O governo Geisel na Presidência da República: 1974 a 1979

Eram os tempos da Ditadura Militar, no ciclo iniciado com o Golpe de 1964, e que durou até 1985. No cenário externo, Geisel enfrenta a Crise do Petróleo. No cenário interno, o país tem inflação em alta, greves, e pressão pelo fim da ditadura. Geisel rompe com a linha dura militar e inicia uma abertura política.

O General Ernesto Geisel foi o penúltimo presidente nomeado pelos militares. O início dos anos Geisel na presidência ficou marcados pelo declínio do chamado “Milagre Econômico”, que foi o ciclo de crescimento econômico ocorrido no governo anterior, do general Emílio Garrastazu Médici.

Ao mesmo tempo ele herda do governo Médici as consequências dos “Anos de chumbo”, época mais fechada do regime militar: guerrilha contra a ditadura, e, por outro lado, prisões de opositores, tortura, e mortes ocorridas nos chamados porões da ditadura, entre 1968 a 1974.

Abertura diplomática

No campo externo, Ernesto Geisel inicia um movimento de aproximação econômica de natureza independente da órbita anterior, até então muito vinculada aos interesses dos Estados Unidos.

Geisel estabelece relações comerciais e diplomáticas com países da órbita comunista, como a China e a então União Soviética; com países angolanos engajados em processos de independência colonial, como Angola; e com a Alemanha, para iniciar um programa de construção de usinas nucleares no Brasil.

A Crise do Petróleo

Durante o período de Geisel na presidência o Brasil viveu a Crise do Petróleo, com impacto mundial na redução da oferta e aumento dos preços dos combustíveis.

A união dos produtores árabes para coordenar o preço do petróleo surgiu no ano seguinte à Guerra do Yom Kippur (1973), e abalou os fundamentos econômicos do Brasil.   

O Brasil começa a buscar alternativas de combustível renovável, e Geisel incentiva o Proálcool em 1975. Em 1979 ocorre uma nova crise internacional de Petróleo, como reflexo da Revolução Islâmica no Irã, que deixa de ser um regime monárquico, e se torna uma ditadura teocrática.

Crise econômica e protestos

O resultado econômico foi o aumento da dívida externa e da inflação no mercado interno. Com isso, crescem a insatisfação política da população tanto no aspecto da carestia dos preços quanto na contenção dos salários. O salário mínimo vinha sendo reajustado abaixo da inflação.

Surge um movimento nacional de donas de casa contra a carestia, com foco no preço dos alimentos.

Na questão trabalhista, ganha força na produção metalúrgica e automobilística, principalmente na região do Grande ABC Paulista (Santo André; São Bernardo do Campo; São Caetano; e Diadema).

Surge Lula, com Geisel na Presidência

O principal líder sindical que surge no período foi Luís Inácio da Silva, o Lula, com foco em mobilizações e greves de metalúrgicos pela reivindicação salarial. O movimento surge em 1978, e prolonga-se até 1981, mesmo após o governo Geisel, e entrando nos primeiros anos de governo do presidente João Baptista Figueiredo.

O Regime Militar já dava sinais de esgotamento, e Geisel iniciou um ciclo de diálogo com as forças políticas para indicar um movimento de abertura no país. A progressão para a volta da democracia ficou denominada de “Abertura Lenta e Gradual”.

Em 1974 a insatisfação popular elege um grande número parlamentares do partido do MDB (Movimento Democrático Brasileiro).

A Ditadura sente a pressão, e cria, no ano de 1977, a figura do “Senador Biônico”, estabelecendo que um terço dos senadores da próxima eleição teriam as vagas ocupadas por indicação oficial, e não por eleição popular.

A morte de Vladimir Herzog

Em outubro de 1975 as forças de repressão da ditadura prendem e provocam a morte do jornalista Vladimir Herzog, nas instalações do DOI-CODI (órgão de repressão do Governo Militar). A morte de Herzog teve ampla repercussão nacional e internacional sobre episódios de tortura e morte no Brasil.

As lideranças políticas de oposição unem-se em torno do Cardeal Arcebispo de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, o Rabino Henry Sobel, e o pastor evangélico Jayme Wright para realizar um ato ecumênico que marcou o protesto da sociedade, o que era proibido pela ditadura.

Três meses depois ocorre outra morte após prisão e tortura, também em São Paulo, do operário Manuel Fiel Filho. Geisel, que já estava sob pressão do governo norte-americano para interromper o arbítrio político e as perseguições no Brasil, afasta-se politicamente da linha dura dos militares.

Progressivamente ele troca os comandantes das unidades onde estavam concentradas as ações de repressão. Porém, ao mesmo tempo, Geisel ainda permanece alinhado com as ditaduras militares da América Latina, e o Brasil participa da Operação Condor, que envolvia a repressão aos opositores, inclusive com sequestros e mortes.

Resumo sobre Geisel na Presidência

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Censura política com Geisel Presidente

Um fato negativo que entrou para a história foi um recrudescimento da censura política em 1977, no Pacote de Abril. O mandato do próximo presidente passaria de cinco para seis anos. E, além do “senador Biônico”, nas campanhas eleitorais na TV apenas “o santinho” dos candidatos seria exibido.

Fim do AI-5

Só em 13 de outubro de 1978 é que acontece a primeira medida efetiva de abertura política, que foi a suspensão do Ato Institucional número 5, o AI-5, que fora decretado pela ditadura e estava vigente desde 1968.

Em agosto de 1979, já no governo do sucessor de Geisel, o general João Baptista Figueiredo, acontece a promulgação da Lei da Anistia, direcionada aos atores políticos tanto de apoio quanto os contrários à Ditadura, e têm início um retorno do exílio de lideranças que foram banidas ou perseguidas durante o regime militar.

Resumo sobre a Ditadura Militar

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João Vianney dos Valles Santos

Psicólogo e jornalista, Vianney é diretor do Blog do Enem. Tem doutorado em Ciências Humanas, coordenou o Laboratório de Ensino a Distância da UFSC, e Dirigiu o Campus Unisul Virtual. É consultor de EaD da Hoper Educação.
Categorias: Apostilas Enem Gratuitas, História
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