Veja como utilizar a Denotação e a Conotação na Redação do Enem

Na aula de hoje você vai tirar suas dúvidas sobre denotação e conotação e perder o medo do texto dissertativo-argumentativo que o Enem exige. Vale para Redação e para as questões objetivas também.

A produção textual exigida no Enem, o texto dissertativo-argumentivo, causa ‘dor de cabeça’ ao escrever. Por que isso? Isso tem a ver com o nosso conhecimento de mundo e as relações sociais.

A produção textual está muito ligada às vivências na escola, com amigos, com o que aprendemos em outras disciplinas e como associamos os contextos nos quais vivemos: sociais, culturais, tecnológicos, dentre outros. Na formulação de um ponto vista, e muitas vezes, o candidato tem dificuldade em saber relacionar esses pontos para uma boa produção textual.litPara escrever o texto exigido pelo exame, na modalidade escrita formal, o estudante deve compreender as formas de uso da língua portuguesa. Lembrar que existem variações nas formas de falar e escrever, e sendo assim, pode fazer bom uso dessas estratégias linguísticas para escrever, exemplo disso é a conotação e a denotação.

Hoje, vou mostrar pra vocês como o Enem discute o uso do sentido figurado (conotação) para construção de um bom texto, como também trata da denotação (sentido real da palavra ou frase) e da conotatividade nas questões de múltipla escolha.

Antes de exemplificar conotação e denotação, é importante lembrar que nenhum falante é unilíngue, ou seja, não possui uma única forma de expressar a língua portuguesa, no sentido de dominar apenas uma variedade da língua. Veja uma coleção de exemplos neste Simulado com dez exercícios sobre Denotação e Conotação:Simulado sobre Conotação e Denotação Em sua vida social e cultural, cada indivíduo participa de várias comunidades, delas constrói um conjunto de regras e discursos,  tanto na fala (gírias, variantes linguísticas regionais, etc) quanto na escrita (produção de textos acadêmicos, cartas convencionais, mensagens em redes sociais, uso textual na publicidade, redações oficiais, etc).

Conotação e Denotação

O que é conotação: A conotação é o avesso da denotação, pois trata do sentido figurado, simbólico das palavras, não literal. O uso que se faz das palavras trazendo novos sentidos, encontramos esses exemplos no texto literário, mas na redação do Enem não se deve escrever texto poético, e sim, dissertativo-argumentativo. Fique ligado! Exemplo de conotação: Há dias que amanhecem noite (noite no sentido de tristeza, sombrio).

A denotação será aquela que trata do significado básico e objetivo de uma palavra; uma palavra com sentido denotativo está no seu sentido literal, primário, real. Ex.: Gosto de estudar à noite (noite sentido de período noturno).

A essa altura você deve estar pensando: como vou usar uma linguagem figurada em uma produção de seleção de vestibular? E se eu for penalizado?

O que mais pesa na redação do Enem na competência I são as questões gramaticais, de convenções da escrita e de escolha de registro, nas outras competências o que vai pesar são as questões de coesão textual, a escolha do tipo textual que deve ser dissertativo-argumentativo (não em forma de poemas, narrações) e a esquematização de estratégias de argumentação, como fazer uso delas e solucionar problemas. O uso da conotação no texto redacional vai surgir nessa última parte exigida nas competências: como  estratégia argumentativa.

Na produção textual como usar esses mecanismos?

O candidato pode fazer uso da conotatividade para explicitar sua opinião e levantar uma crítica mais direta ao seu ponto de vista. Usar palavras com sentidos variados como sinônimas; também produzir o texto com figuras de linguagem como metáfora, comparação, metonímia, hipérbole, antítese, paradoxo, ironia, personificação e perífrase, que podem proporcionar a uma mesma palavra diferentes sentidos, dependendo do lugar de fala.

Por exemplo: Quando a redação do Enem tratou sobre o tema publicidade infantil ou sobre a persistência da violência contra as mulheres, o candidato poderia usar a metáfora com o propósito de reforçar o tamanho e/ou quantidade do tema ser prejudicial para o público em questão. Fazer comparações; usar-se da antítese para elencar dois pontos de vistas divergentes. São variadas formas de usar a linguagem figurada, conotativa, como artifício de persuasão textual.

Isso quer dizer que o falante, ao produzir seu escrito, vai considerar o seu interlocutor, o ambiente em que se encontra, o assunto de que trata e a intenção do ato de linguagem (persuadir, pedir, ordenar, informar etc.), e escolher palavras adequadas para aquele contexto e explicitá-las.

Algumas figuras de linguagem que podem ser usadas na Redação

Obs: Vale lembrar que a linguagem conotativa pode ser um bom mecanismo persuasivo na redação, mas é primordial que o candidato preze pelo uso correto da ortografia, do tipo textual e que o texto respeite os direitos humanos.

Antítese – consiste na aproximação de termos contrários, de palavras que se opõem pelo sentido. Ex.: Os jardins têm vida e morte;

Ironia – é a figura que apresenta um termo em sentido oposto ao usual, obtendo-se, com isso, efeito crítico ou humorístico. Ex.: “Confesso que Marianinha foi para mim um daqueles amores únicos, dos quais não temos mais que cinco ou seis em toda a vida…” (José Roberto Torero).

Eufemismo – consiste em substituir uma expressão por outra menos brusca; em síntese, procura-se suavizar alguma afirmação desagradável. Ex.: Vossa Excelência está faltando com a verdade, uma vez que ficou comprovado que na sua gestão houve desvio de dinheiro público. (Verdade em vez de mentira, desvio de dinheiro em vez de roubo/furto).

Metáfora – consiste em empregar um termo com significado diferente do habitual, com base numa relação de similaridade entre o sentido próprio e o figurado. Ex.: É preciso neutralizar essas mazelas que o sistema capitalista impõe a sociedade. (Conota uma lesão no sentido figurado sobre a situação capitalista).

Nas questões do Enem discute como são trabalhadas a conotação e a denotação?

Nas questões de múltipla escolha, a denotação e a conotação são questionadas para fazer com que o candidato compreenda a intertextualidade e usos da linguagem. Saiba perceber as formações e usos das palavras em diferentes contextos comunicacionais, para perceber e avaliar a  harmonia de sentido na escolha de uma palavra para contextualizar uma atividade de fala.

E, como havia falado anteriormente, fazer com que o candidato leve em consideração a pessoa com quem fala (considerando a profissão, idade, sexo, posição social, origem geográfica, etc) e o ambiente onde se encontra (um concerto de música clássica, estádio de futebol, cada de amigos ou de desconhecidos, etc). É uma estratégia do exame para fazer com que o estudante/candidato compreenda as vivências da fala e da escrita na sociedade brasileira.

Sucesso e bons estudos!

Vamos praticar?

1 – (Fuvest) O filme Cazuza – O tempo não para me deixou numa espécie de felicidade pensativa. Tento explicar por quê. Cazuza mordeu a vida com todos os dentes. A doença e a morte parecem ter-se vingado de sua paixão exagerada de viver. É impossível sair da sala de cinema sem se perguntar mais uma vez: o que vale mais, a preservação de nossas forças, que garantiria uma vida mais longa, ou a livre procura da máxima intensidade e variedade de experiências? Digo que a pergunta se apresenta “mais uma vez” porque a questão é hoje trivial e, ao mesmo tempo, persecutória. (…) Obedecemos a uma proliferação de regras que são ditadas pelos progressos da prevenção. Ninguém imagina que comer, fumar, tomar pinga, transar sem camisinha e combinar, sei lá, nitratos com Viagra seja uma boa ideia. De fato não é. À primeira vista, parece lógico que concordemos sem hesitação sobre o seguinte: não há ou não deveria haver prazeres que valham um risco de vida ou, simplesmente, que valham o risco de encurtar a vida. De que adiantaria um prazer que, por assim dizer, cortasse o galho sobre o qual estou sentado? Os jovens têm uma razão básica para desconfiar de uma moral prudente e um pouco avara que sugere que escolhamos sempre os tempos suplementares. É que a morte lhes parece distante, uma coisa com a qual a gente se preocupará mais tarde, muito mais tarde. Mas sua vontade de caminhar na corda bamba e sem rede não é apenas a inconsciência de quem pode esquecer que “o tempo não para”. É também (e talvez sobretudo) um questionamento que nos desafia: para disciplinar a experiência, será que temos outras razões que não sejam só a decisão de durar um pouco mais? (Contardo Calligaris, Folha de S. Paulo)

Considere as seguintes afirmações:

I. Os trechos “mordeu a vida com todos os dentes” e “caminhar na corda bamba e sem rede” podem ser compreendidos tanto no sentido figurado quanto no sentido literal.

II. Na frase “De que adiantaria um prazer que (…) cortasse o galho sobre o qual estou sentado”, o sentido da expressão sublinhada corresponde ao de “se está sentado”.

III. Em “mais uma vez”, no início do terceiro parágrafo, o autor empregou aspas para indicar a precisa retomada de uma expressão do texto.

Está correto o que se afirma em:

a) I, somente

b) I e II, somente

c) II, somente

d) II e III, somente

e) I, II e III

2 – (ENEM-2002) Comer com as mãos era um hábito comum na Europa, no século XVI. A técnica empregada pelo índio no Brasil e por um português de Portugal era, aliás, a mesma: apanhavam o alimento com três dedos da mão direita (polegar, indicador e médio) e atiravam-no para dentro da boca.

Um viajante europeu de nome Freireyss, de passagem pelo Rio de Janeiro, já no século XIX, conta como “nas casas das roças despejam-se simplesmente alguns pratos de farinha sobre a mesa ou num balainho, donde cada um se serve com os dedos, arremessando, com um movimento rápido, a farinha na boca, sem que a mínima parcela caia para fora”. Outros viajantes oitocentistas, como John Luccock, Carl Seidler, Tollenare e Maria Graham descrevem esse hábito em todo o Brasil e entre todas as classes sociais. Mas para Saint-Hilaire, os brasileiros“lançam a [farinha de mandioca] à boca com uma destreza adquirida, na origem, dos indígenas, e que ao europeu muito custa imitar”.

Aluísio de Azevedo, em seu romance Girândola de amores (1882), descreve com realismo os hábitos de uma senhora abastada que só saboreava a moqueca de peixe “sem talher, à mão”.

Dentre as palavras listadas abaixo, assinale a que traduz o elemento comum às descrições das práticas alimentares dos brasileiros feitas pelos diferentes autores do século XIX citados no texto.

a) Regionalismo (caráter da literatura que se baseia em

costumes e tradições regionais).

b) Intolerância (não-admissão de opiniões diversas das

suas em questões sociais, políticas ou religiosas).

c) Exotismo (caráter ou qualidade daquilo que não é

indígena; estrangeiro; excêntrico, extravagante).

d) Racismo (doutrina que sustenta a superioridade de

certas raças sobre outras).

e) Sincretismo (fusão de elementos culturais diversos, ou

de culturas distintas ou de diferentes sistemas sociais).

3 – (ENEM-2005) O termo (ou expressão) destacado que está empregado em seu sentido próprio, denotativo ocorre em

a) “(….) É de laço e de nó

De gibeira o jiló

Dessa vida, cumprida a sol (….)”

(Renato Teixeira. Romaria. Kuarup Discos. setembro de

1992.)

b) “Protegendo os inocentes

é que Deus, sábio demais,

põe cenários diferentes

nas impressões digitais.”

(Maria N. S. Carvalho. Evangelho da Trova. /s.n.b.)

c) “O dicionário-padrão da língua e os dicionários unilíngües são os tipos mais comuns de

dicionários. Em nossos dias, eles se tornaram um objeto de consumo obrigatório para as nações civilizadas e desenvolvidas.”

(Maria T. Camargo Biderman. O dicionário-padrão da língua. Alfa (28), 2743, 1974 Supl.)

d) 2

e) “Humorismo é a arte de fazer cócegas

no raciocínio dos outros. Há duas

espécies de humorismo: o trágico e o

cômico. O trágico é o que não

consegue fazer rir; o cômico é o que é

verdadeiramente trágico para se fazer.”

(Leon Eliachar. www.mercadolivre.com.br

<http://www.mercadolivre.com.br>. acessado em julho de

2005.)

3 – (Enem 2003)

3

O uso do sentido conotativo é comumente encontrado na linguagem literária, incluindo os gêneros histórias em quadrinhos e tirinhas

O uso do sentido conotativo é comumente encontrado na linguagem literária, incluindo os gêneros histórias em quadrinhos e tirinhas

O humor presente na tirinha decorre principalmente do fato de a personagem Mafalda

a) atribuir, no primeiro quadrinho, poder ilimitado ao dedo indicador.

b) considerar seu dedo indicador tão importante quanto o dos patrões.

c) atribuir, no primeiro e no último quadrinhos, um mesmo sentido ao vocábulo “indicador”.

d) usar corretamente a expressão “indicador de desemprego”, mesmo sendo criança.

e) atribuir, no último quadrinho, fama exagerada ao dedo indicador dos patrões.

4 –  (Enem Cancelado-2009) Texto l

No meio do caminho tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

tinha uma pedra

no meio do caminho tinha uma pedra

[…]

ANDRADE, C. D. Reunião Rio de Janeiro: José Olympio,

1971 (fragmento).

 

Texto II

As lavadeiras de Mossoró, cada uma tem sua pedra no rio:

cada pedra é herança de família, passando de mãe a filha,

de filha a neta, como vão passando as águas no tempo […].

Alavadei rã e a pedra formam um ente especial, que se

divide e se reúne ao sabor do trabalho. Se a mulher entoa

uma canção, percebe-se que nova pedra a acompanha em

surdina… […]

ANDRADE, C. D. Contos sem propósito. Rio de Janeiro:

Jornal do Brasil, Caderno B, 17/7/1979 (fragmento).

Com base na leitura dos textos, é possível estabelecer uma relação entre forma e conteúdo da palavra “pedra”, por meio da qual se observa

a) o emprego, em ambos os textos, do sentido conotativo da palavra “pedra”.

b) a identidade de significação, já que nos dois textos, “pedra” significa empecilho.

c) a personificação de “pedra” que, em ambos os textos, adquire características animadas.

d) o predomínio, no primeiro texto, do sentido denotativo de “pedra” como matéria mineral sólida e dura.

e) a utilização, no segundo texto, do significado de “pedra” como dificuldade materializada por um objeto.

5 – (ENEM-2001) Nas conversas diárias, utiliza-se freqüentemente a palavra “próprio” e ela se ajusta a várias situações. Leia os exemplos de diálogos:

I – A Vera se veste diferente!

– É mesmo, é que ela tem um estilo próprio.

II – A Lena já viu esse filme uma dezena de vezes! Eu

não consigo ver o que ele tem de tão maravilhoso assim.

– É que ele é próprio para adolescente.

III – Dora, o que eu faço? Ando tão preocupada com

o Fabinho! Meu filho está impossível!

– Relaxa, Tânia! É próprio da idade. Com o tempo, ele se

acomoda.

Nas ocorrências I, II e III, “próprio” é sinônimo de, respectivamente,

a) adequado, particular, típico.

b) peculiar, adequado, característico.

c) conveniente, adequado, particular.

d) adequado, exclusivo, conveniente.

e) peculiar, exclusivo, característico.

6 – (ENEM – 2009) – Metáfora Gilberto Gil

Uma lata existe para conter algo

Mas quando o poeta diz: “Lata”

Pode estar querendo dizer o incontível

 

Uma meta existe para ser um alvo

Mas quando o poeta diz: “Meta”

Pode estar querendo dizer o inatingível

 

Por isso, não se meta a exigir do poeta

Que determine o conteúdo em sua lata

Na lata do poeta tudonada cabe

Pois ao poeta cabe fazer

Com que na lata venha caber

O incabível

 

Deixe a meta do poeta, não discuta

Deixe a sua meta fora da disputa

Meta dentro e fora, lata absoluta

Deixe-a simplesmente metáfora Disponível em: http://www.letras.terra.com.br. Acesso em: 5 fev. 2009.

 

A metáfora é a figura de linguagem identificada pela comparação subjetiva, pela semelhança ou analogia entre elementos. O texto de Gilberto Gil brinca com a linguagem remetendo-nos a essa conhecida figura. O trecho em que se identifica a metáfora é:

(A) “Uma lata existe para conter algo”.

(B) “Mas quando o poeta diz: ‘Lata’”.

(C) “Uma meta existe para ser um alvo”.

(D) “Por isso não se meta a exigir do poeta”.

(E) “Que determine o conteúdo em sua lata”

 

Gabarito:

1 – Alternativa D. “mordeu a vida com todos os dentes” não pode ser compreendido no sentido literal, uma vez que não é possível morder a vida.

2 –  Alternativa “c”. A expressão “dicionário-padrão” foi empregada no sentido denotativo, ou seja, em seu sentido próprio. Observe que todos os textos, exceto o texto da alternativa c, são exemplos de textos literários, nos quais o emprego da conotação é mais frequente.

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3- Alternativa C. Mafalda, apesar de ser uma criança, já percebe as injustas relações de trabalho entre patrões e operários e faz uma analogia interessante entre o uso do dedo indicador, que metaforicamente é símbolo de autoritarismo, e um elemento da análise da situação econômica de um país, o indicador de desemprego. Ela atribuiu um mesmo sentido ao vocábulo “indicador”, embora ele possa ser empregado com diferentes significações de acordo com o contexto da interação comunicacional.

4- Alternativa A. O sentido conotativo abrange um conjunto de alterações ou ampliações que uma palavra agrega ao seu sentido literal (denotativo) por meio de associações linguísticas de diversos tipos (estilísticas, fonéticas, semânticas, etc.). No texto I, a palavra pedra significa “empecilho”, ao passo que no texto II ela adquire características animadas que a personificam.

5 – Alternativa B.

6 – Alternativa E. A metáfora, tal como se afirma no conceito apresentado na raiz da questão, é uma figura de linguagem que consiste em empregar uma palavra fora do seu sentido literal (denotativo), demonstrando semelhança ou analogia entre elementos. A comparação, nesse caso, é mental e subjetiva, tal como no poema de Gilberto Gil. Com exceção da alternativa correta, todas as demais empregam as palavras em seu sentido literal.

Os textos e exemplos acima foram preparados pela professora Su, com base em manuais gramaticais. A professora é Licenciada Plena em Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Pará (UFPA).