Literatura Enem – Os Gêneros literários: A estrutura do texto narrativo

Para se dar bem no Enem você deve saber que o texto narrativo é estruturado por marcadores de tempo, expressões adverbiais e tempos verbais recorrentes. Mas, você sabe em que modalidades literárias o gênero narrativo manifesta-se? Vem que eu vou te contar!

Literatura Enem: A literatura, em sua forma, é manifestada em prosa ou verso; já seu conteúdo e sua estrutura podem ser adequados em gêneros. Aristóteles dividiu a produção poética de sua época em três gêneros distintos: lírico, dramático e épico (o gênero épico incluiu todas as manifestações narrativas).

No entanto, atualmente, para que pareça mais didático e fácil de entender, aderimos uma divisão em quatro gêneros literários: lírico, dramático, narrativo e épico.

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Neste post vamos te ajudar a saber tudo sobre os textos narrativos e os gêneros literários em que eles aparecem! Vem com a gente e arrase nas questões de Literatura do Enem e dos Vestibulares!

O gênero narrativo, caracterizado por apresentar-se em prosa, é manifestado nas seguintes modalidades:

Romance – narração de um fato imaginário que se aproxima da realidade, representando aspectos de vidas familiares e social do ser humano.

Novela – narração breve e viva de um acontecimento, de notável importância, vivido pelo homem, mais próximo da realidade do que fatos apenas imaginários. É apresentado em poucos capítulos.

Conto – narração concentrada e precisa de um episódio da vida; mais condensada do que a novela e o romance. Geralmente, não é dividida em capítulos.

Fábula – de cunho didático, essa narrativa se distancia da realidade, com a intenção de passar alguma lição de moral.

Crônica – seu nome já nos indica alguma coisa: cronos, em latim, significa tempo. Assim, essa narrativa, é o relato de algo que acontece no nosso cotidiano, nos dias de hoje, nos tempos atuais. A partir da consolidação da imprensa, a crônica tornou-se uma seção de jornais ou revistas, em que são comentados acontecimentos do dia-a-dia.

A queda dos cegos (1568). Pieter Bruegel
A queda dos cegos (1568). Pieter Bruegel

 

O gênero narrativo também está presente na pintura acima. Este quadro faz referência à parábola de Cristo aos fariseus – “Se um cego conduzir outro cego, ambos cairão no buraco”. Dessa maneira, através do desenho é possível contar uma história – assim, trata-se de uma narrativa.

Você pode notar que a composição dessa pintura contém componentes narrativos: a cena ambientada; a movimentação dos personagens dada através da impressão que se dá pela queda seguida dos cegos; o tempo (um caindo após o outro).

E aí, conseguiu entender um pouquinho mais sobre os gêneros literários e as narrativas? Beleza! Então, para finaliza sua revisão veja esta excelente videoaula do professor Fábio, do canal Meu Professor, do Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=9JBTB1uW9Jc

Agora que você já sabe tudo sobre a estrutura de um texto narrativo, que tal testar seus conhecimentos com exercícios que selecionamos especialmente para você? Vamos lá!

Exercícios

1- (ITA) Leia a narrativa abaixo e responda.

O leão

A menina conduz-me diante do leão, esquecido por um circo de passagem. Não está preso, velho e doente, em gradil de ferro. Fui solto no gramado e a tela fina de arame é escarmento ao rei dos animais. Não mais que um caco de leão: as pernas reumáticas, a juba emaranhada e sem brilho. Os olhos globulosos fecham-se cansados, sobre o focinho contei nove ou dez moscas, que ele não tinha ânimo de espantar. Das grandes narinas escorriam gotas e pensei, por um momento, que fossem lágrimas.

Observei em volta: somos todos adultos, sem contar a menina. Apenas para nós o leão conserva o seu antigo prestígio – as crianças estão em redor dos macaquinhos. Um dos presentes explica que o leão tem as pernas entrevadas, a vida inteira na minúscula jaula. Derreado, não pode sustentar-se em pé.

Chega-se um piá e, desafiando com olhar selvagem o leão, atira-lhe um punhado de cascas de amendoim. O rei sopra pelas narinas, ainda é um leão: faz estremecer as gramas a seus pés.

Um de nós protesta que deviam servir-lhe a carne em pedacinhos.

– Ele não tem dente?

– Tem sim, não vê? Não tem é força para morder.

Continua o moleque a jogar amendoim na cara devastada do leão. Ele nos olha e um brilho de compreensão nos faz baixar a cabeça: é conhecido o travo amargoso da derrota. Está velho, artrítico, não se aguenta das pernas, mas é um leão. De repente, sacudindo a juba, põe-se a mastigar capim. Ora, leão come verde! Lança-lhe o guri uma pedra: acertou no olho lacrimoso e doeu.

O leão abriu a bocarra de dentes amarelos, não era um bocejo. Entre caretas de dor, elevou-se aos poucos nas pernas tortas. Sem sair do lugar, ficou de pé. Escancarou penosamente os beiços moles e negros, ouviu-se a rouca buzina do fordeco antigo.

Por um instante o rugido manteve suspensos os macaquinhos e fez bater mais depressa o coração da menina. O leão soltou seis ou sete urros. Exausto, deixou-se cair de lado e fechou os olhos para sempre.

I. Embora não seja um texto predominantemente descritivo, ocorre descrição, visto que o autor representa a personagem principal através de aspectos que a individualizam.

II. Por ressaltar unicamente as condições físicas da personagem, predomina a descrição objetiva no texto, com linguagem denotativa.

III. Por ser um texto predominantemente narrativo, as demais formas – descrição e dissertação – inexistem.

Inferimos que, de acordo com o texto, pode(m) estar correta(s):

a) Todas estão corretas

b) Apenas a I

c) Apenas a II

d) Apenas a III

e) Nenhuma das afirmações

2- (UFV) Considere o texto:

“O incidente que se vai narrar, e de que Antares foi teatro na sexta-feira 13 de dezembro do ano de 1963, tornou essa localidade conhecida e de certo modo famosa da noite para o dia. (…) Bem, mas não convém antecipar fatos nem ditos. Melhor será contar primeiro, de maneira tão sucinta e imparcial quanto possível, a história de Antares e de seus habitantes, para que se possa ter uma idéia mais clara do palco, do cenário e principalmente das personagens principais, bem como da comparsaria, desse drama talvez inédito nos anais da espécie humana. ” (Érico Veríssimo)

Assinale a alternativa que evidencia o papel do narrador no fragmento acima:

a) O narrador tem senso prático, utilitário e quer transmitir uma experiência pessoal.

b) É um narrador introspectivo, que relata experiências que aconteceram no passado, em 1963.

c) Em atitude semelhante à de um jornalista ou de um espectador, escreve para narrar o que aconteceu com x ou y em tal lugar ou tal hora.

d) Fala de maneira exemplar ao leitor, porque considera sua visão a mais correta.

e) É um narrador neutro, que não deixa o leitor perceber sua presença.

3- (UFV) Leia o trecho abaixo:

“Bem, é verdade que também eu não tenho piedade do meu personagem principal, a nordestina: é um relato que desejo frio. (…) Não se trata apenas da narrativa, é antes de tudo vida primária que respira, respira, respira. (…) Como a nordestina, há milhares de moças espalhadas por cortiços, vagas de cama num quarto, atrás de balcões trabalhando até a estafa. Não notam sequer que são facilmente substituíveis e que tanto existiriam como não existiriam. ” (Clarice Lispector)

Em uma das alternativas abaixo, há um aspecto do livro de Clarice Lispector, A Hora da Estrela, presente no fragmento acima, que o aproxima do chamado “romance de 30”, realizado por escritores como Graciliano Ramos e Rachel de Queiroz:

a) A preocupação excessiva com o próprio ato de narrar.

b) O intimismo da narrativa, que ignora os problemas sociais de seus personagens.

c) A construção de personagens que têm sua condição humana degradada por culpa do meio e da opressão.

d) A necessidade de provar que as ações humanas resultam do meio, da raça e do momento.

e) A busca de traços peculiares da Região Nordeste.

Gabarito:

1 – B

2 – C

3 – C

O texto foi escrito pela professora Analice, formada em Letras pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – Unesp. Atualmente é mestranda em Literatura na Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, professora de português na rede particular e colaboradora do Blog do Enem. Facebook: http://www.facebook.com/analice.andrade