Faltam:
para o ENEM

A Função Poética. Revise Literatura em poesia para o Enem!

Revise a estrutura do texto poético e veja os recursos da Rima, do Ritmo, da Sonoridade, das Figuras de Linguagem, da busca da Beleza e de outros elementos para a poesia alcançar o efeito pretendido pelos poetas. É Literatura para o Enem e o Vestibular.

Literatura Enem: O artista literário trabalha com a palavra buscando construir novos sentidos e significados. O poeta procura e encontra as melhores palavras para conseguir o máximo possível de efeitos sonoros, em busca do encontro com o ritmo poético. Nesse post você vai entender melhor a linguagem poética e sua função, para não ter dúvidas diante das questões do Enem e do Vestibular!

Quando o escritor produz um texto e sua intenção está totalmente voltada para essa mensagem, para uma especial colocação das palavras, sendo na escolha delas, em suas combinações e organizações, deparamo-nos com a função poética de uma linguagem.

No momento em que se seleciona e se combina de maneira especial as palavras, quem está produzindo o texto procura usar alguns elementos fundamentais, como o ritmo e a sonoridade, o belo e o inusitado das imagens, valores de sentido conotativos (aquele que não está em seu sentido literal) e as figuras de palavras. Todos os elementos contribuem para a Função Poética.Função Poética

  • Em um texto poético você pode se deparar também com as outras funções de linguagem:
  • função referencial, que está centrado no referente, naquilo que se fala;
  • função conativa, que tem como objetivo persuadir o leitor;
  • função emotiva, quando o produtor do texto tem a intenção de posicionar-se em relação ao tema no qual escreve;
  • função metalinguística, quando a preocupação está voltada para a própria escrita, para seu próprio código utilizado;
  • função fática, quando o emissor tem a preocupação em manter contato com o destinatário. Porém, o valor da poesia está especificamente no trabalho realizado com a própria mensagem em construção.

Importante é saber que a função poética não está presente, por incrível que pareça até mesmo pelo nome da sua função, somente na poesia. Você encontrará em textos escritos em prosas, em anúncios publicitários, em slogans, em ditados e provérbios e, até mesmo, em diálogos de nossa comunicação diária. Atente-se de que, nesses casos, a função poética nunca será a função dominante.

Geralmente, os provérbios são frases bem arrumadas e, principalmente, ritmadas. Dessa maneira, são frases de fácil memorização, que constitui em bons exemplos da função poética da linguagem:

“Água mole em pedra dura tanto bate até que fura.”

“Aos trancos e barrancos.”

“Deus ajuda quem cedo madruga.”

“Em briga de marido e mulher, não se deve meter a colher.”

“Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão.”

“Quem casa, quer casa.”

Observe, agora, a construção do anúncio do medicamento Doril:

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Assim como os provérbios que você viu ali em cima, a propaganda do Doril também é construída em rima, característica da função poética.

Aula Gratuita + Exercícios sobre a Função Poética

O canal Focus Enem, do YouTube, nos traz um videoaula com questões e exemplos sobre a função poética, inclusive diferenciando-a da função emotiva. A aula é da professora Janaína Arruda e vai complementar o texto que você acabou de ler:

Exercício sobre a Função Poética:

Conseguiu entender um pouco mais sobre a linguagem poética e suas funções em um texto? Legal! Agora, para fixar o conteúdo, teste seus conhecimentos com os exercícios que escolhi para você:

 1 – ENEM – 2012

Desabafo

Desculpem-me, mas não dá pra fazer uma cronicazinha divertida hoje. Simplesmente não dá. Não tem como disfarçar: esta é uma típica manhã de segunda-feira. A começar pela luz acesa da sala que esqueci ontem à noite. Seis recados para serem respondidos na secretária eletrônica. Recados chatos. Contas para pagar que venceram ontem. Estou nervoso. Estou zangado.

 CARNEIRO, J. E. Veja, 11 set. 2002 (fragmento).

 

Nos textos em geral, é comum a manifestação simultânea de várias funções da linguagem, com o predomínio, entretanto, de uma sobre as outras. No fragmento da crônica Desabafo, a função da linguagem predominante é a emotiva ou expressiva, pois

a) o discurso do enunciador tem como foco o próprio código.

b) a atitude do enunciador se sobrepõe àquilo que está sendo dito.

c) o interlocutor é o foco do enunciador na construção da mensagem.

d) o referente é o elemento que se sobressai em detrimento dos demais.

e) o enunciador tem como objetivo principal a manutenção da comunicação.

 

2 – (Ufscar) Leia o poema e responda:

 

Soneto de fidelidade

De tudo, ao meu amor serei atento

Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto

Que mesmo em face do maior encanto

Dele se encante mais meu pensamento.

 

Quero vivê-lo em cada vão momento

E em seu louvor hei de espalhar meu canto

E rir meu riso e derramar meu pranto

Ao seu pesar ou seu contentamento.

 

E assim, quando mais tarde me procure

Quem sabe a morte, angústia de quem vive

Quem sabe a solidão, fim de quem ama

 

Eu possa me dizer do amor (que tive):

Que não seja imortal, posto que é chama

Mas que seja infinito enquanto dure.

(Vinicius de Moraes)

 

Nos dois primeiros quartetos do soneto de Vinicius de Moraes, delineia-se a ideia de que o poeta

a) não acredita no amor como entrega total entre duas pessoas.

b) acredita que, mesmo amando muito uma pessoa, é possível apaixonar-se por outra e trocar de amor.

c) entende que somente a morte é capaz de findar com o amor de duas pessoas.

d) concebe o amor como um sentimento intenso a ser compartilhado, tanto na alegria quanto na tristeza.

e) vê, na angústia causada pela ideia da morte, o impedimento para as pessoas se entregarem ao amor.

 

3 – (UERJ)

 

SOBRE A ORIGEM DA POESIA

A origem da poesia se confunde com a origem da própria linguagem.

Talvez fizesse mais sentido perguntar quando a linguagem verbal deixou de ser poesia. Ou: qual a origem do discurso não poético, já que, restituindo laços mais íntimos entre os signos e as coisas por eles designadas, a poesia aponta para um uso muito primário da linguagem, que parece anterior ao perfil de sua ocorrência nas conversas, nos jornais, nas aulas, conferências, discussões, discursos, ensaios ou telefonemas […]

 No seu estado de língua, no dicionário, as palavras intermedeiam nossa relação com as coisas, impedindo nosso contato direto com elas. A linguagem poética inverte essa relação, pois, vindo a se tornar, ela em si, coisa, oferece uma via de acesso sensível mais direto entre nós e o mundo […]

 Já perdemos a inocência de uma linguagem plena assim. As palavras se desapegaram das coisas, assim como os olhos se desapegaram dos ouvidos, ou como a criação se desapegou da vida. Mas temos esses pequenos oásis – os poemas – contaminando o deserto de referencialidade.

 

ARNALDO ANTUNES

 

No último parágrafo, o autor se refere à plenitude da linguagem poética, fazendo, em seguida, uma descrição que corresponde à linguagem não poética, ou seja, à linguagem referencial. Pela descrição apresentada, a linguagem referencial teria, em sua origem, o seguinte traço fundamental:

a) O desgaste da intuição

b) A dissolução da memória

c) A fragmentação da experiência

d) O enfraquecimento da percepção

 

Gabarito:

1 – B

2 – D

3 – C

O texto foi escrito pela professora Analice, formada em Letras pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – Unesp. Atualmente é mestranda em Literatura na Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, professora de português na rede particular de ensino da Grande Florianópolis e colaboradora do Blog do Enem. Facebook: http://www.facebook.com/analice.andrade