Mulheres e mercado de trabalho: inserção e conquistas

Quer entender quais foram as principais conquistas femininas no mercado de trabalho e quais desafios ainda existem pela frente? Então continue sua leitura!

A luta das mulheres por igualdade de direitos já é antiga e integra um dos pilares da evolução da humanidade nos últimos séculos. Essas conquistas, que já passaram pelo direito ao estudo, ao voto e ao uso de métodos contraceptivos, permitiram que a mulher estabelecesse seu lugar dentro da sociedade de forma mais justa e igualitária. Porém, muitos impedimentos ainda existem para que a mulher possa exercer plenamente todos os seus direitos – e o trabalho continua sendo um deles.

Direitos femininos: um histórico

Antes de entender o contexto atual, é importante trazer à luz o que já foi conquistado até aqui. Muitas questões já foram trabalhadas ao longo das décadas e, hoje, é indiscutível a importância da mulher na sociedade, em todas as suas áreas. 

Considerando que, há pouco menos de 150 anos, a mulher sequer tinha direito de cursar o ensino superior, precisamos contextualizar o quanto evoluímos graças a luta de mulheres que, inconformadas com a estereótipo de cidadãs de segunda classe, desafiaram o patriarcado deixaram um legado de liberdade e igualdade para as gerações seguintes.

Confira a linha do tempo a seguir e entenda as condições em que as mulheres viviam no século XIX e todos os direitos políticos, sociais e trabalhistas alcançados até aqui.

  • 1819 – Reivindicação do direito de cursar ensino superior.
  • 1908 – Reivindicação por igualdade de direitos para as mulheres nos Estados Unidos.
  • 1917 – No dia 8 de março, na Rússia, no protesto conhecido como Pão e Paz, milhares de mulheres às ruas reivindicando melhores condições de trabalho e o fim da guerra que massacrava a nação.
  • 1918 – Após anos de luta, o Movimento Sufragista conquista o direito de voto na Inglaterra.
  • 1932 – No Brasil, a Constituição Federal permite, pela primeira vez, que as mulheres tenham direito ao voto.
  • 1945 – A Carta das Nações Unidas reconhece a igualdade de direitos entre mulheres e homens.
  • 1960 – Início da liberação feminina, acentuada com a disponibilização da pílula anticoncepcional.
  • 2006 – Criação da Lei Maria da Penha, desenvolvida para combater a violência contra a doméstica.
  • 2015 – Criação da Lei do Feminicídio, que classifica como crime hediondo o assassinato de mulheres que estejam relacionados a opressão contra o gênero feminino.

O início da força de trabalho da mulher

Boa parte da luta e da conquista feminina ao longo do tempo se relacionam com condições de trabalho mais dignas e justas. A partir da revolução industrial, que ocorreu nos séculos 18 e 19, o trabalho da mulher fora de casa passou a se tornar mais comum.

Porém, o mercado de trabalho muitas vezes se restringia às fábricas ou outras áreas em que a jornada era bastante extensa, com salários baixos, maus-tratos, muitos riscos à saúde e pouca ou nenhuma possibilidade de ascensão para cargos mais valorizados.

Ainda assim, essa mudança de perspectiva impactou bastante na estrutura social como um todo, já que as famílias, cada vez mais, diminuíam de tamanho e outras estruturas familiares passaram a existir. 

Apenas a partir da primeira década do século 20, as condições de trabalho exaustivas e pouco salubres a que eram submetidas as mulheres trabalhadoras passaram a ser contestadas, em movimentos que surgiam em várias partes do mundo que já experimentavam a ascensão da industrialização.

Nesse contexto, em maio 1908, cerca de 1,5 mil mulheres foram responsáveis por organizar uma manifestação em prol da igualdade nos Estados Unidos, que foi seguida de uma série de greves que paralisaram a indústria têxtil, uma das principais fontes de trabalho feminino naquela época.

Outras reivindicações históricas se seguiram no mesmo período. Em 1911, uma fábrica têxtil em Nova York, Triangle Shirtwaist foi destruída por um incêndio em que 129 mulheres e 23 homens morreram carbonizados ou devido aos traumas por se jogarem do edifício tentando se salvar. O número consideravelmente maior de mulheres mortas no episódio, evidenciou o tratamento que elas recebiam no ambiente de trabalho: eram trancadas no andar da tecelagem para que não furtassem ou não fizessem pausas durante a jornada. Com o incidente, muitas acabaram não conseguiram sair do edifício. 

A mulher no mercado de trabalho atualmente

Entendendo todo o contexto histórico que envolveu a inserção da mulher no mercado de trabalho no Brasil e no mundo, podemos afirmar que a sociedade evoluiu bastante graças a luta de milhares de trabalhadoras ao longo do tempo. 

Porém, essa é uma revolução que ainda não terminou. As injustiças ainda existem e, embora cada vez mais mulheres ocupem espaços fora do ambiente doméstico, as desigualdades em relação aos cargos de comando, salários e qualidade de emprego ainda refletem muito da opressão a que sempre foram submetidas.

Para entender os desafios da mulher no trabalho hoje, é preciso entender quais são os problemas que ainda existem e que barram os avanços nesse sentindo. Saiba quais são eles:

Dupla jornada

Mesmo que tenham pouco a pouco ocupado seu espaço no mercado de trabalho, a maior parte das mulheres não estão isentas do trabalho doméstico e dos cuidados com a família. Der acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres gastam o dobro do tempo em atividades relacionadas à casa e aos filhos do que os homens, sendo 21,3 horas e 10,9 horas, respectivamente.

Dessa forma, o que acontece na maioria das vezes é uma dupla jornada, fazendo com que as mulheres tragam para si a maior parte das responsabilidades da casa e da família. Sem dúvida, essa sobrecarga reflete diretamente no rendimento em cada uma dessas atividades, o que leva a exaustão física e psíquica que podem até impossibilitar a ascensão na carreira e nos estudos.

Salários

Hoje, pagar um salário menor para mulheres que ocupam o mesmo cargo que homens é proibido por lei. Porém, a desigualdade nos rendimentos ainda é uma realidade para muitas trabalhadoras. 

De acordo com o IBGE, em estudo realizado em 2019, as mulheres ganham, em média, 20,5% menos do que os homens em todas as ocupações presentes na pesquisa – ainda que tenha se observado uma queda nessa diferença entre 2012 e 2018.

Essa perspectiva pode traduzir uma tendência em que a mulher, ainda que possua maior escolaridade que os homens – 16,9% contra 13,5% dos brasileiros com ensino superior – muitas vezes não consegue atingir o mesmo patamar salarial de homens, que tradicionalmente podem se dedicar inteiramente a sua profissão e tem a possibilidade de atingir postos de trabalho mais elevados, o que acaba refletindo diretamente nos rendimentos

Preconceitos

Uma pesquisa realizada pelo Brookings Institucion consegue demonstrar bem como o preconceito pode ser um grande obstáculo para as mulheres no mercado de trabalho. Nessa análise, foi percebido que mulheres na área da tecnologia tem desempenho melhor do que os homens, tendo um desempenho ligeiramente superior a eles em testes lógicos. No entanto, essa é uma das áreas em que mais predomina o trabalho masculino, contando com apenas 30% dos cargos ocupados por mulheres e pouquíssimas delas em posições de liderança.

Outro ponto fundamental que revela a desvantagem da mulher enquanto profissional é o preconceito com as trabalhadoras mães – que muitas vezes são rechaçadas em entrevistas ou submetidas a julgamentos por conta de suas responsabilidades com seus filhos, demonstrando o pensamento tradicional de que elas são as únicas ou principais responsáveis pelos cuidados com a família e, por isso, não poderão se dedicar totalmente ao trabalho ou irão apresentar um rendimento insuficiente. 

Tudo isso decorre, ainda, como uma marca ainda visível de uma sociedade que traz resquícios do machismo e da opressão que existia nos séculos passados traduzidas em medidas trabalhistas que existem até hoje, como a licença maternidade de 120 dias para as mães, enquanto os pais devem voltar ao trabalho entre cinco e 20 dias após o nascimento do bebê.

Ainda que existam iniciativas para ampliar a licença parental, de forma que os pais também possam, amparados pela lei, ficarem mais próximos de seus filhos em seus primeiros meses de vida, este caminho ainda está bem longe de trazer igualdade de condições de trabalho para homens e mulheres.  

Como você viu ao longo do texto, muitas iniciativas vêm ocorrendo para garantir que as mulheres consigam seu lugar no mercado de trabalho de forma igualitária e segura, por meio de leis que garantem posições femininas em qualquer área da sociedade. 

Muito se avançou, mas os desafios continuam e é preciso estar alerta para mitigar definitivamente a injustiça e a falta de oportunidade para as mulheres que decidem fazer parte do mercado de trabalho.

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Jade Philippe

Diretora de Conteúdo do Blog do Enem. Formada em Direito, descobriu na comunicação um caminho mais direto para ajudar as pessoas. Foi assim que passou a integrar a equipe do Curso Enem Gratuito, plataforma dedicada a entregar educação livre, de qualidade e gratuita a todos os estudantes do Brasil.
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