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Economia açucareira – Revisão História Enem

Vem com a gente revisar a economia açucareira no Brasil e seu papel em nossa história! Veja este excelente post de história do professor Felipe Carlos de Oliveira e gabarite o Enem!

História Enem: Você sabia que Portugal construiu o maior império litorâneo da História?

Contudo, quando outros países ingressaram na expansão marítima, os portugueses não conseguiram manter o gigantesco império, principalmente no Oriente. Foi então que o Brasil entrou nos planos coloniais portugueses. Era o início da colonização, pautada na produção açucareira. Vamos entender como isso tudo ocorreu para gabaritar História no Enem!

Por volta de 1530, as perdas territoriais no Oriente provocaram uma forte retração no comércio lusitano de especiarias. Foi então que o interesse pelo Brasil aumentou significativamente. Isto porque o território reunia condições muito favoráveis à produção do açúcar, já praticada pelos portugueses em suas ilhas atlânticas desde o século XV.  1 Diferente da extração de pau-brasil, a produção do açúcar exigia o deslocamento e a fixação de um grande número de pessoas, o que implicaria a colonização efetiva do Brasil. Soma-se a isso a necessidade de povoar o território para garantir a posse sobre o mesmo, o que estava ameaçado pela presença francesa no litoral através fundação de várias feitorias.

A primeira expedição colonizadora ocorreu entre 1530 e 1532 sob a liderança de Martim Afonso de Souza.

Patrocinado pelo rei, Martim Afonso de Souza deu início à colonização por meio da produção açucareira, construindo o primeiro engenho de açúcar na mesma região onde fundou a primeira vila do Brasil: São Vicente (1532). Aos poucos, a produção açucareira foi assumindo características comuns em toda a colônia:

1) Latifúndio: o caráter extensivo da agricultura canavieira exigia grandes extensões de terra para o seu cultivo, fazendo predominar no Brasil a grande propriedade, o que era compatível com a enorme extensão territorial da colônia. Contribuía para isso a ocorrência em grandes áreas de um solo argiloso muito propício à cultura canavieira: o solo de massapé.

O latifúndio foi sem dúvida a base de uma sociedade historicamente marcada pela desigualdade social e pela má distribuição de terras, permitindo a formação de uma sociedade aristocrática dominada pelos donos de terras e escravos: os senhores de engenho.

As fazendas canavieiras, mais conhecidas como engenhos de açúcar, eram um grande complexo agro-manufatureiro auto-suficiente, o que desfavoreceu no início da colonização o surgimento de pequenas propriedades voltadas para o mercado interno.

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Imagem 2: Engenho de açúcar. Fonte: essaseoutras.xpg.uol.com.br
Dica 1: Latifúndio e escravidão são os elementos do passado colonial que mais se comunicam com problemas sociais do Brasil contemporâneo como a má distribuição de terras e de renda, o êxodo rural, a favelização, o racismo e a marginalização social de modo geral. O Enem costuma fazer relações históricas entre contextos diferentes, entendendo que a dinâmica histórica é feita não somente de mudanças, mas também de permanências.

 2) Monocultura de exportação: por ser um produto de clima tropical, o açúcar alcançava grande valor comercial na Europa, onde o clima mais frio tornava-o raro e muito valorizado, tão valorizado que chegou a fazer parte do dote pago em casamento por nobres europeias.

Desta forma, o açúcar era produzido exclusivamente para atender ao mercado europeu, sendo o único produto na colônia voltado a esse fim. Isso não quer dizer que nada mais era produzido nos engenhos brasileiros. Havia o cultivo em pequena escala de gêneros alimentícios voltados à subsistência dos habitantes do engenho: mandioca, feijão, milho etc.

Dica 2: Não se pode falar no Brasil em Ciclo do Açúcar, principalmente a partir do século XVII, quando os lucros com o açúcar aumentaram e os canaviais se expandiram, ocupando áreas de pasto e hortas de subsistência, estimulando o surgimento de fazendas ligadas à produção de gêneros voltados ao mercado interno, como gado, algodão e tabaco. Em alguns momentos, esses produtos alcançaram grande valor no mercado externo, sendo também voltados à exportação, como foi o caso do tabaco. Mas isso ocorreu a partir da segunda metade do século XVII, em um momento no qual o açúcar brasileiro entrava em decadência.

3) Parceria holandesa: a crise lusitana no comércio de especiarias orientais afetava não somente a capacidade financeira da burguesia portuguesa, mas também da Coroa, que sofria com uma queda brusca na arrecadação de impostos. Faltavam recursos para a montagem da estrutura necessária à colonização do Brasil.

Foi então que a burguesia portuguesa recorreu a empréstimos contraídos junto a bancos holandeses para a compra dos engenhos de açúcar, das mudas de cana e dos escravos africanos. Os holandeses também compravam em Portugal o açúcar brasileiro para revendê-lo no mercado europeu.

4) Mão de obra escrava africana: a colonização iniciada em 1530 mudou a relação entre portugueses e índios. A relação amistosa baseada no escambo cedeu lugar às guerras de ocupação e escravização promovidas pelos portugueses. A superioridade bélica portuguesa se sustentava no uso de  armas de fogo, desconhecidas pelos índios. Mesmo vencendo as guerras, os portugueses tinham dificuldade de submeter os índios ao trabalho escravo.

Mesmo quando o faziam, não obtinham grande produtividade em função da grande distância cultural. Os índios, em sua economia de subsistência, não se adequavam, mesmo sob castigos físicos, ao trabalho compulsório voltado para o acúmulo de excedentes e ao lucro. Outro importante obstáculo à escravidão indígena foi o genocídio provocado pela transmissão de doenças oriundas da Europa.

Diante destas dificuldades, a Coroa portuguesa preferiu o uso da mão de obra escrava africana. Isto se deveu a três motivos principais. O comércio de escravos africanos já era uma atividade praticada pelos portugueses desde a metade do século XV, gerando lucros à burguesia portuguesa e impostos à Coroa, o que não era possível no Brasil através da captura de índios, atividade que barateava a produção aos colonos, mas não beneficiava a metrópole.

Além disso, a escravidão já era uma prática recorrente entre vários povos africanos, mesmo não sendo marcada pela imposição de um ritmo de trabalho tão intenso quanto aquele a ser praticado no Brasil. Por fim, acrescenta-se a experiência das tribos africanas com a prática agrícola, fundamento econômico da sua organização social, o que não alcançava a mesma importância nas tribos indígenas do Brasil.

Dica 3: As guerras tribais africanas resultavam costumeiramente na prática da escravidão. Contudo, não havia entre os povos africanos a mesma segregação praticada no Brasil e no resto da América. Os elementos da tribo derrotada eram submetidos à tradição da tribo vencedora, compartilhando com a mesma dos seus símbolos e rituais, assim como do seu trabalho.

A chegada dos portugueses à África no século XV impôs à escravidão africana uma lógica capitalista. A captura de escravos deixou de ser uma conseqüência exclusiva das guerras tribais. Foi então que surgiram os “pombeiros”, grupos de homens encarregados de capturar africanos – alguns da mesma tribo, inclusive – para vendê-los às feitorias portuguesas. Os pombeiros contribuíram para a desintegração de várias tribos, facilitando a comercialização de escravos em larga escala, promovendo uma diáspora africana.

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Figura 3: “Mercado da Rua Valongo”, desenho do pintor Jean-Baptiste Debret publicado em sua obra “Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil”, de 1834.  Fonte: mundoeducacao.bol.uol.com.br

Aula Gratuita

Para concluir sua revisão sobre o início da colonização do Brasil e a economia açucareira, assista a um trecho do filme Amistad, que retrata a prática da escravidão entre os povos africanos, ressaltando o papel dos “pombeiros”:

Agora chegou a hora de testar seus conhecimentos. Vamos ver como esse conteúdo é abordado em questões de vestibular e do Enem!

EXERCÍCIOS

Questão 1 (UFSC 2011) –  A produção e a comercialização do açúcar foi uma das principais bases econômicas da colonização portuguesa no Brasil. Sobre este tema, é CORRETO afirmar que:

01. o interesse dos portugueses em produzir açúcar no Brasil estava relacionado aos conhecimentos que estes acumularam por várias décadas com o cultivo da cana e a fabricação de açúcar nas ilhas atlânticas sob seu domínio.

02. as tentativas de ocupação francesa e depois holandesa, no Brasil, ocorreram, em primeiro lugar, em função das descobertas de minas de ouro no interior e, em segundo, devido à produção de açúcar no litoral.

04. a organização social das áreas canavieiras do Brasil gerou uma sociedade escravista em torno do complexo “casa grande e senzala”. Dessa forma, ao contrário da Europa, o Brasil não conheceu uma sociedade aristocrática.

08. a política mercantilista propunha a independência e a emancipação das colônias, o que causou profunda crise no sistema colonial português.

16. a grande quantidade de açúcar produzido no Brasil no período colonial tornava este produto pouco competitivo no mercado internacional, razão pela qual foi substituído pelo café como principal produto de exportação.

32. para desenvolver a economia açucareira, Portugal precisou recorrer a banqueiros e mercadores holandeses, os quais financiavam a instalação de engenhos, a aquisição de escravos, o transporte e a distribuição do produto na Europa.

Resposta: o somatório é 33 (01 + 32).

 

Questão 2 (ENEM 2011)

O açúcar e suas técnicas de produção foram levados à Europa pelos árabes no século VIII, durante a Idade Média, mas foi principalmente a partir das Cruzadas (séculos XI e XIII) que a sua procura foi aumentando. Nessa época passou a ser importado do Oriente Médio e produzido em pequena escala no sul da Itália, mas continuou a ser um produto de luxo, extremamente caro, chegando a figurar nos dotes de princesas casadoiras (CAMPOS, R. Grandeza do Brasil no tempo de Antonil (1681-1716). São Paulo: Atual, 1996).

Considerando o conceito do Antigo Sistema Colonial, o açúcar foi o produto escolhido por Portugal para dar início à colonização brasileira, em virtude de:

a) o lucro obtido com o seu comércio ser muito vantajoso

b) os árabes serem aliados históricos dos portugueses.

c) a mão de obra necessária para o cultivo ser insuficiente

d) as feitorias africanas facilitarem a comercialização desse produto.

e) os nativos da América dominarem uma técnica de cultivo semelhante.

 Resposta: a alternativa correta é a letra “a”.

 

Questão 3

Se o açúcar do Brasil o tem dado a conhecer a todos os reinos e províncias da Europa, o tabaco o tem feito muito afamado em todas as quatro partes do mundo, em as quais hoje tanto se deseja e com tantas diligências e por qualquer via se procura. Há pouco mais de cem anos que esta folha se começou a plantar e beneficiar na Bahia […] e, desta sorte, uma folha antes desprezada e quase desconhecida tem dado e dá atualmente grandes cabedais aos moradores do Brasil e incríveis emolumentos aos Erários dos príncipes (André João Antonil. Cultura e opulência do Brasil por suas drogas e minas. São Paulo: EDUSP, 2007. Adaptado).

O texto acima, escrito por um padre italiano em 1711, revela que:

a) o ciclo econômico do tabaco, que foi anterior ao do ouro, sucedeu o da cana-de-açúcar

b) todo o rendimento do tabaco, a exemplo do que ocorria com outros produtos, era direcionado à metrópole.

c) não se pode exagerar quanto à lucratividade propiciada pela cana-de-açúcar, já que a do tabaco, desde seu início, era maior.

d) os europeus, naquele ano, já conheciam plenamente o potencial econômico de suas colônias americanas.

e) a economia colonial foi marcada pela simultaneidade de produtos, cuja lucratividade se relacionava com sua inserção em mercados internacionais.

Resposta: a alternativa correta é a letra “e”.

 

Questão 4 (ENEM 2015)

Ao se apossarem do novo território, os europeus ignoraram um universo de antiga sabedoria, povoado por homens e bens unidos por um sistema integrado. A recusa em se inteirar dos valores culturais dos primeiros habitantes levou-os a uma descrição simplista desses grupos e à sua sucessiva destruição.

Na verdade, não existe uma distinção entre a nossa arte e aquela produzida por povos tecnicamente menos desenvolvidos. As duas manifestações devem ser encaradas como expressões diferentes dos modos de sentir e pensar das várias sociedades, mas também como equivalentes, por resultarem de impulsos humanos comuns.

SCATAMACHIA, M. C. M. In: AGUILAR, N. (Org.).Mostra do redescobrimento: arqueologia. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo – Associação Brasil 500 anos artes visuais, 2000.

De acordo com o texto, inexiste distinção entre as artes produzidas pelos colonizadores e pelos colonizados, pois ambas compartilham o(a)

a) suporte artístico.

b) nível tecnológico.

c) base antropológica.

d) concepção estética.

e) referencial temático.

Resposta: a alternativa correta é a letra “C”.

O texto desta aula foi preparado pelo professor Felipe Carlos de Oliveira para o Blog do Enem. Felipe é formado em licenciatura e bacharelado em História pela UFSC, especializado em Interdisciplinaridade pelo IBPEX e mestre em História pela UFSC. É professor de colégios e cursinhos da Grande Florianópolis desde 2001.