Romantismo e Poesia – Literatura Enem

O Romantismo está em peso no Vestibular e Enem. Conheça as características, principais obras e o momento histórico dessa escola literária que se definiu na Europa, a partir dos 25 anos do século XVIII. Revise Literatura!

Literatura Enem: O romance Werther, de Goethe, publicado na Alemanha em 1774, lança as definições do sentimentalismo romântico e da fuga pelo suicídio. Na Inglaterra, o Romantismo está presente, inicialmente, no começo do século XIX, destacando a poesia ultrarromântica de Lord Byron.

Porém, se a Alemanha e a Inglaterra foram as pioneiras relacionadas a essa nova tendência, a França teve o papel de divulgar o Romantismo.

Em Portugal, o Romantismo surge com a publicação do poema Camões, de Garrett, durante seu período exilado em Paris. O início do Romantismo português coincide com as lutas civis, entre liberais e conservadores, quando D. Pedro renuncia ao trono brasileiro.

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A liberdade ganhando o povo (1830), Eugène Delacroix

No nosso país, duas publicações dão início ao Romantismo brasileiro, publicadas em Paris, por Gonçalves de Magalhães, em 1836. São elas a revista Niterói e o livro de poesias Suspiros poéticos e saudades.

A princípio, romântico era tudo o que estava oposto ao clássico. Ou seja, a Idade Média entrou no lugar dos modelos da Antiguidade Clássica, principalmente, de maneira clara, nos seus últimos séculos, coincidindo com o surgimento da burguesia. O indivíduo passa a ser o foco principal,  em total relevância a imaginação e os sentimentos, resultando em uma interpretação subjetiva da realidade.

Nessa época, surgiu um público que consumia a literatura, tornando-a mais popular, diferente dos estilos de outras épocas, que possuíam características clássicas. Então, o romance, seria a forma mais acessível da manifestação literária.

O aspecto formal da literatura romântica foge do que é padronizado e estetizado do Classicismo. O verso livre, que não possui métrica e tampouco estrofação, e o verso branco, que não possui rima, fazem a poesia romântica. O emprego da forma livre combina plenamente com o ideal do romântico, que é o individualismo e do subjetivismo.

O nacionalismo era um conteúdo cultivado pelos românticos, manifestando exaltação da natureza de seu país, retornando às histórias do passado e criando um herói nacional, como belos e valentes cavalheiros medievais, no caso da literatura europeia.

A natureza tem o seu papel, dando vários significados, como, por exemplo, em alguns momentos, ela será exaltada e funcionará como uma extensão do país, e em outros momentos será uma espécie de refúgio da vida agitada dos grandes centros urbanos do século XIX.

Entre os principais poetas da literatura romântica brasileira, estão Gonçalves Dias, Gonçalves de Magalhães e Araújo Porto Alegre.

Se se morre de amor! — Não, não se morre,
Quando é fascinação que nos surpreende
De ruidoso sarau entre os festejos;
Quando luzes, calor, orquestra e flores
Assomos de prazer nos raiam n’alma,
Que embelezada e solta em tal ambiente
No que ouve, e no que vê prazer alcança!

Simpáticas feições, cintura breve,
Graciosa postura, porte airoso,
Uma fita, uma flor entre os cabelos,
Um quê mal definido, acaso podem
Num engano d’amor arrebatar-nos.
Mas isso amor não é; isso é delírio,
Devaneio, ilusão, que se esvaece
Ao som final da orquestra, ao derradeiro

Clarão, que as luzes no morrer despedem:
Se outro nome lhe dão, se amor o chamam,
D’amor igual ninguém sucumbe à perda.
Amor é vida; é ter constantemente
Alma, sentidos, coração — abertos
Ao grande, ao belo; é ser capaz d’extremos,
D’altas virtudes, té capaz de crimes!
Compr’ender o infinito, a imensidade,
E a natureza e Deus; gostar dos campos,
D’aves, flores, murmúrios solitários;
Buscar tristeza, a soledade, o ermo,
E ter o coração em riso e festa;
E à branda festa, ao riso da nossa alma
Fontes de pranto intercalar sem custo;
Conhecer o prazer e a desventura
No mesmo tempo, e ser no mesmo ponto
O ditoso, o misérrimo dos entes;
Isso é amor, e desse amor se morre!

Amar, e não saber, não ter coragem
Para dizer que amor que em nós sentimos;
Temer qu’olhos profanos nos devassem
O templo, onde a melhor porção da vida
Se concentra; onde avaros recatamos
Essa fonte de amor, esses tesouros
Inesgotáveis, d’ilusões floridas;
Sentir, sem que se veja, a quem se adora,
Compr’ender, sem lhe ouvir, seus pensamentos,
Segui-la, sem poder fitar seus olhos,
Amá-la, sem ousar dizer que amamos,
E, temendo roçar os seus vestidos,
Arder por afogá-la em mil abraços:
Isso é amor, e desse amor se morre!

Se tal paixão porém enfim transborda,
Se tem na terra o galardão devido
Em recíproco afeto; e unidas, uma,
Dois seres, duas vidas se procuram,
Entendem-se, confundem-se e penetram
Juntas — em puro céu d’êxtases puros:
Se logo a mão do fado as torna estranhas,
Se os duplica e separa, quando unidos
A mesma vida circulava em ambos;

Que será do que fica, e do que longe
Serve às borrascas de ludíbrio e escárnio?
Pode o raio num píncaro caindo,
Torná-lo dois, e o mar correr entre ambos;
Pode rachar o tronco levantado
E dois cimos depois verem-se erguidos,
Sinais mostrando da aliança antiga;
Dois corações porém, que juntos batem,
Que juntos vivem, — se os separam, morrem;
Ou se entre o próprio estrago inda vegetam,
Se aparência de vida, em mal, conservam,
Ânsias cruas resumem do proscrito,
Que busca achar no berço a sepultura!

Esse, que sobrevive à própria ruína,
Ao seu viver do coração, — às gratas
Ilusões, quando em leito solitário,
Entre as sombras da noite, em larga insônia,
Devaneando, a futurar venturas,
Mostra-se e brinca a apetecida imagem;
Esse, que à dor tamanha não sucumbe,
Inveja a quem na sepultura encontra
Dos males seus o desejado termo!

(Gonçalves Dias, Se se morre de amor, 1944.)

Gonçalves Dias tem um papel importante no Romantismo brasileiro. Ele ajudou a consolidar a escola literária no nosso país, trabalhando de maneira brilhante temas do Romantismo, em sua fase inicial, como o indianismo, a natureza, a religiosidade, o medievalismo e o sentimentalismo.

Suas produções se encaixam em uma visão de amor do homem romântico, contendo características do subjetivismo, com notável influência de seus casos amorosos.

Complemente seus estudos sobre a poesia romântica com o vídeo, do canal ProENEM, no YouTube:

Procure sempre colocar em prática os assuntos estudados por você, estudante! Por isso, não deixe de ler os exercícios com atenção, respondê-los e conferir o gabarito!

Exercícios

1- (Vunesp – SP)  Leia atentamente os versos seguintes:

Eu deixo a vida com deixa o tédio
Do deserto o poeta caminheiro
– Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um mineiro. 

Esses versos de Álvares de Azevedo significam a:

a) revolta diante da morte.
b) aceitação da vida como um longo pesadelo.
c) aceitação da morte como a solução.
d) tristeza pelas condições de vida.
e) alegria pela vida longa que teve.

 

2- (PUC-RS)

Já de noite o palor me cobre o rosto
Nos lábios meus o alento desfalece.
Surda agonia o coração fenece
E devora meu ser mortal desgosto!
Do leito embalde no macio encosto
Tento o sono reter!… Já esmorece
O corpo exausto que o repouso esquece…
Eis o estado em que a mágoa me tem posto!

A relação mórbida com a morte demonstra que parte da poesia de Álvares de Azevedo prende-se ao:

a) idealismo romântico.
b) saudosismo inconformado.
c) misticismo religioso.
d) negativismo filosófico.
e) mal do século.

 

Gabarito

1- C

2- E

O texto foi escrito pela professora Analice, formada em Letras pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – Unesp. Atualmente é mestranda em Literatura na Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, professora de português na rede particular de ensino de Florianópolis e colaboradora do Blog do Enem. Facebook: http://www.facebook.com/analice.andrade