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Semântica – Palavras homônimas e parônimas

O que você lembra sobre semântica? Esta revisão é sobre as palavras homônimas e parônimas. Aproveite e resolva os exercícios e fique fera para o Enem!

Já percebeu que várias palavras na Língua Portuguesa possuem a mesma sonoridade e até mesmo a grafia parecida, mas sentidos diferentes? Vamos perceber isso mais a fundo!

Para compreender essas diferenças existe um campo do Português que estuda os significados, mais precisamente como nós interpretamos esses significados das palavras, é o campo da Semântica. Para entender esse campo vamos conhecer alguns tipos de palavras que causam dúvida ao serem escritas ou interpretadas.

semantica

Vale lembrar que as possibilidades de significação de uma palavra envolvem conhecimento de mundo, as relações pessoais, as construções sociais e questões de regionalismo, por exemplo. Toda influência externa e simbólica de algum grupo social e suas vivências podem modificar ou atribuir sentido a uma palavra.

Gramaticalmente, o uso de acento gráfico, ordem de colocação de uma palavra em uma frase, o timbre, o gênero, posição da sílaba tônica, dentre outros fatores podem influenciar na construção de uma língua e suas interpretações. O conhecimento de sua usuabilidade vai ser primordial para que não ocorram erros e dúvidas.

Semântica: as palavras parônimas

São pares de palavras parecidas tanto na grafia quanto na pronúncia, mas com sentidos diferentes.

Exemplos:
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Semântica: as palavras homônimas

Trata-se de palavras iguais na pronúncia ou/e na grafia, mas com significados diferentes, significados homônimos.

Exemplos de emprego:

– A comemoração de São Pedro tocou muitos fiéis
– Os alunos são muito bondosos
– Finalmente o garoto ficou são

Para compreender ainda mais o emprego dessas palavras e não ter dúvidas, existem três tipos de palavras homônimas: homófonos, homógrafos e perfeitos

1) Homófonos: apresentam pronúncia igual e grafia diferente
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2) Homógrafos: apresentam grafia igual e pronúncia diferente

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3) Perfeitos: apresentam grafia e pronúncia iguais
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Palavras e expressões que sempre causam dificuldade de uso:

Existem palavras que nos deixam sempre em dúvida de como podemos usá-las. Elas costumam cair em questões de vestibulares/Enem e, quando usadas de forma errada em um texto ou na escolha de uma alternativa na prova, podem mudar de sentido ou anular a questão.

1) Por que/ Porque / Por quê / Porquê

Por que – locução adverbial interrogativa de causa quando equivale a ‘por qual razão/motivo’ ou ‘a razão pela qual’. Esse sentido pode ser usado em frases interrogativas diretas (sinalizadas com “?”) e indiretas sem sinal.
– Por que você fez isso?
– Juro que eu não sei por que eu fiz isso

A forma ‘por que’ também pode significar a combinação da preposição “por” + pronome indefinido “que”, equivalente a “por qual” ou “pelo qual”,

– Começo a entender por que motivo aconteceu isso
– O motivo por que isso aconteceu

Ou ser também a combinação da preposição “por”, exigida por um termo + a conjunção integrante “que”.

– Eu sempre ansiei por que você me explicasse o motivo

Porque – Conjunção explicativa ou causal, equivalente ao sentido de pois, visto que, já que , para que, etc.

– Tirou boa nota porque estudou bastante
– Não compareceu porque estava doente

Por quê – Pode ser usada antes de pausa representada por sinal de pontuação ou no final de frase, de forma isolada.
– Ele falou por quê?
– Sem seu esclarecimento, nunca entenderia por quê?

Já o Porquê junto e acentuado, é usado assim por ser um substantivo e por estar acompanhado de um determinante, seja esse um artigo, pronome, numeral, adjetivo ou locução adjetiva.

– Preciso que você me explique menos mais dois porquês, ok?
– Ninguém entendeu o porquê da briga.

2) Se não e senão

Se não é usado quando significar se por acaso não. Sua forma é constituída de conjunção integrante/condicional ou pronome oblíquo átono se + o advérbio de negação não.

Uma dica se puder retirar o advérbio de negação não da frase, usa-se se não (separado)

– Se não estudar, passará (Se estudar passará/ Caso não estude, não passará).
– Há coisas que se não dizem. (que não se dizem)

Senão equivale a caso contrário e é usado quando é uma preposição acidental indicando exceção (substituído por afora, exceto, salvo, a não ser); quando é uma conjunção adversativa (mas, mas sim, normalmente); quando é uma conjunção aditiva (vindo depois de não só/não apenas/ não somente, etc.) ou quando dá ideia de substantivo com sentido de problema, falha ou erro, como se indicasse uma recomendação.

– Sou eu senão seu escravo? (exceto, a não ser)
– Não quero seu amor, senão sua amizade (mas sim)
– Ele apontou não só um senão, mas vário senãos… (falha)
– Meu amigo, não só estudo, senão trabalho. (mas também)

Outras situações: quando conjunção condicional ‘se’ aglutinada ao advérbio de negação ‘não’ (seguido do verbo da oração anterior implícito + outro verbo; equivalendo a do contrário) Ex.: Estude, senão será reprovado! (Estude, se não estudar, será reprovado).

E na situação de quando for uma conjunção alternativa (seguido de verbo da oração anterior implícito, mas sem verbo algum depois; equivalendo a ou). Ex.: Fala três línguas, senão quatro. (Fala três línguas, se não falar quatro).

DICA: Se usará se não separado quando ele tiver pausa enfática e estiver entre vírgulas, caso contrário será usado senão.

Esses são só alguns exemplos de erros comuns com o uso dessas expressões ou palavras. Existem outras expressões que precisam de atenção como o uso de advérbio de lugar (onde, de onde, aonde); com as formas mau e mal (contrários de bom e bem); mais e mas (sentido de intensidade e o outro conjunção adversativa com sentido de ‘porém’; afim e a fim de (adjetivo de afinidade e o outro como locução prepositiva com indicação de finalidade e intenção), dentre outros.

Conhecer o sentido e o uso dessas palavras ou expressões vai ajudar na hora de construir um bom texto, percebendo situações de coerência e coesão textuais, grandes exigências no Enem. Além de uma boa compreensão e interpretação das questões gramaticais durante a prova.

Pratique mais essas palavrinhas e vamos testar nossos conhecimentos em semântica? Bom estudo e até a próxima!

1 – Considere as frases abaixo: (PESTANA, Fernando. A Gramática para concursos públicos. RJ, 2013).

I. Os horrores trazidos pela II Guerra Mundial marcaram o porquê da criação de um documento internacional que garantisse o respeito aos direitos humanos.
II. Sem conhecer seus direitos, os indivíduos não saberão dispor dos instrumentos nem apresentar razões porque reivindicar sua efetiva aplicação.
III. Por falta de divulgação dos termos previstos na declaração Universal, grupos minoritários se tornam mais vulneráveis à violação de seus direitos, sem saber por quê
IV. São inúmeros os benefícios trazidos pela Declaração Universal, embora exista desrespeito aos direitos nela previstos, como a persistência da pobreza, por que passa um terço da população mundial.

Estão escritos corretamente os termos que aparecem grifados em:

a) I, II, III e IV;
b) I, II e III, apenas;
c) I, III e IV, apenas;
d) II, III e IV, apenas;
e) I, II e IV, apenas.

2- (ENEM-2015.2) – Ortografia/Semântica – uso da língua

Assum preto

Tudo em vorta é só beleza

Sol de abril e a mata em frô

Mas assum preto, cego dos óio

Num vendo a luz, ai, canta de dor

Tarvez por ignorança

Ou mardade das pió

Furaro os óio do assum preto

Pra ele assim, ai, cantá mió

Assum preto veve sorto

Mas num pode avuá

Mil veiz a sina de uma gaiola

Desde que o céu, ai, pudesse oiá

GONZAGA, L.; TEIXEIRA, H. Disponível em: www.luizgonzaga.mus.br. Acesso em: 30 jul. 2012 (fragmento).

As marcas da variedade regional registradas pelos compositores de Assum preto resultam da aplicação de um conjunto de princípios ou regras gerais que alteram a pronúncia, a morfologia, a sintaxe ou o léxico. No texto, é resultado de uma mesma regra a:

A) pronúncia das palavras “vorta” e “veve”

B) pronúncia das palavras “tarvez” e “sorto”.

C) flexão verbal encontrada em “furaro” e “cantá.

D) redundância nas expressões “cego dos óio” e “mata em frô”

E) pronúncia das palavras “ignorança” e “avuá”.

3 – (ENEM – 2012)

Ai, palavras, ai, palavras
que estranha potência a vossa!
Todo o sentido da vida
principia a vossa porta:
o mel do amor cristaliza
seu perfume em vossa rosa;
sois o sonho e sois a audácia,
calúnia, fúria, derrota…
A liberdade das almas,
ai! Com letras se elabora…
E dos venenos humanos
sois a mais fina retorta:
frágil, frágil, como o vidro
e mais que o aço poderosa!
Reis, impérios, povos, tempos,
pelo vosso impulso rodam…

MEIRELES, C. Obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1985 (fragmento).

O fragmento destacado foi transcrito do Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles. Centralizada no episódio histórico da Inconfidência Mineira, a obra, no entanto, elabora uma reflexão mais ampla sobre a seguinte relação entre o homem e a linguagem:
A) A força e a resistência humanas superam os danos provocados pelo poder corrosivo das palavras.
B) As relações humanas, em suas múltiplas esferas, têm seu equilíbrio vinculado ao significado das palavras.
C) O significado dos nomes não expressa de forma justa e completa a grandeza da luta do homem pela vida.
D) Renovando o significado das palavras, o tempo permite às gerações perpetuar seus valores e suas crenças.
E) Como produto da criatividade humana, a linguagem tem seu alcance limitado pelas intenções e gestos.

4 – (ENEM 2012)

TEXTO I
Antigamente Antigamente, os pirralhos dobravam a língua diante dos pais e se um se esquecia de arear os dentes antes de cair nos braços de Morfeu, era capaz de entrar no couro. Não devia também se esquecer de lavar os pés, sem tugir nem mugir. Nada de bater na cacunda do padrinho, nem de debicar os mais velhos, pois levava tunda. Ainda cedinho, aguava as plantas, ia ao corte e logo voltava aos penates. Não ficava mangando na rua, nem escapulia do mestre, mesmo que não entendesse patavina da instrução moral e cívica. O verdadeiro smart calçava botina de botões para comparecer todo liró ao copo d’água, se bem que no convescote apenas lambiscasse, para evitar flatos. Os bilontras é que eram um precipício, jogando com pau de dois bicos, pelo que carecia muita cautela e caldo de galinha. O melhor era pôr as barbas de molho diante de um treteiro de topete, depois de fintar e engambelar os coiós, e antes que se pusesse tudo em pratos limpos, ele abria o arco.

ANDRADE, C. D. Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1983 (fragmento).
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Na leitura do fragmento do texto Antigamente constata-se, pelo emprego de palavras obsoletas, que itens lexicais outrora produtivos não mais o são no português brasileiro atual. Esse fenômeno revela que

A) a língua portuguesa de antigamente carecia de termos para se referir a fatos e coisas do cotidiano.
B) o português brasileiro se constitui evitando a ampliação do léxico proveniente do português europeu.
C) a heterogeneidade do português leva a uma estabilidade do seu léxico no eixo temporal.
D) o português brasileiro apoia-se no léxico inglês para ser reconhecido como língua independente.
E) o léxico do português representa uma realidade linguística variável e diversificada.

Gabarito:
1 – Letra C
2 – Letra B – Tarvez e sorto são pronunciadas a partir de taLvez e soLto.
3 – Letra B
4- Letra E

Os textos e exemplos acima foram preparados pela professora Su, com base em manuais gramaticais. A professora é Licenciada Plena em Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Pará (UFPA).