Interpretação de Texto: habilidade essencial para o Enem!

As provas de linguagens e a Redação Enem exigem que o candidato saiba interpretar as informações trazidas pelo enunciado. Veja como identificar, comparar, explicar, justificar e contextualizar durante a interpretação de texto!

Todos sabem que a prova do Enem é interdisciplinar e traz enunciados longos. Isso exige que o candidato domine a habilidade da interpretação de texto e a aplique em todas as matérias.

No fim das contas, interpretação de texto é o que mais cai no Enem – se você não entender o que a questão diz, sem chance! Neste post, vamos te ensinar as técnicas para analisar, compreender e interpretar textos que podem aparecer na sua prova! O processo de interpretação de texto pode ser detalhado em cinco operações: identificar; comparar; explicar; justificar; contextualizar. Vamos falar sobre cada uma das fases do passo-a-passo da Interpretação de Texto. Assim você aprende a extrair o máximo de cada texto!

Identificar

Sejamos diretos: identificar é  constatar, caracterizar, reconhecer elementos que são fundamentais em um texto. De acordo com Lino Macedo, “tomando algo como referência (absoluta ou relativa), [identificar] consiste em buscar o que corresponde (total ou parcialmente) a essa referência.”

Ou seja, na prática é fundamental você conseguir identificar os elementos centrais do tema trazido pelo enunciado.

Comparar

Tendo identificado os elementos centrais do enunciado, você vai agora analisá-los na etapa da comparação. Esta etapa consiste em relacionar dois ou mais elementos para procurar as semelhanças e diferenças existentes entre elas. Assim você pode chegar a uma conclusão sobre a relação entre os elementos que identificou.

Explicar

Tendo em mente a análise da etapa da comparação, você vai explicá-la (mesmo que seja para você mesmo). Isso significa que você precisa tornar clara alguma ideia, teoria, expressão, realidade que foi exposta, fazer entender a verdade ou não dos fatos. Geralmente, a operação explicar está relacionada às questões de causa e efeito. A utilidade do “explicar” vale nas duas pontas para você. Você vai utilizar essa habilidade tanto na hora de compreender um enunciado, quanto na hora de desenvolver os seus argumentos na redação.

Justificar

Conforme o dicionário Houaiss, significa “demonstrar que (algo) está certo ou que (alguém) está com a razão; fornecer argumentos a favor de; constituir-se em, dar, encontrar razões válidas para; legitimar”. Na redação, você deverá justificar suas afirmações. Para isso, deve apresentar provas e argumentos por meio de palavras, expressões, fatos para justificar uma afirmação. Muitas vezes os dados a serem utilizados já são trazidos pelo enunciado! Por isso a interpretação de texto é tão importante nesse momento.

Estude dois textos e resolva exercícios práticos para treinar as suas habilidades de Interpretação de Texto para a prova do Enem .

Contextualizar

Enfim, você precisa compreender, analisar e interpretar um fato (pode ser uma imagem, uma palavra, uma frase, um texto) tendo como ponto de partida o contexto (a situação) em que está inserido.

  • Em algum momento escolar, você já deve ter vivenciado o seguinte:
  • – Professor, o que significa a palavra frajola?
  • – Onde você leu essa palavra? Preciso ver o contexto.
  • Após a explicação do aluno ou a leitura do texto em que o vocábulo se encontrava, o professor responde:
  • – Significa homem metido a elegante.

Este exemplo mostra como o significado de algo pode mudar conforme o contexto em que se inserem. Por isso, para fechar a interpretação de texto você precisa levar em consideração o contexto da informação recebida e ver se a sua interpretação está adequada!

 Saiba mais sobre interpretação de texto nesta aula do canal Preparação Digital, disponível no Youtube. Após assistir, revise o que você aprendeu respondendo às questões abaixo!

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=YBVbT7gy-Jc]

Questões – interpretação de texto

Questão 1

(Enem) Do pedacinho de papel ao livro impresso vai uma longa distância. Mas o que o escritor quer, mesmo, é isso: ver o seu texto em letra de forma. A gaveta é ótima para aplacar a fúria criativa; ela faz amadurecer o texto da mesma forma que a adega faz amadurecer o vinho. Em certos casos, a cesta de papel é melhor ainda.

O período de maturação na gaveta é necessário, mas não deve se prolongar muito. ‘Textos guardados acabam cheirando mal’, disse Silvia Plath, (…) que, com esta frase, deu testemunho das dúvidas que atormentam o escritor: publicar ou não publicar? guardar ou jogar fora?

(Moacyr Scliar. “O escritor e seus desafios”.)

Nesse texto, o escritor Moacyr Scliar usa imagens para refletir sobre uma etapa da criação literária. A ideia de que o processo de maturação do texto nem sempre é o que garante bons resultados está sugerida na seguinte frase:

a) “A gaveta é ótima para aplacar a fúria criativa.”

b) “Em certos casos, a cesta de papel é melhor ainda.”

c) “O período de maturação na gaveta é necessário, (…).”

d) “Mas o que o escritor quer, mesmo, é isso: ver o seu texto em letra de forma.”

e) “ela (a gaveta) faz amadurecer o texto da mesma forma que a adega faz amadurecer o vinho.”

 

Questão 2

Leia os textos a seguir.

Texto 1

Navegar é Preciso

Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:

“Navegar é preciso; viver não é preciso”.

 

Quero para mim o espírito [d]esta frase,

transformada a forma para a casar como eu sou:

 

Viver não é necessário; o que é necessário é criar.

Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.

Só quero torná-la grande, ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.

 

Só quero torná-la de toda a humanidade;

ainda que para isso tenha de a perder como minha.

Cada vez mais assim penso.

 

Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir para a evolução da humanidade.

É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.

Fernando Pessoa,“Navegar é preciso”.

Texto 2

Eu penso por meio de metáforas. Minhas idéias nascem da poesia. Descobri que o que penso sobre a educação está resumido num verso célebre de Fernando Pessoa: “Navegar é preciso. Viver não é preciso”.

Navegação é ciência, conhecimento rigoroso. Para navegar, barcos são necessários. Barcos se fazem com ciência, física, números, técnica. A navegação, ela mesma, faz-se com ciência: mapas, bússolas, coordenadas,meteorologia. Para a ciência da navegação é necessária a inteligência instrumental, que decifra o segredo dosmeios. Barcos, remos, velas e bússolas são meios.

Já o viver não é coisa precisa. Nunca se sabe ao certo. A vida não se faz com ciência. Faz-se com sapiência.É possível ter a ciência da construção de barcos e, ao mesmo tempo, o terror de navegar. A ciência da navegação não nos dá o fascínio dos mares e os sonhos de portos onde chegar. Conheço um erudito que tudo sabe sobre filosofia, sem que a filosofia tenha jamais tocado a sua pele. A arte de viver não se faz com a inteligência instrumental. Ela se faz com a inteligência amorosa.

(Rubem Alves, “Por uma educação romântica”, p. 112-113.)

 Ambos os textos utilizaram a frase “Navegar é preciso, viver não é preciso”, que é a tradução da frase latina “Navigarenecesse; vivere non est necesse”. Relacione os textos 1 e 2 e, com base nisso, explique a diferença do uso dessa frase nos dois textos.

 

 Questão 3

(UFBA – BA) Leia o texto.

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A tira trata de modo bem-humorado aspectos relativos à adolescência.

a) A partir da sequência de quadros, justifique por que o adolescente utiliza um kit básico de frases para sobreviver.

 b) Considere a legenda na parte inferior da tira e explique como o recurso da intertextualidade ajuda a compor o efeito de humor do texto.

 

 Questão 4

(Enem) Leia o texto a seguir.

Texto 1

Agora Fabiano conseguia arranjar as idéias. O que o segurava era a família. Vivia preso como um novilho amarrado ao mourão, suportando ferro quente. Se não fosse isso, um soldado amarelo não lhe pisava o pé não. (…) Tinha aqueles cambões pendurados ao pescoço.

Deveria continuar a arrastá-los? Sinhá Vitória dormia mal na cama de varas. Os meninos eram uns brutos, como o pai. Quando crescessem, guardariam as reses de um patrão invisível, seriam pisados,maltratados, machucados por um soldado amarelo.

 (Graciliano Ramos. “Vidas Secas”. São Paulo: Martins. 23ª- ed., 1969, p. 75.)

Texto 2

Para Graciliano, o roceiro pobre é um outro, enigmático, impermeável. Não há solução fácil para uma tentativa de incorporação dessa figura no campo da ficção. É lidando com o impasse, ao invés de fáceis soluções, que Graciliano vais criar Vidas Secas, elaborando uma linguagem, uma estrutura romanesca, uma constituição de narrador em que narrador e criaturas se tocam, mas não se identificam.

Em grande medida, o debate acontece porque, para a intelectualidade brasileira naquele momento, o pobre, a despeito de aparecer idealizado em certos aspectos, ainda é visto como um ser humano de segunda categoria, simples demais, incapaz de ter pensamentos demasiadamente complexos. O que Vidas Secas faz é, com pretenso não envolvimento da voz que controla a narrativa, dar conta de uma riqueza humana de que essas pessoas seriam plenamente capazes.

 (Luís Bueno. “Guimarães, Clarice e antes”.

In: “Teresa”. São Paulo: USP, nº- 2, 2001, p. 254.)

A partir do trecho de “Vidas Secas”(texto 1) e das informações do texto II, relativas às concepções artísticas do romance social de 1930, avalie as seguintes afirmativas.

I. O pobre, antes tratado de forma exótica e folclórica pelo regionalismo pitoresco, transforma-se em protagonista privilegiado do romance social de 30.

II. A incorporação do pobre e de outros marginalizados indica a tendência da ficção brasileira da década de 30 de tentar superar a grande distância entre o intelectual e as camadas populares.

III. Graciliano Ramos e os demais autores da década de 30 conseguiram, com suas obras, modificar a posição social do sertanejo na realidade nacional.

É correto apenas o que se afirma em:

a) I.

b) II.

c) III.

d) I e II.

e) II e III.

 

Questão 5

Leia os textos a seguir.

Texto 1

O discurso do humor: temas, técnicas e leituras

Se você diz a alguém que estuda piadas, o primeiro efeito que produz ainda é o riso. É uma pena que seja assim, porque as piadas são de fato um tipo de material altamente interessante. Por várias razões.

Em primeiro lugar, as piadas são interessantes para os estudiosos porque praticamente só há piadas sobre temas que são socialmente controversos. Assim, sociólogos e antropólogos poderiam ter nelas um excelente corpus para tentar reconhecer (ou confirmar) diversas manifestações culturais e ideológicas, valores arraigados. […]

Em segundo lugar, porque piadas operam fortemente com estereótipos. Assim, fornecem um bom material para pesquisas sobre “representações”, por exemplo. Possivelmente, qualquer estudioso tenha o direito de afirmar que tais representações são grosseiras demais para revelarem qualquer fato significativo. Mas estará enganado. De fato, elas revelam que, freqüentemente, discursos operam mesmo com representações grosseiras, estereotipadas. E que, portanto, muitas ações sociais são realizadas com esse frágil fundamento – não dar emprego a determinados tipos de pessoas por causa de seu sotaque ou da cor de sua pele ou do seu tamanho, por exemplo. […]

Em terceiro lugar, as piadas são interessantes porque são quase sempre veículo de um discurso proibido, subterrâneo, não oficial, que não se manifestaria, talvez, através de outras formas de coletas de dados, como entrevistas. Outra face da mesma característica é que as piadas veiculam discursos não explicitados correntemente (ou, pelo menos, discursos pouco oficiais). […]”

 (POSSENTI, Sírio. “Os humores da língua”. Campinas, SP: Mercado de Letras. 1998. pp 25-6.)

Texto 2

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Sobre os textos 1 e 2 responda.

a) Possenti (texto 1) alega que as piadas são materiais interessantes para o estudo de uma sociedade. Explique os motivos que o leva a pensar assim.

b) Segundo Possenti (texto 1), sociólogos e antropólogos as piadas não são vistas como objeto de estudo. Identifique a palavra que aponta essa ideia no segundo parágrafo.

 c) Qual o principal argumento exposto no texto 1 – para justificar o estudo de piadas – relaciona-se com a tira de Ziraldo? Justifique a resposta.