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Ariano Suassuna e os encantos do Auto da Compadecida – Literatura Enem

A obra do romancista, dramaturgo e folclorista Ariano Suassuna faz parte dos conteúdos mais cobrados nos vestibulares e no Enem. Veja aqui tópicos essenciais e dicas para mandar bem nas provas.

Uma leitura gostosa, leve e que nos faz mergulhar na cultura nordestina. Ariano Suassuna conquista leitores com seus personagens carismáticos.  São livros geniais que ganharam vida também nas telas de cinema e seriados de televisão. Quem não simpatiza com João Grilo e Chicó, personagens no Auto da Compadecida?

Outro personagem que ganhou o mundo pela arte de Suassuna foi Euricão, divertido em sua avareza em O Santo e a Porca. Ariano Suassuna geralmente é estudado por suas obras regionalistas, enquadradas na terceira geração do movimento modernista. A obra de Suassuna é composta por elementos do simbolismo, barroco e a literatura de cordel.

Veja aqui uma entrevista genial de Ariano Suassuna no Programa do Jô. O entrevistador Jô Soares conta episódios que provocam e desafiam a memória de Suassuna, que aos 80 anos dá um show com suas respostas:

O portal Educação, da Rede Globo, traz um artigo falando sobre a vida e obra desse autor que nasceu na Paraíba e que se consagrou com sua atuação no Estado de Pernambuco. Veja um resumo abaixo. Você pode conferir a íntegra aqui:  http://educacao.globo.com/literatura/assunto/autores/ariano-suassuna.html

Literatura - Ariano Suassuna

Ariano Suassuna é um dos grandes nomes da cultura nordestina. Exaltado principalmente pela atuação no teatro brasileiro, o escritor fundou o Movimento Armorial nos anos 70, que tinha como objetivo utilizar a cultura popular para formar uma arte erudita. Entre as obras desse autor, destacamos alguns nomes: “Um Mulher Vestida de Sol” foi à primeira peça escrita. As mais conhecidas foram “Auto da compadecida”, de 1957, e “O Santo e a Porca”, de 1964, a primeira, inclusive, ganhou versões no cinema e na televisão.

Estilo: O nome do escritor é sempre atrelado ao teatro, principalmente pelo papel que desempenhou na modernização do teatro brasileiro. A produção teatral de Ariano Suassuna tem como característica a improvisação e o texto popular. O escritor coloca muitos elementos da cultura nordestina em suas peças. Suassuna foi um dos fundadores do Movimento Armorial, que buscava criar a arte erudita através da cultura popular nordestina. O movimento inclui os diferentes tipos de arte, como dança, literatura, teatro, música e arquitetura. Ariano recebeu o apoio da Universidade Federal de Pernambuco e de vários escritores nordestinos, o Movimento Armorial foi lançado em 1970.

Auto da Compadecida – A peça teatral Auto da Compadecida foi escrita em 1955. É um drama nordestino, composto por elementos da tradição da literatura de cordel e do barroco, que aparece na mistura da cultura popular e tradição religiosa. Apresenta na escrita traços de linguagem oral, recurso utilizado para caracterizar os personagens e suas classes sociais. O gênero da peça é comédia.

Dica 1 – O Guia do Estudante apresenta as características de cada personagem da obra, esse conteúdo pode ser encontrado no link: http://guiadoestudante.abril.com.br/estudar/literatura/auto-compadecida-resumo-obra-ariano-suassuna-700311.shtml

Personagens do Auto da Compadecida: Os personagens de “Auto da Compadecida” são alegóricos, ou seja, não representam indivíduos, mas tipos que devem ser compreendidos de acordo com a posição estrutural que ocupam. A criação desses personagens possibilita que se enxergue a sociedade de uma cidadezinha do Nordeste. É por isso que a peça pode ser chamada sátira social, pois procura reformar os costumes, moralizar e salvar as instituições de sua vulgarização.

Você já leu o livro do Auto da Compadecida? Já viu o filme? Se você conseguir um tempo, vale a pena fazer as duas coisas. O filme está aqui, na íntegra, disponível no Youtube:

Personagens do Auto da Compadecida:

Palhaço: é o anunciador da peça e também o grande comentador das situações. Suas falas apresentam muitas vezes um discurso mais direto, que dá a impressão de vir do autor. Na verdade, o Palhaço exerce função metalinguística no espetáculo, ao refletir sobre o próprio mecanismo mágico de produção da imitação e ao suprimir a distância entre realidade e representação.

João Grilo: protagonista, personagem pobre e franzino, que usa de sua infinita astúcia para garantir a sobrevivência. Já foi comparado a Macunaíma, o herói sem caráter. Tal comparação, no entanto, revela-se inadequada, já que João Grilo, ao contrário do personagem criado por Mário de Andrade, trabalha de forma dura, ajuda seu grande amigo Chicó e tem como justificativa de suas traquinagens ser assolado por uma pobreza absoluta. O mais acertado seria compará-lo ao personagem picaresco, encontrado no romance medieval Lazarilho de Tormes. Mas nem é preciso ir tão longe, pois Pedro Malazarte – cuja origem ibérica está em Pedro Urdemalas – é o personagem popular mais próximo de João Grilo.

Chicó: é o contador de causos, o mentiroso ingênuo que cria histórias apenas para satisfazer um desejo inventivo. Chicó se aproxima do narrador popular, e suas histórias revelam muito do prazer narrativo desinteressado da cultura popular. Chicó e João Grilo são como a dupla de palhaços entre os quais a esperteza é mal repartida — um sempre a tem de mais e o outro, de menos.

Dica 2 – Histórias de Chicó – O blog Litera Tortura fez um post destacando 5 histórias de Chicó, personagem do O Auto da Compadecida. Chicó era um contador de histórias por excelência e com o seu bordão “não sei, só sei que foi assim…”, dava o desfeche que sua imaginação permitisse aos seus contos. Para ler, basta acessar o link: http://literatortura.com/2013/11/auto-da-compadecida-5-historias-de-chico-que-nao-sei-sei-que-foi-assim/

Padre João: mau sacerdote local, preocupado apenas em angariar fundos para sua aposentadoria.

Sacristão: outro exemplo de mau religioso.

Bispo: juntamente com o padre João e o sacristão, ajudará a compor o quadro de representação da Igreja corrompida.

Antônio Moraes: típico senhor de terras, truculento e poderoso, que se impõe pelo medo, pelo dinheiro e pela força.

Padeiro: representante da burguesia interessada apenas em acumular capital, explora seus empregados e tem acordos com as autoridades da Igreja.

Mulher do padeiro: esposa infiel e devassa, tem amor genuíno apenas por seus animais de estimação.

Frade: bom sacerdote, serve, no enredo da peça, para salvaguardar a instituição Igreja das críticas do autor.

Severino do Aracajú: cangaceiro violento e ignorante.

Cangaceiro: ajudante de Severino, seu papel é apenas puxar o gatilho e executar outros personagens.

Demônio: ajudante do Diabo, parece disposto a condenar todos os personagens mortos no final do segundo ato.

O Encourado (o Diabo): segundo uma crença nordestina, o diabo utiliza roupas de couro e veste-se como um boiadeiro. Funciona como uma espécie de antagonista de João Grilo; como ele, também é astuto, mas acaba sendo derrotado pelo herói.

Manuel (Nosso Senhor Jesus Cristo): personagem que simboliza o bem, porém um bem sem misericórdia. É representado por um ator negro, a fim de que isso produza um efeito de estranhamento no público.

A Compadecida (Nossa Senhora): heroína da peça, funciona como uma advogada de João Grilo e de seus conterrâneos, derrotando com seus argumentos cheios de misericórdia os planos do Encourado de levar todos ao inferno.

Minissérie O Auto da Compadecida.

Em 1999 a Rede Globo exibiu a minissérie, O Auto da Compadecida (em que há um acréscimo do artigo “o” antes do nome original). Na adaptação feita para o cinema em 2000, também chamada O Auto da Compadecida, aparecem alguns personagens como o Cabo Setenta, Rosinha e Vicentão. Eles não fazem parte da peça original. Esses são personagens de A Inconveniência de Ter Coragem, também de Ariano Suassuna.

O filme

Literatura - Filme Auto da Compadecida

O diretor Guel Arraes deu vida à versão cinematográfica de O Auto da Compadecida. O filme foi lançado 2000. No enredo, as aventuras dos nordestinos João Grilo (Matheus Natchergaele), um sertanejo pobre e mentiroso, e Chicó (Selton Mello), o mais covarde dos homens. Eles venciam uma batalha para garantir o pão de cada dia. Para isso, muitas vezes enganavam os moradores do vilarejo de Taperoá, no sertão da Paraíba. A salvação da dupla acontece com a aparição da Nossa Senhora (Fernanda Montenegro).

Dica 3: Literatura: Revisão sobre a vida e a obra de Machado de Assis: https://blogdoenem.com.br/literatura-revisao-machado-de-assis/
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Amanda Enem Literatura
Este post foi elaborado por Amanda Nascimento. Ela é formada em jornalismo pela Unisul. Atualmente é acadêmica do curso de Letras – Português e Literaturas, na Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, editora de revistas, e colaboradora do Blog do Enem. Amanda está aqui no Facebook: https://www.facebook.com/amanda.nascimento.9066 .