Ideologia – Revisão de Sociologia para o Enem

O que é ideologia? Este é um conceito que apresenta várias concepções. Para a Sociologia, podemos falar em dois significados principais de ideologia. Estude com o Blog do Enem!

Ideologia é uma palavra que pode ter dois diferentes significados. O primeiro significado de ideologia é um conjunto de ideias, que buscam explicar a realidade e as transformações sociais.

Ideologia, Cazuza, símbolos
Capa do disco “Ideologia” de Cazuza, de 1988. Coloque para rodar a música que dá título ao álbum enquanto refletimos sobre o tema!

Nesse sentido, é sinônimo de ideário ou doutrina e serve para orientar a ação social de indivíduos e grupos. Tem um caráter descritivo (explica como as coisas são) e também normativo (como deveriam ser).

Ao falar em ideologia, Cazuza aproxima-se deste primeiro significado do conceito. Quais símbolos ideológicos você consegue identificar na capa do disco do Cazuza ?

Uma segunda concepção entende a ideologia como algo necessariamente negativo e pejorativo: ideologia é uma forma de ver o mundo imposto pela classe dominante, para não deixar os oprimidos enxergarem as desigualdades sociais.

Esta visão crítica da ideologia é representada principalmente na obra de Karl Marx. Por isso, abaixo nos aprofundaremos sobre o conceito marxista de ideologia.

Marx, ideologia
: “As ideias da classe dominante são, em todas as épocas, as ideias dominantes” Marx e Engels, em A ideologia alemã

Conceito marxista de ideologia

Para Karl Marx, ideologia é um instrumento de dominação que age através do convencimento (não pela força física), alienando a consciência dos trabalhadores da sua condição de explorado.

Em uma concepção filosófica, a palavra ideologia é utilizada no título do livro “A Ideologia Alemã” de Karl Marx e Friedrich Engels. Nesta obra, Marx e Engels defendem o materialismo e criticam os filósofos alemães por separarem a produção de ideias da produção das condições sociais.

Marx se pergunta por que homens e mulheres não percebem a condição de exploração no qual vivem? Como não reconhecem a desigualdade entre as classes sociais e os privilégios dos dominantes?

A resposta está na ideologia: o meio usado pelos dominantes para exercer a dominação, fazendo com que esta não seja percebida como tal pelos dominados. A ideologia é mais eficaz quanto maior for sua capacidade de esconder a origem da divisão social e a luta de classes.

Isso acontece porque as pessoas acreditam que a divisão da sociedade em classes é uma fatalidade, impossível de se mudar, que sempre foi assim.  A ideologia burguesa convence as pessoas que temos que aceitar a posição social que nascemos, não importa o quanto somos explorados, devemos trabalhar para o bom funcionamento da sociedade.

Toda a obra científica de Marx tenta exatamente mostrar as raízes históricas da divisão da sociedade capitalista entre burgueses e operários. O objetivo de Marx é desmascarar a ideologia dominante, mostrando que ela é resultado da luta de classes.

Marx tenta mostrar que a ideologia consiste em transformar as ideias particulares da classe dominante em ideias universais para a sociedade como um todo, de modo que a classe que domina no plano econômico, social e político também domine no plano das ideias.

ideologia, alienação, burguês, trabalhador
Para Marx, a ideologia faz com que as pessoas trabalhem sem perceber sua condição de explorado

Dica 1: Relembre os fundamentos do pensamento marxista nessa postagem do Blog do Enem.

https://blogdoenem.com.br/marx-filosofia-enem/

Dica 2: Para uma aula sobre ideologia na perspectiva de Karl Marx, dê uma olhada no vídeo do canal “Aprenda certo”:


Ideologia e Indústria cultural

Na sociedade capitalista contemporânea, a classe dominante encontrou uma forma muito eficiente de disseminar sua ideologia através da indústria cultural.

Indústria cultural é a forma de produção de arte, cultura e informações na sociedade capitalista, voltada para a lógica econômica. A indústria cultural age no sentido de massificar e impedir a emancipação do pensamento.

Entretanto, com o aparecimento da internet, os meios de difusão da informação e da arte deixaram de ser monopólio de poucas famílias que são donas dos meios de comunicação.

É por isso que muitos indivíduos e movimentos sociais hoje se utilizam da internet para divulgar informações contrárias à ideologia dominante.

Você se lembra do nosso post sobre indústria cultural, onde falamos dos pensadores da Escola de Frankfurt que, influenciados pelo marxismo, descreveram as formas de produção cultural orientadas pela ideologia do capitalismo?

Dica 3: Aproveite e revise a aula sobre indústria cultural também.
ideologia, alienação, indústria cultural, grafite
Grafite que critica a televisão por transmitir a ideologia dominante
Dica 4: Um bom filme para perceber como operam os mecanismos da ideologia é “A Onda”, que conta sobre a experiência social de um professor alemão com uma turma de ensino médio, transformando-a em uma sociedade fascista.
: “A Onda”, ideologia, fascismo
Filme “A Onda”

Exercícios:

1- (PUCCamp/2017) Considere os itens abaixo.

I. Os dirigentes procuravam sujeitar toda a vida da nação a uma ideologia imposta pelo Partido.

II. O totalitarismo de direita era justificado como sendo o único meio de terminar com a luta de classes, com a ameaça do internacionalismo comunista e com a fraqueza da liberdade individual.

III.  O combate à democracia por considerá-la um regime fraco frente às ameaças do comunismo.

IV. O nacionalismo extremado e a exaltação da guerra como meio de restaurar as glórias passadas e so brepor o regime às demais nações.

V. A imposição de uma cooperação entre capital e o trabalho, condicionada por uma ampla legislação social.

O conhecimento histórico permite afirmar que os itens identificam

a) pressupostos políticos da socialdemocracia alemã nos anos de 1960.

b) limitações impostas pelos militares no Brasil, na década de 1970.

c) características dos principais pontos da ideologia fascista italiana.

d) fatores responsáveis pela implantação da República de Weimar.

e) aspectos das ditaduras adotadas nos países latino-americanos.

2- (UNITAU/2016) “No nazismo, temos um fenômeno difícil de submeter à análise racional. Sob um líder que falava em tom apocalíptico de poder ou destruição mundiais, e um regime fundado numa ideologia absolutamente repulsiva de ódio racial, um dos países mais cultural e economicamente avançados da Europa planejou a guerra e lançou uma conflagração mundial que matou mais de 50 milhões de pessoas”.

KERSHAW, Ian, 1993, p.3-4, apud HOBSBAWM, Eric. A era dos extremos. São Paulo: Companhia das Letras, 1993, p.113.

Em linhas gerais, podemos caracterizar a ideologia nazista como

a) nacionalista e pluripartidarista.

b) racista e internacionalista.

c) marxista e pacifista.

d) estadista e anticapitalista.

e) nacionalista e anticomunista.

3- (ENEM/2015) DUARTE, P. A. Fundamentos de cartografia. Florianópolis: UFSC, 2002.

As diferentes representações cartográficas trazem consigo as ideologias de uma época. A representação destacada se insere no contexto das Cruzadas por

a) revelar aspectos da estrutura demográfica de um povo.

b) sinalizar a disseminação global de mitos e preceitos políticos.

c) utilizar técnicas para demonstrar a centralidade de algumas regiões.

d) mostrar o território para melhor administração dos recursos naturais.

e) refletir a dinâmica sociocultural associada À visão de mundo eurocêntrica.

4- (UNESP/2016) A utilização de fantasia pelo sistema de crença que reafirma o capitalismo ocorre a partir do consenso popular que é realizado por meio da conquista, pelos assalariados, de bens simbólicos, de expectativas e de interesses.

Assim sendo, o sistema de crença no consumo não opera sobre programas concretos e imediatos, mas sim a partir de imagens criadas pela publicidade e pela propaganda, que são fomentadas exclusivamente pela base econômica da sociedade; daí a permanente busca de realização econômica como sinônimo de todas as outras realizações ou satisfações.

Por isso é que nos roteiros de cenas a comunicação sempre espelha a positividade. Não há dor, nem crueldade, nem conflito, nem injustiça, nem infelicidade, nem miséria. A seleção e associação de signos são trabalhadas para nem de longe sugerir dúvidas no sistema de crença no consumo.

O jovem rebelde é bonito, forte, penteado e vestido com grife divulgada; o belo casal transpira boas expectativas de vida no calor do forno de micro-ondas ou na certeza de um seguro de vida ou mediante uma assistência médica eficiente; uma supercriança lambe nos superdedos a margarina de uma família feliz.

(Solange Bigal. O que é criação publicitária ou (O estético na publicidade), 1999. Adaptado.)

De acordo com o texto, no universo publicitário, a estética exerce sobretudo o papel de

a) denunciar as condições opressivas de vida existentes no capitalismo.

b) criticar os mecanismos de sedução exercidos pela indústria cultural.

c) veicular imagens de caráter ideológico manipuladoras do desejo.

d) efetivar processos formadores do senso crítico sobre a realidade.

e) questionar os estereótipos hegemônicos na sociedade de classes.

5- (UFU/2016) Essa ideologia baseia-se no pressuposto de que a liberalização do mercado otimiza o crescimento e a riqueza no mundo, e leva à melhor distribuição desse incremento. Toda tentativa de controlar e regulamentar o mercado deve, portanto, apresentar resultados negativos, pois restringe a acumulação de lucros sobre o capital e, portanto, impede a maximização da taxa de crescimento.

HOBSBAWM, Eric. O novo século: entrevista a Antonio Polito. São Paulo: Companhia das Letras, 2000. p. 78 (Adaptado).

A vitória do ideário liberal, após a queda do Muro de Berlim e da URSS, foi saudada por alguns estudiosos, entre eles o norte-americano Francis Fukuyama, como o ―fim da história‖, pois

a) representava, nos planos político, econômico e ideológico, a consolidação da aliança entre EUA e China, impossibilitando o surgimento de novos centros de poder.

b) simbolizava a retomada da hegemonia da Rússia, agora capitalista, o que se traduzia na retomada da corrida armamentista e das disputas territoriais, especialmente no Oriente Médio.

c) traduzia o princípio da liberdade plena de circulação de capitais, plenamente adotada por países como a China, cujo baixo intervencionismo estatal está na origem de sua escalada econômica.

d) o liberalismo, ao lado da democracia e da economia de mercado, significava o ápice do desenvolvimento humano e a realização da natureza do homem.

6- (UNITAU/2015) Nem o imperialismo nem o colonialismo são um simples ato de acumulação e aquisição. Ambos são sustentados e talvez impelidos por potentes formações ideológicas que incluem a noção de que certos territórios e povos precisam e imploram pela dominação.

SAID, Edward. Cultura e Imperialismo. São Paulo: Companhia das Letras, 1998, p. 40.

O texto acima faz referência a um conjunto de ideias que legitimou a dominação dos povos africanos e asiáticos no século XIX, dentre as quais podemos destacar

a) o capitalismo, que afirmava a necessidade de novos mercados consumidores para a produção industrial europeia.

b) a ideia de “destino manifesto”, empregada para justificar a ocupação do território norte-americano.

c) a noção, defendida pela Igreja, de salvação das almas de homens considerados pagãos, infiéis e pecadores.

d) o etnocentrismo e a noção de missão civilizadora dos povos brancos, considerados “avançados”, sobre os demais povos, considerados “atrasados”.

e) a ideia de igualdade social e de direitos para todos os homens, independentemente de classe social ou raça.

7- (UEG/2015) Para Marx, diante da tentativa humana de explicar a realidade e dar regras de ação, é preciso considerar as formas de conhecimento ilusório que mascaram os conflitos sociais. Nesse sentido, a ideologia adquire um caráter negativo, torna-se um instrumento de dominação na medida em que naturaliza o que deveria ser explicado como resultado da ação histórico-social dos homens, e universaliza os interesses de uma classe como interesse de todos. A partir de tal concepção de ideologia, constata-se que

a) a sociedade capitalista transforma todas as formas de consciência em representações ilusórias da realidade conforme os interesses da classe dominante.

b) ao mesmo tempo que Marx critica a ideologia ele a considera um elemento fundamental no processo de emancipação da classe trabalhadora.

c) a superação da cegueira coletiva imposta pela ideologia é um produto do esforço individual principalmente dos indivíduos da classe dominante.

d) a frase “o trabalho dignifica o homem” parte de uma noção genérica e abstrata de trabalho, mascarando as reais condições do trabalho alienado no modo de produção capitalista.

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Luiz Antonio
Os textos e exemplos acima foram preparados pelo professor Luiz Antonio Guerra para o Blog do Enem. Luiz Antonio é formado em Ciência Política pela Universidade de Brasília (UnB) e mestre em Sociologia também pela UnB. Atualmente é doutorando em Sociologia da Universidade de São Paulo (USP).