Simbolismo: contexto histórico e suas características – Literatura Enem

Conheça mais sobre o Simbolismo, em que contexto ele está inserido na história da humanidade e também as suas características. Nós vamos te ajudar a gabaritar em Literatura no Vestibular e no Enem!

O Simbolismo pertence à Europa do fim do século XIX, momento que se opõe ao Realismo e suas propostas. No final desse século, levantou-se a hipótese de que o homem julgava o homem como elemento inferior, devido o progresso da indústria, não o libertando e tão pouco potencializando suas qualidades.

As séries materialistas e racionalistas da segunda metade do século XIX não têm a capacidade de responder ao que exige a realidade do momento, já que o processo industrial da burguesia evoluía rapidamente, ocasionando a luta das grandes potências pelos mercados que consumiam e os que forneciam a matéria prima.

A unificação da Alemanha e da Itália impulsionou ainda mais o processo de industrialização desses países, que eram chamados de países com capitalismo tardio, colocando-os na disputa de novos mercados. Com isso, a África é fragmentada, aumentam-se as influências em territórios asiáticos e se desenvolve a política do neocolonialismo, nascendo o fantasma de uma guerra que irá envolver países europeus.

Fonte: bibliblogue.wordpress
Fonte: bibliblogue.wordpress

Nos últimos vinte anos pertencentes ao século XIX, já sabemos que, até mesmo grande parte dos autores realistas, certa comportamento de desilusão e, até mesmo, de frustração, resultado das inúteis tentativas de mudar a sociedade burguesa industrial.

Em todo o momento que passamos a analisar com dificuldade o momento exterior e entendê-lo com razão, o costume é reagir de modo que ele seja negado, mudando o foco para uma realidade subjetiva e, assim, dando origem as tendências espiritualistas, em que o consciente e o subconsciente são valorizados, de acordo com os ensinamentos de Freud.

Então, o Simbolismo reflete um momento histórico bastante complexo, que marca a mudança, a passagem para o século XX e a definição de um mundo novo, onde se consolida a partir da segunda década desse século.

O Simbolismo, como já foi dito, repudia o Realismo, indo contra as manifestações dessa época. Isso é claro, pois essa estética rejeita o cientificismo, o materialismo, o racionalismo, dando valor, por outro lado, as manifestações metafísicas e espirituais, equivalentes a negação entre Naturalismo e Parnasianismo.

A realidade objetiva já não é interesse e o homem volta-se para a realidade subjetiva, característica deixada de lado desde o Romantismo. O eu começa a ser o ponto mais importante, mas não um eu superficial, como o sentimentalismo exacerbado do Romantismo, esse eu será a busca da essência do ser humano, aquilo que ele tem de mais profundo e universal: sua alma.

Então, a oposição de matéria e espírito tem um resultado de característica sublime, tratando-se do oposto entre corpo e alma que só se desprendem com a morte:

Cárcere das Almas (Cruz e Sousa)

Ah! Toda a alma num cárcere anda presa,

Soluçando nas trevas, entre as grades

Do calabouço olhando imensidades,

Mares, estrelas, tardes, natureza.

 

Tudo se veste de uma igual grandeza

Quando a alma entre grilhões as liberdades

Sonha e, sonhando, as imortalidades

Rasga no etéreo Espaço da Pureza.

 

Ó almas presas, mudas e fechadas

Nas prisões colossais e abandonadas,

Da Dor no calabouço, atroz, funéreo!

 

Nesses silêncios solitários, graves

Que chaveiro do Céu possui as chaves

Para abrir-vos as portas do Mistério!?

 

O subjetivismo, a valorização do inconsciente e do subconsciente, dos estados da alma, dos sonhos e da loucura, o Simbolismo acarretou uma linguagem cheia de símbolos, em clara refutação a uma linguagem literária mais seca e impessoal.

Nevermore, Paul Gaughin – O título da tela acima é uma alusão ao poema O Corvo, de Edgar Allan Poe, ator admirado e cultuado pelos simbolistas
Nevermore, Paul Gaughin – O título da tela acima é uma alusão ao poema O Corvo, de Edgar Allan Poe, ator admirado e cultuado pelos simbolistas
Assista ao vídeo do canal Stoodi, no YouTube, sobre o contexto histórico do Simbolismo, para complementar o texto lido:

Não deixe de exercitar o tema estudado. Abaixo seguem alguns exercícios para você, estudante, sistematizar ainda mais esse conteúdo!

Exercícios

1- (ENEM – 2010)

Cárcere das almas

Ah! Toda a alma num cárcere anda presa,
Soluçando nas trevas, entre as grades
Do calabouço olhando imensidades,
Mares, estrelas, tardes, natureza.
Tudo se veste de uma igual grandeza
Quando a alma entre grilhões as liberdades
Sonha e, sonhando, as imortalidades
Rasga no etéreo o Espaço da Pureza.
Ó almas presas, mudas e fechadas
Nas prisões colossais e abandonadas,
Da Dor no calabouço, atroz, funéreo!
Nesses silêncios solitários, graves,
que chaveiro do Céu possui as chaves
para abrir-vos as portas do Mistério?!

(CRUZ E SOUSA, J. Poesia completa. Florianópolis: Fundação Catarinense de Cultura /Fundação Banco do Brasil, 1993.)

Os elementos formais e temáticos relacionados com o contexto cultural do Simbolismo encontrados no poema Cárcere das almas, de Cruz e Sousa, são:

a) a opção pela abordagem, em linguagem simples e direta, de temas filosóficos.

b) a prevalência do lirismo amoroso e intimista em relação à temática nacionalista.

c) o refinamento estético da forma poética e o tratamento metafísico de temas universais.

d) a evidente preocupação do eu lírico com a realidade social expressa em imagens poéticas inovadoras.
e) a liberdade formal da estrutura poética que dispensa a rima e a métrica tradicionais em favor de temas do cotidiano.

 

2- (Udesc) – Leia atentamente os textos a seguir:

I. Quando será que tantas almas duras
Em tudo, já libertas, já lavadas
Nas águas imortais, iluminadas
Do sol do amor, hão de ficar bem puras?
Quando será que as límpidas frescuras
Dos claros rios de ondas estreladas
Dos céus do bem, hão de deixar clareadas
Almas vis, almas vãs, almas escuras?
(Cruz e Souza. POESIAS COMPLETAS. São Paulo, Ediouro, s/d, p.93.)

II. “Não acredito em bicho maligno mas besouro, não sei não. Olhe o que sucedeu com a Rosa… Dezoito anos. E não sabia que os tinha. Ninguém reparara nisso. Nem dona Carlotinha, nem dona Ana, entretanto já velhuscas e solteironas, ambas quarenta e muito. Rosa viera pra companhia delas aos sete anos quando lhe morreu a mãe. Morreu ou deu a filha que é a mesma coisa que morrer.”

(OS MELHORES CONTOS DE MARIO DE ANDRADE. São Paulo, Global, 1988, p.17.)

Em relação aos fragmentos apresentados, assinale com V as proposições verdadeiras e com F as falsas.
( ) Por suas características estilísticas, os versos de Cruz e Souza pertencem ao Simbolismo e o texto de Mário de Andrade, ao Modernismo.
( ) O Simbolismo brasileiro apresenta conteúdo carregado de mistério, misticismo, sonoridade e espiritualidade.
( ) No Simbolismo o lirismo é altamente objetivo, apresentando cunho político-social.
( ) Os textos do Modernismo apresentam, além de linguagem cotidiana e dinâmica, frases despojadas.

A alternativa que apresenta sequência CORRETA, de cima para baixo, é:

a) V, F, F, V
b) V, V, F, F
c) V, V, F, V
d) F, F, V, V
e) V, F, V, V

 

Gabarito

1- C

2- C

O texto foi escrito pela professora Analice, formada em Letras pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – Unesp. Atualmente é mestranda em Literatura na Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, professora de português na rede particular de ensino de Florianópolis e colaboradora do Blog do Enem. Facebook: http://www.facebook.com/analice.andrade