Faltam:
para o ENEM

Regência verbal – Revisão de Gramática para o Enem

Você sabia que a regência verbal tem um relacionamento aberto? Não sabia? Então acompanhe as super dicas neste post e descubra tudo sobre este relacionamento nada secreto!

Para construirmos uma oração, precisamos relacionar corretamente os verbos utilizados aos seus complementos, evitando criar frases de duplo sentido. É com essa função que se aplica a regência verbal: relacionando corretamente a subordinação de um verbo a seus complementos.

Quer saber mais sobre regência verbal para “tirar de letra” as questões de gramática do Enem e dos Vestibulares e, “de quebra”, melhorar sua redação? Então, fique de olho nesse super post de gramática que o Blog do Enem preparou para você!

1

Construindo o conceito de regência verbal:

Leia a seguir a letra de uma canção de Tom Jobim. Se possível, ouça a canção no link a seguir:
https://www.youtube.com/watch?v=e9xazoJC-wg

Meditação

Quem acreditou
No amor, no sorriso, na flor
Então sonhou, sonhou…
E perdeu a paz
O amor, o sorriso e a flor
Se transformam depressa demais

Quem, no coração
Abrigou a tristeza de ver tudo isso se perder
E, na solidão
Procurou um caminho e seguiu,
Já descrente de um dia feliz

Quem chorou, chorou
E tanto que seu pranto já secou
Quem depois voltou
Ao amor, ao sorriso e à flor
Então tudo encontrou
E a própria dor
Revelou o caminho do amor
E a tristeza acabou

Na língua portuguesa, para construir o sentido nos enunciados que produzimos, os verbos e nomes ligam-se a outros termos de diferentes formas. Veja:

1) Releia estes versos da canção: “Procurou um caminho e seguiu, Já descrente de um dia feliz”

a) O verbo procurar, no 1º verso, é transitivo direto. Qual é o termo que completa o seu sentido?

“um caminho”

b) O nome descrente, no 2º verso, também precisa de um termo para lhe completar o sentido. Qual é esse termo?

“de um dia feliz”

c) Observe suas respostas nos itens anteriores. Qual dos termos é introduzido por preposição?

“O termo de um dia feliz, que é introduzido pela preposição de.”

2) Observe os seguintes pares de versos:

I. “Quem acreditou, No amor, no sorriso, na flor

II. “O amor, o sorriso e a flor, Se transformam depressa demais”

II. “Quem depois voltou, Ao amor, ao sorriso e à flor

a) Na oração que cada par de versos constitui, o termo em destaque:

Liga-se a qual termo? I acreditou, II se transforma, III voltou.

Tem qual função sintática? I objeto indireto, II sujeito, III objeto indireto.

b) Em quais pares de versos o termo em destaque se liga ao verbo por meio de preposição? No par I em e no par III a.

3) Os substantivos amor, sorriso e flor se repetem ao longo da canção, vinculados aos verbos acreditar, transformar-se e voltar.

a) Que relação de sentido há entre o título da canção e a repetição desses substantivos, cada vez vinculados a um desses verbos? O movimento reflexivo envolvido no processo de meditação voltar a certos conceitos e revê-los sob novas óticas.

b) Levante hipóteses: A que conclusão sobre o amor, o sorriso e a flor o eu lírico chega na última estrofe da canção? À de quem volta ao amor, ao sorriso e à flor encontra o que procura e consegue, por meio da dor, superar a tristeza.

Agora que você já explorou algumas frases onde verificamos a regência verbal, vamos ao conceito?

Ao responder às questões anteriores, você certamente observou que há termos que exigem a presença de outro termo para construir sentido, como é o caso dos verbos procurar, acreditar e voltar e do adjetivo descrente. Na letra da canção, procurar precisou do termo um caminho; acreditar, do termo no amor, no sorriso e na flor, voltar, do termo ao amor, ao sorriso e à flor; descrente, do termo de um dia feliz.

Quando um termo – verbo ou nome – exige a presença de outro, ele se chama regente ou subordinante; os que completam a sua significação chamam-se regidos ou subordinados.

Observe a regência nestes versos da canção lida:

Quem acreditou (VTI – termo regente)  no amor, no sorriso, na flor (OI – termo regido)

descrente (adjetivo –termo regente)  de um dia feliz (termo regido)

Quem depois voltou (VTI – termo regente)  ao amor, ao sorriso e à flor (OI – termo regido)

No primeiro e no terceiro exemplos, os termos no amor, no sorriso e na flor e ao amor, ao sorriso e à flor completam o sentido dos verbos acreditar e voltar, respectivamente. No segundo exemplo, de uma dia feliz completa o sentido do nome (adjetivo) descrente.

Assim, quando o termo regente é um verbo, ocorre regência verbal. Quando o termo regente é um nome  – substantivo, adjetivo, advérbio – ocorre regência nominal.

Há verbos que admitem mais de uma regência. Geralmente a diversidade de regência corresponde a uma diversidade de significados do verbo. Por exemplo, o verbo agradar, no sentido de “acariciar”, é transitivo direto, enquanto no sentido de “satisfazer, contentar” é transitivo indireto.

A identificação da regência de alguns verbos costuma apresentar dificuldade, seja devido à informalidade da língua falada, na qual muitas construções se mostram em desacordo com a norma-padrão, seja porque muitos verbos têm mais de um significado e, quase sempre, mais de uma regência. Em caso de dívida, recomendo consultar o dicionário.

Observe alguns verbos cuja regência costuma suscitar dúvidas:

Agradar: transitivo direto ou indireto
Objeto direto: fazer carinhos. Exemplo: Agrada a namorada todo aniversário.
Objeto indireto: ser agradável: Exemplo: Seu discurso não agrada aos alunos.

Aspirar: transitivo direto ou indireto
Objeto direto: inspirar o ar. Exemplo: Os atletas aspiravam o ar das montanhas.
Objeto indireto: desejar, ter ambição. Exemplo: O vereador recém-eleito aspira a um alto cargo.

Assistir: transitivo direto, indireto ou intransitivo
Objeto direto ou indireto. auxiliar, prestar ajuda. Exemplos: O médico assiste o doente nesse horário./ O médico assiste ao doente nesse horário.
Objeto indireto: ver, presenciar. Exemplo: Ontem assisti a um filme iraniano.
Objeto indireto: pertencer, caber. Exemplo: Esse plantão assiste ao novo porteiro.
Intransitivo: morar, residir. Exemplo: Minha comadre assiste em Santos.

Chamar: transitivo direto ou indireto
Objeto direto: mandar vir, solicitar a presença. Exemplo: A professora chamou os alunos. Quando regido da preposição por: Exemplo: Ela chamou por mim.
Objeto indireto: chamar pelo nome, apelidar. Exemplos: Chamaram a menina de balão. Chamaram-na de balão. Chamaram a menina balão. Chamaram-na balão. Chamaram à menina de balão. Chamaram-lhe balão. Chamaram à menina balão.

Quando o uso muda a regra

Há alguns verbos, como aspirar, atender, visar, que, embora apresentem, tradicionalmente, diferentes regências para sentidos diferentes, na linguagem usual e na linguagem jornalística costumam ser empregados, indiferentemente como transitivos diretos. Assim, tradicionalmente, o verbo visar, no sentido de “ter em vista, pretender”, exige a preposição a, como se vê nesta frase, por exemplo:

A reunião com representantes estrangeiros visava à ampliação das exportações de soja.
Entretanto, é possível também encontrar esse verbo empregado assim:

A reunião com representantes estrangeiros visava a ampliação das exportações de soja.

Agora que você já descobriu o “relacionamento aberto e nada secreto”  do verbo com seus complementos, reforce ainda mais com esta videoaula.
https://www.youtube.com/watch?v=h1jU80SfNM4

Agora, vamos aos exercícios de fixação:

1- A regência verbal está errada em:

a) Esqueceu-se do endereço.
b) Não simpatizei com ele.
c) O filme a que assistimos foi ótimo.
d) Faltou-me completar aquela página.
e) Aspiro um alto cargo político.

2- Partindo-se do pressuposto de que a mudança de transitividade implica tão somente na mudança de significado, analise os páreos linguísticos em questão, com vistas a apontar o sentido expresso pelo verbo:

a) O garoto sempre agrada sua mãe.
b) As novas propostas não agradaram aos eleitores.
c) Eu aspirei aquele inesquecível perfume.
d) Todos aspiram a um bom cargo dentro da empresa.
e) Todas as noites, a enfermeira assistia o enfermo.
f) Todos assistiram ao filme e ficaram encantados com o enredo.
g) Chamem os convidados para a abertura do evento.
h) Seu pai chamou-lhe de incompetente.

3- De forma adequada, empregue à regência de cada verbo expresso a devida preposição:

a) O filme * que assisti recebeu a melhor premiação durante o festival do ano passado.
b) Confio que estejas lutando para conquistar o cargo * que aspiras.
c) Passada a tempestade, esta é a cidade * que chegamos.
d) Aquela é a garota * quem muito simpatizei.
e) Por favor, não altere a música * que mais gostei.

4- Observe a regência verbal e assinale a opção falsa:

a (  ) Avisaram-no que chegaríamos logo.
b (  ) Informei-lhe a nota obtida.
c (  ) Os motoristas irresponsáveis, em geral, não obedecem aos sinais de trânsito.
d (  ) Há bastante tempo que assistimos em São Paulo.
e (  ) Muita gordura não implica saúde.

Gabarito:

1- Alternativa “E”, pois o verbo aspirar quando retrata o sentido de almejar, é acompanhado da preposição. Portanto, o correto é dizermos: aspiro a um alto cargo político.

2- a) oferecer carinho.
b) satisfazer a alguém.
c) sorver, sentir cheiro.
d) almejar, ter por objetivo.
e) cuidar, dar assistência.
f) estar presente.
g) convocar.
h) nomear, atribuir uma denominação.

3- a) a que assisti…
b) a que aspiras…
c) a que chegamos.
d) com quem …
e) de que mais gostei.

4- Alternativa “A”, pois o correto seria:  Avisaram-no de que chegaríamos logo.

Os textos e exemplos acima foram preparados pela professora Gisele Garcez para o Blog do Enem. Gisele é formada em Letras pela UNISUL, especialista em Linguística, Gramática,Literatura e Produção Textual da Língua Portuguesa. Dá aulas de Língua Portuguesa em escolas da Grande Florianópolis desde 1998. Facebook:  https://www.facebook.com/gisele.garcez.3