Figuras de Pensamento – Português Enem

Conheça os recursos estilísticos básicos da língua portuguesa! Revise Português para mandar bem na prova de Linguagem do Enem!

Nesse post você irá fazer uma revisão sobre as Figuras de Pensamento, que são recursos estilísticos dispostos por toda e qualquer obra literária e também são muito comuns na fala cotidiana. Revise Português para gabaritar as questões de Linguagens do Enem e dos vestibulares!

As figuras de pensamento, diferente dos Tropos e das figuras de Construção, são recursos estilísticos que se baseiam mais na ideia expressa, do que na forma ou relação de similaridade entre as palavras. Vamos conhecer algumas:

Hipérbole

A Hipérbole, também conhecida como auxese, é uma figura de pensamento que consiste em utilizar superlativos, termos exagerados e impróprios, seja por excesso ou defeito, tais como: “genial”, “fantástico”, “sublime”, “amabilíssimo”, “paupérrimo”, “ignóbil”, etc.; ou mesmo fazer comparações desproporcionais: “Forte como um touro”; “veloz como um foguete”.  A Hipérbole pode combinar-se com a metáfora e a comparação, veja o exemplo: “vontade de ferro” = vontade inabalável

Utilizando a Hipérbole, é possível gerar efeito irônico, exagerando de maneira provocativa e crítica em relação a alguém. Veja: “Choro rios de lágrimas pelo azar dos inimigos.

 Eufemismo

O Eufemismo surge assim como forma de atenuar e suavizar o caráter desagradável, horrível, penoso, grosseiro ou indecoroso, de um julgamento, de uma notícia, de um pensamento, etc. Também poderá haver casos em que o Eufemismo pode conter um traço de ironia. Exemplos:

            “Entregar a alma ao criador.” (por ‘morrer’)

            “Ele não roubou… Digamos que fez um pequeno desvio!”

Disfemismo

O Disfemismo é precisamente o contrário de eufemismo: em vez de se atenuar uma dura realidade, opta-se por torná-la real ou mesmo cruel:

            “Deixa em paz a criatura. Está começando a esta hora a apodrecer, não a perturbemos.” (Eça de Queirós)

“Vai comer capim pela raiz.”

“Vai bater as botas”

 Apóstrofe 

A Apóstrofe se dá quando interrompemos uma ideia, fazendo referência a seres reais ou não. Para citar alguns exemplos:

“E vós, Tágides minhas…” (Camões)

“Povo Brasileiro, resista!”

 Prosopopéia (Personificação ou Animismo) 

A Prosopopéia (Animismo ou Personificação, como queiram) é a Figura de Pensamento que consiste em atribuir ações e desejos de seres vivos a objetos inanimados. Para citar alguns exemplos:

 “A respiração da montanha.”

“O olhar da noite.”

Perífrase

A Perífrase consiste em exprimir por meio de expressões ou frases completas o que seria possível dizer-se numa só palavra. Nesse caso, o verdadeiro estado de coisas não nos é fornecido diretamente, mas terá de ser deduzido por via indireta. A Perífrase coabita com o Eufemismo, e pode aparecer como Metonímia e Metáfora:

                  “… a gente chama

                   Aquele que a salvar o mundo veio” (L. Camões)  – Referindo-se à Cristo’.

           “O Rei do Pop veio ao Brasil para gravar um videoclip.”

Antítese

 A Antítese consiste em jogar com os contrastes de teorias opostas e  exprimi-los por meio de construções compactas e bipartidas. Assim sendo, a antítese reside na oposição dos contrastes em estado puro e na forma mais ou menos simétrica que os coloca em relevo. Veja alguns exemplos:

“Amor é um fogo que arde sem se ver,

É ferida que dói, e não se sente” (Luís de Camões)

“Que seja infinito enquanto dure” (Vinícius de Moraes)

 Oxímoro

 Oxímoro, também conhecido como Oxímoro ou Antilogia, é uma forma de intensificação da Antítese, que impõe a uma dada expressão dois sentidos teoricamente incompatíveis, assentando na ligação de duas imagens que, na realidade, parecem excluir-se.

A Antítese e o Oxímoro são duas figuras que se encontram ao serviço da expressão de ideias contraditórias, contudo, há entre uma e outra uma diferença de intensidade. Para citar alguns exemplos:

“Silêncio ensurdecedor”

“Culpa inocente”

“Guerra pacífica”

Dica: Revise também a Geração de 30 neste post de Literatura para o Enem!

Paradoxo

 Trata-se da formação de uma sentença absurda, que resulta da soma de duas propostas contraditórias. Para citar alguns exemplos:

 “Eu sou um idoso jovem.”

“Meu filho dorme acordado.”

Gradação

A Gradação consiste numa seriação não de elementos, mas de ideias, semelhantes ou não, concedendo maior intensidade na expressão. Considerar-se dois tipos de gradação: GRADAÇÃO ASCENDENTE ou PROGRESSIVA, quando essa seriação é feita segundo uma ordem em crescendo, isto é, que vai manifestando uma intensificação progressiva, equivalente a CLÍMAX, bem como a GRADAÇÃO DESCENDENTE ou Regressiva ao ANTICLÍMAX. Para citar alguns exemplos:

“Os vales aspiram a ser outeiros, e os outeiros a ser montes, e os montes a ser Olimpos e a exceder as nuvens.” (António Vieira)

“Deu sinal a trombeta castelhana / Horrendo, fero, ingente e temeroso.” (Camões)

O uso desses recursos, como já dito, estão presentes não apenas em obras literárias, como na linguagem corrente. A sua presença enriquece a língua e sua simbologia, se tratado de formas diferentes de observar as coisas. O seu uso pode também agir sobre a argumentação e exposição de temas e assuntos diversos.

Veja agora essa videoaula do canal X da Questão com o professor Douglas Knupp:

E também essa outra videoaula do canal Bom de Língua com o professor Sandro Ataliba:

Para praticar, tente fazer esses exercícios sobre    :

 1.(FUVEST) Identifique a figura de linguagem empregada nos versos destacados:

“No tempo de meu Pai, sob estes galhos,
Como uma vela fúnebre de cera,
Chorei bilhões de vezes com a canseira
De inexorabilíssimos trabalhos!”

A) antítese
B) anacoluto
C) hipérbole
D) eufemismo
E) metáfora
 

2.(VUNESP) No trecho: “…dão um jeito de mudar o mínimo para continuar mandando o máximo”, a figura de linguagem presente é chamada:

a) metáfora
b) hipérbole
c) hipérbato
d) anáfora
e) antítese

3. (Faap-1997)

Barcos de Papel – Guilherme de Almeida

Quando a chuva cessava e um vento fino

franzia a tarde tímida e lavada,

eu saía a brincar pela calçada,

nos meus tempos felizes de menino.

Fazia de papel toda uma armada

e, estendendo meu braço pequenino,

eu soltava os barquinhos, sem destino,

ao longo das sarjetas, na enxurrada…

Fiquei moço. E hoje sei, pensando neles,

que não são barcos de ouro os meus ideais:

são feitos de papel, tal como aqueles,

perfeitamente, exatamente iguais…

que os meus barquinhos, lá se foram eles!

foram-se embora e não voltaram mais!

Barcos de ouro / Barcos de papel.Expressões contrárias à que a Língua dá o nome de:

a) antítese

b) zeugma

c) pleonasmo

d) anacoluto

e) polissíndeto.

 

Gabarito

1) c.

2) e.

3) a.

 

Os textos e exemplos acima foram produzidos pelo professor Renato Luís de Castro. Renato tem Graduação em Letras/Francês pela Unesp-Araraquara, e mestrado em Estudos Literários também na Unesp. Irá concluir agora a Licenciatura pela Ufsc-Florianópolis. Gosta de música, filosofia, história, poesia, arte em geral. Tem experiência com cursinhos pré-vestibulares e com ensino Médio.  Anda insistindo em ser aprovado num curso de doutorado. https://www.facebook.com/renato.luisdecasttro