Revoltas Coloniais Nativistas do Século XVIII – História Enem e vestibular

Vamos revisar as principais revoltas coloniais nativistas do século XVIII: Guerra dos Emboabas (MG – 1708/1709), a Guerra dos Mascates (PE – 1710-1711) e a Revolta de Filipe dos Santos (MG – 1720). Você vai entender como esses movimentos agravaram a crise colonial no Brasil e arrasar em História no Enem!

As primeiras décadas do século XVIII foram marcadas pelo agravamento da crise açucareira e o início da grande mineração aurífera. Curiosamente, tanto a crise nordestina como o crescimento econômico do sudeste colocaram grupos sociais em conflito na defesa de seus interesses econômicos.

Além disso, a mineração exigiu da metrópole um maior rigor fiscal, que provocou sérios descontentamentos na colônia. Esse foi o contexto no qual ocorreram as revoltas coloniais nativistas do século XVIII. Saiba também os desdobramentos desses fatos para gabaritar História no Enem.HST1

Dica 1: Repare que o gráfico mostra o grande declínio nas exportações do açúcar e o início da relevância do ouro em 1700, às vésperas das principais revoltas coloniais nativistas do século XVIII.

A metade do século XVIII foi um período de relativa paz social no Brasil, principalmente entre 1720 (Revolta de Filipe dos Santos, última grande revolta nativista) e 1789 (Inconfidência Mineira, primeira revolta separatista).

Repare que esse momento mais pacífico coincide com a expansão econômica da colônia. Fique ligado! Exercite a interpretação de gráficos. Eles são cobrados no Enem e ajudam a relacionar economia e sociedade.

Assim como as revoltas coloniais nativistas do século XVII, as revoltas coloniais nativistas do século XVIII ainda não contavam com a influência das ideias iluministas, até pelo fato de terem ocorrido nas duas primeiras décadas, quando o Iluminismo ainda não havia se consolidado na Europa.

Isso ajuda a explicar a falta de um projeto político alternativo que embasasse o rompimento com a metrópole, algo que só ocorreu com os movimentos separatistas do final do século XVIII e do início do século XIX (Inconfidência Mineira, Conjuração Baiana e Revolução Pernambucana).

As principais revoltas nativistas do século XVIII foram a Guerra dos Emboabas (MG – 1708/1709), a Guerra dos Mascates (PE – 1710-1711) e a Revolta de Filipe dos Santos (MG – 1720).

Guerra dos Emboabas (MG – 1707/1709)

Foi um conflito entre bandeirantes paulistas e emboabas (portugueses e nordestinos) pelas áreas de mineração recém descobertas em Minas Gerais. Liderados por Borba Gato, os bandeirantes paulistas, descobridores das primeiras minas na região, exigiam a exclusividade sobre a prospecção e a extração de ouro em Minas Gerais.

Já os emboabas, liderados por Manuel Nunes Viana, praticavam o comércio na região, mas também queriam garimpar, defendendo a livre prospecção e extração de ouro. Revoltas Coloniais  A Guerra dos Emboabas

Conflitos sangrentos foram travados e os paulistas foram derrotados pelos emboabas. O episódio mais sangrento foi o “Capão da Traição”, no qual os paulistas foram rendidos e massacrados pelos emboabas, mesmo após um acordo de trégua.

O conflito terminou com a intervenção da Coroa, que passou a exercer um controle fiscal efetivo sobre a mineração, estabelecendo a livre prospecção de ouro em Minas Gerais. Em 1709, a antiga e extensa Capitania de São Vicente foi dividida em duas: Capitania de São Paulo e Minas do Ouro e Capitania do Rio de Janeiro, ligadas diretamente à Coroa. Esta foi uma consequência de uma das Revoltas Coloniais Nativistas.HST2

Imagem 2: O mapa do Brasil em 1709, após a Guerra dos Emboabas – Fonte: https://www.achetudoeregiao.com.br/atr/Guerra_dos_Emboabas.htm

Guerra dos Mascates (PE – 1710/1711)

A decadência de Olinda, causada pela crise do açúcar, contrastava com o crescimento comercial de Recife, uma freguesia de Olinda. Essa situação levou a Coroa a emancipar Recife de Olinda, provocando a reação dos senhores de engenho olindenses, que não queriam perder a sua principal fonte de arrecadação tributária.

Esses fazendeiros invadiram Recife, derrubaram o Pelourinho, tomaram a Casa de Câmara e Cadeia, soltaram os presos e rasgaram a carta régia que emancipava Recife. Os comerciantes de Recife, chamados de “mascates”, reagiram incendiando engenhos e vilarejos de Olinda.  O episódio se insere no ciclo das Revoltas Coloniais Nativistas. O conflito foi sufocado pela intervenção da Coroa, que manteve a autonomia de Recife.

Dica 2: A ideia de que a crise colonial começou com as revoltas nativistas foi defendida na literatura bem antes de ser debatida pelos historiadores. O escritor cearense José de Alencar (1829–1877), autor do livro “Guerra dos Mascates”, interpretou as revoltas coloniais como elementos precursores de uma identidade nacional, construída a partir da distinção entre o que é brasileiro e o que é lusitano.

HST3Imagem 3: Capa do livro “Guerra dos Mascates”, de 1873, do escritor romântico José de Alencar. Fonte: www.ebooksbrasil.org

A Guerra dos Mascates na Literatura – Essa busca pela identidade nacional era muito cara ao Romantismo Literário, em um momento em que o Brasil era um país recente ainda muito influenciado pela cultura importada da Europa. Repare a influência da literatura na História. Fique ligado! Para o Enem, a História é construída a partir das versões acerca dos fatos e a literatura produz forte influência sobre essas versões.

Revolta de Filipe dos Santos (Vila Rica/MG – 1720)

Foi um movimento de comerciantes e mineradores de Vila Rica contra os estancos (monopólios) no comércio local e a instalação da Casa de Fundição, que passava a recolher o Quinto com mais rigor, proibindo a circulação de ouro em pó ou em pepitas, além de punir o contrabando de ouro com pena de degredo na África.

O movimento foi liderado pelo tropeiro Filipe dos Santos, sendo derrotado pelas tropas comandadas pelo Conde de Assumar, governador da capitania. Casas foram incendiadas e Filipe dos Santos foi condenado à morte na forca, sendo depois esquartejado.

HST4Imagem 3: Foto da antiga Casa de Fundição de Vila Rica, onde todo o ouro recolhido era derretido e transformado em barras timbradas, procurando-se evitar o proibido contrabando de ouro em pó dentro dos santos do pau oco. Fonte: www.historiabrasileira.com

Dica 3: Você deve ter percebido que todas essas revoltas têm em comum o descontentamento de membros das elites coloniais com alguma decisão ou influência da metrópole que afetasse seus interesses econômicos.

Aos poucos, esse descontentamento produziu na colônia aspirações separatistas, como ocorreu na Inconfidência Mineira (1789), na Conjuração Baiana (1798) e na Revolução Pernambucana (1817).

Preparava-se o caminho para que parte da elite colonial apoiasse mais tarde a independência do Brasil. Veja como essa idéia aparece no poema “Romanceiro da Inconfidência”, de Cecília Meireles, na parte em que trata da Revolta de Filipe dos Santos:

Dorme, meu menino, dorme
Que Deus te ensine a lição
Dos que sofrem neste mundo
Violência e perseguição.
Morreu Felipe dos Santos
Outros, porém, nascerão.

 Fonte: http://www.vestibular1.com.br/resumos_livros/o_romance_da_inconfidencia.htm

A última estrofe deixa subentendida a relação entre as duas principais revoltas de Vila Rica: a Revolta de Filipe dos Santos (1720) e a Inconfidência Mineira (1789). Cecília Meireles quer dizer que os descontentamentos que motivaram as duas revoltas unem ambas em um mesmo processo histórico de luta por liberdade.  Aprenda com a grande poetisa e fique ligado! Além de fatos e contextos históricos, o Enem também cobra processos históricos.

Para relembrar as principais revoltas coloniais nativistas (séc. XVII-XVIII) e finalizar sua revisão sobre o tema, assista ao esclarecedor vídeo-aula do AjudaEu.
https://www.youtube.com/watch?v=kpJyro47rzs

Agora é a hora de testar seus conhecimentos. Vamos ver como esse conteúdo pode ser cobrado nos vestibulares e no Enem. 

Exercícios

1- Responder, relacionando o nome dos movimentos sociais apresentados na coluna “A” com suas respectivas características, na coluna “B”:

Coluna A
1 – Revolta de Beckman
2 – Guerra dos Emboabas
3 – Guerra dos Mascates
4 – Revolta de Filipe dos Santos
Coluna B
( ) Luta dos comerciantes para elevar Recife à categoria de vila, em oposição aos produtores de açúcar de Olinda.
( ) Movimento em oposição às casas de fundição, que haviam aumentado a exploração da Coroa sobre os mineiros.
( ) Combate ao monopólio e aos altos preços praticados pela Companhia de Comércio do Maranhão, e também aos jesuítas, que queriam impedir os grandes proprietários de escravizar os indígenas.
( ) Luta entre paulistas e forasteiros pelo domínio da região das Minas Gerais, reivindicada por aqueles. Levou à separação da região das minas da Capitania de São Paulo e à criação da Capitania de Minas Gerais.
A numeração correta dos parênteses, de cima para baixo, é:
a) 1 – 3 – 4 – 2
b) 1 – 2 – 4 – 3
c) 2 – 4 – 3 – 1
d) 3 – 4 – 1 – 2
e) 4 – 1 – 3 – 2

 

Resposta: A alternativa correta é a letra “d”.

 

2- (Cesgranrio) A colonização brasileira foi sempre marcada por confrontos que refletiam a diversidade de interesses presentes na sociedade colonial como pode ser observado nos(as):

a) conflitos internos, sem conteúdo emancipacionista, como as Guerras dos Emboabas e dos Mascates.

b) ideais monárquicos e democráticos defendidos pelos mineradores e agricultores na Conjuração Mineira.

c) projetos imperiais adotados pela Revolução Pernambucana de 1817 por influência da burocracia lusitana.

d) reações contrárias aos monopólios, como na Conjuração Baiana, organizada pelos comerciantes locais.

e) características nacionalistas de todos os movimentos ocorridos no período colonial, como nas Revoltas do Rio de Janeiro e de Beckman.

 

Resposta: A alternativa correta é a letra “a”.

 

3- “A confrontação entre a loja e o engenho tendeu principalmente a assumir a forma de uma contenda municipal, de escopo jurídico-institucional, entre um Recife florescente que aspirava à emancipação e uma Olinda decadente que procurava mantê-Io numa sujeição irrealista. Essa ingênua fachada municipalista não podia, contudo, resistir ao embate dos interesses em choque. Logo revelou-se o que realmente era, o jogo de cena a esconder uma luta pelo poder entre o credor urbano e o devedor rural.”

(Evaldo Cabral de Mello. A fronda dos mazombos, São Paulo, Cia. das Letras, 1995, p. 123).

O autor refere-se:

a) ao episódio conhecido como a Aclamação de Amador Bueno.

b) à chamada Guerra dos Mascates.

c) aos acontecimentos que precederam a invasão holandesa de Pernambuco.

d) às consequências da criação, por Pombal, da Companhia Geral de Comércio de Pernambuco.

e) às guerras de Independência em Pernambuco.

 

Resposta: A alternativa correta é a letra “b”.

 

4- Leia o texto a seguir

 

Recife era (…) fétida e doentia (…). Mas havia ali um ancoradouro, porta aberta ao comércio. A indústria, que já se estreava para um dia se apoderar da civilização e subjugá-la, devia arrastar a população do alto das verdes e risonhas colinas (de Olinda) às praias sujas e infetas do Mosqueiro (em Recife).

 Assim, a pouco e pouco minguou a seiva à altiva cidade; suas casas foram desamparadas; tornaram-se ermas as ruas; e o cadáver da formosa Olinda permaneceu como seca múmia entre a verdura das árvores e as palmas dos coqueiros (…).

 (Alencar, José de. Guerra dos Mascates: Crônica dos tempos coloniais. Disponível em <http://www.biblio.com.br/defaultz.asp?link=http://www.biblio.com.br/conteudo/Josedealencar/guerramascates.htm>. Acesso em 22 de janeiro de 2016.)

 

A descrição do escritor José de Alencar tem relação com o seguinte contexto:

a) A crise do açúcar em Pernambuco após o domínio holandês, provocando a decadência de Recife, sede do governo de Nassau no Brasil.

b) A crise dos engenhos olindenses e seu reflexo negativo sobre o comércio de Recife.

c) O início da Revolução Industrial no Brasil no início do século XVIII.

d) O período em que os engenhos de Olinda minguavam, medida em que crescia o comércio de sua principal freguesia, Recife, prestes a ser emancipada.

e)A Guerra dos Mascates, onde os comerciantes de Recife contestavam a emancipação alcançada pelos fazendeiros de Olinda.

 

Resposta: A alternativa correta é a letra “d”.

O texto desta aula foi preparado pelo professor Felipe Carlos de Oliveira para o Blog do Enem. Felipe é formado em licenciatura e bacharelado em História pela UFSC, especializado em Interdisciplinaridade pelo IBPEX e mestre em História pela UFSC. É professor de colégios e cursinhos da Grande Florianópolis desde 2001.