Estilos e uso da linguagem: Português na Redação Enem

Veja Ironia, Metonímia, Catacrese, Metáfora e outras Figuras de Linguagem para você dominar a gramática da Redação Enem. O uso da linguagem formal é o caminho. Vem!

O estilo é a parte da gramática que trata das estratégias artísticas/criativas usadas na língua (principalmente as figuras de linguagem), também conhecido como estilística. Esses recursos muitas vezes têm o objetivo de sugerir, provocar, embelezar a forma e/ou o conteúdo do texto, ou seja, provocar efeitos expressivos. E no final, tem Simulado Enem Online com apenas 10 questões para você estudar melhor o uso da linguagem.

Na prova do Enem sempre encontramos alguma questão que trata sobre as figuras de linguagem. Atualmente temos mais de 50 dessas figuras de linguagem.

O uso da Linguagem no Enem

Hoje você vai aprender algumas delas como o pleonasmo, hipérbole, prosopopeia/personificação, perífrase, antítese, metáfora, ironia, eufemismo, metonímia, catacrese, anáfora, assonância, aliteração, paranomásia e onomatopeia. Todas valem para o mau ou para o bom uso da linguagem no Enem.linguagemUma dica: Ah, professora nunca encontrei esse termos “figura de linguagem” nas provas! Calma! Ás vezes esses termos podem vir grafados nas provas como “linguagem figurada”, ou “simbólica”, ou “figurativa”, ou “conotativa” ou “recurso estilístico ou expressivo”. Vamos lá!

Sentidos e Contextos no uso da linguagem

Nas figuras de linguagem, as palavras passam a assumir sentidos ampliados, diversos, consoante o contexto. Podem ser classificadas como: Pleonasmo – Consiste numa redundância cuja finalidade é reforçar a mensagem. Ex.: “E rir meu riso e derramar meu pranto / Ao seu pesar ou seu contentamento.” (Vinicius de Moraes)

Para começar bem este resumo veja com a professora Camilla, do canal do Curso Enem Gratuito, uma introdução bem divertida:

Depois deste resumo de introdução ao uso da linguagem com diferentes possibilidades, confira agora no texto a classificação e as características das Figuras de Linguagem:

Hipérbole – Trata-se de exagerar uma ideia com finalidade enfática. Ex.: Não vejo você há séculos. (Em vez de há muito tempo). É uma figura de uso da linguagem, e que você pode incorporar na sua redação.

Prosopopeia/personificação – Consiste em atribuir a seres inanimados predicados que são próprios dos seres animados. Como por exemplo: O jardim olhava as crianças sem dizer nada.

Perífrase – Consiste em substituir um nome por uma expressão que o identifique com facilidade. Ex.: O cavaleiro da triste figura (Em vez de Dom Quixote.)

Antítese – Consiste na aproximação de termos contrários, de palavras que se opõem pelo sentido. Ex.: “Os jardins têm vida e morte…” (Cecília Meireles)

Metáfora – Consiste em empregar um termo com significado diferente do habitual, com base numa relação de similaridade entre o sentido próprio e o sentido figurado. A metáfora implica, pois, uma comparação em que o conectivo comparativo fica subentendido. Ex.: “Meu pensamento é um rio subterrâneo.” (Fernando Pessoa, um craque no uso da linguagem portuguesa).

Ironia – É a figura que apresenta um termo em sentido oposto ao usual, com efeito crítico ou humorístico. Ex.: “Confesso que Marianinha foi para mim um daqueles amores únicos, dos quais não temos mais que cinco ou seis em toda a vida”. (José Roberto Torero)

Eufemismo – Essa figura é usada para substituir uma expressão por outra menos brusca; em síntese, procura-se suavizar alguma afirmação desagradável. Ex.: Vossa Excelência está faltando com a verdade, uma vez que ficou comprovado que na sua gestão houve desvio de dinheiro público. (Faltando com a verdade no lugar de está mentindo; desvio de dinheiro público no lugar de roubo.)

Metonímia – Nessa figura há uma transposição de significado, ou seja, uma palavra que usualmente significa uma coisa, vai significar outra nesse contexto. A metonímia vai fazer essa mudança de significado seguindo uma lógica:parte pelo todo, autor pela obra, efeito pela causa, continente pelo conteúdo, o instrumento pela pessoa que o utiliza, concreto pelo abstrato, etc.).

Exemplos de Metonímia: Pão para quem tem fome. (pão no lugar de alimento)/ Nas horas de folga escutava Mozart. (Mozart no lugar de a música de Mozart.)

Catacrese – Ocorre quando, por falta de um termo específico para designar um conceito, toma-se outro por empréstimo. Entretanto, devido ao uso contínuo, não mais se percebe que ele está sendo empregado em sentido figurado. Ex.: O pé da mesa estava quebrado.

Anáfora – Consiste na repetição de uma mesma palavra no início de versos ou frases. Ex.: “Amor é um fogo que arde sem se ver;/ Éferida que dói e não se sente;/ É um sentimento descontente;/ É dor que desatina sem doer.”

Assonância – Consiste na repetição ordenada de mesmos sons vocálicos. Ex.: “O que o vago e incógnito desejo / de ser eu mesmode meu ser me deu.” (Fernando Pessoa).

Aliteração – É a repetição ordenada de mesmos sons consonantais. Ex.: “Boi bem bravo, bate baixo, bota baba, boi berrando…” (Guimarães Rosa)

Paranomásia – Essa figura de linguagem vai significar na aproximação de palavras de sons parecidos, mas de significados distintos. Ex.: “ Conhecer as manhas e as manhãs / O sabor das massas e das maçãs” (Almir Sater e Renato Teixeira)

Onomatopeia – Consiste na criação de uma palavra para imitar sons e ruídos. Ao contrário das figuras anteriores, a onomatopeia procura imitar ruídos e não apenas sugeri-los. Ex.: Chega de blá-blá-blá.

Os vícios de Linguagem

Você viu uma coleção de Figuras de Linguagem que você pode utilizar para fazer estilo na sua redação do Enem. Mas, existe um “outro lado” também, muito perigoso, que são os Vícios de Linguagem. Estes são terríveis, e jogam sua nota lá pra baixo.

Veja agora uma síntese sobre os Vícios de Linguagem com a professora Mercedes:

Valeu pra você ficar de antenas ligadas? Então, a dica final é se ligar para evitar o mau uso, e focar no bom uso da linguagem na Redação do Enem.

Veja também esse clipe sertanejo sobre as figuras de linguagem “Figuras de Linguagem do Amor (Macete para Vestibular)”, produzido pela UCDB Oficial:

 

Vamos praticar o uso da Linguagem

1 – (ENEM 2009) 

Metáfora
Gilberto Gil

Uma lata existe para conter algo,
Mas quando o poeta diz: “Lata”
Pode estar querendo dizer o incontível
Uma meta existe para ser um alvo,
Mas quando o poeta diz: “Meta”
Pode estar querendo dizer o inatingível
Por isso não se meta a exigir do poeta
Que determine o conteúdo em sua lata
Na lata do poeta tudonada cabe,
Pois ao poeta cabe fazer
Com que na lata venha caber
O incabível
Deixe a meta do poeta não discuta,
Deixe a sua meta fora da disputa
Meta dentro e fora, lata absoluta
Deixe-a simplesmente metáfora.

Disponível em: http://www.letras.terra.com.br. Acesso em: 5fev. 2009.

A metáfora é a figura de linguagem identificada pela comparação subjetiva, pela semelhança ou analogia entre elementos. O texto de Gilberto Gil brinca com a linguagem remetendo-nos a essa conhecida figura. O trecho em que se identifica a metáfora é:

(A) “Uma lata existe para conter algo”.
(B) “Mas quando o poeta diz: ‘Lata’”.
(C) “Uma meta existe para ser um alvo”.
(D) “Por isso não se meta a exigir do poeta”.
(E) “Que determine o conteúdo em sua lata”.

 

2 – (ENEM 2014)

O negócio

Grande sorriso do canino de ouro, o velho Abílio propõe às donas que se abasteçam de pão e banana:

– Como é o negócio?

De cada três dá certo com uma. Ela sorri, não responde ou é uma promessa a recusa:

– Deus me livre, não! Hoje não…

Abílio interpelou a velha:

– Como é o negócio?

Ela concordou e, o que foi melhor, a filha também aceitou o trato. Com a dona Julietinha foi assim. Ele se chegou:

– Como é o negócio?

Ela sorriu, olhinho baixo. Abílio espreitou o cometa partir. Manhã cedinho saltou a cerca. Sinal combinado, duas batidas na porta da cozinha. A dona saiu para o quintal, cuidadosa de não acordar os filhos. Ele trazia a capa da viagem, estendida na grama orvalhada.

O vizinho espionou os dois, aprendeu o sinal. Decidiu imitar a proeza. No crepúsculo, pum-pum, duas pancadas fortes na porta. O marido em viagem, mas não era de dia do Abílio. Desconfiada, a moça chegou à janela e o vizinho repetiu:

– Como é o negócio?

Diante da recusa, ele ameaçou:

– Então você quer o velho e não quer o moço? Olhe que eu conto!

(TREVISAN, D. Mistérios de Curitiba. Rio de Janeiro: Record, 1979 (fragmento)).

Quanto à abordagem do tema e aos recursos expressivos, essa crônica tem um caráter

(A) filosófico, pois reflete sobre as mazelas sofridas pelos vizinhos.

(B) lírico, pois relata com nostalgia o relacionamento da vizinhança.

(C) irônico, pois apresenta com malícia a convivência entre vizinhos.

(D) crítico, pois deprecia o que acontece nas relações de vizinhança.

(E) didático, pois expõe uma conduta ser evitada na relação entre vizinhos.

3 – (ENEM-2004)

Cidade grande

Que beleza, Montes Claros.
Como cresceu Montes Claros.
Quanta indústria em Montes Claros.
Montes Claros cresceu tanto,
ficou urbe tão notória,
prima-rica do Rio de Janeiro,
que já tem cinco favelas
por enquanto, e mais promete.

(Carlos Drummond de Andrade)

Entre os recursos expressivos empregados no texto, destaca-se a

a) metalinguagem, que consiste em fazer a linguagem referir-se à própria linguagem.
b) intertextualidade, na qual o texto retoma e reelabora outros textos.
c) ironia, que consiste em se dizer o contrário do que se pensa, com intenção crítica.
d) denotação, caracterizada pelo uso das palavras em seu sentido próprio e objetivo.
e) prosopopéia, que consiste em personificar coisas inanimadas, atribuindo-lhes vida.

GABARITO:

1 – Alternativa E. A metáfora, tal como se afirma no conceito apresentado na raiz da questão, é uma figura de linguagem que consiste em empregar uma palavra fora do seu sentido literal (denotativo), demonstrando semelhança ou analogia entre elementos. A comparação, nesse caso, é mental e subjetiva, tal como no poema de Gilberto Gil. Com exceção da alternativa correta, todas as demais empregam as palavras em seu sentido literal.

2 – Alternativa C. O fragmento utilizado pela banca é construído com base na ironia, o que se observa por meio da frase recorrente “Como é o negócio?”.

3 – Alternativa C. Em uma primeira leitura, temos a impressão de que o poeta faz elogios ao progresso da cidade mineira de Montes Claros. Contudo, observando certos elementos presentes no texto, é possível verificar que Drummond usou como principal figura de linguagem a ironia, sobretudo quando sinaliza que a riqueza e o progresso de Montes Claros indicam a expansão da miséria e da degradação social, situação encontrada nas favelas cariocas. Dessa forma, nota-se que o elogio é, na verdade, uma nítida crítica construída por meio da ironia.

Variedades Linguísticas – Simulado

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Os textos e exemplos acima foram preparados pela professora Su, com base em manuais gramaticais. A maioria dos exemplos são do Livro “A Gramática para Concursos Públicos”, do professor Fernando Pestana. A professora é Licenciada Plena em Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Pará (UFPA).