Sócrates e o Oráculo de Delfos – Filosofia Enem

Vem com a gente aprender como o Oráculo de Delfos influenciou a vida de um dos maiores filósofos de todos os tempos – Sócrates

Entenda o que significa para a filosofia de Sócrates a mensagem que se enocntra na entrada do Oráculo de Delfos: “Conhece-te a Ti mesmo e conhecerás todo o universo e os deuses, porque se o que procuras não achares primeiro dentro de ti mesmo, não acharás em lugar algum.”

Este conteúdo foi adotado por Sócrates como um dos pilares da sua filosofia. Em latim seria: “Nosce te ipsum” ou “Temet nosce” – “Conhece-te a ti mesmo.”

O Oráculo de Delfos foi construído em homenagem ao deus Apolo, deus da luz, das profecias e da verdade, na cidade de Delfos, que se encontrava localizada na região central da Grécia.1Os gregos antigos procuravam o Oráculo para receberem conselhos acerca das mais diversas situações e assuntos. A resposta era dada através da Pitonisa (sim, o Oráculo era uma mulher) em nome do deus Apolo.

Pitonisa era escolhida através de um longo processo, que era assistido pelas mulheres de Delfos, responsáveis em preservar o fogo divino aceso.3Veja na imagem a  ÚNICA REPRESENTAÇÃO da sacerdotisa.

Édipo Rei e o Oráculo de Delfos

O teatrólogo trágico grego, Sófocles escreveu a tragédia “Édipo Rei”, onde relata a importância dada aos oráculos, em especial ao de Delfos, pelo povo grego.  A peça é uma tragédia onde após muitos confiltos Édipo luta pelo poder e, sem saber, mata o rei Laio, que era seu pai biológico.

Édipo se envolve afetivamente com a rainha Jocasta, que era sua mãe verdadeira. Estes fatos da árvore genealógica são revelados apenas depois dos fatos consumados, e estavam numa previsão do Oráculo de Delfos. Jocasta, a mãe, comete suicídio, e Édipo cega os proprios olhos.

“A revelia de minha mãe, e de meu pai, fui ao templo de Delfos; mas, às perguntas que propus, Apolo nada respondeu, limitando-se a anunciar-me uma série de desgraças, horríveis e dolorosas; que eu estava fadado a unir-me em casamento com minha própria mãe, que apresentaria aos homens uma prole malsinada, e que seria o assassino de meu pai, daquele a quem devia a vida.”

O que tem o Oráculo de Delfos a ver com o pensamento de Sócrates?

Tudo começa quando Sócrates foi ao templo consultar a Sacerdotisa, e seu amigo Querofonte fez a tradução da inscrição que se apresentava na entrada do templo Nosce te ipsum”- “Conheça-te a ti mesmo.” A sacerdotisa afirma para Sócrates, que ele é o homem mais sábio de toda a Grécia. Intrigado com a revelação, Sócrates faz um mergulho interior e constata que a única coisa que sabia era que nada sabia –“Só sei, que nada sei”.4Sócrates passou então a adotar a inscrição como parte de sua filosofia como forma de lembrar os atenienses, principalmente sobre a necessidade de se autoconhecer, sobre as consequências que essa ação poderia trazer ao ser humano de forma geral, e principalmente aos atenienses, que não tinham o hábito de se questionarem e questionarem o seus governantes, o que levava ao equívoco.

O “ Conheça-te a ti mesmo” é um chamada à humildade, começo de todo conhecimento, pois ao sermos humildes quanto ao  que ignoramos, já estamos no caminho do conhecimento.

Para Sócrates o autoconhecimento é o início do caminho para o verdadeiro saber, acreditava que a sabedoria dependia do conhecimento e do controle de seus próprios limites, assim estariam mais propensos a fazer o bem, uma vez que a ignorância leva ao erro e ao mal, e ter conhecimento é uma virtude.

Pena, que desde aquela época pensar sobre si mesmo parece ser algo doloroso e de tão pouca importância.5

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Fica o conselho de Sócrates “Uma vida sem reflexão não merece ser vivida”. Vamos exercitar mais um pouco?!

Exercícios sobre Sócrates e o Oráculo de Delfos:

1- (UFF – 2011) A Apologia de Sócrates é relato da defesa de Sócrates, escrito pelo seu discípulo Platão, diante do tribunal de Atenas. Um dos assuntos abordados nessa obra é a relação entre ignorância e conhecimento. Sócrates sentiu-se constrangido quando o oráculo de Delfos o proclamou como o “mais sábio dos homens”, já que ele se achava, ao contrário, muito pouco sábio. Mas, ao conversar com pessoas que atribuíam a si mesmas muita sabedoria, e ao constatar que elas eram tão ou mais ignorantes que ele, concluiu mesmo que deveria ser o mais sábio, pois, ao menos, ele tinha consciência de sua própria ignorância.

 

Comente a declaração de Sócrates de que a pior ignorância é não ter consciência dela e de que o primeiro passo no caminho do conhecimento é reconhecer a própria ignorância.

  1. (UFU – MG 2007) O trecho seguinte, do diálogo platônico Górgias, refere-se ao modo de filosofar de Sócrates.

 

“Assim, Cálicles, desmanchar o nosso convênio e te desqualificas para investigar comigo a verdade, se externares algo com tua maneira de pensar”

PLATÃO. Górgias. Trad. Carlos Alberto Nunes. Belém: EDUFPA, 2002, p. 198, 495a.

 

Marque a alternativa que expressa corretamente o procedimento empregado por Sócrates.

 

a) A base da filosofia socrática é a procura da perfeição da alma, mediante o exame de si mesmo e dos concidadãos, que é a condição da excelência moral. A refutação socrática é, sobretudo, um modo de testar a verdade da excelência da vida.

b) A base da filosofia socrática é a procura da verdade acerca do conhecimento da Natureza e da maneira de pensar sobre os princípios racionais que governam o cosmos a partir do conhecimento acumulado pelos filósofos anteriores.

c) A base da filosofia socrática é a refutação, a partir de um convênio em busca da verdade, de todas as proposições de seus interlocutores com o intuito de demonstrar que o conhecimento das questões morais é impossível.

d) A base da filosofia socrática é a educação mediante os discursos políticos e jurídicos encenados nos tribunais atenienses. Sócrates parte das proposições dos adversários para encontrar um discurso oposto que seja retoricamente persuasivo.

 

2- Um discípulo de Sócrates foi até o Oráculo de Delfos perguntar à Pitonisa (sacerdotisa do templo de Apolo) quem era o homem mais sábio de Atenas. A sacerdotisa disse que o homem mais sábio de Atenas era Sócrates. Entretanto, ao saber da revelação do oráculo, Sócrates ficou surpreso, pois não se considerava um sábio. Depois de muito refletir, o filósofo compreendeu o anúncio dos deuses. Assinale a alternativa que corresponda a conclusão que o filósofo chegou com a afirmação divina:

 

A) Sócrates era pretensioso, e como sábio que era, reconhecia a ignorância dos outros.

B) Sócrates concluiu que era o mais sábio de Atenas, pois os seus interlocutores nunca conseguiam responder adequadamente aos seus questionamentos.

C) Sócrates concluiu que era o homem mais sábio de Atenas, pois talvez fosse o único que reconhecia a sua ignorância e buscava constantemente a sabedoria.

D) Sócrates concluiu que era o homem mais sábio de Atenas, pois acreditava nos deuses totalmente, não admitindo que eles tenham se enganado ou mentido

 

3- Marque a alternativa que expressa corretamente o pensamento de Sócrates.

 

A) Sócrates estabelece uma ligação muito estreita entre o conhecimento da virtude e a ação humana, a ponto de sustentar que aquele que conhece o que é o correto não pode agir erroneamente, visto que o erro de conduta é fruto da ignorância sobre a verdade.

B) O fim último do método dialético socrático era a refutação do seu interlocutor. Assim sendo, é legítimo afirmar que o reconhecimento da própria ignorância equivale à constatação de que a verdade é relativa a cada indivíduo.

C) Sócrates é considerado um divisor de águas na Filosofia graças a sua teoria ética sobre a imobilidade do Ser. Por isso, sua missão sempre foi a investigação de um fundamento absoluto da moral.

D) Sócrates fazia uso de um método refutativo de investigação, o que significa que seu principal intento era levar o interlocutor à contradição, independentemente se o último estivesse ou não com a razão

 

GABARITO:

1=A  2= C  3= A

Paula Filosofia
Os textos e exemplos acima foram preparados pela professora Paula Pille para o Blog  do  Enem. Paula Pille  é  formada  em  Filosofia  pela Universidade Federal de Santa Catarina. Dá aulas de Filosofia em escolas da  Grande  Florianópolis  desde  2004.  Facebook: https://www.facebook.com/paula.pille.1.