Os Lusíadas, de Luiz de Camões, é um clássico da Literatura no Enem

Veja com a professora Analice as dicas mais importantes sobre "Os Lusíadas". O texto é célebre e marca a literatura portuguesa, com forte influência sobre o início dos Movimentos Literários no Brasil. Veja a obra e a história do poeta Luiz Vaz de Camões

Se liga no que é muito importante para a Literatura Portuguesa: Os Lusíadas, de Luiz de Camões, é um dos clássicos mais relevantes. Veja as características da obra para mandar bem no Enem e nos Vestibulares.

Luiz Vaz de Camões nasceu, provavelmente, em Lisboa, no ano de 1524 (não se sabe com exatidão sobre esses dados) e morreu em 1580. Estudou em Coimbra, tendo contato com escritores da Antiguidade Clássica. De família fidalga, frequentou a Corte até 1549, quando foi para Ceuta, servir como soldado.1Perdeu uma das vistas em uma das batalhas que havia participado. Voltando a Lisboa, em 1552, feriu um servidor do Paço, Gonçalo Borges, e acabou sendo preso por isso.

Mediante a promessa de servir como militar no Oriente, foi libertado. Diz a Lenda que, viajando para Goa, naufragou na foz do rio Mecon, onde salvou os manuscritos de Os Lusíadas, deixando morrer sua companheira Dinamene.

Voltando para Lisboa, em 1569, publicou Os Lusíadas em 1572. Morreu pobre e miserável. Escreveu poesia lírica, épica e clássica, da qual Os Lusíadas é o exemplo mais famoso, além de teatro (popular e clássico).

Os Lusíadas é considerada a principal epopeia da literatura portuguesa. O próprio título já sugere as suas intenções nacionalistas, sendo derivado da antiga denominação romana de Portugal, Lusitânia. É um dos mais importantes épicos da época moderna devido à sua grandeza e universalidade.

A epopeia narra a história de Vasco da Gama e dos heróis portugueses que navegaram em torno do Cabo da Boa Esperança e abriram uma nova rota para a Índia.luis de camões destacadaÉ uma epopeia que se insere na perspectiva humanista, mesmo nas suas contradições.

A obra de Os Lusíadas traz a associação da mitologia pagã à visão cristã, nos sentimentos opostos sobre a guerra e o império, no gosto do repouso e no desejo de aventura, na apreciação do prazer sensual e nas exigências de uma vida ética, na percepção da grandeza e no pressentimento do declínio, no heroísmo pago com o sofrimento e luta.

Soneto

Tanto de meu estado me acho incerto, / Que em vivo ardor tremendo estou de frio; / Sem causa, justamente choro e rio; / O mundo todo abarco e nada aperto.

 É tudo quanto sinto um desconcerto; / Da alma um fogo me sai, da vista um rio; / Agora espero, agora desconfio, / Agora desvario, agora acerto.

 Estando em terra, chego ao Céu voando; / Numa hora acho mil anos, e é de jeito /  Que em mil anos não posso achar uma hora.

 Se me pergunta alguém por que assim ando. /  Respondo que não sei; porém suspeito / Que só porque vos vi, minha Senhora.

Camões
Camões, com o destaque para o olho perdido nos combates.

 

Os Lusíadas é uma obra que fala sobre a história de Portugal, desde os primórdios, passando pela viagem de Vaco da Gama à índia, até o reinado de D. Sebastião. É iniciado com a “Proposição”, que expõe o assunto sobre o qual vai se falar:

As armas e os Barões assinalados / Que da Ocidental praia Lusitana.

Por mares nunca de antes navegados, / Passaram ainda além da Taprobana, / Em perigos e guerra esforçados, / Mais do que prometia a força humana.

E entre gente remota edificaram / Novo Reino, que tanto sublimaram;

 

E também as memórias gloriosas / Daqueles Reis que foram dilatando / A Fé, o Império, e as terras viciosas / De África e de Ásia andaram devastando;

E aqueles que por obras valorosas / Se vão da lei da Morte libertando: / Cantando espalharei por toda parte, / Se a tanto me ajudar o engenho e arte.

E vós, Tágides minha, pois criado / Tendes em mi um novo engenho ardente, / Se sempre em verso humilde, celebrado / Foi de mi vosso rio alegremente, / Dai-me agora um som alto e sublimado, / Um estilo grandíloco e corrente,  Por que de vossas águas Febo ordene / Que não tenham inveja à de Hipocrene.

A Estrutura em 10 cantos de Os Lusíadas:

Os dez cantos do poema somam 1.102 estrofes num total de 8.816 versos decassílabos, empregando a oitava rima (abababcc). Depois de uma introdução, uma invocação e uma dedicatória ao rei Dom Sebastião, inicia a ação, que funde mitos e factos históricos.Literatura Enem

A “narração” fala das grandes coisas dos heróis portugueses, enquanto que o “Epílogo” remete à decadência pela qual passava o país:

Não mais, Musa, não mais, que a Lira tenho

Destemperada e a voz enrouquecida,

E não do canto, mas de ver que venho

Cantar a gente surda e endurecida.

O favor com que mais se acende o engenho

Não no dá a Pátria, não, que está metida

No gosto da cobiça e na rudeza

Duma austera, apagada e vil tristeza.

Agora que você já revisou alguns fatos sobre Os Lusíadas e também a história de Luiz Vaz de Camões, resolva os exercícios abaixo e não guarde nenhuma dúvida para a prova do Enem. Bons estudos!

Exercícios

1- (FUVEST) Leia os versos transcritos de Os lusíadas, de Camões, para responder ao teste.

Tu, só tu, puro Amor, com força crua,

Que os corações humanos tanto obriga,

Deste causa à molesta morte sua,

Como se fora pérfida inimiga.

Se dizem, fero Amor, que a sede tua

Nem com lágrimas tristes se mitiga,

É porque queres, áspero e tirano,

Tuas aras banhar em sangue humano.

Assinale a afirmação incorreta em relação aos versos transcritos:

a) A apóstrofe inicial da estrofe introduz um discurso dissertativo a respeito da natureza do sentimento amoroso.

b) O amor é compreendido como uma força brutal contra a qual o ser humano não pode oferecer resistências.

c) A causa da morte de Inês é atribuída ao amor desmedido que subjugou completamente a jovem.

d) A expressão “se dizem” indica ser senso comum a idéia que brutalidade faz parte do sentimento amoroso.

e) Os versos associam a causa da morte de Inês não só à força cruel do amor, mas também aos perigosos riscos que a jovem inimiga representava para o rei.

2- (UFRGS) Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as afirmações abaixo, relacionadas aos Cantos I a Vda epopéia Os Lusíadas, de Camões:

( ) A presença do elemento mitológico é uma forma de reconhecimento da cultura clássica, objeto de admiração e tmitacáo no Renascimento.

( )A disputa entre os deuses Vênus e Baco, da mitologia clássica, é um recurso literário de que Camões faz uso para criar o enredo de Os Lusíadas.

( ) Do Canto I ao Canto V lêem-se as peripécias da viagem dos portugueses até a sua chegada á India, quando eles tornam posse daquela terra.

( ) No Canto II, lê-se a narração da viagem dos portugueses a Melinde, cujo rei pede a Camões que conte a história de Portugal:

a) V— V— V— F

b) V — F — F — V

c) F — V — F — V

d) F — F — V— F

e) V — V — F — F

Gabarito

1- E

2- E

O texto foi escrito pela professora Analice, formada em Letras pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – Unesp. Atualmente é mestranda em Literatura na Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, professora de português na rede particular de ensino de Florianópolis e colaboradora do Blog do Enem. Facebook: http://www.facebook.com/analice.andrade