A genealogia de Nietzsche – Filosofia Enem

Você já ouviu falar em genealogia da moral? Por que Nietzsche propõe uma transvaloração dos valores? Vamos estudar para Filosofia Enem compreendendo a genealogia em Nietzsche?

Esta é a capa de uma das traduções do livro Genealogia da Moral, publicado em 1887. Neste livro, Nietzsche procurava detectar alguns pontos das origens dos valores morais. Ele ressalta a inversão sofrida por tais valores pelas influências que se prendem com força. Por isso, quase toda a obra girará em torno da questão do valor: o que é o bom?

pensador Nietzsche

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Nietzsche e o critério da vida – Filosofia Enem

A genealogia de Nietzsche consiste em fazer um estudo detalhado da morfologia das palavras bem e mau. Ele fez sua pesquisa nas línguas alemã (sua língua de origem) e latina.

Em seus estudos, ele descobre que palavra alemã schlecht (mau) é idêntica à schlicht (simples). Daí, ele chega ao schlichtsweg (simplesmente) e schlechterding (absolutamente), o que traz, desde suas origens, a função de designar o homem simples, plebeu. Isso revela que a classe dominante acabou associando a classe plebeia ao conceito daquilo que é mau – o oposto, a antítese da classe nobre. Por isso, os homens que se sentem e são privilegiados (classe nobre) é quem espelham o conceito de ‘bom’.

Já na língua latina, Nietzsche faz outra analogia com a palavra malus, relacionada com melas (negro) e usada para designar o homem plebeu, de cor morena e de cabelos pretos (hic niger est). O “bom”, o “nobre”, o “puro” é o de cabelos loiros. Isso faz oposição com o individuo de cabelos negros. Com isso, a conceituação ganha um caráter estritamente político.

Você já deve estar percebendo, portanto, que este resgate histórico feito por Nietzsche, o fez perceber que este conceito de bom e mau estão com uma interpretação ligada as classes dominantes da época. Nietzsche concluiu que as concepções morais são elaborada pelos homens, a partir dos seus interesses, isto é, são produtos histórico-culturais.

Mas, segundo Nietzsche quem é responsável pela propagação desses conceitos? As religiões cristãs e o judaísmo. Essa é a resposta dele. Mas como essas religiões fazem isso? Você sabe que toda religião tem um ser superior que é o criador de tudo e que tudo sabe e que em tudo está presente. Então, a vida também é um dom de Deus e segundo estas religiões, para agradá-Lo devemos viver segundo a vontade dele.

Por isso que a resposta a esta pergunta se fundamenta na vontade de Deus. Isto é. Com medo de perderem uma recompensa na vida posterior, o céu como é chamado, as pessoas acabam sendo submissas e esta “moral de rebanho”, termo usado por Nietzsche.

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Diante disso tudo o que Nietzsche propõe? Uma transvaloração dos valores, isto é, ultrapassar esta interpretação do bom e do mau, em outras palavras significa buscar novos modos de valoração por sob os quais se possam assentar um novo homem, que vá além do Homem.

Resumo

A genealogia de Nietzsche consiste num estudo feito por ele a respeito dos valores bom e mau. Neste estudo ele descobre que elas estão ligadas a divisão de classes, onde o bom está ligado à classe dominante e mau a classe plebeia. Por isso, ele propõe uma transvaloração desses valores, ou seja, não refutá-los, mas reinterpretá-los, já que os valores são frutos de um processo histórico.

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Referência

COTRIM, Gilberto; FERNANDES, Mirta. Fundamentos de Filosofia. 1 ed. – São Paulo: Saraiva: 2010.
Brasil Escola: http://meuartigo.brasilescola.uol.com.br/filosofia/a-genealogia-moral-nietzsche.htm Acessado em 26 de janeiro de 2017.

Chegou a sua vez. Resolva essas questões de vestibulares e prepare-se para o Enem!

1. (Ufsj 2013) Na filosofia de Friedrich Nietzsche, é fundamental entender a crítica que ele faz à metafísica. Nesse sentido, é CORRETO afirmar que essa crítica

a) tem o sentido, na tradição filosófica, de contentamento, plenitude.
b) é a inauguração de uma nova forma de pensar sem metafísica através do método genealógico.
c) é o discernimento proposto por Nietzsche para levar à supressão da tendência que o homem tem à individualidade radical.
d) pressupõe que nenhum homem, de posse de sua razão, tem como conceber uma metafísica qualquer, que não tenha recebido a chancela da observação.
e) a metafísica é válida, pois trata de Deus e da liberdade humana.

2. Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco – 2009 – Sobre a crítica de Nietzsche à moral, é correto afirmar que:

a) O cristianismo é a origem do conceito de bem em si e, por isso Nietzsche defere uma crítica mordaz a essa doutrina religiosa.
b) O projeto de Nietzsche de traçar uma genealogia da moral encontra eco em Foucault na arqueologia do saber. Nietzsche diferencia-se de Foucault por acreditar que é possível um fato moral.
c) Para Nietzsche, não existem fatos morais, mas interpretações sobre a moral, cuja estrutura se remete à essência do homem.
d) A transvaloração dos valores é um projeto de rompimento com a moral tradicional, cujo ponto central é a crítica a todos os valores ocidentais.
e) Ao contrário do cristianismo, a filosofia de Platão traz elementos importantes para a definição do conceito de bem e nela se pode vislumbrar a moral que Nietzsche procurava.

3. (Ueg 2011) No século XIX, o filósofo alemão Friedrich Nietzsche vislumbrou o advento do “super-homem” em reação ao que para ele era a crise cultural da época. Na década de 1930, foi criado nos Estados Unidos o Super-Homem, um dos mais conhecidos personagens das histórias em quadrinhos. A diferença entre os dois “super-homens” está no fato de Nietzsche defender que o super-homem

a) agiria de modo coerente com os valores pacifistas, repudiando o uso da força física e da violência na consecução de seus objetivos.
b) expressaria os princípios morais do protestantismo, em contraposição ao materialismo presente no herói dos quadrinhos.
c) abdicar-se-ia das regras morais vigentes, desprezando as noções de “bem”, “mal”, “certo” e “errado”, típicas do cristianismo.
d) representaria os valores políticos e morais alemães, e não o individualismo pequeno burguês norte-americano.

4. Nietzsche empreendeu uma Genealogia da moral, com a qual desejou mostrar que os valores da tradição judaico-cristã eram basicamente niilistas. No prólogo do livro, Nietzsche enuncia sua nova exigência, segundo a qual:

a) Será preciso descobrir a verdade dos valores morais.
b) O próprio valor dos valores morais deverá ser questionado.
c) A vontade de vingança deverá operar contra a metafísica.
d) Os fracos deverão ser protegidos da vontade dos fortes.
e) A vontade de saber deverá prevalecer sobre todas as outras.

5. (Ufsj 2012) Na perspectiva nietzscheana, o livre-arbítrio é um erro porque

a) ao declarar que os homens são livres, as forças coercitivas, como o poder da Igreja, agem com o claro intuito de castigá-los, julgá-los e declará-los culpados.
b) os homens, indignos como são, jamais alcançarão a dimensão da ideia implícita no livre-arbítrio.
c) o cristianismo, apesar de seus esforços candentes, não conseguiu tirar a culpa do ser humano.
d) a fatalidade impressa no ser humano está na sua historicidade, no seu livre-arbítrio, e por isso mesmo o Homem está condenado à culpa.

Respostas:

1: b; 2: d; 3: c; 4: b; 5: a

Post escrito por Gilson Luiz Corrêa. Gilson é bacharel em Filosofia pela UNISUL, possui Licenciatura em Filosofia pela UFSC e em Psicopedagogia pela FMP. É professor do Colégio Catarinense. Facebook: https://www.facebook.com/gilsonluiz.correa