Competência 3 da redação: veja como gabaritar no desenvolvimento

Confira agora a análise de uma redação nota 1000, e veja como a autora conquistou os 200 pontos na correção da coesão do texto e consistência dos argumentos utilizados.

E quem não quer a nota máxima no texto dissertativo-argumentativo? É claro que esta é a sua meta.  Acompanha a análise da professora Daniela Garcia, do Curso Enem Gratuito, e veja como a autora Isabella conseguiu os 200 pontos da Competência 3 da redação.

Confira, só pra lembrar, veja quais são as cinco competências cobradas na correção: 1 Uso correto do Português; 2 Compreender e Desenvolver o Tema; 3 Argumentar em defesa do seu Ponto de Vista; 4 – Capacidade de argumentação; 5 – Criar a Proposta de Intervenção. Cada uma vale 200 pontos.

Na aula de hoje veja o destaque da Competência 3 da redação da participante Isabella Gadelha, que conquistou todos os pontos, e gabaritou com a nota 1000 no texto dissertativo-argumentativo.

Como gabaritar a Competência 3 da Redação

Veja, na prática, quais foram os elementos desse texto que fizeram a diferença na análise dos parágrafos de Desenvolvimento. A autora utilizou dois parágrafos de maneira inteligente na argumentação. No total, fez a redação nota mil em quatro parágrafos, e convenceu na execução do projeto já indicado na introdução, e materializado na escrita e defesa dos argumentos para dominar a Competência 3 da redação.

Antesa de ler o texto, confira no resumo com a professora Daniela Garcia, do canal do Curso Enem Gratuito, os requisitos da Competência 3.

Dica básica da professora Daniela:

  1. Para conquistar os 200 pontos da Competência 3 da redação os avaliadores observam se o projeto do texto foi executado corretamente.
  2. A coesão aparece quando todos os parágrafos estão relacionados.
  3. A forma mais tranquila para você fazer isto é deixar bem claro o Projeto do Texto já na introdução, indicando os elementos que você vai trabalhar no desenvolvimento.
  4. Se você tem dois pontos para argumentar, indique já na introdução (mas sem avançar na argumentação!).

 

A introdução da Redação nota 1000 da isabella

Observe como ela já fez a antecipação dos tópicos que iria trabalhar depois no desenvolvimento:

Nise da Silveira foi uma renomada psiquiatra brasileira que, indo contra a comunidade médica tradicional da sua época, lutou a favor de um tratamento humanizado para pessoas com transtornos psicológicos. No contexto nacional atual, indivíduos com patologias mentais ainda sofrem com diversos estigmas criados. Isso ocorre, pois faltam informações corretas sobre o assunto e, também, existe uma carência de representatividade desse grupo nas mídias.

A Análise da professora Daniela

Olha só como a indicação do Projeto do Texto apareceu direitinho na introdução. Ela falou do contexto nacional com a falta de informações a respeito do tema, e também falou da falta de representatividade destes personagens na mídia. Estes tópicos serão convredizados depois nos parágrafos do Desenvolvimento. A autora antecipou da metade da introdução para baixo dois problemas básicos.

Veja agora os parágrafos do Desenvolvimento, da Competência 3

Primariamente, vale ressaltar que a ignorância é uma das principais causas da criação de preconceitos contra portadores de doenças psiquiátricas. Sob essa ótica, o pintor holandês Vincent Van Gogh foi alvo de agressões físicas e psicológicas por sofrer de transtornos neurológicos e não possuir o tratamento adequado. O ocorrido com o artista pode ser presenciado no corpo social brasileiro, visto que, apesar de uma parcela significativa da população lidar com alguma patologia mental, ainda são propagadas informações incorretas sobre o tema. Esse processo fortalece a ideia de que integrantes não são capazes de conviver em sociedade, reforçando estigmas antigos e criando novos. Dessa forma, a ignorância contribui para a estigmatização desses indivíduos e prejudica o coletivo.

Ademais, a carência de representatividade nos veículos midiáticos fomenta o preconceito contra pessoas com distúrbios psicológicos. Nesse sentido, a série de televisão da emissora HBO, “Euphoria”, mostra as dificuldades de conviver com Transtorno Afetivo Bipolar (TAB), ilustrado pela protagonista Rue, que possui a doença. A série é um exemplo de representação desse grupo, nas artes, falando sobre a doença de maneira responsável. Contudo, ainda é pouca a representatividade desses indivíduos em livros, filmes e séries, que quando possuem um papel, muitas vezes, são personagens secundários e não há um aprofundamento de sua história. Desse modo, esse processo agrava os estereótipos contra essas pessoas e afeta sua autoestima, pois eles não se sentem representados.

A análise da professora Daniela

Observe no início do primeiro desenvolvimento como a autora Isabella utiliza de maneira estratégica a expressão “Primeiramente” para chamar a atenção dos avaliadores. Ela destacou e cumpriu o que estava prometido na introdução, abordando a falta de informação e a ignorância a respeito do problema do preconceito. Ponto para a autora.

Na segunda parte do desenvolvimento ela começa com “Ademais, a carência de representatividade…” E ainda complementa discorrendo justamente sobre o que ela tinha antecipado lá na introdução.

Coesão e Coerência na Competência 3 da Redação do Enem

Ao ler os dois parágrafos do Desenvolvimento você percebe que existe uma linha condutora entre eles, e que vem desde a Introdução. Com isso a autora mostra que o texto foi planejado. Esta consistência que foi demonstrada pela Isabella é cobrada na correção. E vale pontos na competência 3 da redação.

Clareza nas ideias do desenvolvimento

Outro destaque positivo é o repertório que a autora mostrou o desenvolvimento das ideias. Por exemplo, no primeiro desenvolvimento, logo depois ali de falar do artista Van Gogh, ela faz a relação com o que pode ocorrer no povo brasileiro, em função da falta de informações e do estigma do preconceito.

Veja que ela não simplesmente colocou o caso do artista Van Gogh ali como uma mera citação de exemplo de preconceito. Ela foi mais fundo, e mostrou as consequências da falta de informações e do preconceito.

Esclarecimento acerta das citações

No segundo parágrafo do desenvolvimento fica até mais claro este posicionamento da autora. Ela cita uma série de televisão, e parte do pressuposto de que o leitor não é obrigado a conhecer a trama. Por isso ela apresenta os personagens e a temática envolvida, sempre relacionando com os objetivos da argumentação.

Ela complementa a fase de desenvolvimento demonstrando repertório cultural pertinente, inclusive na literatura, ao evidenciar sobre a recorrência de personagens secundários quando estes apresentam problemas relacionados à temática. Ou seja, ela reforça o argumento da falta de representatividade.

Ela mandou muito bem, e mereceu os 200 pontos da Competência 3 da redação. Confira as análises da professora daniela Garcia sobres as Competências 1; 2, e 4 no texto da Isabella Gadelha

Veja agora o texto completo da redação nota 1000

Isabella Gadelha – Enem 2020

Nise da Silveira foi uma renomada psiquiatra brasileira que, indo contra a comunidade médica tradicional da sua época, lutou a favor de um tratamento humanizado para pessoas com transtornos psicológicos. No contexto nacional atual, indivíduos com patologias mentais ainda sofrem com diversos estigmas criados. Isso ocorre, pois faltam informações corretas sobre o assunto e, também, existe uma carência de representatividade desse grupo nas mídias.

Primariamente, vale ressaltar que a ignorância é uma das principais causas da criação de preconceitos contra portadores de doenças psiquiátricas. Sob essa ótica, o pintor holandês Vincent Van Gogh foi alvo de agressões físicas e psicológicas por sofrer de transtornos neurológicos e não possuir o tratamento adequado. O ocorrido com o artista pode ser presenciado no corpo social brasileiro, visto que, apesar de uma parcela significativa da população lidar com alguma patologia mental, ainda são propagadas informações incorretas sobre o tema. Esse processo fortalece a ideia de que integrantes não são capazes de conviver em sociedade, reforçando estigmas antigos e criando novos. Dessa forma, a ignorância contribui para a estigmatização desses indivíduos e prejudica o coletivo.

Ademais, a carência de representatividade nos veículos midiáticos fomenta o preconceito contra pessoas com distúrbios psicológicos. Nesse sentido, a série de televisão da emissora HBO, “Euphoria”, mostra as dificuldades de conviver com Transtorno Afetivo Bipolar (TAB), ilustrado pela protagonista Rue, que possui a doença. A série é um exemplo de representação desse grupo, nas artes, falando sobre a doença de maneira responsável. Contudo, ainda é pouca a representatividade desses indivíduos em livros, filmes e séries, que quando possuem um papel, muitas vezes, são personagens secundários e não há um aprofundamento de sua história. Desse modo, esse processo agrava os estereótipos contra essas pessoas e afeta sua autoestima, pois eles não se sentem representados.

Portanto, faz-se imprescindível que a mídia – instrumento de ampla abrangência – informe a sociedade a respeito dessas doenças e sobre como conviver com pessoas portadoras, por meio de comerciais periódicos nas redes sociais e debates televisivos, a fim de formar cidadãos informados. Paralelamente, o Estado – principal promotor da harmonia social – deve promover a representatividade de pessoas com transtornos mentais nas artes, por intermédio de incentivos monetários para produzir obras sobre o tema, com o fato de amenizar o problema. Assim, o corpo civil será mais educado e os estigmas contra indivíduos com patologias mentais não serão uma realidade do Brasil. (Fonte)

Veja a competência 3 da redação do Enem