Barroco em Portugal – Literatura Enem

Chegou a hora de você conhecer um pouco mais sobre o Barroco e detonar em Literatura no Vestibular e Enem. Capriche nessa leitura que te levará a entender, da melhor forma, a história e características do Barroco!

Literatura Enem: O Barroco é um termo que indica, genericamente, as várias manifestações artísticas que foram importantes e, dessa maneira, marcaram o século XVII e o começo do século XVIII.

Em Portugal, o Barroco iniciou-se em 1580, com a unificação da Península Ibérica, o que fez com que grande influência de origem espanhola repercutisse, em suas mais variadas formas. Por conta disso, “Escola Espanhola” também foi um nome dado ao Barroco lusitano, que se estenderá até 1756, ano em que se funda a Arcádia Lusitana. O movimento árcade ganhará força sustentado pela ideologia iluminista, dando fins aos valores defendidos pelo Barroco.

Uma das características mais significativas dessa época é o intento de unir valores medievais, revitalizados pela Contrarreforma, aos valores da cultura greco-latina, trazidos pelo movimento renascentista.

1
Crucifixão de São Pedro. (1600-02) Caravaggio (Fonte: wikipédia) Conflito Barroco na pintura: pode-se perceber o conflito através do tratamento dado ao tema. O jogo de claro e escuro, contraste das linhas que se opõem, a brutalidade e a inocência, o humano e o divino.

 

O homem retratado pelo barroco é um ser angustiado, dividido entre santos católicos e santos pagãos, entre a matéria e o espírito, o pecado e o perdão. Os textos literários refletem esses dois pontos, um tanto rebuscados, extravagantes, valorizando os detalhes, em um interrupto jogo de contrastes. Assim sendo, é nesse momento que entra o jogo de palavras e figuras de linguagem (metáfora, antítese, hipérbole, alegoria, inversões).

Há dois estilos que se nota no Barroco literário: o Cultismo, aquele que tem sua linguagem rebuscada, culta e extravagante, junto da valorização do pormenor através de um jogo de palavras, influenciado fortemente pelo poeta espanhol Luís de Góngora, e o Conceptismo, que fazia alusão ao uso de expressões indecisas, de conclusões paradoxais e frases ambíguas.

Nesse sentido, ao mesmo tempo em que o Barroco possuía um embasamento racional (renascentista), reproduzia, também, filosofias cristãs (medievais). Isso deu sob a influência por fatos que mudaram a concepção de mundo dos homens: a fundação Companhia de Jesus (1540), o Concílio de Trento (1545) e a Contrarreforma.

O maior nome da época é o do Padre Antônio Vieira, grande orador e epistológrafo português, que participa tanto da história da literatura portuguesa quanto da literatura brasileira. Seus sermões mais populares são:

 

Sermão da Sexágésima (1655): Ecce exiit qui seminat, seminare. Diz Cristo que “saiu o pregador evangélico a semear” a palavra divina. Bem parece este texto dos livros de Deus ão só faz menção do semear, mas também faz caso do sair: Exiit, porque no dia da messe hão-nos de medir a semeadura e hão-nos de contar os passos. (…) Entre os semeadores do Evangelho há uns que saem a semear, há outros que semeiam sem sair. Os que saem a semear são os que vão pregar à Índia, à China, ao Japão; os que semeiam sem sair, são os que se contentam com pregar na Pátria. Todos terão sua razão, mas tudo tem sua conta. Aos que têm a seara em casa, pagar-lhes-ão a semeadura; aos que vão buscar a seara tão longe, hão-lhes de medir a semeadura e hão-lhes de contar os passos. Ah Dia do Juízo! Ah pregadores! Os de cá, achar-vos-eis com mais paço; os de lá, com mais passos: Exiit seminare. (…) Ora, suposto que a conversão das almas por meio da pregação depende destes três concursos: de Deus, do pregador e do ouvinte, por qual deles devemos entender a falta? Por parte do ouvinte, ou por parte do pregador, ou por parte de Deus? (…)

 

Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda (1640): Se acaso for assim — o que vós não permitais — e está determinado em vosso secreto juízo, que entrem os hereges na Bahia, o que só vos represento humildemente, e muito deveras, é que, antes da execução da sentença, repareis bem, Senhor, no que vos pode suceder depois, e que o consulteis com vosso coração enquanto é tempo, porque melhor será arrepender agora, que quando o mal passado não tenha remédio. Bem estais na intenção e alusão com que digo isto, e na razão, fundada em vós mesmo, que tenho para o dizer. Também antes do dilúvio estáveis vós mui colérico e irado contra os homens, e por mais que Noé orava em todos aqueles cem anos, nunca houve remédio para que se aplacasse vossa ira. Romperam-se enfim as cataratas do céu, cresceu o mar até os cumes dos montes, alagou-se o mundo todo: já estaria satisfeita vossa justiça, senão quando ao terceiro dia começaram a boiar os corpos mortos, e a surgir e aparecer em multidão infinita aquelas figuras pálidas, e então se representou sobre as ondas a mais triste e funesta tragédia que nunca viram os anjos, que homens que a vissem, não os havia.

 

Agora, olha só, que legal o vídeo do professor Bira, do canal Aula De, no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=N6jXwPXGTeM

 

Vamos colocar todo esse conteúdo em prática? Não deixe de ler e responder, atentamente, algumas questões que separei pra você, estudante!

 

Exercícios

 

1 – (UFSM 2007) 

Leia o trecho a seguir.

Por isto são maus ouvintes os de entendimentos agudos. Mas os de vontades endurecidas ainda são piores, porque um entendimento agudo pode-se ferir pelos mesmos fios e vencer-se uma agudeza com outra maior; mas contra vontades endurecidas nenhuma coisa aproveita a agudeza, antes dana mais, porque quando as setas são mais agudas, tanto mais facilmente se despontam na pedra. Oh! Deus nos livre de vontades endurecidas, que ainda são piores que as pedras.

(Sermão da Sexagésima, de Pe. Antônio Vieira.)

Pelo trecho reproduzido, pode-se concluir que o Sermão da Sexagésima trata da

 

a) problemática da pregação religiosa, considerando as figuras dos pregadores e dos fiéis.

b) necessidade do engajamento dos fiéis nas batalhas contra os holandeses.

c) perseguição sofrida pelo pregador em função do apoio que emprestava a índios e negros.

d) exortação que o pregador fazia em favor de seu projeto de criar a Campanha das Índias Ocidentais.

e) condenação aos governantes locais que desobedeciam aos princípios do mercantilismo seiscentista.

 

2 – (UFPB-PSS) “Os senhores poucos, os escravos muitos; os senhores rompendo galas, os escravos despidos e nus; os senhores banqueteando, os escravos perecendo à fome; os senhores nadando em ouro e prata, os escravos carregados de ferros; os senhores tratando-os como brutos, os escravos adorando-os e temendo-os como deuses; os senhores em pé apontando para o açoite, como estátuas da soberba e da tirania, os escravos prostrados com as mãos atadas atrás como imagens vilíssimas da servidão e espetáculos da extrema miséria.” (VIEIRA, Pe. Antônio. Sermão vigésimo sétimo. In: AMORA, Antônio Soares, org. Sermões, 2. ed. São Paulo: Cultrix, 1981, p. 58.)

 

No texto, verificam-se os seguintes traços do barroco:

 

I – A presença de um grande número de antíteses.

II – A predominância dos aspectos denotativos da linguagem.

III – A utilização do recurso da hipérbole para melhor traduzir o sofrimento dos escravos.

IV – O envolvimento político do jesuíta.

 

Estão corretas apenas as afirmativas:

 

a) I e II.

b) III e IV.

c) II e III.

d) I e IV.

e) I e III.

 

Gabarito

 

1 – A

2 – D

Analice Literatura
O texto foi escrito pela professora Analice, formada em Letras pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – Unesp. Atualmente é mestranda em Literatura na Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, professora de português na rede particular e colaboradora do Blog do Enem. Facebook.