Aposto e vocativo: entenda as diferenças e veja exemplos

Vocativo e aposto são termos de uma oração, que desempenham funções diferentes. Entenda mais na aula abaixo.

Aposto e vocativo são itens da nossa gramática que não parecem tão complicados quanto concordância verbal ou emprego da crase, por exemplo. Mas, não é por isso que não merecem ser estudados. Afinal, eles também caem nas provas do Enem, vestibulares e afins.

Acima de tudo, você precisa entender que o aposto é utilizado para explicar algo. Já o vocativo é utilizado para um chamamento. Mas isso não é tudo. Dessa forma, veja as dicas sobre vocativo e aposto do professor Dilson Catarino, do Gramática online.

Além disso, nessa aula você também verá exemplos de aposto e vocativo e exercícios!

O que é aposto e vocativo?

Primeiramente, aprender o que é aposto e vocativo é essencial na construção de sua redação, textos e até mesmo frases. Nesse sentido, veja com atenção as definições:

Aposto é o termo que explica, desenvolve, identifica ou que resume outro termo da oração, independentemente da função sintática que este exerça.

Há quatro tipos de aposto: explicativo; explicador; enumerador; e resumidor. Logo abaixo você vai encontrar e entender cada um deles.

Já o vocativo é um termo independente da oração e que serve para chamar por alguém. Além disso, o vocativo serve também para interpelar ou para invocar um ouvinte real ou imaginário.

Uma boa dica para identificar o vocativo é que ele está sempre (sempre mesmo) separado por uma vírgula. Veja estes exemplos de vocativo:

Theresa, entra e põe a mesa!

João, para de comer feijão.

Brasileiros e Brasileiras, boa noite.

Viu como é fácil identificar? Uma dica importante para estudar o assunto é sempre resolver exercícios de aposto e vocativo.

Assim, você vai conseguir obter um bom resultado nas suas provas e não se confundir mais. No final da aula, tem exercícios de aposto e vocativo para você treinar.

Os quatro tipos de aposto

Aposto explicativo

O aposto explicativo identifica ou explica o termo anterior. Nesse sentido, ele também é separado do termo que identifica por vírgulas, dois pontos, parênteses ou travessões. Por exemplo:

Terra Vermelha, romance de Domingos Pellegrini, conta a história da colonização de Londrina.

Oração Subordinada Adjetiva Explicativa

É a oração que funciona como aposto explicativo. Ela é sempre iniciada por um pronome relativo e, da mesma forma que o aposto explicativo, é separada por vírgulas, dois pontos, parênteses ou travessões. Aqui é mais comum o uso de vírgulas. Por exemplo:

Terra Vermelha, que é um romance de Domingos Pellegrini, conta a história da colonização de Londrina.

Oração Subordinada Substantiva Apositiva

É a outra oração que funciona como aposto. A função dela, contudo, é complementar o sentido de uma oração anterior, que esteja completa sintaticamente.

Ela só quer uma coisa.

Essa frase está completa sintaticamente, pois tem sujeito-verbo-objeto, mas incompleta quanto ao sentido. Portanto há de se colocar algo que complete o sentido dessa frase. Por exemplo:

Ela só quer uma coisa: que sua presença seja notada.

Dessa forma temos a oração subordinada substantiva apositiva. Não confunda com a oração subordinada adjetiva explicativa, que também funciona como aposto. Mas essa tem como função complementar o sentido de um substantivo anterior, e não da oração anterior.

Outro exemplo: a vaca, que para os hindus é sagrada, é um dos animais mais consumidos no Brasil. Assim temos a oração subordinada adjetiva explicativa.

Aposto especificador

O aposto especificador individualiza ou especifica um substantivo de sentido genérico, sem pausa. Geralmente é um substantivo próprio que individualiza um substantivo comum. Por exemplo:

O professor José mora na Rua Santarém, na cidade de Londrina.

Nesse sentido, José, Santarém e Londrina são apostos especificadores uma vez que especificam os substantivo comuns professor, Rua e cidade.

Aposto enumerador

O aposto enumerador é uma sequência de elementos que desenvolve uma ideia anterior. Ou seja, ele retoma ideias. Por exemplo:

O pai sempre lhe dava três conselhos: nunca empreste dinheiro a ninguém, nunca peça dinheiro emprestado a ninguém e nunca fique devendo dinheiro a ninguém.

O escoteiro deve carregar consigo seu material: mochila, saco de dormir e barraca.

Aposto resumidor

O aposto resumidor é usado para resumir termos anteriores, geralmente sujeito composto. Assim, é representado, frequentemente, por um pronome indefinido. Exemplo:

Alunos, professores, funcionários, ninguém deixou de lhe dar os parabéns.

Antes de resolver os exercícios de aposto e vocativo, vamos ver alguns exemplos de aposto e vocativo e como eles podem cair no vestibular.

Aposto e vocativo exemplos

Em muitos exercícios de aposto e vocativo, é comum encontrar tirinhas. Dessa forma, vamos ver alguns exercícios de aposto e vocativo com tirinhas:

exercícios de aposto e vocativo com tirinhas

(IFMG adaptada – 2015) De acordo com a tirinha de Calvin, no primeiro quadrinho, quando ele diz “Mãe, consegui um papel na peça da escola!”, a vírgula foi utilizada para:
a) separar o aposto;

b) separar o sujeito do predicado;

c) separar o vocativo;

d) separar o substantivo do verbo;

e) separar o sujeito do objeto.

gabarito: C

Vamos ver outro exemplo:

exercícios de aposto e vocativo com tirinhas calvin

Assinale o termo que funciona como vocativo no 1º quadrinho da tira:

a) mãe

b) alienígenas

c) eles

d) você

gabarito: A

Aposto e vocativo exercícios

TEXTO: 1 – Comum à questão: 1    

Deixar gente morrer é perversidade e cinismo

1A política de refugiados da Europa é cínica: 2deixar morrer para espantar os outros, para que 3eles não queiram vir para cá também. Sim, essa 4é a política europeia e também da Alemanha. A 5 Europa apoia ditaduras e governantes corruptos, 6vende armas para governos e milícias opressores, 7dita regras econômicas que contribuem para 8aumentar a fome mundo afora e se nega a assumir 9sua responsabilidade pelas consequências disso. 10 Há muito que a política europeia só busca 11uma coisa: defender, de uma forma imediatista, egoísta 12e burra, seus próprios interesses.

13É claro que a Europa não tem como abrigar 14todos os refugiados do mundo (atualmente são 50 15milhões – o maior número desde a Segunda Guerra 16Mundial!) – esse é um argumento usado por gente 17mesquinha, que acha que lugar de refugiado é 18qualquer lugar, menos aqui. Mas a Europa pode 19fazer muito mais. E ela não pode simplesmente 20 deixar que pessoas morram em sua porta.

21A Europa tem é que assumir sua 22responsabilidade, mudar sua política externa, 23ajudar a combater os problemas nas suas origens 24(ao invés de fomentá-los!), o que não seria tarefa 25 fácil e nem da Europa sozinha. Mas, enquanto isso, 26é necessária uma atitude imediata de respeito pela 27vida humana e que a Europa pratique o que ela mesma 28prega. É hora de salvar vidas!

ROSENKRANZ, Gustl. Quanto vale uma vida humana? Disponível em: <http://www.contioutra.com/quanto-vale-
uma-vida-humana-por-gustl-rosenkranz>. Acesso em: 2 abr. 2016.

Questão 01 – (Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública adaptada/2016)

De acordo com o texto, há uma oração com função de aposto na alternativa

  1. “Sim, essa é a política europeia e também da Alemanha.” (ref. 3-4).
  2. “que contribuem para aumentar a fome mundo afora” (ref. 7-8).
  3. “defender de uma forma imediatista, egoísta e burra, seus próprios interesses. (ref. 11-12).
  4. “esse é um argumento usado por gente mesquinha” (ref. 16-17).
  5. “É hora de salvar vidas!” (ref. 28).

Gab: 3

TEXTO: 2 – Comum à questão: 2

O Bicho

Manuel Bandeira

 

01  Vi ontem um bicho

02  Na imundície do pátio

03  Catando comida entre os detritos.

04  Quando achava alguma coisa,

05  Não examinava nem cheirava:

06  Engolia com voracidade.

07  O bicho não era um cão,

08  Não era um gato,

09  Não era um rato.

10  O bicho, meu Deus, era um homem.

BANDEIRA, M. Poesias completas.4. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1986.

Questão 02 – (UECE adaptada/2019)

De acordo com o uso do vocativo no último verso do poema “O bicho, meu Deus, era um homem” (Ref. 10), atente para as seguintes afirmações:

I. O vocativo usado no verso em destaque revela que o poeta se mostrou indiferente à cena retratada

II. O vocativo “meu Deus” assume, no contexto do poema, um duplo sentido: o de apelo e, ao mesmo tempo, o de acusação ao ente evocado.

III. Pelo uso do vocativo, o poeta, para mostrar o quão religioso ele é, evoca a figura de Deus como forma de oração e súplica.

IV. O vocativo utilizado no verso em análise destaca o impacto emocional do poeta por ver a degradação do homem colocado em nível inferior ao dos animais, como o cão, o gato e o rato.

Está correto somente o que se diz em

a) I e II.

b) I e III.

c) III e IV.

d) II e IV.

Gab: D

Amanda Enem Literatura
Este post foi elaborado por Amanda Nascimento e editado pela jornalista Ana Carolina Prieto. Amanda é formada em jornalismo pela Unisul. Atualmente é acadêmica do curso de Letras – Português e Literaturas, na Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, editora de revistas, e colaboradora do Blog do Enem. Amanda está aqui no Facebook: https://www.facebook.com/amanda.nascimento.9066 .