A metafísica na modernidade – Filosofia Enem

O que é metafísica? Quando inicia a modernidade? Podemos conhecer tudo? Nós aprendemos ao longo da vida ou já nascemos sabendo? Entenda esse conteúdo e fique por dentro dos conteúdos do Enem.

Você já deve estar acostumado a ler e ouvir que a Filosofia nasceu na Grécia, certo? Por isso, para entender muitas palavras devemos voltar à sua origem para resgatar seu significado.

A palavra metafísica vem do grego metá, que significa “depois de” ou “além” e physis, “natureza”, “física”. De um modo geral a metafísica procura buscar a essência das coisas, ou seja, vai além daquilo que todo mundo vê e sabe.

modernidade metafísica

Vou dar um exemplo para ficar mais fácil de entender: se eu perguntar como surgiu o Universo você terá condições de responder a partir de algumas Teorias estudadas ou derivadas de sua fé. Uns podem dizer que foi Deus quem criou o Universo e outros podem dizer que tudo existe a partir da grande explosão do Big Bang. A metafísica nesta questão vai perguntar o que é o universo? Procurando buscar a causa e a essência das coisas.

Para ficar mais claro ainda, podemos afirmar que enquanto a ciência de um modo geral procura estudar as partes, como no exemplo acima, está questionando uma parte do todo, isto é: como surgiu. A metafísica, por outro lado, procura entender o todo, pois ao se perguntar: “o que é?”, já está intrínseco o como e outras curiosidades.

Agora que já entendemos o que é metafísica vamos entender o período da Modernidade. A Modernidade tem seu início no Renascimento (período da História da Europa aproximadamente entre fins do século XIV e o fim do século XVII.), desenvolve-se na Idade Moderna (período específico do Ocidente e desenvolve-se entre os séculos XV a XVIII) e atinge seu auge no Iluminismo (também conhecido como século das luzes, que foi um movimento cultural do século XVIII que procurou centrar o poder da razão para reformar a sociedade e purificar o conhecimento herdado do período medieval).

A modernidade é um período de total confiança na razão. Que nós chamamos de racionalismo, ou seja, todo conhecimento dever ser único e exclusamente proveniente de nossa razão, abortando nossas fontes sensoriais.

Mas, qual era o objetivo da Metafísica na Modernidade? Lembrando que neste período, assim como foi citado no Iluminismo, a Metafísica rompe com a tradição e, principalmente, com as autoridades religiosas. Busca, portanto, investigar “sobre a capacidade humana de conhecer a verdade, de modo que uma coisa ou um ente só é considerado real se a razão puder conhecê-lo” (CHAUÍ, 2011, p. 202).

Resumindo, o problema metafísico é a teoria do conhecimento. O que é conhecimento? Como adquirimos o conhecimento? Podemos conhecer tudo? Essas são algumas perguntas chaves desse período.

Segundo Marilena Chauí, a Metafísica nesse período afirma a incompatibilidade entre fé e razão, já que durante a Idade Média a razão estava a serviço da fé. Neste período também se busca um redefinição do Ser (da essência) ou da substância . Aqui entra um grande filósofo que é tido como o pai da metafísica da modernidade, René Descartes que afirmava que o ser humano seria composto por duas substâncias, que são distintas e separadas, res cogitans ou substância pensante e res extensa ou substância extensa.

A primeira corresponde ao pensamento, à consciência e, a segunda corresponde aquilo que é matéria, ao corpo. Dando, portanto, uma nova interpretação ao ser humano e também a sua capacidade de conhecer, dando ênfase ao sujeito que conhece e não mais ao objeto.

Por fim, outra característica desse período é a busca de um método para que se evite o erro, ou seja, a busca da certeza. Descartes enumera 4 regras para se chegar ao conhecimento seguro: Evidência, Análise, Ordem e Enumeração.

Dica 1: Quer saber um pouco mais sobre a Metafísica de Descartes? Então acesse este vídeo:


Em reação a esta centralidade no sujeito e na confiança demasiada na razão, surge nesse período uma movimento chamado empirista que enfatiza o papel dos sentidos e da experiência sensorial nesse processo de conhecimento. Alguns representantes importantes desse movimento são: Bacon, Locke e Hume.

Resumo: Metafísica é o estudo daquilo que vai além do físico, é a compreensão de um todo daquilo que está sendo investigado. Durante o período da Modernidade a Metafísica concentrou-se na possibilidade do conhecimento, isto é, o que é conhecimento? Podemos conhecer tudo? Como se dá o conhecimento?

Assista a este vídeo que selecionamos para você e amplie seu conhecimento sobre este tema: https://www.youtube.com/watch?v=J_aD_9ngZZg

Chegou a sua vez. Resolva essas questões de vestibulares e se prepare para o ENEM

1. (ENEM 2014 Ciências Humanas e Tecnologias – Questão 16 – Filosofia Cartesiana)

É o caráter radical do que se procura que exige a radicalização do próprio processo de busca. Se todo o espaço for ocupado pela dúvida, qualquer certeza que aparecer a partir daí terá sido de alguma forma gerada pela própria dúvida, e não será seguramente nenhuma daquelas que foram anteriormente varridas por essa mesma dúvida.

SILVA, F. l. Descartes: a metafísica da modernidade. São Paulo: Moderna, 2001 (adaptado).
Apesar de questionar os conceitos da tradição, a dúvida radical da filosofia cartesiana tem caráter positivo por contribuir para o(a)

a) dissolução do saber científico.
b) recuperação dos antigos juízos.
c) exaltação do pensamento clássico.
d) surgimento do conhecimento inabalável.
e) fortalecimento dos preconceitos religiosos.

2. (Unesp 2013 – Primeira Fase)

A modernidade não pertence a cultura nenhuma, mas surge sempre CONTRA uma cultura particular, como uma fenda, uma fissura no tecido desta. Assim, na Europa, a modernidade não surge como um desenvolvimento da cultura cristã, mas como uma crítica a esta, feita por indivíduos como Copérnico, Montaigne, Bruno, Descartes, indivíduos que, na medida em que a criticavam, já dela se separavam, já dela se desenraizavam. A crítica faz parte da razão que, não pertencendo a cultura particular nenhuma, está em princípio disponível a todos os seres humanos e culturas. Entendida desse modo, a modernidade não consiste numa etapa da história da Europa ou do mundo, mas numa postura crítica ante a cultura, postura que é capaz de surgir em diferentes momentos e regiões do mundo, como na Atenas de Péricles, na Índia do imperador Ashoka ou no Brasil de hoje.

(Antonio Cícero. Resenha sobre o livro “O Roubo da História”. Folha de S. Paulo, 01.11.2008. Adaptado)

Com a leitura do texto, a modernidade pode ser entendida como

a) uma tendência filosófica especificamente europeia e ocidental de crítica cultural e religiosa.
b) uma tendência oposta a diversas formas de desenvolvimento da autonomia individual.
c) um conjunto de princípios morais absolutos, dotados de fundamentação teológica e cristã.
d) um movimento amplo de propagação da crítica racional a diversas formas de preconceito.
e) um movimento filosófico desconectado dos princípios racionais do iluminismo europeu.

3. (Vestibular da Universidade Estadual de Londrina de 2011)

O principal problema de Descartes pode ser formulado do seguinte modo: “Como poderemos garantir que o nosso conhecimento é absolutamente seguro?” Como o cético, ele parte da dúvida; mas, ao contrário do cético, não permanece nela. Na Meditação Terceira, Descartes afirma: “[…] engane-me quem puder, ainda assim jamais poderá fazer que eu nada seja enquanto eu pensar que sou algo; ou que algum dia seja verdade eu não tenha jamais existido, sendo verdade agora que eu existo […]”

(DESCARTES. René. Meditações Metafísicas. Meditação Terceira, São Paulo: Nova Cultural, 1991. p. 182. Coleção Os Pensadores.)
Com base no enunciado e considerando o itinerário seguido por Descartes para fundamentar o conhecimento, é correto afirmar:

a) Todas as coisas se equivalem, não podendo ser discerníveis pelos sentidos nem pela razão, já que ambos são falhos e limitados, portanto o conhecimento seguro detém-se nas opiniões que se apresentam certas e indubitáveis.
b) O conhecimento seguro que resiste à dúvida apresenta-se como algo relativo, tanto ao sujeito como às próprias coisas que são percebidas de acordo com as circunstâncias em que ocorrem os fenômenos observados.
c) Pela dúvida metódica, reconhece-se a contingência do conhecimento, uma vez que somente as coisas percebidas por meio da experiência sensível possuem existência real.
d) A dúvida manifesta a infinita confusão de opiniões que se pode observar no debate perpétuo e universal sobre o conhecimento das coisas, sendo a existência de Deus a única certeza que se pode alcançar.
e) A condição necessária para alcançar o conhecimento seguro consiste em submetê-lo sistematicamente a todas as possibilidades de erro, de modo que ele resista à dúvida mais obstinada.

4. (ENEM 2013 – QUESTÃO 4)

TEXTO I

Há já algum tempo eu me apercebi de que, desde meus primeiros anos, recebera muitas falsas opiniões como verdadeiras, e de que aquilo que depois eu fundei em princípios tão mal assegurados não podia ser senão mui duvidoso e incerto. Era necessário tentar seriamente, uma vez em minha vida, desfazer-me de todas as opiniões a que até então dera crédito, e começar tudo novamente a fim de estabelecer um saber firme e inabalável.
DESCARTES, R. Meditações concernentes à Primeira Filosofia. São Paulo: Abril Cultural, 1973 (adaptado).

TEXTO II

É o caráter radical do que se procura que exige a radicalização do próprio processo de busca. Se todo o espaço for ocupado pela dúvida, qualquer certeza que aparecer a partir daí terá sido de alguma forma gerada pela própria dúvida, e não será seguramente nenhuma daquelas que foram anteriormente varridas por essa mesma dúvida.
SILVA, F.L. Descartes. a metafísica da modernidade. São Paulo: Moderna, 2001 (adaptado).

A exposição e a análise do projeto cartesiano indicam que, para viabilizar a reconstrução radical do conhecimento, deve-se

a) retomar o método da tradição para edificar a ciência com legitimidade.
b) questionar de forma ampla e profunda as antigas ideias e concepções.
c) investigar os conteúdos da consciência dos homens menos esclarecidos.
d) buscar uma via para eliminar das memórias saberes antigos e ultrapassados.
e) encontrar ideias e pensamentos evidentes que dispensam ser questionados.

5. (UEL)

Leia o texto a seguir.

A razão humana, num determinado domínio dos seus conhecimentos, possui o singular destino de se ver atormentada por questões, que não pode evitar, pois lhe são impostas pela sua natureza, mas às quais também não pode dar respostas por ultrapassarem completamente as suas possibilidades.

(KANT, I. Crítica da Razão Pura (Prefácio da primeira edição, 1781). Tradução de Manuela Pinto dos Santos e Alexandre Fradique Morujão. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1994, p. 03.)

Com base no texto e nos conhecimentos sobre Kant, o domínio destas intermináveis disputas chama-se

a) experiência.
b) natureza.
c) entendimento.
d) metafísica.
e) sensibilidade.

Resposta: 1: D; 2: d; 3: e; 4: B; 5: d

Post escrito por Gilson Luiz Corrêa. Gilson é bacharel em Filosofia pela UNISUL, possui Licenciatura em Filosofia pela UFSC e em Psicopedagogia pela FMP. É professor do Colégio Catarinense. Facebook: https://www.facebook.com/gilsonluiz.correa