O início do Modernismo brasileiro – Revisão Enem de Literatura

Veja como o movimento Modernista teve início no Brasil para gabaritar as questões de Literatura no Enem.

Modernismo brasileiro: A Semana de Arte Moderna, realizada em São Paulo, no ano de 1922, tinha como objetivo colocar a cultura brasileira por dentro das correntes vanguardistas do pensamento europeu, enquanto pregavam a tomada de consciência da realidade do Brasil.

Nesse momento, surge o Modernismo no nosso país. Entenda como isso aconteceu, estudando o momento histórico que o Brasil vivia, para você se dar bem em Literatura brasileira no Enem e Vestibular.1Veja abaixo as palavras do escritor Mário de Andrade, proclamadas na famosa conferência “O Movimento Modernista”, promovida pela Casa do Estudante do Brasil, no Rio de Janeiro, em abril de 1942, a fim de dar dimensão ao tal acontecimento.

“Manifestado especialmente pela arte, mas manchando também com violência os costumes sociais e políticos, o movimento modernista foi o prenunciador, o preparador e por muitas partes o criador de um estado de espírito nacional.  A transformação do mundo, com o enfraquecimento gradativo dos grandes impérios, com a prática europeia de novos ideais políticos, a rapidez dos transportes e mil e outras causas internacionais, bem como o desenvolvimento da consciência americana e brasileira, os progressos internos da técnica e da educação, impunham a criação de um espírito novo e exigiam a reverificação e mesmo a remodelação da Inteligência nacional. Isto foi o movimento modernista, de que a Semana de Arte Moderna ficou sendo o brado coletivo principal.”

Desse modo, com as palavras de Mário de Andrade, a Semana de Arte Moderna deve ser encarada não apenas como um movimento artístico, ma também como um movimento político e social. Para melhor compreensão, vejamos o momento histórico no qual o Brasil estava vivendo.

Momento histórico do Modernismo

Depois dos governos militares do início da República, os senhores rurais voltaram ao poder, fortalecidos pela economia do café, que abrangia em torno da região São Paulo – Minas Gerais, dando início à “política dos governadores” (que apoiavam o governo federal). Tal situação favoreceu as elites dos estados de São Paulo e Minas Gerais, que se alternavam no poder (a conhecida política do café com leite que perdurou até 1930).

Enquanto isso, as principais cidades brasileiras, especialmente São Paulo, viviam uma rápida mudança em decorrência do processo industrial do início do século XX. Dessa maneira, surgiu uma burguesia industrial que ficava mais forte com o passar do tempo, porém marginalizada pela política econômica exercida pelo governo federal, visada na produção e exportação do café.

Nesse momento, a presença de imigrantes europeus, principalmente italianos, que se direcionavam para as regiões com melhor economia, tanto na zona rural, onde havia as plantações de café, quanto na zona urbana, onde se localizavam as indústrias. Nos centros urbanos, havia também uma parte da população pressionada pelos “barões do café” e a alta burguesia e pelo operariado (pequena burguesia, de caráter reivindicatório, formada, também, por funcionários públicos, comerciantes, militares e profissionais liberais).

Daí então, a declaração de Mário de Andrade, que afirma que “só mesmo uma cidade grande, mas provinciana, como São Paulo, poderia fazer o movimento modernista e objetivá-lo na Semana (de Arte Moderna)”.

A Semana de Arte Moderna

semana de arte moderna
Cartaz da Semana de Arte Moderna
Vitor Brecheret foi descoberto por um grupo de jovens modernistas em 1920. De acordo com Mário de Andrade, Brecheret foi o “criador do estado de espírito” dos modernistas
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O Manifesto Pau-Brasil foi um escrito por Oswald de Andrade e publicado no jornal Correio da Manhã, em março de 1924. Nele e no livro de poesias Oswald propõe uma literatura extremamente vinculada à realidade brasileira, a partir de uma redescoberta do Brasil.

Não deixe de colocar em prática o conteúdo estudado. Faça os exercícios que selecionei para você:

Exercícios

1- (PUC/SP) A Semana de Arte Moderna (1922), expressão de um movimento cultural que atingiu todas as nossas manifestações artísticas, surgiu de uma rejeição ao chamado colonialismo mental, pregava uma maior fidelidade à realidade brasileira e valorizava sobretudo o regionalismo. Com isto pode-se dizer que:

a) romance regional assumiu características de exaltação, retratando os aspectos românticos da vida sertaneja.

b) a escultura e a pintura tiveram seu apogeu com a valorização dos modelos clássicos.

c) movimento redescobriu o Brasil, revitalizando os temas nacionais e reinterpretando nossa realidade.

d) os modelos arquitetônicos do período buscaram sua inspiração na tradição do barroco português.

e) a preocupação dominante dos autores foi com o retratar os males da colonização.

 

2- (Enem/2012)

O trovador

Sentimentos em mim do asperamente
dos homens das primeiras eras…
As primaveras do sarcasmo
intermitentemente no meu coração arlequinal…
Intermitentemente…
Outras vezes é um doente, um frio
na minha alma doente como um longo som redondo…
Cantabona! Cantabona!
Dlorom…
Sou um tupi tangendo um alaúde!

ANDRADE, M. In: MANFIO, D. Z. (Org.) Poesias completas de Mário de Andrade.
Belo Horizonte: Itatiaia, 2005.

Cara ao Modernismo, a questão da identidade nacional é recorrente na prosa e na poesia de Mário de Andrade. Em O trovador, esse aspecto é

a) abordado subliminarmente, por meio de expressões como “coração arlequinal”, que, evocando o carnaval, remete à brasilidade.

b) verificado já no título, que remete aos repentistas nordestinos, estudados por Mário de Andrade em suas viagens e pesquisas folclóricas.

c) lamentado pelo eu lírico, tanto no uso de expressões como “Sentimentos em mim do asperamente” (v. 1), “frio” (v. 6), “alma doente” (v. 7), como pelo som triste do alaúde “Dlorom” (v. 9).

d) problematizado na oposição tupi (selvagem) x alaúde (civilizado), apontando a síntese nacional que seria proposta no Manifesto Antropófago, de Oswald de Andrade.

e) exaltado pelo eu lírico, que evoca os “sentimentos dos homens das primeiras eras” para mostrar o orgulho brasileiro por suas raízes indígenas.

Gabarito

1 – C

2- D (Um dos temas mais importantes para o Modernismo, sobretudo para a primeira fase modernista, foi a identidade nacional, especialmente na obra de Mário de Andrade. Podemos notar uma visão problematizadora da questão, já que o escritor escapa da idealização do tema e propõe uma visão mais crítica, evidenciada no choque entre barbárie e civilização.)

O texto foi escrito pela professora Analice, formada em Letras pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – Unesp. Atualmente é mestranda em Literatura na Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, professora de português na rede particular de ensino de Florianópolis e colaboradora do Blog do Enem. Facebook: http://www.facebook.com/analice.andrade