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Primeiro momento modernista no Brasil: Características e produção literária

Veja o ambiente de transformação e as mudanças radicais do Modernismo. Nasceram ali os clássicos Macunaíma e também Paulicéia Desvairada. Vem com a gente revisar Literatura para o Enem!

Após a realização da Semana de Arte Moderna e ainda sob os resquícios de vaias e gritarias, surge a primeira fase modernista, de 1922 a 1930.

Nesse post você irá conhecer as características e as principais produções literárias desse período, para gabaritar em Literatura no Enem e Vestibular! Veja Macunaíma, Paulicéia Desvairada e outras obras clássicas.

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A primeira fase modernista é iniciada com a Semana de Arte Moderna, estende-se de 1922 a 1930 e é marcada pela caracterização da tentativa de marcar posições. Assim, constitui-se um período rico em manifestações e revistas de vida efêmera, em que grupos estão à procura de definições.

Esse período é o mais substancial do movimento modernista, consequentemente pela necessidade de definições e do rompimento com todas as estruturas do passado. Então, temos um marcante caráter anarquista e um forte sentido destruidor nessa primeira fase, assim definido por Mário de Andrade: “… se alastrou pelo Brasil o espírito destruidor do movimento modernista.

Isto é, o seu sentido verdadeiramente específico. Porque, embora lançando inúmeros processos e ideias novas, o movimento modernista foi essencialmente destruidor”.

 

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Vendedor de Frutas, tela da fase Pau-Brasil de Tarsila do Amaral, que une a construção cubista à fauna, à vegetação e às cores tropicais

Enquanto se busca o moderno, o original e o polêmico, o nacionalismo é manifestado em suas variadas formas, como o retorno às origens, a busca de fontes quinhentistas e de uma “língua brasileira” (a linguagem coloquial, falada nas ruas pelo seu povo), a paródias (no intento de repensar a história e a literatura brasileiras) e a valorização do índio do Brasil.

No final da década de 20, o nacionalismo apresenta dois lados diferentes: um nacionalismo crítico, a fim de denunciar a realidade brasileira, politicamente identificada como de esquerda e também um nacionalismo ufanista, sonhador, exagerado e identificado a partir das correntes políticas da extrema direita.

Produção literária

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Retrato de Mário de Andrade, por Tarsila do Amaral

A característica revolucionária da poesia de Mário de Andrade (1893 – 1945) é inicialmente manifestada no livro Paulicéia desvairada, que deixa para trás todas as estruturas ligadas ao passado. O livro tem como objeto de análise a cidade de São Paulo e seu lado provinciano, o rio Tietê, a Avenida Paulista, a burguesia, a aristocracia o proletariado; uma cidade de múltiplas faces. Segue o poema de abertura:

Inspiração

São Paulo! Comoção de minha vida…

Os meus amores são flores feitas de original…

Arlequinal!… Traje de losangos…. Cinza e ouro…

Luz e bruma… Forno e inverno morno…

Elegâncias sutis sem escândalos, sem ciúmes…

Perfumes de Paris… Arys!

Bofetadas líricas no Trianon… Algodoal!…

São Paulo, comoção de minha vida…

Galicismo a berrar nos desertos da América!

Em Macunaíma, o herói sem nenhum caráter, nos deparamos, talvez, com a maior produção de Mário de Andrade. Criando um anti-herói, o autor coloca toda a atenção no espanto do índio amazônico (que nasceu preto e virou branco – síntese do povo brasileiro) com a tradição europeia na cidade de São Paulo.

A personagem Macunaíma e o seu “pensamento selvagem”, faz as transformações que bem entende: um inglês vira o London Bank, a cidade de São Paulo vira uma preguiça, e dessa maneira colocando todas as estruturas de ponta cabeça.

Mário de Andrade afirma que Macunaíma é o “herói de nossa gente”, logo nas primeiras linhas do romance, reiterando a ideia mais pra frente, diferente de outros escritores românticos, que nunca declaram a posição de herói de seus personagens, ainda que os tenham criado com essa finalidade.

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O canal Aulalivre.net, do YouTube, tem uma aula bem legal para complementar o conteúdo desse post. Não deixe de conferir:

Exercícios

1- (FUVEST) A presença da temática indígena em Macunaíma, de Mário de Andrade, tanto participa _________________, quanto representa uma retomada, com novos sentidos, _________________.

Mantida a sequência, os trechos pontilhados serão preenchidos corretamente por:

a) do movimento modernista da Antropofagia/do Regionalismo da década de 30.

b) do interesse modernista pela arte primitiva/do Indianismo romântico.

c) do movimento modernista da Antropofagia/do Condoreirismo romântico.

d) da vanguarda estética do Naturalismo/do Indianismo romântico.

e) do interesse modernista pela arte primitiva/do Regionalismo da década de 30.

2- (FUVEST) Assinale a alternativa correta:

a) Macunaíma é “o herói sem nenhum caráter” porque, no âmbito individual, é múltiplo e contraditório e, no plano da representação de uma coletividade, é inescrupuloso e mau caráter.
b) Macunaíma é “o herói sem nenhum caráter” por apresentar uma personalidade complexa, caracterizada a partir de traços psicológicos delineados sob um ponto de vista objetivo e científico.
c) Macunaíma é “o herói de nossa gente” por retratar, a partir dos traços múltiplos e contrastantes que o caracterizam, a coletividade brasileira, formada pela miscigenação racial e cultural.
d) Macunaíma é “o herói de nossa gente” por ser, como os brasileiros, esperto e trapaceiro, valendo-se mais da criatividade que da inteligência em suas ações.
e) Macunaíma é “o herói sem nenhum caráter” por reunir, de um ponto de vista psicológico e antropológico, as características de um povo cujo comportamento se define pela preguiça e imoralidade.

Gabarito

1- B

2- C

A presença da temática indígena em Macunaíma revela não só o interesse de Mário de Andrade pela arte primitiva, mas também apresenta uma releitura crítica do Indianismo Romântico. Se José de Alencar criou o mito do “bom selvagem”, Mário de Andrade, com a personagem Macunaíma, criou a figura do “mau selvagem”, rompendo assim com a imagem idealizada do índio brasileiro. 

A obra Macunaíma, de Mário de Andrade, é resultado das pesquisas do poeta e escritor sobre a história brasileira a partir dos aspectos da vida urbana e rural do país. Podemos dizer que Macunaíma é um herói de nossa gente por apresentar semelhanças com o povo brasileiro, apresentando aspectos de nossa cultura, sendo eles primitivos ou civilizados.

O texto foi escrito pela professora Analice, formada em Letras pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – Unesp. Atualmente é mestranda em Literatura na Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, professora de português na rede particular de ensino de Florianópolis e colaboradora do Blog do Enem. Facebook: http://www.facebook.com/analice.andrade