Ortografia: emprego das letras em português

Quem nunca ficou com dúvida se a palavra era com SS ou SC, com X ou CH ou com S ou Z antes de enviar uma mensagem? Este post vai te ajudar a acabar com essas dúvidas!

Você já teve dúvidas de como empregar uma letra ou outra quando vai escrever um texto ou mandar alguma mensagem? Acredito que sim! Na língua portuguesa temos no alfabeto 26 letras e algumas delas possuem regrinhas básicas para o seu uso correto.

Afinal, quantas vezes já tivemos dúvida se ao escrever com G ou J, S ou Z, SS ou SC, X ou CH? Inúmeras, não é? Vamos conhecer e perder o medo de escrevê-las?

Qual o motivo dessas letras gerarem dúvidas? Isso acontece porque um mesmo fonema pode ser representado por mais de uma letra, e uma letra pode representar mais de um fonema. Por emitirem a mesma sonoridade, oralmente pensadas apenas pelos sons que emitem, causam certa confusão ao transcrevê-las para o papel.

Emprego das letras E e I

Quando vou usar a letra?

Em verbos terminados em -uar (presente do subjuntivo), -air (3ª pessoa do plural do presente do indicativo) e -oar (presente do subjuntivo). Ex.: caem, perdoem, efetuem, perdoem, abençoem, continue…. Na 2ª e na 3ª pessoa do singular e na 3ª pessoa do plural do presente do indicativo dos verbos terminados em -ir, como partir: partes, parte, partem… Em ditongos nasais -ãe(s) e -õe(s), como aldeães, capitães, mãe, vilões, apõem…

Em palavras com prefixo ante-, que são aquelas que indicam algo anterior, anterioridade. São exemplos: antebraço, antevéspera, antediluviano, antessala… Em substantivos terminados em -dade formados de adjetivos terminados em -io. É o caso de palavras como: sério – seriedade; árbitro-arbitrariedade; próprio – propriedade, dentre outras.

Já o emprego da letra I, acontece na 2ª e na 3ª pessoa do singular do presente do indicativo dos verbos terminados em -air, -oer e -uir: atrais, atrai, possuis, possui, sais, sai. Nos substantivos e adjetivos derivados em que entram os sufixos -iano e -iense, antes da sílaba tônica: Acre – acriano, Açores – açoriense, açoriano. Ao contrário da letra E, usada em palavras que indicam anterioridade, o I vai ser usado em palavras iniciadas pelo prefixo anti-, que indica contrariedade.

Temos como exemplos as palavras: antídoto, anticristo, antipatia, antissepia, etc. Em palavras terminadas em -eo, substitui-se a letra O por I antes do sufixo -dade: espontâneo – espontaneidade; instantâneo – instantaneidade, etc.

Emprego das letras C, Ç e S

As palavras que possuem a letra C seguida de E e I, têm som de Ç e SS. Por terem essa sonoridade, às vezes é reconhecer quais dessas letras escolher para compor a palavra. Para mehorar essa grafia, existem algumas regras básicas.

Para a letra C: em vocábulos de origem indígena, africana ou árabe: cipó, cacimba, cacique, etc. Em palavras derivadas de vocábulos terminados em -te/-to: marte – marcial, marciano; torto – torcer. Sempre depois de ditongos: foice, coice, beicinho. Com as terminações -ecer e -encer, entardecer, amanhecer, vencer, pertencer, etc.

Para a letra Ç: Uma dica quando pensar em usar o Ç, ele nunca é usado antes de E e I, mas sim usado antes de A, O e U. Por isso podemos encontrá-lo nas palavras de origem indígena, africana, árabe, italiana, francesa e exótica: açaí, açúcar, muçarela (ou mozarela), Moçambique, muçum…

Isso também vale para as palavras com sufixo -guaçu e -açu, exemplos: capim-açu e Paraguaçú. Vamos também vê-las em palavras que possuem o to no radical, ou seja palavras que originaram desse radical, como atenção (de atento), isenção (de isento), exceção (de exceto), assim por diante. Vale também para palavras derivadas de vocábulos terminados em -tar/-tor: adoção (adotar), infração (infrator), tração (trator), redação (redator), seção (setor), etc.

Em substantivos e adjetivos advindos do verbo ter (e derivados): detenção (deter), abstenção (abster), etc. Nas palavras derivadas de vocábulos terminados e -tivo: introspecção (introspectivo), relação (relativo), etc. E, após ditongos: feição, louça, arcabouço, etc.

Dica: fique atento a palavras derivadas de verbos, dos quais se retira a desinência r e coloca o sufixo ção, como reeducação (reeducar), importação (importar), fundição (fundir), etc.

Para a letra S: Usada em substantivos derivados de verbos em corr, d, nd, nt, pel, rg, rt, no radical, exemplos: concurso (concorrer), defensivo (defender), compulsório (compelir), imersão (imergir), diversão (divertir)…

Em adjetivos pátrios ou títulos de nobreza terminados em -ês(a) e -ense: rio-grandense, paranaense, princesa, duquesa, etc. Em palavras terminadas com -oso e -isa: apetitoso, gostoso, profetisa, etc. Em palavras com som de Z depois de ditongo: coisa, pausa, pouso, maisena, paisagem, etc.

Em substantivos terminados em ase, ese, ise, ose: exemplos: tese, frase, osmose; exceções: deslize, gaze. Nos verbos terminados em isar, se os nomes correspondentes tiverem S no radical, como alisar (liso), paralisar (paralisia), etc. Exceções: catequizar (catequese), batizar (batismo), hipnotizar (hipnose), sintetizar (síntese)

Mas, por quê? O substantivo catequese é grafado com s, mas o verbo catequizar é com z. Isso ocorre em função da etimologia: catequese vem do latim catechese, e o verbo catequizar vem do latim catechizare.

Obs.: Como usar o sufixo -inho em palavras acompanhadas de S: quando a letra S fizer parte do radical da palavra de origem, exemplos: Luisinho (Luís), mesinha (mesa), etc. Você irá usar com a letra Z quando ocorrer o inverso, quando a palavra de origem não tiver o radical terminado em S, exemplos: Cafezinho (café), lugarzinho (lugar).

Emprego do dígrafo SS

O dígrafo entre duas vogais tem som de S e nunca pode iniciar uma palavra. Ele vai ocorrer em verbos terminados em primir, meter, mitir, cutir, ceder, gredir, sed(i)ar: percussão (percutir), depressão (deprimir), promessa (prometer), demissão (demitir), etc.

Em prefixo terminado em vogal mais palavra iniciada com S, acontece em assimétrico (a + simétrico), pressentimento (pré + sentimento), autosserviço (auto + serviço), minissaia (mini + saia), etc.

Depois de ver todas essas regras, você deve estar preocupado como decorá-las. Não fique! A leitura de diferentes textos e principalmente sua memória visual no dia da prova, vão lhe ajudar muito mais do que apenas memorizar as regras. Procure consultar um bom dicionário e tudo vai dar certo!

E aí, você está pronto para mandar bem nos exercícios sobre emprego das letras em português? Clique aqui e teste seus conhecimentos nos simulados do blog do Enem. Boa sorte!

Os textos e exemplos acima foram preparados pela professora Suelen. Licenciada Plena em Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Pará.