Machado de Assis. Confira vida e obra do “Bruxo do Cosme Velho” – Literatura Enem

Revise tudo sobre Machado de Assis em mais esta aula de Literatura Enem. Ele é o autor de clássicos como Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba, e Dom Casmurro. Estude com a gente para o Exame Nacional do Ensino Médio. Veja abaixo as dicas sobre o clássico Machado!

Machado de Assis é um dos mais importantes autores da Literatura Brasileira. Seus livros estão entre os clássicos, e sempre caem no Enem ou Vestibular. Veja.

Joaquim Maria Machado de Assis é considerado um dos mais importantes escritores da literatura brasileira. Nasceu no Rio de Janeiro em 21/6/1839, e viveu até 1907. Era filho de uma família muito pobre. Mulato e vítima de preconceito, perdeu na infância sua mãe e foi criado pela madrasta.

Machado de Assis superou todas as dificuldades da época e tornou-se um grande escritor.  Machado registrou a vida social urbana do Rio de Janeiro criando personagens célebres que mostravam em si ou no seu entorno o retrato da sociedade em todas as suas nuances e tipos humanos.

Na infância, estudou numa escola pública durante o primário e aprendeu francês e latim (sim, naquele tempo mesmo na escola pública se estudava e se aprendia idiomas estrangeiros!). Machado trabalhou como aprendiz de tipógrafo, foi revisor e  depois funcionário público.

A vida de escritor foi construída em paralelo à vida profissional. A denominação de ‘Bruxo do Cosme Velho’ surgiu meio século após a sua morte, quando Carlos Drummond de Andrade homenageou a obra de Machado de Assis com citações ao Bairro Cosme Velho, onde Machado morou, na cidade do Rio de Janeiro.

Literatura Enem

Machado de Assis Publicou seu primeiro poema intitulado “Ela”, na revista Marmota Fluminense. Trabalhou como colaborador de algumas revistas e jornais do Rio de Janeiro. Foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras (ABL) e seu primeiro presidente.

Podemos dividir as obras de Machado de Assis em duas fases: Na Primeira fase (fase romântica) os personagens de suas obras possuem características românticas, sendo o amor e os relacionamentos amorosos os principais temas de seus livros. Desta fase podemos destacar as seguintes obras: Ressurreição (1872), seu primeiro livro, A Mão e a Luva (1874), Helena (1876) e Iaiá Garcia (1878).

A qualidade do texto de Machado de Assis fazia dele ‘um bruxo das palavras’.

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Morro do Livramento – Local onde nasceu Machado de Assis

Dica 1 – Confira as principais características do Realismo nesta aula de revisão para Literatura Enem. Estude com a gente para o Exame Nacional do Ensino Médio! – https://blogdoenem.com.br/realismo-aula-de-revisao-para-literatura-enem/

Na Segunda Fase (fase realista), Machado de Assis abre espaços para as questões psicológicas dos personagens. É a fase em que o autor retrata muito bem as características do realismo literário. Machado de Assis faz uma análise profunda e realista do ser humano, destacando suas vontades, necessidades, defeitos e qualidades. Nesta fase destacam-se as seguintes obras: Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), Quincas Borba (1892), Dom Casmurro (1900) e Memorial de Aires (1908).

Machado de Assis também escreveu contos, tais como: Missa do Galo, O Espelho e O Alienista. Escreveu diversos poemas, crônicas sobre o cotidiano, peças de teatro, críticas literárias e teatrais.
Machado de Assis morreu de câncer, em sua cidade natal, no ano de 1908.

Dica 2 – Relembre as principais características do Romantismo nesta aula de Literatura Enem. O Exame Nacional do Ensino Médio está chegando, estude com a gente! – https://blogdoenem.com.br/romantismo-literatura-enem/

Saiba mais sobre Machado de Assis nesta aula do canal Canal das Videoaulas disponível no Youtube. Após assistir, revise o que você aprendeu respondendo aos nossos desafios!

Desafios para você responder e compartilhar nas redes sociais

Leia o texto a seguir e responda as questões que o seguem.

Um Apólogo

Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha:

— Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma cousa neste mundo?

— Deixe-me, senhora.

— Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça.

— Que cabeça, senhora?  A senhora não é alfinete, é agulha.  Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.

— Mas você é orgulhosa.

— Decerto que sou.

— Mas por quê?

— É boa!  Porque coso.  Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu?

— Você?  Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu e muito eu?

— Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição aos babados…

— Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás obedecendo ao que eu faço e mando…

— Também os batedores vão adiante do imperador.

— Você é imperador?

— Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho, vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, ajunto…

Estavam nisto, quando a costureira chegou à casa da baronesa. Não sei se disse que isto se passava em casa de uma baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não andar atrás dela. Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a linha na agulha, e entrou a coser.  Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana — para dar a isto uma cor poética. E dizia a agulha:

— Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco?  Não repara que esta distinta costureira só se importa comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando abaixo e acima…

A linha não respondia; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela, silenciosa e ativa, como quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A agulha, vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se também, e foi andando. E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic-plic-plic da agulha no pano. Caindo o sol, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte. Continuou ainda nessa e no outro, até que no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile.

Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário. E enquanto compunha o vestido da bela dama, e puxava de um lado ou outro, arregaçava daqui ou dali, alisando, abotoando, acolchetando, a linha para mofar da agulha, perguntou-lhe:

— Ora, agora, diga-me, quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas?  Vamos, diga lá.

Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência, murmurou à pobre agulha: 

— Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico. 

Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça:

— Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!

(Machado de Assis)

Dica 3 – Revise sobre as principais características do Arcadismo nesta aula de Literatura Enem. Estude conosco para o Exame Nacional do Ensino Médio! – https://blogdoenem.com.br/arcadismo-literatura-enem/

Questão 01

A agulha se acha mais importante porque:

a) enfeita os vestidos da ama.

b) ela é quem cose os vestidos.

c) a costureira só dá atenção a ela.

d) vai à frente, comandando a linha.

e) na última hora, ela é que ainda vai ajustar.

Questão 02

A linha, por sua vez, se considera mais importante porque:

a) tem ar importante, toda enrolada no carretel.

b) não precisa voltar para a caixinha de costura.

c) não abre caminho para ninguém.

d) faz o papel de imperador.

e) prende as peças, dá jeito aos enfeites e ainda vai se divertir.

Questão 03

Na expressão “Também eu tenho servido de agulha para muita linha ordinária!” a queixa do professor pode revelar:

a) orgulho, por viver fora da realidade.

b) falta de lógica, por haver um julgamento precipitado.

c) arrependimento, por ter ajudado a quem não merece.

d) mágoa, por não ter cumprido com seu dever.

e) incapacidade, por não saber explicar direito as lições.

Questão 04

Com base no texto I, julgue os itens abaixo, marcando (V)para os verdadeirosou (F)para os falsos, em seguida marque um (X)na sequência CORRETA.

I – Ao dizer para a agulha: “Também os batedores vão adiante do imperador.” a linha revela humildade.

II – Em “(…) eu é que vou entre os dedos dela, unidinhaa eles (…)” o diminutivo grifado dá ideia de que os dedos da costureira eram pequenos e ágeis.

III – A expressão “Balaio de mucamas” e o mesmo que “cesto de guardados das escravas”.

IV – Em “professor de melancolia” o trecho grifado pode ser substituir por “melancólico” e classificado morfologicamente como um adjetivo.

a) V V F V

b) F V F V

c) F F V F

d) F V F F

e) V V F F

Questão 05

Pode-se dizer que o texto pertence ao gênero:

a) conto.

b) romance.

c) poesia.

d) soneto.

e) epístola.

Você consegue resolver estes exercícios? Então resolva e coloque um comentário no post, logo abaixo, explicando o seu raciocínio e apontando a alternativa correta para cada questão. Quem compartilha a resolução de um exercício ganha em dobro: ensina e aprende ao mesmo tempo. Ensinar é uma das melhores formas de aprender!