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Processos de Formação das Palavras – Gramática Enem

Lembra o que são Derivações Prefixal, Parassintética e Regressiva? Revise nesta aula sobre Processos de Formação das Palavras para a prova de Gramática Enem

Processos de Formação das Palavras

Primitiva? Derivada? Simples? Composta? Você já ouviu isso?

Para darmos início ao estudo dos processos de formação das palavras, cabe esclarecer alguns conceitos sobre palavras primitiva, derivada, simples e composta.

Palavra primitiva é aquela que origina uma nova.

Palavra derivada é aquela que nasce com base em uma primitiva.

Palavra simples é aquela que apresenta um único radical, o qual poderá ser primitivo ou derivado.

Palavra composta é aquela que apresenta dois ou mais radicais.

Processos de formação das palavras

Se enumerássemos quantas novas palavras criamos e importamos nos últimos anos, talvez pudéssemos preencher algumas folhas de papel. Alguns neologismos (novas palavras) são criados por necessidades do momento e incorporam-se à nossa língua, como “apagão”, “pistolão” (proteção) e “mensalão”.

Já os empréstimos ou estrangeirismos justificam-se quando não temos em nossa língua uma palavra correspondente, por exemplo, cartum (cartoon), joystick, hacker. Entretanto, algumas são pura moda, mais notada nos setores da informática, do comércio, dos negócios. Eles podem perfeitamente serem substituídos por palavras portuguesas, são os casos workshop (oficina), teen (adolescente) quiz (advinhas), delivery (entrega).

Dica 1 – Revise sobre Radical, Vogal Temática, Tema e Desinências em mais esta aula de Gramática Enem. Estude conosco para o Exame Nacional do Ensino Médio! – https://blogdoenem.com.br/estrutura-das-palavras-verbais-e-mistas-gramatica-enem/

Nosso estudo será direcionado aos processos de formação das palavras. Investigaremos as maneiras mais comuns para construção de vocábulo.

A língua portuguesa possui dois tipos de processos básicos para a formação de palavras: a derivação e a composição.

A palavra pelada constitui-se de apenas um radical (pel-), que tem sua origem em pela (palavra primitiva) e significa bola, esfera. A esse radical acrescentamos o sufixo –ada. Quando juntamos à palavra primitiva sufixos ou prefixos, temos a derivação.

Nunca haverá derivação com palavras que apresentem mais do que um radical. Esse fato configura-se na palavra hexacampeão, o qual se formou a partir de dois radicais hexa + campeão. Nessa situação, temos a composição, que forma palavras por meio da junção de dois ou mais radicais.

Além desses processos, temos muitos outros que passaremos a analisar individualmente alguns casos de formação das palavras.

Derivação

A derivação é o processo pelo qual formamos novas palavras a partir de uma primitiva, pode ser realizado pelo acréscimo de afixos, pela troca de classe gramatical ou, ainda, pela supressão de fonemas. Classifica-se em derivação prefixal, sufixal, parassintética, regressiva e imprópria.

Derivação prefixal

Quando acrescentamos à palavra primitiva um prefixo, temos a derivação prefixal, como podemos constatar em compor, reanimar, superdotado, infeliz e inútil.

Derivação sufixal

Quando acrescentamos à palavra primitiva um sufixo, temos a derivação sufixal, como podemos constatar em tolice, estomatite, cabeleira, crueldade e bananal.

Derivação parassintética

Quando acrescentamos, simultaneamente, um prefixo e um sufixo à palavra primitiva, temos a derivação parassintética, como podemos constatar em ajoelhar, amanhecer, enraizar, engordar e entristecer.

Atenção: Ao formamos a palavra imoralidade, usamos também o prefixo -i e o sufixo -dade, entretanto o uso deles não é obrigatoriamente simultâneo, porque podemos dizer imoral e moralidade, ou melhor, a palavra pode ser decomposta gradativamente: imoralidade vem de moralidade que vem de moral. Ao contrário da palavra empobrecer que não vem de pobrecer.

Derivação prefixal e sufixal

Quando acrescentamos à palavra primitiva um prefixo e um sufixo não-simultâneos, temos a derivação prefixal e sufixal, como podemos constatar em infelizmente e revendedor.

Derivação regressiva

Quando subtraímos uma parte da palavra primitiva a fim de obter por meio dessa subtração uma palavra derivada, temos o processo da derivação regressiva, a qual forma substantivos a partir de verbos. A esses substantivos derivados chamamos de deverbais. Assinalam, sem exceção, o nome de uma ação, assim, a palavra “beijo” é derivada porque indica uma ação do verbo beijar.

De o verbo pescar derivou um nome de ação:
a pesca.

De o verbo amassar derivou um nome de ação:
o amasso.

De o verbo vender derivou um nome de ação:
a venda.

De o verbo agitar derivou um nome de ação:
o agito.

Então, os verbos acima são primitivos e os nomes, derivados.

Será que as palavras alfinete e perfume são também derivadas dos verbos alfinetar e perfumar? Não, porque não denotam ação. Esses nomes são objetos, portanto não são derivados e sim primitivos, a partir deles é que formamos os verbos alfinetar e perfumar.

Derivação imprópria

No verso Está escrito no meu olhar, a palavra em destaque, analisada isoladamente, classificamo-na de verbo, no entanto foi usada no contexto como substantivo. Quando empregamos uma palavra fora de sua classe normal, temos a derivação imprópria. Esse tipo de derivação é percebido sempre quando tivermos um contexto determinado, como visto no verso exemplificativo.

A mudança pode ocorrer de:

adjetivo para substantivo: O brasileiro recebe bem os turistas.

verbo para substantivo: O jantar será servido às 20h.

adjetivo para interjeição: Bravo! Bravo!

conjunção para substantivo: O aluno não resolveu o porquê da questão.

advérbio para substantivo: O mal não vencerá nunca o bem.

substantivo próprio para comum: Esse bauru está uma delícia.

Substantivo comum para próprio: Os Oliveiras nunca perdoaram aos Rochas.

Além dessas situações, existem outras, tudo dependerá da criação do escritor.

Composição

O processo da composição consiste em criar uma nova palavra a partir de dois ou mais radicais. Veja, por exemplo, as palavras couve, que representa um radical, e flor, outro radical, cujos sentidos são autônomos, entretanto, ao se juntarem, formam a palavra couve-flor, que possui um significado totalmente novo. Consideramos dois tipos de composição: justaposição e aglutinação.

Composição por justaposição

Ocorre a composição por justaposição quando há a união dos radicais sem que haja mudança fonética. Nesse tipo de processo, pode aparecer ou não o uso do hífen.

gira + sol + = girassol

passa + tempo = passatempo

guarda + chuva = guarda-chuva

beija + flor = beija-flor

Em todos os exemplos acima a integridade fonética foi mantida, inclusive da palavra girassol, o que caracteriza a justaposição não é a grafia, mas a preservação do som dos vocábulos.

Composição por aglutinação

Ocorre a composição por aglutinação quando há união dos radicais com algum tipo de alteração fonética. Veja, a seguir, alguns exemplos:

plano + alto = planalto

Fonte + seca = Fonseca

vinho + acre = vinagre

em + boa+ hora = embora

Outros processos de formação de palavras

Hibridismo

Ocorre quando misturamos elementos de outros idiomas para formar uma palavra. É comum encontrarmos a combinação de radicais gregos com latinos e vice-versa, como “decímetro” (latino e grego); “televisão” (grego e latim). Essas combinações são mais prosaicas, existem outras como, “burocracia” (francês e grego) e “autoacusação” (grego e português).

Dica 2 – Revise para a prova de Gramática Enem estudando sobre como a concepção de texto tem sido ampliada, e como nem sempre apenas um enunciado é considerado Texto – https://blogdoenem.com.br/situacoes-problema-e-textos-nao-verbais-gramatica-enem/

Consideramos também palavra híbrida quando há a junção de radicais com sufixos de línguas diferentes, como nos exemplos que seguem: “goiabeira” (tupi e português) e “bananal” (africano e português).

Não são hibridismos palavras do tipo xenofobia (grego e grego) e biologia (grego e grego), pois apresentam radicais de uma mesma língua, chamamos essa formação de compostos eruditos.

Abreviação

Ocorre abreviação de um vocábulo quando eliminamos uma parte da estrutura da palavra a fim de se adquirir uma forma menor. Embora forme, graficamente, um novo vocábulo, a significação da palavra é a mesma da original. Esse tipo de construção caracteriza o uso coloquial da linguagem no dia a dia das pessoas. Algumas abreviações já se incorporaram também à escrita e outras ainda estão em curso na oralidade.

Abreviações incorporadas à escrita

Otorrinolaringologista = otorrino

Pneumático = pneu

Metropolitano = metrô

Cinematográfico = cine

Abreviações em curso na oralidade

vestibular = vestiba

professor = fessor

japonês = japa

Florianópolis = Floripa

Saiba mais sobre Processos de Formação das Palavras  nesta aula do canal Aulalivre .net, disponível no Youtube. Após assistir, revise o que você aprendeu respondendo aos nossos desafios!

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=HxjbNVFwKGA]

Desafios

Questão 1

Neologismo significa o emprego de palavras novas, derivadas ou formadas de outras já existentes, na mesma língua ou não; ou ainda, atribuição de novos sentidos a palavras já existentes na língua. Com base na concepção de neologismo retirada do dicionário Houaiss e na leitura dos poemas abaixo, responda o que se pede.

Neologismo

Beijo pouco, falo menos ainda.

Mas invento palavras

Que traduzem a ternura mais funda

E mais cotidiana.

Inventei, por exemplo, o verbo teadorar.

Intransitivo:

Teadoro, Teodora

(Manuel Bandeira)

Estrelas

Há estrelas brancas, azuis, verdes, vermelhas.

Há estrelas-peixes, estrelas-pianos, estrelas-meninas,

Estrelas-voadoras, estrelas-flores, estrelas-sabiás.

Há estrelas que vêem, que ouvem,

Outras surdas, outras cegas.

Há muito mais estrelas que máquinas, burgueses e operários:

Quase que só há estrelas.

(Murilo Mendes)

a) Quais são os neologismos inventados pelos poetas?

b) Analisando a estrutura dos neologismos, que tipo de processo de formação de palavras os poetas usaram para criá-los?

Dica 3 – Subtextos e figuras de linguagem devem ser identificados e analisados no momento da leitura. Revise com esta aula de Gramática Enem – https://blogdoenem.com.br/interpretacao-texto-gramatica-enem/

Questão 2

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Na propaganda ao lado, a palavra “lambuzation” é formada pela palavra de origem portuguesa (lambuzar); e pelo sufixo inglês –ation (de corporation). A esse tipo de processo de formação das palavras chamamos de:

a) Sigla.

b) Abreviação.

c) Hibridismo.

d) Derivação imprópria.

e) Derivação prefixal.

Questão 3

Vimos que na língua portuguesa há vários processos para formar novas palavras. Dessa forma, relacione as colunas considerando o processo de formação das palavras sublinhadas nas frases abaixo.

1. Derivação prefixal e sufixal

2. Derivação parassintética

3. Derivação regressiva

4. Composição por aglutinação

5. Derivação sufixal

6. Abreviação

a) ( ) Acidentes com motos representaram 60,7% das indenizações pagas pelo Seguro Obrigatório.

b) ( ) Foi imperdoável o placar do jogo Cruzeiro e Santos.

c) ( ) Aprenda a engarrafar vinhos pelo youtube.

d) ( ) Robin Hood foi um verdadeiro visionário.

e) ( ) O consumo total de energia elétrica no Brasil cresceu 9,9% em 2011.

Questão 4

Use V para a(s) afirmativa(s) verdadeira(s) e F para a(s) falsa(s).

a) ( ) A palavra herbalife apresenta dois radicais cujos elementos mórficos são oriundos de línguas diferentes. A esse processo dá-se o nome de hibridismo.

b) ( ) O nome do estabelecimento comercial Casatual é formado pelo processo da justaposição.

c) ( ) A palavra bombeiro apresenta apenas radical e sufixo.

d) ( ) GNV, Ufsc e cine apresentam o mesmo processo de formação de palavras: sigla.

e) ( ) As palavras engordar, entristecer e esburacar são formadas pelo processo da derivação prefixal.

Questão 5

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(UFF) A separação intencional do prefixo re-, na manchete do caderno MAIS!, pressupõe um novo valor semântico para a palavra “reforma”, no contexto em que se insere. O efeito de sentido dessa separação:

a) integra personagens ficcionais (Emília e Visconde de Sabugosa) a situações não ficcionais de transformação da natureza.

b) produz uma leitura restritiva das possibilidades da ciência na aplicação da técnica da clonagem.

c) indica um recurso lingüístico de formação parassintética que enfatiza a matéria sobre clonagem, desenvolvida no caderno.

d) propicia uma leitura concomitante da ideia de “forma” e “reforma” da natureza vinculada ao assunto

do caderno MAIS!.

e) confirma o valor de repetição do prefixo re- que sugere uma leitura integrada de literatura (Monteiro

Lobato) e ciência (Ian Wilmut).

Você consegue resolver estes exercícios? Então resolva e coloque um comentário no post, logo abaixo, explicando o seu raciocínio e apontando a alternativa correta para cada questão. Quem compartilha a resolução de um exercício ganha em dobro: ensina e aprende ao mesmo tempo. Ensinar é uma das melhores formas de aprender!