Antologia Arcadismo – Literatura Enem

Você sabia que Luís Antônio Verney foi um dos principais escritores do arcadismo? Revise esta aula para mandar bem na Literatura do Enem!

Nesse post, você lerá sobre os principais autores e suas produções literárias, do Arcadismo, para que você, estudante do Enem e Vestibular, não tenha nenhuma dúvida quanto as características desse período literário!

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Você lembra do Arcadismo? O blog do Enem já falou explicou aqui as principais características dessa escola literária, entre elas o bucolismo e a valorização da natureza. Neste outro post, mostramos como o Arcadismo influenciou a literatura brasileira e a literatura portuguesa.  Na aula de hoje, confira quais foram os principais escritores do Arcadismo.

Principais escritores do Arcadismo 

Luís Antônio Verney

Luís Antônio Verney (1713 – 1792) nasceu em Lisboa. Formado em Artes e Teologia pela Universidade de Évora, estudou também em Roma, cidade onde faleceu. Tinha a intenção de escrever uma grande obra, parecido com uma enciclopédia pedagógica, que tivesse o embasamento para o entendimento para a compreensão de uma nova mentalidade: a arcádica. Seu obra permaneceu inacabado por conta de seu falecimento, mas o que deixou foi suficiente para se ter certeza de sua inteligência e qualidade de pensamentos.

Escreveu:

  • Verdadeiro Método de Estudar (1746);
  • De Ortographia Latina líber singularis (1747);
  • Apparatus add Philosophian er Theologiam (1751);
  • De Re Metaphysica (1753);
  • Gramática Latina (1758);
  • De Re Physica (1769).
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Luís Antônio Verney

Verdadeiro Método de Estudar

Tenho ainda outra coisa que advertir, que também é efeito de mau engenho e são aqueles ditos que chama agudos, e jogos de palavras, que se acham frequentissimamente nos poetas. Vera V.S. pessoas que cuidam dizer graças e coisas engenhosas, e dizem insípidas ridicularias. Outros servem-se de uma palavra com um c, que, posta comum, significa coisa diferente; e aqui formam uma caraminhola a que chama  engenho e ficam mui satisfeitos da sua grandeza. O pior esta em que há homens que escrevem sobra a grandeza e quiseram ensinar isso aos leitores. Li há anos um livrinho pequeno de um espanhol, que cuido era Gracián, e se Intitulava e Tratado de la Agudeza . Lembro-me que o autor, num prólogo desejava ao livro a boa fortuna de cai em mãos de quem o entendesse. Pelos meus pecados, eu fui um dos que não se cansaram de entendê-lo; Porque logo entendi que o livro não merecia que se lesse. Quere ensinar a dizer graças e agudezas é o mesmo que querer ensinar a mudar a natureza: Quem não é próprio para estas coisas, não as pode aprender. As graças, pela maior parte tem beleza respectiva: Em bocas de uns, têm graça; Na dos outros não. A agudeza, quando não é pura, é o mesmo. Pela maior parte, as que passam com este nome não merecem este titulo: são meros jogos de palavras que agradam infinitamente aos ignorantes. Neste particular, a verdadeira regra é esta: se o conceito, traduzido em outra língua, conserva a mesma força, pode-se chamar pensamento ou agudo ou engenhoso, segundo as circunstancias; se a perde, pronuncie V.S livremente que é uma ridicularia, e que só pode ter lugar entre gente que só gosta daquilo.

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Filinto Elísio

Filinto Elísio

Filinto Elísio – pseudônimo do Padre Francisco Manuel do Nascimento (1734 – 1819), nasceu em Lisboa. Sob o pseudônimo de Niceno, liderou o Grupoda Ribeira das Naus, que se opunha à Arcádia Lusitana. Foi perseguido pela Inquisição, porém conseguiu fugir para a França, onde publicou seus poemas.

Soneto

 

Já vem a primavera, desfraldando

Pelos ares as roupas perfumadas,

E os rios vão, nas águas jaspeadas,

Os frondífferos troncos retratando;

 

Vão-se as neves dos montes debruçando

Em tortuosas serpes argentadas;

Pelas veigas, o gado, alcaifadas,

A esmeraldina felpa vai tostando.

 

Riem-se os céus, revestem-se as campinas;

E a natureza as melindrosas cores

Esmera na pintura das boninas.

 

Ah! Se assim como brotam novas flores,

Se remoça todo o orbe…das ruínas

Dos zelos renascessem meus amores!

 

Correia Garção

Correia Garção (1724 – 1772) nasceu em Lisboa e se formou em Direito, em Coimbra. Entrou para a Arcádia Lusitana em 1756. Autor de Obras Poéticas (1778), obra póstuma, escreveu ainda duas comédias e duas tragédias para o teatro. Teve bastante influência sobre a Arcádia Lusitana, ao restabelecer as formas clássicas de expressão.

Cantata de Dido

 

Já no roxo oriente, branqueado,

As prenhes velas da troiana frota

Entre as vagas azuis do mar dourado

Sobre as asas do vento se escondiam.

A misérrima Dido,

Pelos paços reais vaga ululando,

C’os turvos olhos inda em vão procura

O fugitivo Eneias.

Só ermas ruas, só desertas praças

A recente Cartago lhe apresenta.

Com medonho fragor na praia nua

Fremem de noite as solitárias ondas;

E nas douradas grimpas

Das cúpulas soberbas

Piam noturnas, agoureiras aves (…)

E aí, pessoal. Gostaram de conhecer as obras de alguns escritores do Arcadismo?

O texto foi escrito pela professora Analice, formada em Letras pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – Unesp. Atualmente é mestranda em Literatura na Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, professora de português na rede particular de ensino de Florianópolis e colaboradora do Blog do Enem. Facebook: http://www.facebook.com/analice.andrade