Kant e o Criticismo – Filosofia Enem e vestibular

Você sabe o que significa criticismo? Qual a teoria de Kant sobre o criticismo? Leia esta aula e fique sabendo tudo sobre o criticismo kantiano para gabaritar Filosofia no Enem!

Vamos conhecer primeiro um breve resumo da biografia do filósofo alemão Immanuel Kant para depois entendermos a teoria do Criticismo.

Immanuel Kant nasceu em Königsberg, na Prússia Oriental, Alemanha, no dia 22 de abril de 1724. Era filho de um artesão de descendência escocesa. Recebeu uma educação protestante e frequentou a Universidade de Königsberg, onde estudou Filosofia e Matemática.

Dedicou-se ao ensino, vindo a desempenhar as funções de professor na Universidade de Könisgberg. O Criticismo foi uma teoria criada por Kant para resolver um impasse criado pelo Dogmatismo e pelo Ceticismo. kantVamos entender primeiro essas duas teorias e, por fim, analisarmos porque Kant propôs essa linha de pensamento.

De um modo geral, dogmatismo é uma doutrina filosófica que defende a possibilidade de chegarmos ao verdadeiro conhecimento. Já o ceticismo afirma na impossibilidade de chegar ao conhecimento verdadeiro.

Essas duas teorias deixaram um pergunta no ar: e agora, é possível ou não chegarmos à verdade? Tentando resolver este problema, Kant apresenta sua teoria chamada criticismo, que seria um meio termo entre o dogmatismo e o ceticismo.

Vamos entender um pouco o criticismo:

Assim como o dogmatismo, o criticismo acredita na possibilidade do conhecimento, no entanto, se questiona sobre esta possibilidade de conhecer. Para Kant, o processo do conhecimento se dá pela interação entre o sujeito e o mundo objetivo.

Para que chegue ao resultado, o sujeito tem em sua estrutura o conteúdo sensível, isto é, a condição que é responsável pela captação dos dados objetivos, sendo remetidos ao intelecto, para serem classificados, articulados e pensados.

No entanto, o sujeito é a peça chave nessa interação dele com o objeto, ou seja, deve partir do sujeito a vontade de aprender.

Essa relação sujeito e objeto como instrumento para chegar ao conhecimento ficou conhecida como Revolução Copernicana de Kant. Você deve lembrar que Copérnico afirmou que o centro do Universo não seria mais a Terra como era a crença na época, mas sim o Sol e que a Terra gira em torno dele.

Kant ao afirmar que o processo de conhecimento é uma relação entre o sujeito e o objeto e não mais somente do sujeito, causa uma grande revolução no processo de aprendizado.

Dica 1. A Metafísica da Modernidade – Quer saber um pouco mais sobre essa discussão da possibilidade de um conhecimento verdadeiro? Então acesse o link dessa imagem a seguir e fique por dentro desse conteúdo:

A metafísica na modernidade – Filosofia Enem

 

O racionalismo cartesiano

Você deve ter percebido que Kant questiona a possibilidade do conhecimento, essa foi à herança do ceticismo, no entanto, cabe ressaltar que ele questiona, mas não nega a possibilidade, assim como, ele acredita na possibilidade, mas deve ser questionada e analisada, sendo que ocorre em condições especificas.

Revisão

O criticismo de Kant procura dar uma solução ao impasse criado pelo dogmatismo que era a total confiança do sujeito chegar à verdade e o ceticismo pela negação do sujeito de chegar à verdade. Kant propõe o ceticismo, que será a capacidade de chegar, no entanto, ela deve ser questionada, sendo que esse processo se dá pela relação do sujeito com o objeto.

Aprofunde seus estudos e continue fazendo a revisão assistindo este vídeo que selecionamos para você:

Referência

GARCIA, José Roberto; VELOSO, Valdecir da Conceição. Eureka: construíndo cidadãos reflexivos. Florianópolis: Sophos, 2011.

Chegou a sua vez. Resolva essas questões de vestibulares e se prepare para o Enem:

1. (Uema 2011) Na perspectiva do conhecimento, Immanuel Kant pretende superar a dicotomia racionalismo-empirismo. Entre as alternativas abaixo, a única que contém informações corretas sobre o criticismo kantiano é:

a) A razão estabelece as condições de possibilidade do conhecimento; por isso independe da matéria do conhecimento.
b) O conhecimento é constituído de matéria e forma. Para termos conhecimento das coisas, temos de organizá-las a partir da forma a priori do espaço e do tempo.
c) O conhecimento é constituído de matéria, forma e pensamento. Para termos conhecimento das coisas temos de pensá-las a partir do tempo cronológico.
d) A razão enquanto determinante nos conhecimentos fenomênicos e noumênicos (transcendentais) atesta a capacidade do ser humano.
e) O homem conhece pela razão a realidade fenomênica porque Deus é quem afinal determina este processo.

2. (Enem 2013) Até hoje admitia-se que nosso conhecimento se devia regular pelos objetos; porém, todas as tentativas para descobrir, mediante conceitos, algo que ampliasse nosso conhecimento malogravam-se com esse pressuposto. Tentemos, pois, uma vez, experimentar se não se resolverão melhor as tarefas da metafísica, admitindo que os objetos se deveriam regular pelo nosso conhecimento.

KANT, I. Crítica da razão pura. Lisboa: Calouste-Guibenkian, 1994 (adaptado).

O trecho em questão é uma referência ao que ficou conhecido como revolução copernicana da filosofia. Nele, confrontam-se duas posições filosóficas que
A) assumem pontos de vista opostos acerca da natureza do conhecimento.
B) defendem que o conhecimento é impossível, restando-nos somente o ceticismo.
C) revelam a relação de interdependência entre os dados da experiência e a reflexão filosófica.
D) apostam, no que diz respeito às tarefas da filosofia, na primazia das ideias em relação aos objetos.
E) refutam-se mutuamente quanto à natureza do nosso conhecimento e são ambas recusadas por Kant.

3. (UFSJ 2012) Sobre a questão do conhecimento na filosofia kantiana, é CORRETO afirmar que

a) o ato de conhecer se distingue em duas formas básicas: conhecimento empírico e conhecimento puro.
b) para conhecer, é preciso se lançar ao exercício do pensar conceitos concretos.
c) as formas distintas de conhecimento, descritas na obra Critica da razão pura, são denominadas, respectivamente, juízo universal e juízo necessário e suficiente.
d) o registro mais contundente acerca do conhecimento se faz a partir da distinção de dois juízos, a saber: juízo analítico e juízo sintético ou juízo de elucidação.

4. (Uncisal 2011) No século XVIII, o filósofo Emanuel Kant formulou as hipóteses de seu idealismo transcendental. Segundo Kant, todo conhecimento logicamente válido inicia-se pela experiência, mas é construído internamente por meio das formas a priori da sensibilidade (espaço e tempo) e pelas categorias lógicas do entendimento.

Dessa maneira, para Kant, não é o objeto que possui uma verdade a ser conhecida pelo sujeito cognoscente, mas sim o sujeito que, ao conhecer o objeto, nele inscreve suas próprias coordenadas sensíveis e intelectuais. De acordo com a filosofia kantiana, pode-se afirmar que

a) a mente humana é como uma “tabula rasa”, uma folha em branco que recebe todos os seus conteúdos da experiência.
b) os conhecimentos são revelados por Deus para os homens.
c) todos os conhecimentos são inatos, não dependendo da experiência.
d) Kant foi um filósofo da antiguidade.
e) para Kant, o centro do processo de conhecimento é o sujeito, não o objeto.

5. O criticismo de Kant representa a reação do pensamento do Século das Luzes à polarização decorrente do racionalismo e do empirismo do século anterior. Logo, na introdução da sua obra Crítica da razão pura, Kant defende a realização da revolução copernicana na filosofia. Sobre esta revolução, analise as assertivas abaixo.

I – A filosofia, até então, sempre se guiou pelos instintos, deixando sempre no plano inferior o objeto do conhecimento.
II – Nas atividades filosóficas é preciso que o objeto seja regulado pelo conhecimento humano, o conhecimento a priori.
III – O conhecimento a priori resulta da faculdade de intuição, cuja comprovação é alcançada com a experiência.
IV- Só é verdadeiro o conhecimento resultante da experiência, quando esta toma o objeto como a coisa em si mesma, sem o auxílio da razão.

Assinale a alternativa que contém as assertivas verdadeiras.

A) Apenas II e IV.
B) Apenas I, II e IV.
C) Apenas II e III.
D) Apenas I, III e IV.

Respostas:

1: b; 2: a; 3: a; 4: e; 5: c

Post escrito por Gilson Luiz Corrêa. Gilson é bacharel em Filosofia pela UNISUL, possui Licenciatura em Filosofia pela UFSC e em Psicopedagogia pela FMP. É professor do Colégio Catarinense. Facebook: https://www.facebook.com/gilsonluiz.correa