O Simbolismo na literatura: contexto histórico e as características

Conheça mais sobre o Simbolismo na Europa e no Brasil. Ele surge em oposição realismo. O maior poeta do simbolismo na literatura brasileira foi Cruz e Sousa. Confira agora com aulas gratuitas da professora Camila Zuchetto.

O Simbolismo na literatura pertence à Europa do fim do século XIX, momento que se opõe ao Realismo e suas propostas. No final desse século, levantou-se a hipótese de que o homem julgava o homem como elemento inferior, devido o progresso da indústria, não o libertando e tampouco potencializando suas qualidades.

No Brasil, o Simbolismo na literatura tem o seu destaque no poeta catarinense Cruz e Sousa. Negro, filho de escravos, e com uma vida próxima da miséria, ele construiu versos que se eternizaram nas características do Simbolismo no Brasil. As obras “Missal” e “Broquéis” marcam o simbolismo brasileiro na última década do século XIX.

Na Europa, as séries materialistas e racionalistas da segunda metade do século XIX não têm a capacidade de responder ao que exige a realidade do momento, já que o processo industrial da burguesia evoluía rapidamente, ocasionando a luta das grandes potências pelos mercados que consumiam e os que forneciam a matéria prima.

As raízes do Simbolismo

A unificação da Alemanha e da Itália impulsionou ainda mais o processo de industrialização desses países, que eram chamados de países com capitalismo tardio, colocando-os na disputa de novos mercados.

Com isso, a África é fragmentada, aumentam-se as influências em territórios asiáticos e se desenvolve a política do neocolonialismo, nascendo o fantasma de uma guerra que irá envolver países europeus.Fonte: bibliblogue.wordpressFonte: bibliblogue.wordpress

Nos últimos vinte anos pertencentes ao século XIX, já sabemos que, até mesmo grande parte dos autores realistas, certa comportamento de desilusão e, até mesmo, de frustração, resultado das inúteis tentativas de mudar a sociedade burguesa industrial. Todas estas tensões se refletem nos textos do simbolismo na literatura da época.

Em todo o momento que passamos a analisar com dificuldade o momento exterior e entendê-lo com razão, o costume é reagir de modo que ele seja negado, mudando o foco para uma realidade subjetiva e, assim, dando origem as tendências espiritualistas, em que o consciente e o subconsciente são valorizados, de acordo com os ensinamentos de Freud.

O Simbolismo na literatura brasileira

Confira agora com a professora Camila Zuchetto, do canal do Curso Enem Gratuito, uma introdução ao Simbolismo na Literatura Brasileira.

As dicas da professora Camila:

  1. A literatura simbolista é marcada pela musicalidade, pelo rompimento da ordem sintática e pelo uso de sinestesias (figura de linguagem de consiste no uso de um sensorial por outro, exemplos: “gosto verde”; “cheiro áspero”), de expressões vagas e sugestivas.
  2. Os simbolistas buscariam nas palavras as ‘correspondências’ com outros mundos e realidades, enfrentando um desregramento radical dos sentidos convencionais da linguagem.
  3. Outro tipo de obra especial no simbolismo é o poema em prosa. S
  4. O contexto histórico do Simbolismo: no século XIX, bombaram o Romantismo e o Realismo na literatura, duas grandes correntes da época. Logo depois, nasceu o Parnasianismo, uma escola literária que cultuava a arte pela arte, ou seja, a poesia deveria valer por si mesma, por sua beleza, sem nenhum tipo de compromisso social.
  5.  Aqui no Brasil, o Simbolismo surgiu como um movimento periférico diante da presença parnasiana. Outro motivo que fazia dessa escola periférica era que os poetas simbolistas também eram marginalizados socialmente, viviam longe dos grandes centros urbanos, dos poderes ou da academia.
  6. O principal poeta simbolista aqui do Brasil foi Cruz e Sousa. De notável talento e mérito estudantil, Cruz e Souza contudo sofria com o preconceito racial, que por vezes o fez perder cargos para os quais havia sido nomeado, como no caso onde seria promotor de Justiça em Laguna, Santa-Catarina. A questão racial estaria visceralmente presente em sua poesia
  7.  Para fazer frente ao preciosismo clássico dos parnasianos, o simbolismo assume uma postura subjetivista e mística, de tonalidade pessimista e obscura. No simbolismo, o experimentalismo poético também sairá revigorado.
  8. No texto simbolista destaca–se a musicalidade, o rompimento da ordem sintática, uso de sinestesias (figura de linguagem de consiste no uso de um sensorial por outro, exemplos: “gosto verde”; “cheiro áspero”), de expressões vagas e sugestivas.
  9. Esses poetas buscariam nas palavras as ‘correspondência” com outros mundos e realidades, enfrentando um desregramento radical dos sentidos convencionais da linguagem.
  10. Dois livros marcam o Simbolismo no Brasil: Missal (poemas em prosa) e Broquéis, ambos publicados em 1893, e de autoria de Cruz e Sousa.

 

Oposição ao Realismo

Então, o Simbolismo reflete um momento histórico bastante complexo, que marca a mudança, a passagem para o século XX e a definição de um mundo novo, onde se consolida a partir da segunda década desse século.

O Simbolismo, como já foi dito, repudia o Realismo, indo contra as manifestações dessa época. Isso é claro, pois essa estética rejeita o cientificismo, o materialismo, o racionalismo, dando valor, por outro lado, as manifestações metafísicas e espirituais, equivalentes a negação entre Naturalismo e Parnasianismo.

A realidade objetiva já não é interesse e o homem volta-se para a realidade subjetiva, característica deixada de lado desde o Romantismo. O eu começa a ser o ponto mais importante, mas não um eu superficial, como o sentimentalismo exacerbado do Romantismo, esse eu será a busca da essência do ser humano, aquilo que ele tem de mais profundo e universal: sua alma.

Então, a oposição de matéria e espírito tem um resultado de característica sublime, tratando-se do oposto entre corpo e alma que só se desprendem com a morte:

O poetas simbolistas

Confira agora Alphonsus Guimarães, e Cruz e Sousa,que foram os simbolistas que se consagram na poesia no resumo da professora Camila.

  1. Cruz e Sousa nasceu na cidade de Florianópolis quando ela se chamava Desterro. Era um local longe dos centros de produção cultural do país, tanto que depois o poeta mudou-se para o Rio de Janeiro em busca de maior reconhecimento. Ele era um homem negro abolicionista, que inclusive escrevia para jornais abolicionistas da cidade onde nasceu.
  2. Em suas poesias, ele falava bastante sobre as questões dos negros em um Brasil pré-abolição da escravidão, evidenciando suas dores e angústias.
  3.  Seus poemas são bastante marcados pela musicalidade resultante de duas figuras de linguagem centrais: a assonância (repetição de vogais) e a aliteração (repetição de consoantes).
  4.  Alphonsus de Guimaraens foi um poeta mineiro que teve ainda menos destaque do que Cruz e Sousa.
  5. Sua característica principal era a melancolia e havia também certo misticismo religioso em sua obra.
  6. Seu poema mais famoso se chama Ismália.
  7. Veja agora o “Cárcere das Almas”, de Cruz e Sousa.
Cruz e Souza - o Simbolismo na Literatura brasileira
O poeta Cruz e Souza. Destaque do Simbolismo na Literatura Brasileira

Cárcere das Almas (Cruz e Sousa)

Ah! Toda a alma num cárcere anda presa,

Soluçando nas trevas, entre as grades

Do calabouço olhando imensidades,

Mares, estrelas, tardes, natureza.

 

Tudo se veste de uma igual grandeza

Quando a alma entre grilhões as liberdades

Sonha e, sonhando, as imortalidades

Rasga no etéreo Espaço da Pureza.

 

Ó almas presas, mudas e fechadas

Nas prisões colossais e abandonadas,

Da Dor no calabouço, atroz, funéreo!

 

Nesses silêncios solitários, graves

Que chaveiro do Céu possui as chaves

Para abrir-vos as portas do Mistério!?

 

Os símbolos da loucura e dos sonhos

O subjetivismo, a valorização do inconsciente e do subconsciente, dos estados da alma, dos sonhos e da loucura, o Simbolismo acarretou uma linguagem cheia de símbolos, em clara refutação a uma linguagem literária mais seca e impessoal.Nevermore, Paul Gaughin – O título da tela acima é uma alusão ao poema O Corvo, de Edgar Allan Poe, ator admirado e cultuado pelos simbolistasNevermore, Paul Gaughin – O título da tela acima é uma alusão ao poema O Corvo, de Edgar Allan Poe, ator admirado e cultuado pelos simbolistas

Não deixe de exercitar o tema estudado. Abaixo seguem alguns exercícios para você, estudante, sistematizar ainda mais esse conteúdo! Se você quiser, confira aula extra para mergulhar mais no Simbolismo na literatura brasileira.

Exercícios sobre o simbolismo na literatura

1- (ENEM – 2010)

Cárcere das almas

Ah! Toda a alma num cárcere anda presa,
Soluçando nas trevas, entre as grades
Do calabouço olhando imensidades,
Mares, estrelas, tardes, natureza.
Tudo se veste de uma igual grandeza
Quando a alma entre grilhões as liberdades
Sonha e, sonhando, as imortalidades
Rasga no etéreo o Espaço da Pureza.
Ó almas presas, mudas e fechadas
Nas prisões colossais e abandonadas,
Da Dor no calabouço, atroz, funéreo!
Nesses silêncios solitários, graves,
que chaveiro do Céu possui as chaves
para abrir-vos as portas do Mistério?!

(CRUZ E SOUSA, J. Poesia completa. Florianópolis: Fundação Catarinense de Cultura /Fundação Banco do Brasil, 1993.)

Os elementos formais e temáticos relacionados com o contexto cultural do Simbolismo encontrados no poema Cárcere das almas, de Cruz e Sousa, são:

a) a opção pela abordagem, em linguagem simples e direta, de temas filosóficos.

b) a prevalência do lirismo amoroso e intimista em relação à temática nacionalista.

c) o refinamento estético da forma poética e o tratamento metafísico de temas universais.

d) a evidente preocupação do eu lírico com a realidade social expressa em imagens poéticas inovadoras.
e) a liberdade formal da estrutura poética que dispensa a rima e a métrica tradicionais em favor de temas do cotidiano.

 

2- (Udesc) – Leia atentamente os textos a seguir:

I. Quando será que tantas almas duras
Em tudo, já libertas, já lavadas
Nas águas imortais, iluminadas
Do sol do amor, hão de ficar bem puras?
Quando será que as límpidas frescuras
Dos claros rios de ondas estreladas
Dos céus do bem, hão de deixar clareadas
Almas vis, almas vãs, almas escuras?
(Cruz e Souza. POESIAS COMPLETAS. São Paulo, Ediouro, s/d, p.93.)

II. “Não acredito em bicho maligno mas besouro, não sei não. Olhe o que sucedeu com a Rosa… Dezoito anos. E não sabia que os tinha. Ninguém reparara nisso. Nem dona Carlotinha, nem dona Ana, entretanto já velhuscas e solteironas, ambas quarenta e muito. Rosa viera pra companhia delas aos sete anos quando lhe morreu a mãe. Morreu ou deu a filha que é a mesma coisa que morrer.”

(OS MELHORES CONTOS DE MARIO DE ANDRADE. São Paulo, Global, 1988, p.17.)

Em relação aos fragmentos apresentados, assinale com V as proposições verdadeiras e com F as falsas.
( ) Por suas características estilísticas, os versos de Cruz e Souza pertencem ao Simbolismo e o texto de Mário de Andrade, ao Modernismo.
( ) O Simbolismo brasileiro apresenta conteúdo carregado de mistério, misticismo, sonoridade e espiritualidade.
( ) No Simbolismo o lirismo é altamente objetivo, apresentando cunho político-social.
( ) Os textos do Modernismo apresentam, além de linguagem cotidiana e dinâmica, frases despojadas.

A alternativa que apresenta sequência CORRETA, de cima para baixo, é:

a) V, F, F, V
b) V, V, F, F
c) V, V, F, V
d) F, F, V, V
e) V, F, V, V

 

Gabarito

1- C

2- C

O texto sobre o Simbolismo na Literatura  foi escrito pela professora Analice, formada em Letras pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – Unesp. Atualmente é mestranda em Literatura na Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, professora de português na rede particular de ensino de Florianópolis e colaboradora do Blog do Enem. Facebook: http://www.facebook.com/analice.andrade