Pandemia do novo Coronavírus COVID-2019

A situação é bastante preocupante. Em menos de 3 meses, o coronavírus se espalhou por quase todos os continentes. São mais de 150 mil casos confirmados e 5 mil mortes. Sem falar dos outros milhares de casos que estão sendo investigados nesse momento. Sendo assim, compreender o COVID-2019 e seus efeitos no organismo é essencial para a sua saúde e das pessoas que te rodeiam.

O que é Coronavírus? O que é Covid-19?  O que é Isolamento? O que é Quarentena?

Apesar de nos referirmos ao COVID-2019 como coronavírus, o uso desse termo não está completamente correto. Isso porque o termo coronavírus não nomeia apenas um tipo específico de vírus, mas toda uma família de vírus cujo material genético é RNA.

Para sermos mais específicos, nessa família de parasitas, encontramos cepas que são classificadas como vírus de RNA simples positivo. Isso quer dizer que quando o vírus entra em uma célula seu RNA logo é utilizado para a produção de proteínas, sendo lido diretamente pelos ribossomos da célula hospedeira.

Isso é bastante diferente do que encontramos em outros tipos de vírus de RNA, como os retrovírus. Nesses vírus, a partir do RNA que entra na célula, é produzida uma molécula de DNA, que passa a se integrar o material genético da célula hospedeira. Como exemplo de retrovírus, temos o HIV, que causa a AIDS.

Os vírus da família Coronavírus são conhecidos desde 1960 e até este momento conhecemos 7 cepas de coronavírus que são capazes de parasitar seres humanos. Dentre essas cepas, há algumas que causaram surtos e epidemias recentes, como o SARS-COV.

Esse coronavírus causou a Síndrome Respiratória Aguda (SARS, do inglês “Severe Acute Respiratiory Syndrome”). A SARS matou mais de 900 pessoas em 2002 no continente asiático.

Resumo sobre Pandemia; Endemia; e Epidemia: Entendeu agora por que estamos em uma Pandemia? Veja agora o(s) hospedeiro(s) do Coronavírus.

Especificidade viral e origem do coronavírus

Assim como a maior parte dos vírus que conhecemos, os vírus da família dos coronavírus são muito específicos. Ou seja, parasitam apenas um tipo de hospedeiro.

Porém, pelo fato de serem de RNA simples direto, é muito comum que os coronavírus sofram mutações ao acaso, muito mais frequentemente do que os vírus que têm como material genético o DNA.

Isso acontece porque as enzimas que acompanham o RNA que é introduzido na célula (como a RNA polimerase e a RNA integrasse) não conseguem corrigir os erros que ocorrem durante a replicação de RNA.

Assim, apesar de como dito acima esses vírus serem muito específicos, essas mutações podem possibilitar que eles passem a parasitar outros hospedeiros, que não os seus habituais. Por isso que muitos cientistas apontam animais silvestres como os reservatórios originais do coronavírus atual.

O vírus que vem causando essa nova infecção por coronavírus foi nomeado temporariamente pela OMS como 2019-nCOV e a doença como COVID-2019. Não se sabe ao certo quem seriam os reservatórios naturais desse vírus.

Porém, as últimas pesquisas apontam que a transmissão pode ter ocorrido entre animais marinhos e humanos, já que os primeiros casos parecem estar todos ligados a um mercado de peixes na província de Wuhan, na China.

Como ele afeta nosso organismo?

Assim como todos os vírus, o 2019-nCOV é um parasita intracelular obrigatório. Isso quer dizer que para que ele possa completar seu ciclo, é preciso que ele invada uma célula e utilize sua “maquinaria” para produzir novos vírus. Isso faz com que as células fiquem enfraquecidas e morram ao longo do tempo.

Veja abaixo uma videoaula que gravei para o Curso Enem Gratuito sobre os ciclos virais, explicando como um vírus parasita uma célula:

Como o novo coronavírus têm preferência pelas células dos tecidos presentes no trato respiratório superior  (garganta e nariz, especialmente), essas regiões passam a apresentar respostas inflamatórias ao vírus.

Sendo assim, comumente as pessoas infectadas passam a ter quadros de tosse, febre, dor de garganta e de cabeça, e prostração.o que é coronavírus e sintomas

Imagem: Na fotografia vemos uma mulher branca e loira com um casaco preto e um cachecol cinza. Ela tosse com a mão na frente da boca. A tosse seca é um dos sintomas leves da infecção por coronavírus.

Em geral, esses sintomas leves desaparecem dentro de poucos dias, uma vez que a resposta imune do nosso organismo consegue expulsar os vírus com relativa facilidade.

Porém, em algumas pessoas, o vírus passa também a parasitar as vias aéreas inferiores (brônquios e bronquíolos) e os pulmões. Nesses casos, há o desenvolvimento de um quadro de pneumonia e de síndrome respiratória, onde o doente apresenta cansaço e grande dificuldade para respirar.

Segundo a OMS cerca de 80% das pessoas contaminadas com coronavírus apresentam os sintomas leves da doença, curando-se sozinhas ao longo de poucos dias.

Cerca de 15% apresentam sintomas mais severos, apresentando dificuldade para respirar e cansaço. E apenas 6% apresentam os casos mais graves da doença, onde há insuficiências respiratória, choque séptico, falência de órgãos e risco de morte.

Transmissão do coronavírus

Como o coronavírus atinge as vias aéreas, sua transmissão se dá como a de uma gripe ou resfriado comum. Ao tossir, falar ou espirrar a pessoa contaminada elimina partículas de saliva carregadas de vírus.

Essas gotinhas de saliva podem ser engolidas ou aspiradas por pessoas próximas. Além disso, podem também contaminar superfícies.

Assim, ao tocarmos em superfícies contaminadas e levar nossas mãos ao rosto, podemos estar nos contaminando.

Segundo as pesquisas realizadas nos últimos dias e os dados de contaminação, a COVID-2019 é mais contagiosa que a gripe H1N1. Sendo assim, tem se espalhado com grande rapidez.

Prevenção contra o coronavírus

Apesar dos esforços de vários laboratórios ao redor do globo, ainda não há vacina para prevenir o coronavírus 2019-nCOV. Sendo assim, a prevenção é comportamental.

Como é uma doença transmitida pelo ar e objetos contaminados com os vírus, medidas de higiene são essenciais para evitar a infecção. Veja alguns exemplos de comportamentos que você deve ter para evitar ser contaminado/a:

1 – Lave as mãos CONSTANTEMENTE.

E faça isso com capricho e atenção. Você deve lavar todas as partes da sua mão com água e sabão durante aproximadamente 20 segundos. Para secar as mãos, prefira papéis descartáveis ao invés de toalhas ou secadores.

2 – Evite levar as mãos ao rosto.

Mexemos mais de 20 vezes no rosto a cada hora. Sendo assim, é um hábito difícil de controlar, já que nem nos damos conta de que fazemos isso. Porém, em tempos de pandemia respiratória é importante controlar esse tipo de impulso para evitar levar vírus ao seu rosto.

3 – Caso você não possa lavar suas mãos com a frequência desejada, tenha em sua bolsa ou mochila um frasquinho com álcool gel 70%. Higienize suas mãos sempre que precisar tocar em superfícies “públicas” (como corrimões e fechaduras de ambientes muito movimentados).

4 – Evite abraços e aperto de mão, assim como beijos.

É triste, mas é preciso. Somos seres extremamente sociáveis e precisamos de contato humano. Porém, nesse momento, manter a distância é essencial para tentarmos conter a pandemia.

5 – Evite aglomerações.

Os seres humanos têm hábitos gregários. Gostamos de estar perto de outras pessoas. Porém, nesse momento, se você puder evitar sair, fique na sua casa.

6 – Mantenha os ambientes ventilados.

7 – Se você está doente, não saia de casa. Se precisar sair, use máscara para evitar transmitir a doença para outras pessoas. Além disso, hábitos de etiqueta são importantes: cubra o rosto ao espirrar ou tossir, de preferência com um lenço ou com o braço.imagem de como espirrar pelo corona vírus

Imagem: Fotografia de uma mulher branca de cabelos claros vestida com uma camiseta rosa.

Ela espirra enquanto coloca o cotovelo na frente do rosto. Cobrir o rosto enquanto tosse ou espirra é uma regra de etiqueta que pode ajudar muito a evitar a propagação do vírus.

É importante que a cobertura do rosto não seja feita com as mãos, uma vez que os vírus vão contaminá-las e, em seguida, as superfícies que você tocar.mascara corona virusImagem: Mulher asiática com blusa azul e rosa e rosto coberto com uma máscara médica azul. A mulher tosse e leva a mão em frente ao rosto. Muitas pessoas correram para as farmácias para comprar máscaras.

Porém, máscaras médicas não protegem contra a infecção, uma vez que você pode tocar em superfícies contaminadas e levar as mãos ao rosto para arruma a máscara, por exemplo.O ideal é que apenas profissionais da saúde e pessoas com sintomas utilizem máscaras desse tipo.

Assim, quando as pessoas doente tossirem ou espirarem, não irão espalhar gotas de saliva contaminadas pelo ambiente.

Por isso é importante manter pessoas já contaminadas em isolamento, e mesmo recorrer a quarentenas coletivas para reduzir a velocidade da expansão da presença do vírus.

Veja na imagem a campanha feita em 1918 para tentar conter o avanço da Gripe Espanhola no Brasil:

Como é feito o tratamento para a COVID-2019

Não há, até o momento, medicamentos que matem o vírus. Há apenas um medicamente de origem cubana que consegue interromper o ciclo do vírus, dando mais tempo para o organismo do paciente se recuperar.

Sendo assim, o tratamento da doença é sintomático, ou seja, são administrados ao/a paciente medicamentos que aliviam os sintomas.

Em casos graves, além dos medicamentos para dor, muitas vezes é necessário que o/a paciente seja entubado/a para a ventilação mecânica e melhor oxigenação.

Como os Vírus se reproduzem

Veja aula gratuita com a professora Juliana Evelyn Santos

Muito bom este resumo. Vamos avancar:

Quais são as maiores preocupações com o Covid-19?

O coronavírus causa uma infecção de baixa letalidade. Até o momento, sabe-se que cerca de 2% das pessoas contaminadas vêm a falecer. Em geral, as pessoas que correm risco de morte são idosos e pessoas com doenças crônicas, como problemas cardíacos e respiratórios.

Porém, apesar de pouco letal não podemos mais subestimar o coronavírus. Especialmente porque ele se tornou uma pandemia em menos de três meses desde o primeiro caso.

Sendo assim, as maiores preocupações em torno do coronavírus são em relação à velocidade com que se espalha. Isso é grave uma vez que faz com que o número de doentes aumente muito rápido, causando sérios problemas aos sistemas de saúde.

Nos países com maior número de casos, como a China e  Itália, os sistemas de saúde tiveram superlotação tanto no atendimento primário, quanto no atendimento de casos graves.

Assim, sabemos que as emergências ficam rapidamente lotadas de pessoas que precisam confirmar o diagnóstico para que possam ficar em casa de repouso. Por outro lado, pessoas que têm quadros mais graves precisam de leitos de UTI, que, além de escassos, muitas vezes já estão ocupados com pacientes com outros problemas de saúde.

Sendo assim, desde que o vírus chegou ao Brasil, as autoridades têm tomado medidas para tentar conter o avanço da COVID-2019. Algumas cidades cancelaram eventos esportivos e musicais, além de suspenderem as aulas em escolas e faculdades.