Análise do Enem 2018: confira como foi o nível das questões em relação aos anos anteriores

Veja o que foi cobrado no primeiro dia do Exame Nacional do Ensino Médio e o que pode se esperar para o próximo domingo de provas

O time de professores do Blog do Enem e do Curso Enem Gratuito conferiu as questões do primeiro dia de provas do Exame Nacional do Ensino Médio de 2018 e avaliou a elaboração deste ano com relação aos anteriores.

Com base no que foi cobrado neste primeiro domingo, a previsão é que o candidato encontre nas provas de Ciências da natureza e suas tecnologias e Matemática e suas tecnologias, questões mais conteudistas. “Em ciências humanas as questões tiveram essa pegada mais conteudista, então espero que a prova do próximo domingo apresente um nível um pouco mais alto do que nos anos anteriores”, aposta a coordenadora pedagógica do Blog do Enem e do Curso Enem Gratuito e também professora de Biologia , Juliana Evelyn dos Santos.

Filosofia:

Segundo o professor de Filosofia, Leonardo Alves de Melo, a prova desse ano trouxe elementos históricos, em que o aluno deveria se apropriar em termos de contexto histórico, seja da Filosofia Antiga, seja da Moderna, da Medieval e também da Contemporânea.

“Apareceram questões falando sobre Epicuro, sobre a Filosofia política no período moderno, coisas que, pelo menos até o último Enem, não se tinha, que era a questão da Filosofia Medieval. Achei que foi uma grande novidade trazer elementos de Santo Agostinho de São Tomás de Aquino, da reflexão dos dois”, opina Melo que acrescenta “eu pensava, particularmente, que dentro do padrão dos últimos Exames, cairia Indústria Cultural, a questão da manipulação da mídia, que acabou sendo cobrada no aspecto da redação, mas também caiu Sociedade do Espetáculo. Então acho que, dentro do aspecto da Filosofia, era o esperado, com algumas ressalvas, seja da Filosofia Medieval, da reflexão de Agostinho e Tomás de Aquino, e também sobre o aspecto de não cair, por exemplo, indústria cultural, que vinha aparecendo sempre”.

Geografia:

Na visão do professor de Geografia, Raphael Carrieri, a prova foi mais voltada para aspectos físicos do que humanos, trabalhou com alguma coisa em relação à economia. “Caiu extrativismo, apicultura, mas tudo sempre voltado para a questão de análise de gráficos e de textos, sendo que esses elementos ajudaram bastante no processo de execução”.

Para Carrieri, a  prova não tinha nenhuma questão que possa ser considerada muito difícil, talvez de média, para fácil. “Então, é uma prova relativamente simples de fazer, porque grande parte do conteúdo é básico e vinha assessorado por textos bem bons para a interpretação. Para o aluno que está antenado em como tirar e interpretar as informações de gráficos e de textos, é uma prova bem fácil de ser feita”.

A Geografia foi cobrada de uma maneira bem isolada, não tendo a questão da interdisciplinaridade. “Repete o padrão de prova do ano passado, que já era um pouco desconectada em relação às outras provas e com alguns aspectos relacionados com a questão física e não com a humana. Foram dois anos seguidos de Enem com uma abordagem diferente da Geografia, uma abordagem mais física natural”, conclui o professor.

História:

O professor de História, Guilherme Silva, conta que a prova tinha questões bem específicas. “Essas perguntas eram difíceis que até mesmo, nós, professores, mas, de forma geral, apareceram muitas questões interpretativas, em que o texto auxiliava e que não precisava de um conhecimento prévio”.

Para Silva a prova de História estava transitando em três eixos: algumas questões mais difíceis (minoritárias), e uma divisão mais entre questões interpretativas, em que o texto era fundamental para se entender e responder mesmo sem conhecimento prévio, e outras em que era necessário ter o contexto histórico na cabeça, precisava saber exatamente a transição entre períodos ou características específicas que faziam paralelos com outros momentos da história.

“Filosofia e História dialogaram muito mais do que Geografia, que teve um momento muito mais independente”, avalia.

Português:

Para a professora de Português, Jéssica Forini, “essa foi uma prova mais cansativa do que difícil. Principalmente pela interpretação de texto que continha alternativas que não estavam completamente erradas, e esse “meio certo” acaba pegando o aluno”.

Na opinião da professora, essa é a pegadinha clássica do Enem: vencer o aluno pelo cansaço. “Senti falta de não ser abordada a questão das figuras de linguagem, que sempre costumava ser cobrada no Exame. Foram abordadas muito superficialmente as funções de linguagem, que também aparecem com frequência”.

Literatura:

O professor de Literatura, Renato Luis Castro, aponta que os poetas que caíram foram contemporâneos e modernos como Manoel de Barros, Torquato Neto, Graciliano Ramos e Guimarães Rosa. “As questões não trataram de uma escola literária específica, mas sim usadas como mote para uma questão interpretativa. Modernismo, como previsto, ocupou muitas questões, porém os textos contemporâneos também se fizeram presente. Classicismo não caiu na prova, ao contrário dos outros anos”.

Redação:

“Esse tema foi uma grande surpresa porque, além de abordar algo paralelo a uma questão que se apostava, no caso, as fake news, a proposta de redação trouxe uma questão que não era específica do Brasil”, analisou a professora de Redação, Daniela Garcia.

Espanhol:

Para a professora de Espanhol, Márcia Canto Teixeira, as questões foram no mesmo nível dos outros anos. “A prova não cobra gramática, somente questões de interpretação. Foi tudo dentro do esperado, nada muito difícil”. O destaque foi para duas questões com textos de nomes famosos da literatura espanhola: Eduardo Galeano e Gabriel Garcia Marquez.

Inglês:

Na opinião da professora de Inglês, Jéssica Forini, a prova desse ano foi generosa. “Isso porque ela não exigia a leitura do tópico frasal do texto, ou seja, você conseguia compreender perfeitamente a frase que vai resumir as ideias.  Então, se o candidato se atentasse às questões, por meio de palavras-chave, conseguia discernir bem o contexto”. Na prova apareceram textos de notícia, além de tirinha, que sempre costuma aparecer no Enem.

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Veja o Cronograma do Enem 2018

Inscrições: De 7 a 18 de maio;
Data das Provas: 4 e 11 de novembro (aos domingos);
Prova de Redação: Será no 1º dia;
Duração das Provas: 5h30min no 1º dia (Redação, Linguagens, e Humanas); e, 5h no 2º dia (Matemática e Ciências da Natureza);
Divulgação do Resultado: Janeiro de 2019;
Taxa de Inscrição: R$ 82,00
Pedido de isenção de taxa: 2 a 11/04
Resultado dos pedidos de isenção: 23 de abril
Divulgação do Local de Prova: Outubro
Provas e Gabarito Identificados: Candidatos receberão cadernos de prova e gabaritos com o nome impresso;
Site para fazer a inscrição do Enem 2018: Só na Página do Participante.

Martha Ramos

Post escrito por Martha Ramos. Jornalista formada na Universidade Estácio de Sá em Santa Catarina. Fez Pós-Graduação em Marketing e trabalha com produção de conteúdos para jornais, revistas, empresas e blogs. Face: https://www.facebook.com/martha.ramos.5203