burocrática da colônia. As pessoas ligadas a essas atividades formavam uma classe média urbana, situada entre os pólos extremos da riqueza (senhores de escravos) e da pobreza (escravos).

A vida dos escravos também mudou. As chances de alforria na mineração eram maiores que no engenho de açúcar. Os escravos podiam ser premiados por descobertas nas minas. Era uma forma de estimular o trabalho, permitindo a muitos a compra de sua alforria. Veja na imagem:Escravo e senhor na mineração: o chicote não era a única forma de incentivo ao trabalho. Fonte: http//:www.portaldoprofessor.mec.gov.br Dica:  Muitos dos escravos premiados com a alforria por descobertas de metais continuavam trabalhando nas minas.

Isso quer dizer que a mineração, assim como os engenhos de açúcar, também contava com trabalhadores livres, embora o trabalhador escravo fosse predominante. Fique ligado! O ENEM cobra a “regra”, mas também a “exceção”.

Como os pólos mineradores ainda pouco urbanizados eram pouco convidativos às mulheres brancas e livres, alguns mineradores encontravam dificuldades no casamento convencional.

Por isso, algumas escravas encontraram no casamento com seu senhor uma oportunidade de alforria e ascensão social, a exemplo de Chica da Silva, escrava alforriada por ocasião do casamento com seu senhor, o contratador João Fernandes de Oliveira, homem mais rico da mineração diamantífera no Brasil.

Exercícios

Agora chegou a vez de testar seus conhecimentos. Responda os exercícios extraídos do Enem e de vestibulares do Brasil!

Questão 1

(Fuvest-SP) Podemos afirmar sobre o período da mineração no Brasil que:

a) atraídos pelo ouro, vieram para o Brasil aventureiros de toda espécie, que inviabilizaram a mineração.

b) a exploração das minas de ouro só trouxe benefícios para Portugal.

c) a mineração deu origem a uma classe média urbana que teve papel decisivo na independência do Brasil.

d) o ouro beneficiou apenas a Inglaterra, que financiou sua exploração.

e) a mineração contribuiu para interligar as várias regiões do Brasil e foi fator de diferenciação da sociedade.

Resposta: A alternativa correta é a letra “e”.

Questão 2

(ENEM – 2010) Os tropeiros foram figuras decisivas na formação de vilarejos e cidades do Brasil colonial. A palavra tropeiro vem de “tropa” que, no passado, se referia ao conjunto de homens que transportava gado e mercadoria. Por volta do século XVIII, muita coisa era levada de um lugar a outro no lombo de mulas. O tropeirismo acabou associado à atividade mineradora, cujo auge foi a exploração de ouro em Minas Gerais e, mais tarde, em Goiás. A extração de pedras preciosas também atraiu grandes contingentes populacionais para as novas áreas e, por isso, era cada vez mais necessário dispor de alimentos e produtos básicos. A alimentação dos tropeiros era constituída por toucinho, feijão preto, farinha, pimenta-do-reino, café, fubá e coité (um molho de vinagre com fruto cáustico espremido). Nos pousos, os tropeiros comiam feijão quase sem molho com pedaços de carne de sol e toucinho, que era servido com farofa e couve picada. O feijão tropeiro é um dos pratos típicos da cozinha mineira e recebe esse nome porque era preparado pelos cozinheiros das tropas que conduziam o gado.

Disponível em http://www.tribunadoplanalto.com.br. Acesso em: 27 nov. 2008.

A criação do feijão tropeiro na culinária brasileira está relacionada à:

a)atividade comercial exercida pelos homens que trabalhavam nas minas.

b)atividade culinária exercida pelos moradores cozinheiros que viviam nas regiões das minas.

c)atividade mercantil exercida pelos homens que transportavam gado e mercadoria.

d)atividade agropecuária exercida pelos tropeiros que necessitavam dispor de alimentos.

e)atividade mineradora exercida pelos tropeiros no auge da exploração do ouro.

Resposta: A alternativa correta é a letra “c”.

Questão 3

(UEM – 2006) Nos séculos XVIII e XIX, o tropeirismo foi uma das atividades importantes das economias brasileira e paranaense. A respeito dessa atividade e do seu impacto no desenvolvimento da sociedade paranaense, assinale a alternativa incorreta.

a) As tropas de muares mostraram-se adequadas e economicamente viáveis para o transporte terrestre de mercadorias, tendo em vista as condições reinantes na época.

b) A principal rota do tropeirismo utilizava-se da chamada “estrada da mata”, que ligava Viamão (no atual Rio Grande do Sul) a Sorocaba (Capitania de São Paulo), atravessando extenso território do atual estado do Paraná.

c) O tropeirismo contribuiu para a ocupação luso-brasileira de parte do território que hoje corresponde ao estado do Paraná, dando origem a inúmeras cidades como Rio Negro, Lapa, Ponta Grossa, Castro, Piraí do Sul, Jaguariaíva etc.

d) Embora os principais pólos de produção que alimentavam o movimento de tropas no sentido Sul-Sudeste fossem o Rio Grande do Sul e a região das Minas Gerais, o tropeirismo estimulou várias atividades econômicas no território paranaense.

e) Por sua localização marginal em relação às principais rotas do comércio entre o Rio Grande do Sul, São Paulo e Minas Gerais, Curitiba nada ganhou com o tropeirismo, permanecendo uma vila estagnada até ser declarada Capital da Província do Paraná (1853).

Resposta: A alternativa correta é a letra “e”.

Questão 4

(Mackenzie-SP) Duas atividades econômicas destacaram-se durante o período colonial brasileiro: a açucareira e a mineração. Com relação a essas atividades econômicas, é correto afirmar que:

a) na atividade açucareira, prevaleciam o latifúndio e a ruralização, a mineração favorecia a urbanização e a expansão do mercado interno.

b) o trabalho escravo era predominante na atividade açucareira e o assalariado na mineradora.

c) o ouro do Brasil foi para a Holanda e os lucros do açúcar serviram para a acumulação de capitais ingleses.

d) geraram movimentos nativistas como a Guerra dos Emboabas e a Revolução Farroupilha.

e) favoreceram o abastecimento de gêneros de primeira necessidade para os colonos e o desenvolvimento de uma economia independente da metrópole.

Resposta: A alternativa correta é a letra “a”.

Questão 5

(UFES) A expansão do ouro aparentemente simples atraiu milhares de pessoas para a América Portuguesa cuja população estimada passou de 300 000 habitantes em 1690 para 2 500 000 em 1780. Metade desse aumento demográfico ocorreu na região mineradora. Considerando essas afirmações pode-se afirmar que:

a) O denominado “ciclo do ouro” possibilitou uma espécie de atração centrípeta para o mercado interno desenvolvido pela mineração e assim contribuiu como fator de integração regional na América Portuguesa.

b) A população atraída para a mineração também desenvolveu intensa atividade agrária de subsistência, propiciando reconhecida auto-suficiência que inibiu qualquer tipo de polarização.

c) O Regimento dos Superintendentes / Guardas-Mores e Oficiais Deputados para as Minas que em 1702 instituiu a Intendência das Minas mantinha rigorosa disciplina militar e constante vigilância na Estrada Real, impedindo o ingresso de emboabas e mascates nas regiões de ouro e diamantes.

d) O denominado “ciclo do ouro” ocasionou uma espécie de atração centrífuga, pois as riquezas auríferas de Goiás e da Bahia contribuíram para financiar simultaneamente o denominado renascimento agrícola no Nordeste do Brasil no final do século XVII.

e) A integração regional da América Portuguesa consolidou-se durante a União Ibérica (1580-1640) quando foi removida a linha de Tordesilhas, possibilitando a convergência das regiões de pecuária para o grande entreposto comercial que consagrou a região de Minas Gerais.

Resposta: A alternativa correta é a letra “a”.

Música é sempre uma maneira mais fácil de se entender História. Então, para finalizar a sua revisão de história, que tal ouvir “Chica da Silva”, de Jorge Benjor? É um bom resumo da biografia dessa importante personagem histórica.
O texto desta aula foi preparado pelo professor Felipe Carlos de Oliveira para o Blog do Enem. Felipe é formado em licenciatura e bacharelado em História pela UFSC, especializado em Interdisciplinaridade pelo IBPEX e mestre em História pela UFSC. É professor de colégios e cursinhos da Grande Florianópolis desde 2001.