A Filosofia da Patrística: A opção por Deus como o caminho da verdade – Filosofia Enem

Veja o que significa o pensamento da Patrística. Ele aconteceu durante a Idade Média, e o principal expoente foi o pensador cristão Santo Agostinho. Entenda qual era a discussão daquela época no diálogo entre a fé e a razão. Cai em Filosofia no Enem!

A patrística corresponde a um dos períodos da Idade Média. A patrística tem seu início em meados do século IV e vai até o século VIII. Neste período o cristianismo está vivendo sua grande expansão e precisava de argumentos racionais para justificar suas verdades e sua doutrina.

Os padres desta época procuraram produzir estes argumentos que explicavam a relação entre fé e razão, a natureza do divino, a importância da moral na vida humana e, neste conjunto, davam grande importância à alma humana.

Patrística, portanto, é uma construção de uma filosofia cristã constituída pelos padres da Igreja Católica formulando uma visão racional dos princípios religiosos e na formulação da doutrina das verdades de fé e uma resposta às visões contrária a fé crista, as quais eles chamavam de heresias.

A filosofia patrística inspirou-se na grega, afirmando ser a expressão terminada da verdade, não obtida pelos filósofos gregos que a buscavam. Isto é, para os padres da patrística, a verdade não tinha sido atingida pelos gregos porque Deus não havia ainda se revelado.

Um dos principais e mais conhecido deste período é Santo Agostinho. Nasceu em Tagaste, na Numídia , norte da África, em 354, vindo mais tarde viria a ser conhecido como Santo Agostinho.

Com dezesseis anos foi estudar para Cartago. Mais tarde, visitou Roma e Milão e passou os últimos anos da sua vida como bispo de Hipona, entre trinta a quarenta quilômetros a oeste de Cartago.Mas, ele não foi sempre cristão. Santo Agostinho conheceu muitas correntes filosóficas e religiosas antes de se converter ao cristianismo. Durante algum tempo, foi “maniqueu”.

Os maniqueus pertenciam a uma seita típica da Antiguidade tardia. Proclamavam uma teoria da salvação em parte religiosa e em parte filosófica. Dividiam o mundo em bem e mal, luz e trevas, espírito e matéria. Através do seu espírito, os homens podiam elevar-se acima do mundo material e deste modo criar a base para a salvação da sua alma.

Aula Gratuita sobre a Patrística e Santo Agostinho

Veja com o professor Alan, do canal Curso Enem Gratuito, a essência do pensamento da Patrística:

Como você viu na aula do professor Alan, a rigorosa separação entre o bem e o mal não dava descanso a Santo Agostinho.

O jovem Agostinho ocupava-se principalmente com aquilo a que costumamos chamar “o problema do mal”. Por este problema, devemos entender a questão da origem do mal.

Durante algum tempo, ele foi influenciado pela filosofia estoica, e os estoicos negavam uma separação clara entre o bem e o mal. Mas acima de tudo, Santo Agostinho foi influenciado por outra corrente filosófica importante da Antiguidade tardia – o neoplatonismo, que defendia que tudo o que existia era de natureza divina.

Agostinho foi capaz de responder a um aspecto do problema do mal facilmente. Ele defendia que, embora tenha criado tudo o que existe, Deus não criou o mal porque o mal não é algo, mas a falta ou a deficiência de algo. Por exemplo, o mal padecido por um homem cego é a ausência de visão; o mal em um ladrão é a falta de honestidade.

Agostinho tomou emprestado esse modo de pensar de Platão e seus seguidores.

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Mas Agostinho precisa explicar por que Deus teria criado o mundo de tal maneira a permitir que existissem tais males ou deficiências naturais e morais. Sua resposta girou em torno da ideia de que os humanos são seres racionais. Ele argumentou que, para que Deus criasse criaturas racionais, como os seres humanos, por exemplo, tinha de lhes dar o livre-arbítrio.

Ter livre-arbítrio significa ser capaz de escolher – inclusive escolher entre o bem e o mal. Por essa razão, Deus teve de deixar aberta a possibilidade de que o primeiro homem, Adão, escolhesse o mal em vez do bem.

Agostinho explica que Deus criou o mundo do nada, e isso é uma ideia bíblica. Os gregos inclinavam-se mais para a ideia de que o mundo existira sempre. Mas, segundo

Agostinho, antes de Deus ter criado o mundo as “ideias” existiam no pensamento de Deus. Ele atribuiu às ideias eternas a Deus e salvou deste modo à concepção platônica da ideia eterna.

Segundo Agostinho, toda a geração humana foi condenada após o pecado original. Apesar disso, Deus decidiu que alguns homens deviam ser poupados à condenação eterna.

É que, para Agostinho, nenhum homem é digno da salvação de Deus. No entanto, Deus escolheu alguns que devem ser salvos da condenação. Para ele, não é pois um segredo quem é que deve ser salvo e quem é que deve ser condenado. Isso está determinado previamente. Logo, nós somos barro nas mãos de Deus. Estamos completamente dependentes da Sua graça.

Segundo o seu ponto de vista, nós devemos viver de modo a podermos saber que pertencemos ao número dos eleitos. Não nega que tenhamos livre arbítrio. Só que Deus já “previu” como é que vamos viver.

Agostinho também elaborou a Teoria da Iluminação Divina, por meio da qual afirmava que todo conhecimento verdadeiro é o resultado de uma iluminação proveniente de Deus.

Para ele, existem dois tipos de conhecimentos: o sensível e o divino.

O conhecimento sensível se dá pelos sentidos ou raciocínio indutivo, e é acessível a qualquer ser humano. Exemplo: percepção das cores, tato, olfato, sons, paladar, etc.
Por outro lado, as verdades eternas pertencem a um plano imaterial e só podem ser obtidas através da iluminação de Deus à razão e ao intelecto do ser humano; de acordo com essa teoria, Deus é o detentor das verdades obsolutas.

Resumo

A filosofia patrística consiste num período da Idade média em que os padres da Igreja, se concentram em produzir textos para defendes o cristianismo e a construção de sua doutrina, buscando uma conciliação entre fé e razão. Um dos expoentes desse período é Santo Agostinho.

A outra corrente do pensamento cristão que buscou estabelecer um diálogo entre a Fé e a Razão ocorreu através das obras de Santo Tomás de Aquino. Em vertente oposta à de Santo Agostinho, o pensamento tomasiano busca comprovar a existência de Deus através das evidências da própria Natureza.

Veja um resumo sobre o pensamento de Santo Tomás de Aquino:

Muito bom este resumo da professora Paula Pille. Gostou?

Rerência

COTRIM, Gilberto; FERNANDES, Mirna. Fundamentos da Filosofia. 1. Ed. – São Paulo: Saraiva, 2010;

GAARDER, Justein. O mundo de Sofia: Romance da história da filosofia; tradução João Azenha Jr. – São Paulo: Companhia das Letras, 1995

VASCONCELOS, Ana. Manual compacto da filosofia. 2. Ad. – São Paulo: Rideel, 2011.

Chegou a sua vez. Resolva essas questões de vestibulares e prepare-se para o Enem!

1) (UFFS) Assinale a alternativa que responde CORRETAMENTE à pergunta abaixo.

Segundo Santo Agostinho, através de qual procedimento podemos descobrir a verdade?

A( ) Pela experiência empírica.
B( ) Pelo diálogo ecumênico.
C( ) Pela iluminação interior.
D( ) Pela ação do Demiurgo.
E( ) Pela dedução transcendental das categorias.

2) (Ufu 2003) A teoria da iluminação divina, contribuição original de Agostinho à filosofia da cristandade, foi influenciada pela filosofia de Platão, porém, diferencia-se dela em seu aspecto central.

Assinale a alternativa abaixo que explicita esta diferença.

a) A filosofia agostiniana compartilha com a filosofia platônica do dualismo, tal como este foi definido por Agostinho na Cidade de Deus. Assim, a luz da teoria da iluminação está situada no plano suprassensível e só é alcançada na transcendência da existência terrena para a vida eterna.
b) A teoria da Iluminação, tal como sugere o nome, está fundamentada na luz de Deus, luz interior dada ao homem interior na busca da verdade das coisas que não são conhecidas pelos sentidos; esta luz é Cristo, que ensina e habita no homem interior.
c) Agostinho foi contemporâneo da Terceira Academia, recebendo os ensinamentos de Arcesilau e Carnéades, o que resultou na posição dogmática do filósofo cristão quanto à impossibilidade do conhecimento da verdade, sendo o conhecimento humano apenas verossímil.
d) A alma é a morada da verdade, todo conhecimento nela repousa. Assim, a posição de Agostinho afasta-se da filosofia platônica, ao admitir que a alma possui uma existência anterior, na qual ela contemplou as ideias, de modo que o conhecimento de Deus é anterior à existência.

3) Santo Agostinho de Hipona (cidade africana) foi o mais importante filósofo da Alta Idade Média. Além de filósofo e teólogo, Agostinho também exercia uma função eclesiástica na cidade citada. Qual função era essa?

a) Cônsul
b) Cardeal
c) Bispo
d) Pároco
e) Delegado

4) (UFU 09/2002) A Patrística, filosofia cristã dos primeiros séculos, poderia ser definida como

A) retomada do pensamento de Platão, conforme os modelos teológicos da época, estabelecendo estreita relação entre filosofia e religião.
B) configuração de um novo horizonte filosófico, proposto por Santo Agostinho, inspirado em Platão, de modo a resgatar a importância das coisas sensíveis, da materialidade.
C) adaptação do pensamento aristotélico, conforme os moldes teológicos da época.
D) criação de uma escola filosófica, que visava combater os ataques dos pagãos, rompendo com o dualismo grego.

5) (Ufu 2010) A filosofia de Agostinho (354 – 430) é estreitamente devedora do platonismo cristão milanês: foi nas traduções de Mário Vitorino que leu os textos de Plotino e de Porfírio, cujo espiritualismo devia aproximá-lo do cristianismo. Ouvindo sermões de Ambrósio, influenciados por Plotino, que Agostinho venceu suas últimas resistências (de tornar-se cristão).

(PEPIN, Jean. Santo Agostinho e a patrística ocidental. In: CHÂTELET, François (org.) A Filosofia medieval. Rio de Janeiro Zahar Editores: 1983, p.77.)

Apesar de ter sido influenciado pela filosofia de Platão, por meio dos escritos de Plotino, o pensamento de Agostinho apresenta muitas diferenças se comparado ao pensamento de Platão.

Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, uma dessas diferenças:

a) Para Agostinho, é possível ao ser humano obter o conhecimento verdadeiro, enquanto, para Platão, a verdade a respeito do mundo é inacessível ao ser humano.
b) Para Platão, a verdadeira realidade encontra-se no mundo das Ideias, enquanto para Agostinho não existe nenhuma realidade além do mundo natural em que vivemos.
c) Para Agostinho, a alma é imortal, enquanto para Platão a alma não é imortal, já que é apenas a forma do corpo.
d) Para Platão, o conhecimento é, na verdade, reminiscência, a alma reconhece as Ideias que ela contemplou antes de nascer; Agostinho diz que o conhecimento é resultado da Iluminação divina, a centelha de Deus que existe em cada um.

Respostas:

1: C; 2: b; 3: c; 4: A; 5: d

Post escrito por Gilson Luiz Corrêa. Gilson é bacharel em Filosofia pela UNISUL, possui Licenciatura em Filosofia pela UFSC e em Psicopedagogia pela FMP. É professor do Colégio Catarinense. Facebook: https://www.facebook.com/gilsonluiz.correa