Hegel e o idealismo dialético – Filosofia Enem

Você sabe o que significa idealismo? Já ouviu falar em dialético? Leia esta aula e saiba tudo sobre Hegel e o idealismo dialético para gabaritar no Enem

Georg Wilhelm Friedrich Hegel nasceu em 1770 e faleceu em 1831 em Estuttgart, na Alemanha. Estudou gramática até os 18 anos. Entrou para o seminário de Tubingen em 1788, e de lá saiu em 1793. Ao sair do seminário, Hegel não exerceu o ministério de pastor, mas começou a dar aulas particulares.

Em 1796, foi para Frankfurt, onde um conhecido arranjou-lhe algumas aulas. Ele é um pensador importante para a Filosofia. Aprenda mais sobre Hegel e gabarite o Enem!

Hegel

Após esta breve apresentação da vida do nosso filósofo, vamos conhecer um pouco de sua filosofia. Primeiramente vamos compreender o conceito de idealismo. Na filosofia, idealismo é uma corrente filosófica que faz das ideias o princípio interpretativo do mundo. Ou seja, segundo o idealismo, conhecemos o mundo a partir das ideias que temos feito de todas as coisas materiais.

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Por fim, o conceito de “dialético”. Dialético é uma palavra grega que significa “arte do diálogo, de convencer, de persuadir ou raciocinar”. Em suma, é um debate de ideias diferentes, chegando a uma conclusão a partir desses pensamentos diversos que, tornam-se um novo conceito que pode ser contrariado novamente. Para alguns filósofos, como Sócrates, Platão, Aristóteles e aqui também se encontra o filósofo que estamos estudando, é uma maneira de filosofar.

Mas, como Hegel filosofava? Dentro do idealismo hegeliano há a procura pela resposta a um problema que já vinha sendo discutido por filósofos como Kant: a questão de sujeito e objeto, consciência e mundo. Em suma, a pergunta de fundo era: “como se dá o conhecimento?” Hegel afirmou, portanto, que “o real é racional e o racional é real.”

Calma, não é tão complicado quanto parece! Podemos explicar este pensamento hegeliano dessa maneira: a realidade é composta por nossa mente e a própria consciência não é estática, ou seja, congelada, pois está sempre mudando e desenvolvendo novas categorias e conceitos, que determinam como nós vivemos o mundo. O que faz que o conhecimento sempre seja contextualizado.

A dialética se processa em três momentos:

Primeiro seria tese, que corresponde uma ideia, um pensamento.

Segundo seria a antítese – um pensamento diferente da tese, uma ideia contrária.

Terceiro seria a síntese – uma conclusão da tese com a antítese, ou seja, após o debate de ideias chegaria a uma conclusão resumida, no entanto, essa síntese passa a ser uma nova tese para uma dialética.

Essa estrutura dialética, segundo Hegel, seria aplicada a todos os campos do real, desde a aquisição do conhecimento até os processos históricos políticos. Sendo que esses momentos (tese – antítese – síntese) se sucedem como um movimento em espiral, ou seja, movimento espiral que não se fecha.

Resumo

Hegel criou um sistema chamado dialética, que é um processo espiral sobre o conhecimento, partindo da uma ideia base que é chamada de tese, contrariada por outra ideia, chamada de antítese e chegando a uma conclusão chamada de síntese, que passa a ser uma nova tese, por isso, espiral, algo que não tem fim, mas uma evolução de ideia.
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Referência

COTRIM, Gilberto; FERNANDES, Mirta. Fundamentos de Filosofia. 1 ed. – São Paulo: Saraiva: 2010.
GARCIA, José Roberto; VELOSO, Valdecir da Conceição. Eureka: construíndo cidadãos reflexivos. Florianópolis: Sophos, 2011.

Chegou a sua vez. Resolva essas questões de vestibulares e se prepare para o Enem!

1. (Ufu 2013) A dialética de Hegel

a) envolve duas etapas, formadas por opostos encontrados na natureza (dia-noite, claro-escuro, frio-calor).
b) é incapaz de explicar o movimento e a mudança verificados tanto no mundo quanto no pensamento.
c) é interna nas coisas objetivas, que só podem crescer e perecer em virtude de contradições presentes nelas.
d) é um método (procedimento) a ser aplicado ao objeto de estudo do pesquisador.

2. (Ueg 2010) Hegel, prosseguindo na árdua tarefa de unificar o dualismo de Kant, substituiu o eu de Fichte e o absoluto de Schelling por outra entidade: a ideia. A ideia, para Hegel, deve ser submetida necessariamente a um processo de evolução dialética, regido pela marcha triádica da

a) experiência, juízo e raciocínio.
b) realidade, crítica e conclusão.
c) matéria, forma e reflexão.
d) tese, antítese e síntese.

3. (Uem 2010) Hegel criticou o inatismo, o empirismo e o kantismo. Endereçou a todos a mesma crítica, a de não terem compreendido o que há de mais fundamental e essencial à razão: o fato de ela ser histórica. Com base nessa afirmação, assinale o que for correto.

01) Ao afirmar que a razão é histórica, Hegel considera a razão como sendo relativa, isto é, não possui um caráter universal e não pode alcançar a verdade.
02) Não há para Hegel nenhuma relação entre a razão e a realidade. Submetida às circunstâncias dos eventos históricos, a razão está condenada ao ceticismo, isto é, “ao duvidar sempre”.
04) A identificação entre razão e história conduz Hegel a desenvolver uma concepção materialista da história e da realidade, negando entre ambas a possibilidade de uma relação dialética.
08) No sistema hegeliano, a racionalidade não é mais um modelo a ser aplicado, mas é o próprio tecido do real e do pensamento. O mundo é a manifestação da ideia, o real é racional, e o racional é o real.
16) Karl Marx, ao afirmar, na Ideologia alemã, que não é a história que anda com as pernas das ideias, mas as ideias é que andam com as pernas da história, critica, ao mesmo tempo, o idealismo e a concepção da história de Hegel e dos neo-hegelianos.

4. (UFC – QUESTÃO 08)

A respeito do conceito de dialética, Hegel faz a seguinte afirmação:
“O interesse particular da paixão é, portanto, inseparável da participação do universal, pois é também da atividade do particular e de sua negação que resulta o universal.”
HEGEL, G. W. F. Filosofia da História. 2. ed. Tradução de Maria Rodrigues e Hans Harden. Brasília: Editora da UnB, 1998. p. 35.

Com base no pensamento de Hegel, assinale a alternativa correta.

A) O particular é irracional, por isso é a negação do universal, portanto, a História não é guiada pela Razão, mas se deixa conduzir pelo acaso cego dos acontecimentos que se sucedem sem nenhuma relação entre eles.
B) O universal é a somatória dos particulares, de modo que a História é tão só o acumulado ou o agregado das partes isoladas, e assim elas estão articuladas tal como engrenagens de uma grande máquina.
C) O particular da paixão é a ação dos indivíduos, sempre em oposição à finalidade da História, isto é, do universal da Razão que governa o mundo, mas esta depende da ação dos indivíduos, sem os quais ela não se manifesta.
D) O universal é a vontade divina que por intermédio da sua ação providente preserva os homens de todos os perigos, evitando que se desgastem com suas paixões, assim, o humano é preservado desde o seu surgimento na Terra.

Respostas:

1: c; 2: c; 3: 8 e 16; 4: 8

Post escrito por Gilson Luiz Corrêa. Gilson é bacharel em Filosofia pela UNISUL, possui Licenciatura em Filosofia pela UFSC e em Psicopedagogia pela FMP. É professor do Colégio Catarinense. Facebook: https://www.facebook.com/gilsonluiz.correa