Prosa e Verso. Veja como diferenciar – Literatura Enem

Saiba como identificar as diferenças de textos em Prosa e Verso. E pratique em exercícios de interpretação nesta aula de Literatura Enem. Confira abaixo.

Você consegue diferenciar Prosa e Verso com facilidade? Se complicou, é porque está mesmo na hora de revisar. Vamos lá:

Na aula de hoje veremos as diferenças básicas entre o verso e a prosa, que são formas textuais que podem (e vão!!!) aparecer para você no Enem . Por que isso é importante? Algumas questões, usam uma terminologia muito ao encontro das definições que veremos a seguir, por exemplo: “na estrofe abaixo…” ou “no segundo verso…”.

A prosa, portanto, é aquele texto que ocupa a página toda. Ou seja, de margem à margem, o autor expõe suas ideias com períodos simples e compostos numa estrutura que conta, na maioria das vezes, com parágrafos.

Como exemplo de prosa para seu Enem, temos os contos, as crônicas e a maioria dos romances. Quando se trata de textos literários, deve-se considerar muito a autonomia do autor, que pode dar traços de poesia à sua prosa (como a rima), no entanto, sem desobedecer drasticamente as normas gramaticais.

O verso, por outro lado, é aquela forma de escrever que não usa a folha toda, ou seja, a ideia é passada em pedacinhos que, juntos, fazem sentido, forma frases e, por fim, um poema, o qual pode conter ritmo.

Abaixo, temos um esquema que procura facilitar a explicação e ajudar você na hora de identificar um poema no Enem.Enem 2013Digamos que o verso seja a menor parte de um poema. Um conjunto de versos forma uma estrofe e, finalmente, algumas estrofes compõem um poema.

É preciso considerar que há, na literatura, formas fechadas de se escrever um poema, como os sonetos que possuem uma métrica (estilo e regras para a escrita de um poema). Hoje, contudo, a poesia pode ser sinônimo, às vezes, de liberdade textual e desapego às regras fechadas que muito se viu anteriormente na história literatura.

No Enem é bem provável que apareça a interpretação de algum poema ou prosa, mas é interessante perceber que, além de saber diferenciar essas duas formas textuais, há que se considerar também o sentido que o autor procura dar ao texto.

Prosa é um texto “comum”, escrito em parágrafos. Como exemplo para você ver e logo reconhecer o estilo de prosa utilizamos abaixo o divertido ‘O homem trocado’, de Luís Fernando Veríssimo.lit-prosa-verso Leia e perceba que o autor lança mão também de muitos diálogos em seus textos, dando a eles agilidade. O título é O Homem Trocado.

O homem acorda da anestesia e olha em volta. Ainda está na sala de recuperação. Há uma enfermeira do seu lado. Ele pergunta se foi tudo bem.– Tudo perfeito – diz a enfermeira, sorrindo.  – Eu estava com medo desta operação… – Por quê? Não havia risco nenhum.

– Comigo, sempre há risco. Minha vida tem sido uma série de enganos… E conta que os enganos começaram com seu nascimento. Houve uma troca de bebês no berçário e ele foi criado até os dez anos por um casal de orientais, que nunca entenderam o fato de terem um filho claro com olhos redondos. Descoberto o erro, ele fora viver com seus verdadeiros pais. Ou com sua verdadeira mãe, pois o pai abandonara a mulher depois que esta não soubera explicar o nascimento de um bebê chinês.

– E o meu nome? Outro engano. – Seu nome não é Lírio? – Era para ser Lauro. Se enganaram no cartório e…

Os enganos se sucediam. Na escola, vivia recebendo castigo pelo que não fazia. Fizera o vestibular com sucesso, mas não conseguira entrar na universidade. O computador se enganara, seu nome não apareceu na lista.

– Há anos que a minha conta do telefone vem com cifras incríveis. No mês passado tive que pagar mais de R$ 3 mil. – O senhor não faz chamadas interurbanas? – Eu não tenho telefone!

Conhecera sua mulher por engano. Ela o confundira com outro. Não foram felizes. – Por quê? – Ela me enganava.

Fora preso por engano. Várias vezes. Recebia intimações para pagar dívidas que não fazia. Até tivera uma breve, louca alegria, quando ouvira o médico dizer: – O senhor está desenganado. Mas também fora um engano do médico. Não era tão grave assim. Uma simples apendicite.

– Se você diz que a operação foi bem…

A enfermeira parou de sorrir.

– Apendicite? – perguntou, hesitante.

– É. A operação era para tirar o apêndice.

– Não era para trocar de sexo?

prosa e verso destacada

Agora, veja as características de um texto em Versos

Os poemas são escritos em versos. Os poemas podem ter rimas (mas não obrigatoriamente). Muitas vezes há uma preocupação com o rítmo, a musicalidade da poesia.

Convite

Poesia / é brincar com palavras / como se brinca / com bola, papagaio, pião.

 Só que / bola, papagaio, pião / de tanto brincar / se gastam.

 As palavras não: quanto mais se brinca / com elas /  mais novas ficam.

 Como a água do rio / que é água sempre nova.

 Como cada dia / que é sempre um novo dia. /  Vamos brincar de poesia?

 

Para você entender: Todo texto literário apresenta dois planos essenciais: o plano de forma e o de conteúdo.

A FORMA envolve a construção do texto, ou seja, o vocabulário, a sintaxe, a sonoridade, as imagens, a disposição das palavras no papel. São os aspectos lingüísticos e gráficos do texto.

O CONTEÚDO é o plano das idéias. O conteúdo envolve os significados do texto e as suas relações com o mundo.

Por exemplo: há autores que privilegiam mais a forma. Os poetas parnasianos, por exemplo, tinham grande preocupação com a forma (rimas, métrica etc.). Tudo deveria estar perfeito. Já os modernistas preferem caprichar no conteúdo e muitas vezes desprezam as rimas.

Dica 1 – Entenda como identificar um Texto Literário de um Não Literário. E pratique em exercícios de Denotação e Conotação nesta aula de Literatura Enem

Dica 2 – Está pronto para o Enem? Acompanhe mais esta aula sobre as funções da linguagem, desta vez com foco nas funções conativa, fática e metalinguística.

Aula Gratuita sobre Prosa e Verso

Veja agora esta aula ilustrativa preparada pelo Telecurso, para você não esquecer mais sobre Prosa e Verso.

Desafios sobre Prosa e Verso para você resolver e compartilhar a solução:

Veja este poema de Carlos Dummond de Andra, e depois responda à questão:

  • Cidade grande / Que beleza, Montes Claros.
  • Como cresceu Montes Claros.
  • Quanta indústria em Montes Claros.
  • Montes Claros cresceu tanto, / ficou urbe tão notória, prima-rica do Rio de Janeiro, que já tem cinco favelas  / por enquanto, e mais promete.

Questão 1

Entre os recursos expressivos empregados no texto, destaca-se a:

a) metalinguagem, que consiste em fazer a linguagem referir-se à própria linguagem.

b) intertextualidade, na qual o texto retoma e reelabora outros textos.

c) ironia, que consiste em se dizer o contrário do que se pensa, com intenção crítica.

d) denotação, caracterizada pelo uso das palavras em seu sentido próprio e objetivo.

e) prosopopéia, que consiste em personificar coisas inanimadas, atribuindo-lhes vida.

Poema para questões 02, 03, 04 e 05.

José

E agora, José ?

A festa acabou,

a luz apagou,

o povo sumiu,

a noite esfriou,

e agora, José ?

e agora, você ?

você que é sem nome,

que zomba dos outros,

você que faz versos,

que ama protesta,

e agora, José ?

 

Está sem mulher,

está sem discurso,

está sem carinho,

já não pode beber,

já não pode fumar,

cuspir já não pode,

a noite esfriou,

o dia não veio,

o bonde não veio,

o riso não veio,

não veio a utopia

e tudo acabou

e tudo fugiu

e tudo mofou,

e agora, José ?

 

E agora, José ?

Sua doce palavra,

seu instante de febre,

sua gula e jejum,

sua biblioteca,

sua lavra de ouro,

seu terno de vidro,

sua incoerência,

seu ódio – e agora ?

 

Com a chave na mão

quer abrir a porta,

não existe porta;

quer morrer no mar,

mas o mar secou;

quer ir para Minas,

Minas não há mais.

José, e agora ?

 

Se você gritasse,

se você gemesse,

se você tocasse

a valsa vienense,

se você dormisse,

se você cansasse,

se você morresse…

Mas você não morre,

você é duro, José !

 

Sozinho no escuro

qual bicho-do-mato,

sem teogonia,

sem parede nua

para se encostar,

sem cavalo preto

que fuja a galope,

você marcha, José !

José, para onde ?

Questão 2

Para o poeta, José só não é:

a) alguém realizado e atuante.

b) um solitário.

c)um joão-ninguém frustrado.

d) alguém sem objetivo e desesperançado.

e) n.d.a.

 

Questão 3

Das possibilidades sugeridas pelo poeta para que José mudasse seu destino, a mais extremada está contida no verso:

a) “se você tocasse a valsa vienense”.

b) “se você morresse”.

c) “José, para onde?”.

d) “quer ir para Minas”.

e) “José, e agora”.

Questão 4

O verso que exprime concisamente que José é “ninguém” é:

a) “você que faz versos”.

b) “a festa acabou”.

c) “você que é sem nome”.

d) “que zomba dos outros”.

e) “Mas você não morre”.

Questão 5

Assinale a afirmativa falsa a respeito do texto.

a) José é alguém bem individualizado e a ele o poeta dirige com afetividade.

b) O ritmo dos sete primeiros versos da 5ª estrofe é dançante.

c) “Sem teogonia”, significa “sem deuses”, “sem credo”, “sem religião”.

d) Os versos são em redondilha menor porque tal ritmo se ajusta perfeitamente à intimidade, singeleza e espontaneidade das idéias.

e) n.d.a.

 

Você consegue resolver estes exercícios? Então resolva e coloque um comentário no post, logo abaixo, explicando o seu raciocínio e apontando a alternativa correta para cada questão. Quem compartilha a resolução de um exercício ganha em dobro: ensina e aprende ao mesmo tempo. Ensinar é uma das melhores formas de aprender!