Metalinguagem – Revisão completa de Literatura Enem

Você sabe reconhecer, em um texto literário, a função metalinguística? Ainda tem dúvidas do que consiste a metalinguagem? Seus problemas acabaram! Com essa aula, sua interpretação de textos poéticos, na prova do Enem ou no Vestibular, não será mais a mesma! Veja tudo o que preparei pra você e arrase nas provas!

A metalinguagem nada mais é do que a preocupação do emissor totalmente voltada ao próprio código que está sendo utilizado. Isso quer dizer que o código é o tema da mensagem ou, então, ele é usado para explicar sobre ele mesmo. Compliquei ainda mais? É bem fácil de entender! Não se preocupe!

O código, no texto verbal, é a língua. No momento em que usamos uma mensagem verbalizada para explicar a língua, usando a própria linguagem, ocorre a metalinguagem. Observe, em seu cotidiano, como isso é feito várias e vária vezes: em conversas de caráter informal ou até mesmo durante suas aulas!Metalinguagem Há momentos em que questionamos nosso interlocutor, ou seja, aquele que nos está emitindo uma mensagem. “O que isso quer dizer?” ou “Você pode me explicar outra vez?”

São perguntas que fazemos no nosso dia a dia e, reagidas a elas, vêm respostas que serão, seguramente, textos metalinguísticos, introduzidas através de termos explicativos, como “isto é” ou “ou seja”, que frequentemente introduzem textos com a função da metalinguagem.

Os dicionários e a gramáticas, por usarem as palavras para explicá-las, também exercem a função metalinguísticas em seus textos. No decorrer de nossa vida como estudante é habitual a utilização da função metalinguística da linguagem. Um exemplo são as análises textuais.

Como já foi dito, porém dizendo com outras palavras, sempre que determinada linguagem falar dela mesma, temos a metalinguagem.

Para ficar mais fácil, darei outros exemplos, bastante práticos: filmes que têm como tema o próprio cinema, uma peça teatral que tem por tema o teatro ou um poema que fala sobre a construção da poesia. Agora ficou bem claro, não é mesmo?Interpretação de texto com linguagem poética

Na literatura é muito comum encontrar textos que dialogam com outros textos, a fim de reafirmar o que já foi dito ou, então, para indagar ou fazer paródias de textos escritos em outros momentos.

Exemplo de Metalinguagem

Leia estes dois poema de Carlos Drummond de Andrade:

Poema que aconteceu

Nenhum desejo neste domingo

nenhum problema nesta vida

o mundo parou de repente

os homens ficaram calados

domingo sem fim nem começo.

A mão que escreve este poema

não sabe que está escrevendo

mas é possível que se soubesse

nem ligasse.

Poesia

Gastei uma hora pensando um verso

que a pena não quer escrever.

No entanto ele está cá dentro

inquieto, vivo.

Ele está cá dentro

e não quer sair.

Mas a poesia deste momento

inunda minha vida inteira.

Observe que os poemas são construídas a partir de olhares diferentes: no primeiro vemos um poema que aconteceu, sem grandes motivações, apenas escrito em um domingo, certamente como muitos, em que nada acontece. Em contrapartida, no segundo poema, o poeta tem a ideia de escrever um poema, mas não consegue construí-lo. Assim sendo, nos deparamos nos dois poemas de Drummond, a função metalinguística: poesia para falar de poesia!

Não deixe de assistir ao vídeo do canal Amada Foca, no YouTube, sobre metalinguagem. É curtinho e superengraçado! Vai te ajudar a reforçar sobre o que você aprendeu no tema desse post:

Em seguida, selecionei algumas questões sobre função metalinguística. Leia atentamente, responda e confira o gabarito, no fim das questões. Bons estudos!

Exercícios

1 – Observe o quadro de Paul Gauguin – Van Gogh pintando girassóis:

metalinguagem

Pode-se definir “metalinguagem” como a linguagem que comenta a própria linguagem, fenômeno presente na literatura e nas artes em geral. O quadro “Van Gogh pintando girassóis”, de Paul Gauguin, é um exemplo de metalinguagem por quê:

a) destaca a qualidade do traço artístico
b) mostra o pintor no momento da criação
c) implica a valorização da arte tradicional
d) indica a necessidade de inspiração concreta
e) destaca as cores presentes no quadro

2 – ENEM 2014

O exercício da crônica

Escrever  crônica é  uma  arte  ingrata. Eu  digo  prosa  fiada, como faz  um cronista;  não a prosa de  um ficcionista, na qual este  é   levado  meio a  tapas pelas  personagens e  situações  que, azar dele, criou  porque quis.  Com um prosador do  cotidiano, a coisa  fia  mais fino. Senta-se  ele diante de  uma  máquina, olha através da  janela e  busca  fundo em  sua  imaginação  um assunto  qualquer, de  preferência colhido no  noticiário matutino, ou  da  véspera, em  que,  com  suas  artimanhas peculiares, possa  injetar um sangue  novo.  Se nada  houver, restar-lhe o recurso de  olhar em torno e  esperar que, através de  um processo associativo,  surja-lhe de  repente a  crônica, provinda dos   fatos e  feitos de  sua  vida emocionalmente despertados pela concentração.  Ou  então, em última instância, recorrer ao assunto da falta de  assunto, já bastante  gasto,  mas do  qual,  no  ato de escrever,  pode surgir  o   inesperado.

(MORAES,  V. Para  viver um grande  amor:  crônicas e  poemas. São  Paulo:  Cia das  Letras, 1991).

Predomina nesse  texto a  função da  linguagem que se  constitui

(A)  nas  diferenças  entre  o cronista e  o  ficcionista.
(B) nos  elementos  que servem de  inspiração ao cronista.
(C) nos assuntos  que  podem ser  tratados em  uma crônica.
(D) no  papel da  vida do cronista no  processo de  escrita da  crônica.
(E) nas  dificuldades de se  escrever uma crônica por meio de  uma crônica.

Gabarito: 

1 – B
2 – E

Analice Literatura
O texto foi escrito pela professora Analice, formada em Letras pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – Unesp. Atualmente é mestranda em Literatura na Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, professora de português na rede particular e colaboradora do Blog do Enem. Facebook.