Figuras de Linguagem – Literatura no Enem. Confira!

Você sabe o que são figuras de linguagem e como elas são utilizadas na construção de um texto literário? Não? Então saiba tudo nesta aula para arrasar em Literatura no Enem!

Literatura Enem: Um escritor produz suas obras buscando construir um sentido, usando palavras e, muitas vezes, criando novos significados para ela, escolhendo-as e combinando-as com a finalidade de desenvolver efeitos sonoros e ritmos poéticos.  Ele está utilizando recursos de Figuras de Linguagem. Confira:

Vamos juntos agora estudar um pouco da linguagem poética e suas figuras de linguagem! O tema é recorrente nas provas do Enem. E, ao conhecer as Figuras de Linguagem você ainda ganha um bônus extra para aprender um pouco mais de Interpretação de Texto.  Figuras de Linguagem

Conotação e denotação – já que o assunto é linguagem poética, leia com atenção o texto do poeta gaúcho Mario Quintana. Ó título é O Trágico Dilema (fonte:  QUINTANA, Mário. Caderno H. Porto Alegre: Globo, 1983, p.39_):

“Quando alguém pergunta a um autor o que este quis dizer, é porque um dos dois é burro.”

E agora, como interpretar ‘burro’?    

De que maneira interpretar a palavra “burro”? Claro, ela não foi empregada no texto, simplesmente, com o sentido de um animal quadrúpede. Foi usada com sentido figurado que, em seu contexto, quer dizer “indivíduo com falta de Inteligência”.

O fato de a palavra burro, sendo um substantivo, ser empregada como um adjetivo indica o uso mais expandido dessa palavra, pois assimilamos a dificuldade do animal em aprender e, também, a sua teimosia, para adjetivar pessoa que têm dificuldade de assimilação.

Figuras de Linguagem em Lima Barreto

Lima Barreto (imagem) é um autor de um romance muito importante na literatura brasileira e que, sem dúvidas, deve ser leitura obrigatória. Um de seus livros mais famosos é “Triste fim de Policarpo Quaresma.”  Veja aqui um aula completa sobre as obras de Lima Barreto, clique aqui para conhecer o autor.lima-barreto

Observe a palavra triste e seu significado no título da obra. Agora coloque o adjetivo depois da palavra fim e perceba a diferença.

“Triste fim de Policarpo Quaresma” e “Fim triste de Policarpo Quaresma” nos mostram sentidos diferentes, levando em conta a posição do adjetivo, certo?

Isso acontece porque, na língua portuguesa, quando colocamos o adjetivo depois do substantivo a que se refere, temos o seu sentido literal e objetivo; o adjetivo empregado antes do substantivo, como no título do romance de Lima Barreto, é empregado sempre com sentido figurado.

Veja a diferença entre Conotação e Denotação

Posto isso, levamos em conta que uma palavra pode ter dois tipos de significado, sendo eles:

Denotação (palavra com sentido denotativo) – a palavra está no texto com seu sentido correto, aquele que encontramos no dicionário.

Conotação (palavra com sentido conotativo) – a palavra aparece com seu sentido alterado, permitindo diferentes interpretações, dependendo do seu contexto.

Mas, preste atenção: para que você entenda o sentido conotativo de uma palavra, você deve, primeiro, saber qual é o seu sentido denotativo. A conotação é uma extensão da denotação e a linguagem literária explora o sentido conotativo das palavras, num infinito trabalho de alterar e dar novos sentidos às palavras dentro de determinada obra.

Para que um texto tenha originalidade e criatividade, muitos escritores “fogem” do padrão da gramática normativa. Essas “fugas” têm função estilística, não constituindo erros, sendo chamadas de figuras de linguagem.

Temos três tipos de figuras de linguagem: as de sintaxe, as de pensamento e as de palavras. A seguir vou lhe mostrar as mais comuns.

Figuras de sintaxe

Elipse: omite-se um termo que pode ser facilmente identificado através do seu contexto ou por alguns elementos gramaticais.

“Jantei sozinho. E quando voltei a casa, fui direto ao atelier, destapei o retrato, lancei uma pincelada ao acaso, tornei a cobrir a tela. ” (José Saramago)

Nesse texto de Saramago é omitido o pronome eu (imagine esse trecho com a repetição de tal pronome?). Essa omissão torna o texto mais elegante e conciso e, a flexão na 1ª pessoa (eu) nos tempos verbais, permite que a interpretação seja precisa.

Pleonasmo: é a repetição de termos ou ideias com o objetivo de tornar o texto mais expressivo ou enfático, reforçando a mensagem:

“E rir meu riso e derramar meu pranto” (Vinicius de Moraes)

A ti tocou-te a máquina mercante” (Gregório de Matos)

Porém, fique atento a uma coisa muito importante: se a repetição de termos não acrescenta nada à mensagem, estamos diante de um pleonasmo vicioso, sendo um defeito de linguagem.

Exemplos:

Fulano teve uma hemorragia de sangue. (Existe hemorragia de outra coisa diferente de sangue?)

A brisa matinal da manhã lhe fez muito bem. (Existe matinal da noite?)

Aliteração: é a repetição dos sons cuja natureza consonantal é a mesma.

 

“Vozes veladas, veludosas vozes,

volúpias de violões, vozes veladas,

vagam nos velhos vórtices velozes

dos ventos, vivas, vãs vulcanizadas.”

(Cruz e Sousa)

 

Mas, se os sons que se repetem forem de natureza vocálica­, a figura recebe o nome de assonância.

“Sou um mulato nato no sentido lato

mulato democrático do litoral.”

(Caetano Veloso)

 

Figuras de pensamento

Antítese: é a aproximação de palavras que tem o sentido oposto.

“Os jardins têm vida e morte.” (Cecília Meireles)

 

Ironia: é o uso de uma palavra, expressão ou frase com seu sentido contrário do literal, a fim de tornar a mensagem satírica.

“A excelente Dona Inácia era mestra na arte de judiar crianças.” (Monteiro Lobato)

 

Eufemismo: é a suavização de uma expressão desagradável, sendo substituída por uma menos rude.

“Querida, ao pé do leito derradeiro

Em que descansas dessa longa vida,

Aqui venho e virei, pobre querida,

Trazer-te o coração do companheiro.”

(Machado de Assis)

 

Hipérbole: é a exageração de uma ideia com o objetivo de ser mais expressiva.

“O leito dos rios fartou-se

E inundou de água doce

A amargura do mar.”

(Chico Buarque)

 

Figuras de palavras

Metáfora: é o uso de uma palavra ou expressão no lugar de outra, que possui, entre elas, certa semelhança de sentido. As metáforas são um tipo de comparação implícita, em que o elemento comparativo não aparece.

“Meu pensamento é um rio subterrâneo.” (Fernando Pessoa)

Nesse exemplo, a metáfora ocorre pelos traços de semelhança entre o pensamento e o rio, pela fluidez, profundidade, inatingibilidade de ambos.

Caro(a) estudante, interprete e atente-se aos textos: se a frase fosse “meu pensamento é como um rio subterrâneo” não teríamos uma metáfora, e sim uma comparação!

Metonímia: é o emprego de um termo no lugar de outro, mantendo-se uma relação com o todo.

“O bonde passa cheio de pernas:

Pernas brancas pretas amarelas.” (Carlos Drummond de Andrade)

(aqui temos a palavra pernas em lugar de pessoas: seria a parte pelo todo)

“De que importa, se aguarda sem defesa

Penha a nau, ferro a planta, tarde a rosa?” (Gregório de Matos)

(substituição da matéria pelo objeto: ferro (matéria) equivale a machado (objeto))

Saiba um pouco mais de figuras de linguagem nesse vídeo aula da professora Lucia Deborah, do canal Descomplica, no Youtube. Preste atenção como é interessante a sonoridade presente nos poemas!

 

Não é incrível como o texto escrito, em sua forma e sonoridade, tem poderes de criar sentidos e efeitos diante de nossos olhos e mente?

Dito isso, teste seus conhecimentos, sobre figuras de linguagem, com alguns exercícios que selecionei pra você!

 Exercícios

 1- (FMU-SP) Observe a letra destacada nos dois versos seguintes.

“O vento voa

a noite toda se atordoa,”

 

Na consoante que se repete, você vê:

a) Aliteração

b) Assonância

c) Eco

d) Rima

e) Onomatopeia

 

2- Identifique qual das alternativas trata-se de metáfora:

a) Eles morreram de rir daquela cena.

b) Aqueles olhos eram como dois faróis acesos.

c) Ah! O doce sabor da vitória!

d) Aquele velho é uma raposa!

 

3- “Muito bom aquele encanador. Colocou em nossa casa vários canos furados.”

Esta frase trata-se de qual tipo de figura de linguagem?

a) Metonímia

b) Ironia

c) Indireta

d) Antítese

 

Gabarito:

1 – A

2 – D

3 – B

O texto foi escrito pela professora Analice, formada em Letras pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – Unesp. Atualmente é mestranda em Literatura na Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, professora de português na rede particular e colaboradora do Blog do Enem. Facebook: http://www.facebook.com/analice.andrade