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O racionalismo cartesiano – Filosofia Enem

Você sabe o que significa racionalismo? E por que cartesiano? Estude com o Blog do Enem e fique sabendo tudo sobre o racionalismo cartesiano para gabaritar Filosofia no Enem!

Você está acostumado a entender que para saber o significado de muitas palavras devemos voltar a sua origem grega. Mas, para entendermos a origem da palavra racionalismo iremos voltar à origem latina. Na verdade, a nossa língua tem como “pai e mãe” as línguas grega e latina.

racionalismo cartesiano

Racionalismo, do latim, ratio, significa razão. Utilizamos a palavra “razão” em vários contextos dentro da nossa língua. Tenho razão, correto? Mas, a Filosofia, mais especificamente a teoria do conhecimento (como podemos conhecer as coisas), atribui sua total confiança a razão humana como fonte de qualquer verdade.

De um modo geral, para os racionalistas, alguns princípios lógicos fundamentais nascem conosco, ou como eles afirmam, são inatos. Por isso que a razão é nossa única e exclusiva fonte do verdadeiro conhecimento, já que nossos sentidos podiam nos levar ao erro segundo os racionalistas.

Agora que já entendemos racionalismo, vamos entender o significado de cartesiano. Usamos “cartesiano” para as teorias formuladas por René Descartes. Esse conceito foi fácil. Vamos conhecer um pouco da história deste filósofo?

Nasceu em La Haye, um povoado da Touraine, na França, em 1596, proveniente de uma família nobre. Foi criado pela avó materna, pois sua mãe faleceu quando ele ainda era bem pequeno.

De 1604 a 1614, estudou no colégio jesuíta de La Flèche, no Anjou, onde era considerado, na época, um dos melhores colégios existentes na Europa. Descarte não apreciava muito que era ensinado pelos professores; interessava-se apenas por matemática.

Mais tarde, mudou-se para a Holanda e ingressou na carreira militar. Em 1619, fez uma longa viagem pela Europa, buscando, como ele mesmo definiu, “nenhum outro conhecimento além daquele que poderia ser encontrando ou em mim mesmo ou no grande livro do mundo”.

Em 1623, Descartes renunciou à carreira militar e passou a se dedicar exclusivamente à ciência e à filosofia. Em 1949 a rainha Cristina convidou-o para ir para Suécia. Mas a estadia em Estocolmo lhe trouxe uma pneumonia, que o acabou matando no inverno de 1650 .

Dúvida Metódica

Você já deve ter ouvido de seus professores que a dúvida é importante para o aprendizado e que, quando questionamos estamos procurando entender tal assunto que está sendo exposto. Para a Filosofia, a dúvida é o ponto inicial para buscar o conhecimento, é a curiosidade que surge diante do que é novo, do que é diferente.

Descartes, como filósofo, pensava assim também. Inclusive, ele afirmava que para conhecer a verdade é preciso, de início, colocar todos os nossos conhecimentos em dúvida. Isto é, precisamos questionar tudo e analisar criteriosamente se existe algo na realidade de que possamos ter plena certeza.

No entanto, a dúvida cartesiana, como também ficou conhecida, tinha como princípio abandonar qualquer tipo de crença cuja verdade possa ser contestada. Ele começou submetendo suas crenças a uma série de argumentos céticos cada vez mais rigorosos, questionando como podemos ter certeza da existência de qualquer coisa.

Penso, logo existo

Dentro desta dúvida metódica, Descartes percebeu que uma crença da qual ele não podia duvidar: a crença da própria existência. Cada um de nós pensa ou diz: “sou, existo” e, quando pensamos ou afirmamos isso, não podemos estar errado.

Para Descartes, essa seria uma verdade absolutamente firme, certa e segura, que, por isso mesmo, deveria ser adotada como princípio básico, seu novo centro, seu ponto fixo.

esquema racionalismo cartesiano

O racionalismo cartesiano ficou assim conhecido devido a total confiança na razão para se chagar ao conhecimento verdadeiro. Descartes inicia esse processo colocando tudo em dúvida, inclusive a própria existência. Está dúvida metódica, assim chamada por ele, levaria a um conhecimento seguro.

Quer saber um pouco mais sobre Descartes? Assista este vídeo que selecionamos para você:

Referência

CHAUÍ, Marilena. Iniciação a Filosofia: ensino médio, volume único. – São Paulo: Ática: 2010.
COTRIM, Gilberto. Fundamentos de Filosofia. São Paulo: Saraiva. 2000.

Chegou a sua vez. Resolva essas questões de vestibulares e prepare-se para o Enem!

1- (UEL) O principal problema de Descartes pode ser formulado do seguinte modo: “Como poderemos garantir que o nosso conhecimento é absolutamente seguro?” Como o cético, ele parte da dúvida; mas, ao contrário do cético, não permanece nela. Na Meditação Terceira, Descartes afirma: “[…] engane-me quem puder, ainda assim jamais poderá fazer que eu nada seja enquanto eu pensar que sou algo; ou que algum dia seja verdade eu não tenha jamais existido, sendo verdade agora que eu existo […]”

(DESCARTES. René. Meditações Metafísicas. Meditação Terceira, São Paulo: Nova Cultural, 1991. p. 182. Coleção Os Pensadores.)

Com base no enunciado e considerando o itinerário seguido por Descartes para fundamentar o conhecimento, é correto afirmar:

a) Todas as coisas se equivalem, não podendo ser discerníveis pelos sentidos nem pela razão, já que ambos são falhos e limitados, portanto o conhecimento seguro detém-se nas opiniões que se apresentam certas e indubitáveis.

b) O conhecimento seguro que resiste à dúvida apresenta-se como algo relativo, tanto ao sujeito como às próprias coisas que são percebidas de acordo com as circunstâncias em que ocorrem os fenômenos observados.

c) Pela dúvida metódica, reconhece-se a contingência do conhecimento, uma vez que somente as coisas percebidas por meio da experiência sensível possuem existência real.

d) A dúvida manifesta a infinita confusão de opiniões que se pode observar no debate perpétuo e universal sobre o conhecimento das coisas, sendo a existência de Deus a única certeza que se pode alcançar.

e) A condição necessária para alcançar o conhecimento seguro consiste em submetê-lo sistematicamente a todas as possibilidades de erro, de modo que ele resista à dúvida mais obstinada.

2- (UEL) Leia o seguinte texto de Descartes:
[…] considerei em geral o que é necessário a uma proposição para ser verdadeira e certa, pois, como acabara de encontrar uma proposição que eu sabia sê-lo inteiramente, pensei que devia saber igualmente em que consiste essa certeza. E, tendo percebido que nada há no “penso, logo existo” que me assegure que digo a verdade, exceto que vejo muito claramente que, para pensar, é preciso existir, pensei poder tomar por regra geral que as coisas que concebemos clara e distintamente são todas verdadeiras.

(DESCARTES, R. Discurso do método. Tradução de Elza Moreira Marcelina. Brasília: Editora da Universidade de Brasília; São Paulo: Ática, 1989. p. 57.)

Com base no texto e nos conhecimentos sobre o pensamento cartesiano, é correto afirmar:

a) Para Descartes, a proposição “penso, logo existo” não pode ser considerada como uma proposição indubitavelmente verdadeira.

b) Embora seja verdadeira, a proposição “penso, logo existo” é uma tautologia inútil no contexto da filosofia cartesiana.

c) Tomando como base a proposição “penso, logo existo”, Descartes conclui que o que é necessário para que uma proposição qualquer seja verdadeira é que ela enuncie algo que possa ser concebido clara e distintamente.

d) Descartes é um filósofo cético, uma vez que afirma que não é possível se ter certeza sobre a verdade de qualquer proposição.

e) Tomando como exemplo a proposição “penso, logo existo”, Descartes conclui que uma proposição qualquer só pode ser considerada como verdadeira se ela tiver sido provada com base na experiência.

3- (ENEM 2013)

TEXTO I

Há já algum tempo eu me apercebi de que, desde meus primeiros anos, recebera muitas falsas opiniões como verdadeiras, e de que aquilo que depois eu fundei em princípios tão mal assegurados não podia ser senão mui duvidoso e incerto. Era necessário tentar seriamente, uma vez em minha vida, desfazer-me de todas as opiniões a que até então dera crédito, e começar tudo novamente a fim de estabelecer um saber firme e inabalável.
DESCARTES, R. Meditações concernentes à Primeira Filosofia. São Paulo: Abril Cultural, 1973 (adaptado).

TEXTO II

É o caráter radical do que se procura que exige a radicalização do próprio processo de busca. Se todo o espaço for ocupado pela dúvida, qualquer certeza que aparecer a partir daí terá sido de alguma forma gerada pela própria dúvida, e não será seguramente nenhuma daquelas que foram anteriormente varridas por essa mesma dúvida.
SILVA, F.L. Descartes. A metafísica da modernidade. São Paulo: Moderna, 2001 (adaptado).

A exposição e a análise do projeto cartesiano indicam que, para viabilizar a reconstrução radical do conhecimento, deve-se:

A – retomar o método da tradição para edificar a ciência com legitimidade.
B – questionar de forma ampla e profunda as antigas ideias e concepções.
C – investigar os conteúdos da consciência dos homens menos esclarecidos.
D – buscar uma via para eliminar da memória saberes antigos e ultrapassados.
E – encontrar ideias e pensamentos evidentes que dispensam ser questionados.

4- (Unicamp 2014) A dúvida é uma atitude que contribui para o surgimento do pensamento filosófico moderno. Neste comportamento, a verdade é atingida através da supressão provisória de todo conhecimento, que passa a ser considerado como mera opinião. A dúvida metódica aguça o espírito crítico próprio da Filosofia.
(Adaptado de Gerd A. Bornheim, Introdução ao filosofar. Porto Alegre: Editora Globo, 1970, p. 11.)

A partir do texto, é correto afirmar que:

a) A Filosofia estabelece que opinião, conhecimento e verdade são conceitos equivalentes.

b) A dúvida é necessária para o pensamento filosófico, por ser espontânea e dispensar o rigor metodológico.

c) O espírito crítico é uma característica da Filosofia e surge quando opiniões e verdades são coincidentes.

d) A dúvida, o questionamento rigoroso e o espírito crítico são fundamentos do pensamento filosófico moderno.

5- (Ufsj 2012) Ao analisar o cogito ergo sum – penso, logo existo, de René Descartes, conclui-se que

a) o pensamento é algo mais certo que a própria matéria corporal.

b) a subjetividade científica só pode ser pensada a partir da aceitação de uma relação empírica fundada em valores concretos.

c) o eu cartesiano é uma ideia emblemática e representativa da ética que insurgia já no século XVI.

d) Descartes consegue infirmar todos os sistemas científicos e filosóficos ao lançar a dúvida sistemático-indutiva respaldada pelas ideias iluministas e métodos incipientes da revolução científica.

Respostas:

1: e; 2: c; 3: b; 4: d; 5: a

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Post escrito por Gilson Luiz Corrêa. Gilson é bacharel em Filosofia pela UNISUL, possui Licenciatura em Filosofia pela UFSC e em Psicopedagogia pela FMP. É professor do Colégio Catarinense. Facebook: https://www.facebook.com/gilsonluiz.correa