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para o ENEM

Paródia e Paráfrase na Redação Enem. Veja como utilizar para não perder pontos.

Existem alguns elementos textuais que ajudam na interpretação e ainda enriquecem sua redação do ENEM. Hoje você vai entender um pouco sobre o conceito de paródia e paráfrase. Vamos lá? Veja abaixo.

Paródia e Paráfrase, você conhece? São recursos de estilo de texto utilizados por comediantes e escritores. Vale na Redação Enem, mas é preciso ter cuidado. Veja!

Você já ouviu falar em intertextualidade? De forma simplificada, podemos dizer que o termo refere-se a uma espécie de “conversa” entre dois textos. Há diversas formas de estabelecer esse diálogo. Uma delas é através de dois elementos bastante usados por comediantes e escritores: a paródia e a paráfrase.

O termo intertextualidade foi criado pela filósofa e literária Julia Kristeva. Ela define que “todo texto é um mosaico de citações ou dizeres de outros textos antecessores”. Os autores contemporâneos definem os romances modernos como um diálogo baseado na sociedade. É o comportamento de cada um de nós presente nas linhas dos mais diversos livros.

Mas, afinal de contas, por que você precisa entender esses conceitos?

Redação - Paródia e ParáfraseTanto a paródia quanto a paráfrase são elementos-chave para a compreensão de um texto. Aos poucos você vai perceber como cada texto está repleto de referências. Ou seja, quanto mais você ler sobre os mais diversos assuntos, mais facilmente vai interpretar os dados.

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Compreenda os significados de paródia e paráfrase

Paródia

Para explicar o conceito de paródia, vou partir de um exemplo. Oberve o trecho do poema de Adélia Prado. O texto pode ser encontrado no livro “Bagagem” lançado em 1976.

Com licença poética – Adélia Prado
“Quando eu nasci um anjo esbelto
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.”

Você sabia que os versos acima fazem referência a outro poema? Dá uma olhada no texto de Carlos Drummond de Andrade, publicado em 1930 no livro “De alguma poesia”.

Sete faces – Carlos Drummond de Andrade

“Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.”

Como você pode observar, o texto de Adélia Prado é uma paródia feita a partir do texto de Drummond. O termo paródia diz respeito a toda referência cômica sobre um texto. Nesse caso, a escritora Adélia Prado se apropria do texto de Drummond e, ao mesmo tempo, cria um rompimento com ele.

No poema do escritor mineiro, um anjo “torto” anuncia o destino gauche, que em português significa esquerdo (o que não é direito). No poema de Adélia, o anjo é esbelto, toca trombeta e não vive na sombra, ele anuncia um destino incomum ao eu lírico. Muitas vezes, na paródia ocorre uma subversão do texto anterior fazendo uma crítica sutil ou irônica.

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Para entender melhor o conceito de paródia, acompanhe outros exemplos:

Meus oito anos – Casimiro de Abreu (da obra “As primaveras”, publicada em 1859)

“Oh! Que saudades que eu tenho
Da aurora da minha vida
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!”

Domingo – Jorge de Lima (do livro “Novos poemas”, publicado em 1929)

“Ah! Que saudade que eu tenho
Da aurora da minha vida!
Ah! Casimiro, a aurora de minha vida
Foi um Domingo bonito:”

Repare como o texto de Jorge de Lima dialoga com o texto de Casimiro de Abreu estabelecendo com ele algum tipo de relação cômica.

Paráfrase

Na paráfrase ocorre a apropriação do texto sem corrompê-lo. Não há uma relação de subversão como na paródia. Parafrasear um texto significa seguir a mesma ideia do texto original, porém com outras palavras.

Hino Nacional Brasileiro – Joaquim Osório Duque Estrada (1909)


“Do que a terra mais garrida
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores
Nossos bosques têm mais vida
Nossa vida em teu seio mais amores.”

Perceba que no trecho do Hino Nacional há uma visão ufanista. Esse mesmo aspecto é observado no Canção do exílio de Gonçalves dias:

Contos literários – Gonçalves Dias, publicado em 1843

“Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.”

Observe que uma apropriação pelo autor do Hino Nacional de alguns versos do poema de Gonçalves Dias sem qualquer rompimento com o mesmo.

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Como identificar uma paródia e uma paráfrase?

A interpretação de uma paródia e de uma paráfrase depende da bagagem do leitor. O mesmo ocorre com a produção textual. Para que você consiga fazer uma associação dentro do seu texto, vai precisar ter lido e interpretado autores famosos que façam referência ao conteúdo que você irá escrever.

Na prática, isso significa que para contextualizar o tema da redação do Enem com o que outros autores produziram sobre o assunto, você precisa estar muito bem informado. Não tenha dúvida de que você será premiado por esse conhecimento. Toda referência sobre os outros textos e autores que aparecerem na redação do Enem será valorizada pela banca.

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Para aprender um pouco mais sobre a intertextualidade, reserve mais nove minutinhos do seu tempo de estudo e preste atenção nas dicas da professora Gabriela. A videoaula está disponível no canal aberto do Youtube:

http://www.youtube.com/watch?v=QKU26c5IJ38

Este post foi escrito por João Fontes Mariano. Ele é professor estadual em Minas Gerais, graduado em Letras pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras Santa Marcelina FAFISM, com especialização na área de Redação e Oratória. Facebook:https://www.facebook.com/fontes.joao.7